quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PASTOR OU PRESIDENTE?



Não raras vezes, ouvimos nas discussões eclesiásticas opiniões que nos deixam perplexos. Certo dia, um grupo de obreiros de uma determinada cidade, discutia qual deveria ser o perfil ideal de um pastor. Como bom curioso que sou (até que me provem o contrário, curiosidade não é pecado) fiquei até o final do debate para ver o resultado.

Como “cabos eleitorais eclesiásticos” cada um, à seu modo, defendiam veementemente seu ponto de vista. Um deles disse: Precisamos de um presidente de verdade, (será que existe presidente de mentira? Questionei-me) um homem que tenha coragem de chegar em nossas reuniões e enfrentar o público com firmeza, que não seja “mole”.

Outro, mais exaltado falou: Pra ser presidente tem que saber negociar. Um presidente que não divide cargos não pode ser pastor. Confesso que num determinado momento aquela conversa começou a enojar-me.

A medida que os discursos prosseguiam, outros obreiros agregavam-se à discussão. Quando dei conta, já estávamos reunidos numa roda de número considerável de obreiros.

Alguns questionavam a formação educacional e profissional que deveria ser observada na escolha de um pastor. É claro que a questão de experiência ministerial foi discutida – não por preocupação de vivência espiritual do pastor, mas porque não era admissível que um pastor com pouco tempo de casa assumisse qualquer cargo.

Um outro falou: Presidente bom tem que ter formação em Administração de Empresas, Contabilidade ou Direito.

Comecei a pensar, afinal, o que é um presidente? Por definição, presidente é o que ocupa o maior cargo em uma organização. Até aqui, tudo normal. Por que então minha preocupação?

Percebi que todos estão em busca de um presidente, e não de um pastor. A problemática é simples: os pastores de hoje querem presidentes, enquanto à igreja busca por pastores.

Em nenhum momento da discussão foi abordada a necessidade de se escolher homens que andassem em conformidade com o texto bíblico em 1 Timóteo, capítulo 3 que diz: ... Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento ...

Na instituição do diaconato, nos Atos dos Apóstolos, capítulo 6, versículo 3, havia a seguinte recomendação: Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.

Pastor é diferente de Presidente. Um pastor é alguém que se dedica a cuidar e preservar do seu rebanho. A igreja necessita de pastores, de alguém que os cuide, que os alimente.

Enquanto a “política eclesiástica” expande-se, o rebanho sofre. Igreja não é empresa, não é lugar de lucro, não é secular. Presidente se forma no sistema educacional. Não será muito difícil, dentro de pouco tempo, abrirmos os classificados dos jornais e lermos: Contrata-se profissional com formação em Administração de Empresas, ou Contabilidade ou em Direito, com pós-graduação em liderança de pessoas, de boa aparência e inglês fluente para presidência de igreja evangélica nesta cidade.

Cláudia Lúcia (http://www.abiblia.org/perguntasView.asp?id=355) lembra-nos que no contexto bíblico, entende-se que Deus escolhe o homem para determinados fins.

Ele, através de sua onisciência e onipotência, criou o homem com uma característica inigualável no aspecto da sua individualidade.
Assim, quando imaginamos que para execução de um determinado serviço é necessário a utilização de vários instrumentos, podemos deduzir que para cada tipo de obra, Deus se utiliza dessa individualidade do homem.

Então, pode-se concluir que todos nós nascemos com um TALENTO e através desse talento, descobrimos a nossa VOCAÇÃO. Quando essa vocação é voltada para a obra de Deus, recebemos o DOM de Deus que nos capacita para exercermos o MINISTÉRIO ao qual Deus tem nos chamado.

Mais vale para Deus um PASTOR do que um PRESIDENTE.

Eliel Gaby

3 comentários:

  1. Meu caro Eliel, parabéns pelo excelente artigo.
    Concordo plenamente com suas colocações.
    Clama a Noiva do Cordeiro por ministros desprovidos da ambição pela cadeira central, mas cheios de amor e compaixão pelo rebanho - que Ele resgatou pelo seu Sangue (Atos 20:28).

    Um fraternal abraço no coração de seu sempre amigo e admirador.
    Pastor Marcos Antonio da Silva

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  2. Caro Eliel,

    Parabéns pelo artigo. É assustador constatar que nem mesmo os obreiros sabem o que é melhor para a igreja.

    Judson Canto

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  3. Excelente Artigo,
    É lamentável que a busca pelo poder tornou-se uma política tão suja dentro das igrejas, quanto a política pública de nosso país.

    Jonas faria

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