quarta-feira, 25 de agosto de 2010

OS VALORES DA OBRA DE DEUS

Já faz algum tempo que tenho ficado estarrecido diante do que estão fazendo com a obra de Deus. Obra esta que não pertence a nenhum homem, mas exclusivamente ao Todo-Poderoso, criador dos céus e da terra e autor de nossa salvação. Porém, infelizmente, muitos têm se apropriado dela como se fosse seu negócio e a usado para seu próprio benefício. Esquecem-se de que para nós, cabe o privilégio e a responsabilidade de sermos servos para expandir a mensagem desta obra, ou seja, o “evangelho do reino por todo o mundo” (Mt 24.14).

Interessante notarmos que a Bíblia nos passa alguns valores que fazem parte desta obra. Vejamos:

- A obra é de Deus. “Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29). Quer dizer: ninguém tem o direito de ser dono, possuidor, realizador; é do Senhor e de mais ninguém.

- A obra de Deus tem um objetivo: pregar a Cristo para que creiam nele! “Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29).

- A obra de Deus anuncia que o Reino de Deus está próximo! “A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: ... pregai que está próximo o reino dos céus” (Mt 10.5,7).

- A obra de Deus deve ser gratuita. “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10.8).

- A obra de Deus é para glorificar ao próprio Deus. Quando um anjo do Senhor apareceu aos pastores anunciando que Jesus havia nascido, ou seja, ali iniciava a grande obra, um coral angelical cantou: “Glória a Deus nas alturas” (Lc 2.14).

No entanto, hoje, em muitos lugares estão dando novos valores para a obra de Deus, vejamos:

- Em vez de ser de Deus é do homem. “Minha igreja, meu ministério, minha pregação” etc. Parece que muitos têm se esquecido que são meros instrumentos neste grande reino e já que são donos da obra, logo têm grande retorno por ela. É triste quando vemos na televisão líderes de igrejas que se colocam como se fossem seus grandes proprietários!

- Em vez de pregar a Cristo prega-se a mim! O Antropocentrismo está alta em muitas de nossas igrejas. Mais se fala dos nomes famosos, celebridades gospel, fotos, marketing, que podem encher nossos templos do que do nazareno que veio a este mundo dizendo: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

- Em vez de anunciar que o reino de Deus está próximo anunciam que viveremos para sempre nesta terra. Então receba tudo o que quiser pois o céu é aqui mesmo. Não pregam que estamos apenas de passagem, por isso muitas pessoas fincam seus pés neste mundo e se tornam apenas receptores da infundada “Teologia da Prosperidade”.

- Em vez de ser gratuita, a obra de Deus tem se transformado num grande negócio em que “servos” de Deus, agraciados com dons para abençoar o povo, arrancam quantias monetárias exorbitantes deste mesmo povo, dilacerando os caixas das igrejas. Quer dizer, tudo o que Martinho Lutero lutou com todas as suas forças para desfazer e iniciar a Reforma Protestante estamos deixando acontecer novamente. Como assim? Um dos desvios da igreja que mais atormentava Lutero era a troca de dinheiro por bênçãos, perdão, e dádivas divinas. As pessoas tinham que pagar para serem redimidas, abençoadas e para terem um lugarzinho no céu. Em seu livro A Reforma Protestante, o autor e pastor Abraão de Almeida relata que naquele tempo vendia-se de tudo. Havia se transformado “o altar em um grande balcão”. Porém, com outra roupagem, tem acontecido a mesma coisa em nossas igrejas. Para sentirmos a presença de Deus e receber algo especial precisa-se pagar para “mercadejantes” da palavra de Deus (2 Co 2.17).

Outro dia fiquei estupefato, perplexo – faltam palavras para expressar o que senti – quando convidei uma jovem cantora local para vir cooperar em um de nossos Cultos de Jovens. Além de nem conseguir falar a cantora, pois se tornou tão inatingível, sua assessora me perguntou se eu sabia da “oferta” que deveria ser dada. Disse que não, quando ela respondeu com tom grosseiro e sem sentimento algum de que o valor era de R$ 2.500,00!

Muitas vezes não sabemos quem culpar pelos novos valore$ da obra de Deus. Sou totalmente compreensivo de que há muitos sinceros nesta seara e que dependem da ajuda, de oferta voluntária das igrejas e isto deve ser feito sim! Temos que ofertar, dentro das limitações, servos do Senhor que a fazem com amor e seriedade. Mas a culpa pelo abuso e dos novos valores da posse, da mensagem, e do comércio que infiltraram nesta obra é das próprias igrejas. Fomos aceitando colocar o principal líder da igreja como um ídolo imaculado, fomos aceitando a idolatria de nomes famosos, fomos aceitando a pregação de que o céu é aqui e fomos aceitando comprar as bênçãos!

Tenha Deus misericórdia de nós, pois precisamos de um retorno urgente aos verdadeiros valores que compõem o mais sublime e mais nobre trabalho que é a expansão da obra de Deus.

Texto de E. Henrique Pesch

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