segunda-feira, 29 de novembro de 2010

E.B.O. - Paranaguá/PR - Comentários de Ezequiel 28

Conforme havia prometido aos alunos da matéria de Angelologia que ministrei na EBO em Paranaguá/PR, igreja presidida pelo Pr. José Alves, apresento alguns comentários sobre o texto de Ezequiel 28.

O rei de Tiro é uma referencia a Satanás? (Ezequiel 28.11-19)

Parece bastante natural tomar esse poema como uma repetição, pela ênfase de Ezequiel ao criticar a queda da Tiro terrena e de seus governantes humanos. Todavia, muitos vêem a passagem como direcionada indiretamente a Satanás. Por que?

1) As descrições “sinete da perfeição, sabedoria e formosura” e, “perfeito eras nos teus caminhos desde o dia em que foste criado” soam como algo inadequado a qualquer rei humano.

2) “... Éden, jardim de Deus”, descrito como o centro do rei na terra, coberto por todas as pedras preciosas, é tomado como a região de Satanás antes de Adão ter sido criado.

3) O “querubim da guarda” é, mais uma vez, uma descrição que dificilmente se ajustaria a um rei pagão, mas ficaria mais bem posto no papel de Satanás antes da queda, na qualidade de um importante ser angelical.

4) “Até que se achou iniqüidade em ti”, não se encaixa na doutrina da depravação humana, mas parece indicar um ato específico de pecado que acabara por corromper o ser descrito.

5) As expressões: “Eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo (...) e te reduzi a cinzas sobre a terra” parecem se ajustar às palavras de Cristo sobre a expulsão de Satanás do céu, conforme se encontra registrado em Lucas 10.18.

Conquanto esses mesmos versículos admitam interpretações metafóricas e poéticas, com referência aos governantes humanos de Tiro, os que vêem Satanás nesta passagem acreditam que elas se ajustam melhor ao ser maligno. Por outro lado, um comentarista declara que, “cada característica fornecida sobre ele [o rei] nesses versículos, pode ser aplicada àluz do contexto religioso-cultural da época”.

Fonte: RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia – Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD. Rio de Janeiro, 2005.

Ezequiel 28.15

“Perfeito eras”. Is 14.12 compara o rei da Babilônia à pessoa de Lúcifer, “Estrela da Manhã”. Naqueles tempos já existia a história de um anjo perfeito, dos mais gloriosos, que, querendo elevar-se acima do seu nível, foi precipitado à destruição. A Bíblia não dedica muitas linhas aos fatos ocorridos nos Céus; da mesma forma, só o primeiro versículo de Gênesis se refere à criação do universo inteiro, daí a narrativa se limitar às origens da terra, e depois à história da raça humana. Compreende-se, porém, que há uma alusão à pessoa de Satanás e que a soberba entrega a pessoa nas mãos dele.

Fonte: Bíblia Shedd. Edições Vida Nova. São Paulo, 1997.

O rei de Tiro (Ezequiel 28)

Tudo o que é dito sobre o rei de Tiro aqui deve ser entendido como tendo uma dupla referência – ao rei terreno de Tiro, um homem; e ao rei sobrenatural, Satanás ou Lúcifer, que governava Tiro por meio do monarca humana. Tanto o rei humano como o sobrenatural são mencionados e tratados nessa profecia. Afirmações que poderiam se referir ao ser humano devem ser entendidas como afirmativas que dizem respeito a ele; e aqueles que não poderiam se referir a um homem devem ser reconhecidas como referências ao ser sobrenatural.

Nesta passagem existem 21 referências a Lúcifer:

(1) Tu eras o selo da medida (modelo como em 43.10); ou seja: Tu eras o perfeito modelo (v.12).
(2) Tu eras cheio de sabedoria e perfeito em formosura (vv. 12,17).
(3) Estiveste no Éden, jardim de Deus (v.13).
(4) De toda a pedra preciosa era a tua cobertura quando estiveste no Éden.
(5) Foste criado (não nascido).
(6) Tu eras o querubim (anjo) ungido para cobrir (proteger ou abrigar, v.14).
(7) Eu te estabeleci.
(8) No monte santo de Deus estavas.
(9) No meio das pedras afogueadas andavas.
(10) Perfeito eras nos teus caminhos (nas leis em que exigi que andaste), desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti (v. 15).
(11) Na multiplicação do teu comércio (tráfico) pecaste. Eu te lancei do monte de Deus (v.16).
(12) Eu te fiz perecer, ó querubim (anjo) cobridor, do meio das pedras afogueadas.
(13) Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura (v. 17).
(14) Corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor (esplendor, formosura).
(15) Por terra te lancei (v. 17; Lc 10.18; Is 14.12-14).
(16) Diante dos reis te pus (v. 17; Mt 25.41; Ap 20.10).
(17) Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários (v. 18).
(18) Fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu (v. 18; Mt 25.4; Ap 20.10)
(19) Eu te tornei em cinza sobre a terra (v. 18).
(20) Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti (v. 19).
(21) Em grande espanto te tornaste, e nunca mais serás solto entre os homens para exaltares a ti mesmo e te opores a Deus.

É verdade que algumas dessas afirmações poderiam se referir ao rei terreno de Tiro, mas grande parte delas (pontos 3-12, por exemplo) jamais poderia se aplicar a um ser humano. Reconhecendo que a lei da dupla referência se aplica a essa passagem, podemos dizer que Lúcifer é único ser nas Escrituras que poderia cumprir todas as afirmações aqui; portanto, ele deve ser o elemento em questão aqui e quem cumprirá os elementos sobrenaturais.

O tempo da queda de Lúcifer (Ezequiel 28.15)

O tempo de sua iniqüidade foi quando ele se rebelou contra Deus para exaltar seu trono e reino da terra ao céu (Is 14.12-14). O tempo de sua corrupção e pecado foi certamente antes dos dias de Adão, pois Lúcifer já era uma criatura caída quando apareceu no Éden de Adão (Gn 2; 2Co 11.4).

A blasfêmia de Lúcifer (Ezequiel 28.16)

Heb. Rekullah, tráfico. Refere-se ao andar de Lúcifer blasfemando contra Deus aos seus próprios súditos na terra, e aos súditos de Deus entre os anjos, até ter todos os seus súditos na terra se rebelando contra o Criador, bem como um terço dos anjos (Is 14.12-14; 2Pe 3.4-6; Ap 12.4). Independentemente do que seja, está claro aqui que o comportamento resultou em violência; e Lúcifer pecou e rompeu com Deus. Essa não poderia ser uma referência a um rei na terra, como o governante de Tiro fazendo negócios comuns com as nações. Definitivamente diz respeito ao comércio de um querubim, e não de um homem. Todo o comércio entre as nações do mundo inteiro não poderia levar um anjo a pecar, como aconteceu aqui no v. 16.

O monte de Deus (Ezequiel 28.16)

Nenhum anjo esteve em algum monte santo de Deus durante o governo do rei terreno de Tiro, por isso a referência diz respeito ao passado eterno em que o próprio querubim tinha um trono literal na terra sobre o monte santo de Deus. Aqui temos uma compreensão da posição de Lúcifer antes de sua queda, e uma revelação sobre a causa de sua queda (vv. 13-17). O termo monte/montanha de Deus e suas variações ocorrem seis vezes (Gn 22.14; Nm 10.33; Is 2.3; 30.29; Mq 4.2; Zc 8.3). Todas essas passagens bíblicas não se referem ao mesmo monte no mesmo lugar, como se pode ver em diversas passagens.

Lúcifer é expulso do céu (Ezequiel 28.17)

Ele foi lançado do céu de volta à terra na época de sua invasão do céu (v. 17; Is 14.12-14; Lc 10.18), e será lançado à terra novamente no meio da 70ª semana de Daniel (Ap 12.7-12). Então ele será lançado no abismo por mil anos e será solto por um breve espaço de tempo novamente no final desse período. Depois disso, será lançado no lago de fogo para ser atormentado para sempre (Ap 20.1-10).

Lúcifer é humilhado (Ezequiel 28.17)

Ele já havia sido humilhado diante dos reis, pois foi lançado à terra diante de todas as nações sobre as quais reinava antes da época de Adão (Is 14.12-14). Será mais uma vez terrivelmente humilhado diante dos reis da terra aos quais liderará com o Anticristo na batalha do Armagedom (Ap 12.7-12; 16.13-16; 19.11-21; 20.1-3). Então, mais uma vez, no final do Milênio, ele será lançado no inferno diante de todos os reis e dos outros que passarão a eternidade no lago de fogo (Mt 25.41; Ap 20.10).

Tornado em cinza (Ezequiel 28.18)

Ele cairá como cinzas no chão. Cinzas falam da terrível humilhação e, como elas, ele literalmente cairá ao chão, e então será lançado no inferno, onde homens irão observá-lo (vv. 17,18). Isso não faz referência ao seu corpo sendo transformado em cinzas, então esses homens não poderiam vê-lo ou saber que ele foi Satanás. Portanto, não se deve considerar que ele tem um corpo mortal que pode ser transformado em cinzas. As pessoas se espantarão com ele, e não com as suas cinzas (vv. 18,19).

Fonte: Bíblia de Estudo Dake. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD. Rio de Janeiro, 2009.

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