terça-feira, 13 de setembro de 2011

“Pais precisam ser educados para educar os filhos”



Em seu programa no SBT, a pedagoga já atendeu 105 famílias desesperadas com o mau comportamento das crianças. Uma delas pegou uma faca de cozinha para ameaçar os pais ao ouvir um “não”. Segundo Cris, os pais precisam descobrir em conjunto que tipo de educação querem dar aos filhos. E, acima de tudo, precisam ter convicção de sua escolha e perder o medo de assumir a autoridade. Confira a entrevista concedida ao Delas.

iG: Como os pais podem educar os filhos juntos? E quando há um impasse?

Cris Poli: Pais com o mesmo olhar sobre a educação conseguem um resultado de comportamento mais rápido do que aqueles com opiniões divididas. O segredo é conversar sobre a educação que eles gostariam de dar para seus filhos. Parece meio óbvio, mas não é. Eles devem conversar sobre as experiências individuais, sobre a educação de cada um deles, o que pode ser aproveitado e mudado. Nenhum dos dois pode impor sua visão à força.

iG: E quando os pais não concordam, qual o impacto sofrido pelas crianças?

Cris Poli: Elas ficam confusas, não sabem que direção tomar. O pai fala ‘branco’ e a mãe fala ‘preto’. A criança fica no meio da duplicidade de opinião e se inclina para aquilo que convém no momento. Se ela quer sair sem hora para voltar, vai pedir a um dos pais que a deixe fazer isso. A criança não aprende o que é certo e o que é errado. Ela aprende só o que convém.

“ Vi crianças pegarem uma faca da cozinha para ameaçar o pai e a mãe por eles terem dito ‘não’

iG: Quais os maiores erros que os pais cometem com relação à disciplina dos filhos?

Cris Poli: Hoje em dia, os pais têm muita dificuldade em assumir a autoridade. Têm muitas dúvidas, estão inseguros. Acham que os filhos não vão gostar deles se eles disserem ‘não’. Há muita dificuldade em colocar limites e dizer ‘não’. Alguns pais não sabem bem como colocar limites, pois tem pouco tempo para ficar com os filhos. Voltam do trabalho cansados e acham que não devem ficar falando ‘não’. E ainda deixam o filho fazer o que quer. São coisas muito sérias e preocupantes. Com isso, estes pais acabam vendo em seus filhos comportamentos que eles não suportam.

iG: Como mudar essa situação?

Cris Poli: Vi crianças pegarem uma faca da cozinha para ameaçar o pai e a mãe por eles terem dito ‘não’. O que fazer neste momento? É ignorar a birra e tomar a atitude com firmeza. A criança precisa entender que você não vai fazer a vontade dela. Os pais têm que tomar as rédeas da casa e assumir a autoridade. Dar limites, regras, rotinas, ou seja, assumir a responsabilidade e não a delegar para outras pessoas. Muitas crianças ficam na escola período integral ou com outras pessoas, como babás e avós. Mas os pais não podem delegar a autoridade para outras pessoas. Quando os pais entendem que o comportamento de seu filho é insuportável, precisam assumir a responsabilidade.

iG: Qual a diferença entre autoridade e autoritarismo?

Cris Poli: Pai autoritário é déspota e arrogante, impõe a força, usa o medo, bate, grita e se descontrola. O pai que tem autoridade tem convicção daquilo que está fazendo, está no comando da situação, sabe o que é melhor para os seus filhos. Ter convicção daquilo que se está fazendo faz a diferença. Quando uma criança vê um adulto com autoridade não acha ruim, pode espernear, chorar e resistir, mas, no final, acaba acatando e gostando. Autoridade não é uma coisa ruim, autoritarismo sim.

iG: E se a convicção falhar e os pais tiverem dúvidas?

Cris Poli: Dúvidas todos nós devemos ter. Assim como uma criança não pede pra nascer, pai não nasce sabendo ser pai. Vai aprender, vai errar e vai mudar. No momento de tomar a decisão, os pais precisam ter convicção de que aquilo fará bem para o filho. E a convicção vem a partir de conceitos. Por exemplo, se uma mãe quer que seu filho coma legumes, como ela pode fazer isso? A primeira coisa a entender é que o filho só aprenderá a partir de exemplos, então ela precisará comer legumes também. Os pais não podem impor algo que não praticam. Assim, a convicção da mãe passará para a criança.

Fonte: Camila de Lira, para o Portal iG. 13.09.2011

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