quinta-feira, 10 de março de 2011

Papa refuta imagem de um Jesus revolucionário em seu novo livro



Bento XVI lançou em 7 idiomas o 2º volume de seu livro sobre vida de Cristo.
Pontífice, que é teólogo, disse que quis apresentar o 'Jesus real' na obra.

O Papa Bento XVI refutou a imagem de um Jesus Cristo politizado e revolucionário em seu novo livro lançado nesta quinta-feira (10) em sete idiomas e no qual absolve os judeus como responsáveis pela morte do filho de Deus.

O segundo volume do livro do Papa sobre a vida de Cristo, "Jesus de Nazaré. Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição", tem um profundo conteúdo teológico e, em seu prefácio, Bento XVI precisa que "não se trata de um documento de magistério" (portanto, infalível), e sim um "percurso pessoal interior na busca do rosto de Deus".

A nova obra, de mais de 300 páginas, espera ser um êxito editorial como foi o primeiro volume, que, em 2007, ficou entre os mais vendidos.

Os livros do papa geralmente viram fenômenos editoriais, e recentemente o Vaticano informou que quase um milhão de exemplares do livro de entrevistas "Luz do mundo" já foram vendidos.

"Desejo apresentar 'a figura e a mensagem' de Jesus. Exagerando um pouco, queria descobrir o Jesus real", escreveu Bento XVI, um reconhecido teólogo.

Em trechos que foram divulgados na semana passada, o papa reafirmou que o povo judeu não era responsável pela morte de Cristo, tese também reconhecida por Israel e por movimentos judaicos.

O papa também rejeita a ideia de que Jesus tenha sido um "político revolucionário".

"No Iluminismo já havia tentativas de interpretar Jesus como um revolucionário político (...) Nos anos 60, formou-se o clima clima espiritual e político no qual uma visão como esta pôde desenvolver uma força explosiva", analisa, em mencionar as repercussões da Teologia da Libertação, firmemente condenada pelo papa.

"Cristo não veio como destruidor, não chegou com a espada do revolucionário. Veio com o dom de curar (...) Ele nos mostra Deus como alguém que nos ama e seu poder é o amor", escreve o papa, segundo uma tradução livre baseada na versão em italiano.

"Não, a subversão violenta, o assassinato de outros em nome de Deus não correspondia a seu modo de ser", enfatiza o papa.

No terceiro capítulo, dos nove que formam a obra, intitulado "Da lavagem dos pés", Bento XVI desenvolve o "mistério do traidor" e analisa a figura de Judas Iscariotes.

O papa-teólogo recorda que "Jesus teve de experimentar a incompreensão, a infidelidade na intimidade de seus amigos" para poder "cumprir as Escrituras", já que "Ele mesmo alude a seu destino através das Escrituras", que inserem Jesus na lógica de Deus, na lógica da história da salvação".

"Ele carregou sobre si a traição de todos os tempos e experimentou o sofrimento de ter sido traído, suportando assim até o final as misérias da história", escreve o pontífice.

O livro também aborda a relação com a política e a violência religiosa, uma das maiores preocupações de seu pontificado devido aos crescentes ataques contra cristãos no mundo muçulmano.

"Não é acaso verdade que as maiores ditaduras se mantiveram graças à força da mentira ideológica e que só a verdade é aquela que concede a libertação?", questiona.

Para Bento XVI, as "consequências terríveis da violência religiosa podem ser vistas ante nossos olhos", por isso chama esta violência de "instrumento do anticristo".

"Não serve à humanidade e sim à desumanidade", conclui.

Joseph Ratzinger começou a escrever esta série quando ainda era cardeal e prefeito da Congregação pela Doutrina da Fé, órgão do Vaticano encarregado de garantir a manutenção do dogma católico.

O segundo volume do livro "Jesus de Nazaré" tem uma tiragem de 1,2 milhão de exemplares em sete idiomas, alemão, italiano, inglês, francês, espanhol, português e polonês.

Fonte: www.g1.com.br - 10/03/2011

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