quarta-feira, 8 de julho de 2009

CRENTES S/A



De acordo com Bernardo Pina, em artigo intitulado “o que é uma sociedade anônima” a principal característica de uma S/A (sociedade anônima) é que o seu capital é dividido em ações. Essas ações podem ser compradas e vendidas sem a necessidade de escrituras públicas ou ato notorial.

Sem pormenorizar o conceito e seus desdobramentos neste modelo, cada um, de acordo com a proporcionalidade de “quotas”, é proprietário de uma parte da empresa. Sendo mais objetivo, a empresa possui vários donos, cada um com um grau de poder distinto. O número de “quotas” define quem manda mais.

Pensando neste conceito, associado ao fenômeno da pós-modernidade e sua influência na igreja cheguei a uma conclusão: Em pouco tempo, os crentes serão sócios da igreja, e não mais membros. É interessante notar que a moda agora é não ser membro de uma denominação religiosa, mas sim participante de cultos em denominações diferentes para que minhas necessidades sejam atendidas.

Conheci uma senhora que me disse o seguinte tempos atrás: Na segunda-feira freqüento a igreja do pastor Fulano de Tal, lá eu busco a prosperidade material. Na terça, tem o pastor Ciclano, lá eu busco a cura, ele é TREMENDO! Na quarta, o pastor Beltrano dá ensinamento, eu não falto de jeito nenhum. Quinta-feira eu descanso um pouco, porque na sexta tem o culto da vitória com o pastor Tal. No final de semana, divido o tempo com a igreja do Apóstolo X e freqüento a igreja que sou membro. Assim vou depositando um pouquinho da minha fé em vários lugares diferentes. Quando um quebrar, posso me apoiar em outro.

Fiquei perplexo com o que ouvi. Percebi então que esta onda “pegou” muitos crentes. A ordem é satisfazer nossas necessidades custe o que custar. As grandes denominações evangélicas sequer preocupam-se em saber quem são seus membros. Viva a rotatividade, viva o capital humano, viva o investimento proporcional dos crentes.

A Bolsa de Valores “é um local onde compradores e vendedores de ativos se encontram para efetuar transações. Hoje em dia, com o desenvolvimento das novas tecnologias de informação, este espaço perdeu um pouco a sua importância, evitando-se assim a presença física dos corretores na Bolsa.”
(http://eden.dei.uc.pt/gestao/forum/glossario/)

A religião chegou ao mundo virtual. Negociamos bênçãos, contribuímos financeiramente em troca de vantagens pessoais. Ganha mais dinheiro quem atende meus desejos, do que a igreja que sou membro. Ir à igreja tornou-se sacrifício para muitos – por que ir lá, onde preciso sentar num banco de madeira, se posso ficar confortavelmente em casa, sendo ministrado pelo mundo virtual?

Esse é o pensamento de muitos. Na igreja que sou membro um irmão me disse: Só contribuo aqui quando trocarem os bancos por poltronas. Como vou investir numa igreja que não me proporciona conforto?

Miserável, pensei. Não era membro, era investidor do mercado dos crentes S/A.

Um comentário:

  1. A Paz do Senhor Amado!

    Estes dias, em minhas andanças me deparei com uma frase em um parachoque de caminhão que dizia assim:
    Pequenas Igrejas, grandes negócios!
    A coisa está feia amado...e vai piorar, pelo que temos visto pelo termometro da Palavra de Deus!
    Um beijo no coração!

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