quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Com nova lei, divórcios atingem o maior índice da história




O Brasil registrou em 2010 a maior taxa geral de divórcio da história, segundo dados do estudo Estatísticas do Registro Civil 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice chegou ao número de 1,8‰, superando o 1,5‰ de 2008. Esse número é obtido pela divisão do número de divórcios pela população e multiplicada por 1.000.


O recorde se deve principalmente às mudanças nas regras de divórcios e separações estabelecidos no último ano. No Brasil, o divórcio e a separação foram instituídos e regulamentados em 1977. Até aquela data, o desquite era o dispositivo legal para a dissolução dos casamentos sem, no entanto, possibilitar nova união formal.


À época de sua criação, a separação legalizava-se por meio de processo judicial. O processo poderia ter caráter consensual, quando as duas partes estavam de acordo com os termos da separação e tinham pelo menos um ano de casados, ou litigioso. O divórcio também era formalizado através de processo instituído na Justiça três anos após a concessão da separação ou cinco anos após a separação de fato. Esses prazos foram alterados pela Constituição de 1988, reduzindo-os para dois anos, quando comprovada a separação de fato.


A partir de 4 de janeiro de 2007, os divórcios e separações puderam ser requeridos por via administrativa, nos tabelionatos de notas do País. Posteriormente, em julho de 2010, a alteração no artigo suprimiu do texto constitucional as referências ao instituto da separação e aos seus consequentes prazos, de modo que, atualmente, é possível requerer a dissolução do casamento a qualquer tempo, seja o divórcio de natureza consensual ou litigiosa.


Essas mudanças ocasionaram um grande aumento no número de divórcios e a redução no número de separações. Em 2010, foram registrados 243.224 divórcios e 67.623 separações. A comparação das taxas referentes aos Estados para os anos de 2009 e 2010 revelou crescimento dos divórcios em todos os Estados brasileiros, exceto em Roraima, Tocantins, Paraíba e Mato Grosso, que mantiveram taxas iguais às do ano anterior.


Mais divórcios e mais cedo


De acordo com o estudo, 40,9% dos divórcios registrados em 2010 foram de casamentos que duraram no máximo 10 anos. Em 2000, foram 33,3% dos divórcios para o mesmo período e, em 2005, 31,8%.


Considerando ainda os divórcios judiciais concedidos e sem recursos e as escrituras de divórcios realizadas em tabelionatos, essas dissoluções ocorridas em 2010 foram de casamentos que tiveram em média 16 anos de duração.


As informações da pesquisa mostram que as médias de idade se elevaram para ambos os cônjuges. Em 2010, a idade média ao se divorciar foi de 43 anos. Em 2000, essa idade era de 41 anos. Entre as mulheres, a diferença aumentou apenas um ano no período analisado, sendo a idade média atual de 39 anos.


Divisão de bens


A atribuição automática da comunhão parcial dos bens é refletida na distribuição dos divórcios segundo o regime de bens e esteve em 81,7% dos processos. Esta característica é adotada como padrão por se adequar às condições socioeconômicas da maior parcela da população brasileira. A opção por outros regimes deve ser objeto de manifestação do casal na ocasião do casamento. No período houve queda das percentagens de divórcios cujo regime de bens do casamento foi o de comunhão universal, passando de 29,9%, em 2000, para 13,9%, em 2010. Os divórcios dos casamentos com regime de separação de bens se elevaram, porém seu percentual é bem inferior ao dos demais, apenas 4,1%, em 2010.


As Estatísticas do Registro Civil são publicadas desde 1974 e são resultados resultado da coleta das informações prestadas pelos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais, Varas de Família, Foros ou Varas Cíveis e os Tabelionatos de Notas do País.










segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Escatologia das Religiões por Alex Belmonte





O termo Escatologia deriva de duas palavras gregas: escathos e logos que se traduzem por “último” e “estudo” ou “tratado”. É o estudo ou doutrina das últimas coisas. É chamada bíblica, no nosso caso, porque ela pode ser extrabíblica. A palavra Escatologia não é uma exclusividade da linguagem cristã, porém é quase unânime o seu uso no âmbito cristão e religioso.


No estudo da Escatologia Bíblica, é de caráter fundamental, ter o cuidado em não apresentar falsas interpretações, evitando, com isso, exposições infundadas e especulações. Deus nos adverte dizendo que devemos “manejar bem a Palavra da verdade.” (2ª Tm.2.15). “Porque a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará e não mentirá; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará”.(Hc.2.3).


Mas existe outro tipo de Escatologia que poucas pessoas conhecem, mas que se torna importante no profundo estudo das “ultimas coisas”: Trata-se da Escatologia das Religiões.

A Escatologia das Religiões


Chamamos de Escatologia das Religiões as interpretações proféticas dos últimos acontecimentos na visão das principais religiões do mundo. Dessa forma, temos por propósito expor as Escatologias Islâmica, Budista e Judaica. Quanto às demais religiões consideradas grandes e expressivas, entendemos que possuem a mesma raiz interpretativa, diferindo apenas em pequenos detalhes e particularidades.


A Escatologia Islâmica


O Islamismo é uma das quatro religiões monoteístas do mundo. Está baseada nos ensinamentos de Maomé (570-632 d.C.), chamado “O Profeta”, contidos no livro sagrado islâmico, o Corão. A palavra islã significa submeter, e exprime a submissão a lei e a vontade de Alá. Seus seguidores são chamados de muçulmanos, que significa aquele que se submete a Deus.


Ao partirmos para a exploração da Escatologia Islâmica precisamos primeiramente saber quais as raízes teológicas.


Segundo os muçulmanos, o Corão contém a mensagem de Deus a Maomé, as quais lhe foram reveladas entre os anos610 a632. Seus ensinamentos são considerados infalíveis. É dividido em 114 suras (capítulos), ordenadas por tamanho, tendo o maior 286 versos. A segunda fonte de doutrina do Islã, a Suna, é um conjunto de preceitos baseados nos Ahadith (ditos e feitos do profeta).


Segundo a Escatologia Islâmica, a História humana terminará com um julgamento final. Antes, porém, alguns personagens apocalípticos aparecerão, como o Mahdi, espécie de Messias. Esse é descrito como a mesma figura do que conhecemos como o Anticristo, que para o Islamismo aparecerá entre o Iraque e a Síria.


De acordo com o Alcorão – Surata 10.109, um mulçumano que espera escapar da ira de Alá e do tormento das chamas do Inferno, precisa esforçar-se diligentemente, para cumprir os requerimentos apresentados nos Cinco Pilares. Deus levantou profetas, através da história, para chamar os homens ao arrependimento. No Islamismo, a salvação é pelas obras. As obras de todas as pessoas serão pesadas numa balança. Se as boas superarem as más, tal pessoa irá para o paraíso. Os mártires irão todos para o paraíso. O inferno é para os não-mulçumanos. É um lugar de fogo e tormento indescritível.


Assim, como no Cristianismo, a existência de correntes de pensamentos quanto á Escatologia estão também na esfera Islã. A maioria dos mulçumanos aceita a idéia da existência do purgatório. O pecado imperdoável é associar algo ou alguém a Deus.


Os ortodoxos, por exemplo, obedecem literalmente aos ensinamentos do Corão e levam a extremo a sabedoria de Deus de forma que se arriscam a um fatalismo arbitrário e despótico. Os mutazilis defendem a unidade absoluta de Deus, suprimindo até a possibilidade de imaginá-lo, pois se trata de algo completamente diferente das coisas criadas. Não aceitam o Corão como está escrito simplesmente. Entendem que carece de interpretação. Para esse grupo, Deus não é apenas um ser soberano, mas também justo, que castiga os maus, mas sabe recompensar os bons. São considerados racionalistas.


É importante lembrar que os ensinamentos de Maomé sofreram certas modificações ou acréscimos, o que é natural e compreensível, devido às culturas dos povos que aceitaram o Islamismo.


A Escatologia Budista


O Budismo consiste num sistema ético, religioso e filosófico fundado pelo príncipe hindu Siddhartha Gautama (563-483 a.C.), ou Buda, por volta do século VI. O relato da vida de Buda está cheia de fatos reais e lendas, as quais são difíceis de serem distinguidas historicamente entre si. Mas quanto á sua Escatologia, está revelada e descrita em suas crenças e práticas.


O Budismo consiste no ensinamento de como superar o sofrimento e atingir o Nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. Também creem na lei do carma, segundo a qual, as ações de uma pessoa determinam sua condição na vida futura. A doutrina é baseada nas Quatro Grandes Verdades de Buda:


1. A existência implica a dor. O nascimento, a idade, a morte e os desejos são sofrimentos.
2. A origem da dor é o desejo e o afeto. As pessoas buscam prazeres que não duram muito tempo e buscam alegria que leva a mais sofrimento.
3. O fim da dor só é possível com o fim do desejo.
4. A superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos: Compreensão correta, Pensamento correto, Linguagem correta, Comportamento correto, Modo de vida correto, Esforço correto, Desígnio correto e Meditação correta.


É conhecendo a teologia Budista que chegamos aos conceitos escatológicos. No Budismo não existe nenhum Deus absoluto ou pessoal. A existência do mal e do sofrimento é uma refutação da crençaem Deus. Osque querem ser iluminados necessitam seguir seus próprios caminhos espirituais e transcendentais. Na Antropologia, o homem não tem nenhum valor e sua existência é temporária. As forças do universo procurarão meios para que todos os homens sejam iluminados (salvos).


Quanto a alma do homem, a reencarnação é um ciclo doloroso, porque a vida se caracterizaem transições. Todasas criaturas são ficções. O impedimento para a iluminação é a ignorância. Deve-se combater a ignorância lendo e estudando.


Desta forma, entendemos que a Escatologia Budista prega uma humanidade que está passando por um processo de evolução espiritual e que no fim de tudo todos os habitantes da terra poderão herdar a salvação.


A Escatologia Hindú


O Hinduísmo é a denominação do conjunto de princípios, doutrinas e práticas religiosas que surgiram na Índia, a partir de2000 a.C. O termo é ocidental e é conhecido pelos seguidores como Sanatana Dharma, do sânscrito (lembramos que é a língua original da Índia), que significa “a ordem permanente”. Está fundamentado nos quatro livros dos Vedas (conhecimento), um conjunto de textos sagrados compostos de hinos e ritos, no Século X, denominados de Rigveda, Samaveda, Yajurveda e Artharvaveda. Estes quatro volumes são divididos em duas partes: a porção do trabalho (rituais politeístas) e a porção do conhecimento (especulações filosóficas), também chamada de Vedanta . A tradição védica surgiu com os primeiros árias, povo de origem indo-européia (os mesmos que desenvolveram a cultura grega) que se estabeleceram nos vales dos rios Indo e Ganges, por volta de1500 a.C.


Não se consegue entender a Escatologia Hindu sem primeiro compreender seu conceito de espiritualidade. Segundo ensina o hinduísmo, os Vedas contêm as verdades eternas reveladas pelos deuses e a ordem (dharma) que rege os seres e as coisas, organizando-osem castas. Cadacasta possui seus próprios direitos e deveres espirituais e sociais. A posição do homem em determinada casta é definida pelo seu carma (a lei do carma atinge quase todas as religiões orientais). A casta à qual pertence um indivíduo indica o seu status espiritual. O objetivo é superar o ciclo de reencarnações (samsara), atingindo assim, o nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e de todo o Universo. O caminho para o nirvana, segundo ensina o hinduísmo, passa pelo ascetismo (doutrina que desvaloriza os aspectos corpóreos e sensíveis do homem), pelas práticas religiosas, pelas orações e pela ioga. Assim, a pessoa alcança a “salvação”, escapando dos ciclos da reencarnação. (Observe também que os orientais comungam alguns conceitos básicos de espiritualidade).


Tudo é deus, deus é tudo: o hinduísmo ensina, como no Panteísmo, que o homem está unido com a natureza e com o universo. O universo é deus, e estando unido ao universo, todos são deuses. Ensina também que este mesmo deus, é impessoal. Muitos deuses adorados pelos hindus são amorais e imorais.


O mundo físico é uma ilusão: no mundo tridimensional, designada de maya, o homem e sua personalidade não passa de um sonho. Para se ver livre dos sofrimentos (pagamento daquilo que foi feito na encarnação passada), a pessoa deve ficar livre da ilusão da existência pessoal e física. Através da ioga e meditação transcendental, a pessoa pode transcender este mundo de ilusões e atingir a iluminação, a liberação final. O hinduísmo ensina que a ioga é um processo de oito passos, os quais levam a culminação da pessoa transcender ao universo impessoal, no qual o praticante perde o senso de existência individual.


A lei do carma no hinduísmo: o bem e o mal que a pessoa faz, determinará como ela virá na próxima reencarnação. A maior esperança de um hinduísta é chegar ao estágio de se transformar no inexistente. Vir ser parte deste deus impessoal, do universo.


Krishna é a oitava encarnação do deus Vishnu, e é um dos avatares especiais do Hinduismo. Alega-se entre os muçulmanos, que Jesus foi uma encarnação de Krishna, tendo vivido uma vida muito semelhante. Esperam que haverá uma nova encarnação do avatar, que foi conhecido em vários períodos da história como Vishnu, Krishna e Jesus. Qualquer destes nomes pode ser usado por ele, mas ele vai também ser conhecido como o Avatar Kalki, o (Avatar do Cavalo Branco), visto que montará um cavalo branco.


O Avatar Kalki combaterá a serpente apocalíptica e obterá a vitória final sôbre o mal na Terra. Êle renovará a humanidade, tornando possível às pessoas viverem um vida pura e honrosa. As expectativas de todas as religiões serão realizadas nele, pois ele será o messias mundial que todos esperam.


A Escatologia Judaica


Historicamente, o judaísmo veio à existência quando foi firmado o pacto abraâmico. Desde o começo o judaísmo foi uma religião revelada e não uma religião natural ou filosófica.


A partir do chamado de Abraão para ser o pai de uma nação particular (a Palestina), a qual constituíra a Terra Prometida, Deus revelou uma mensagem na História que se destinava a tornar-se aplicável universalmente a todas as nações e todos os povos.


Mas a Teologia Judaica começa mesmo o seu desdobramento a partir da missão com Moisés e a Lei.


Os judeus são muitas vezes descritos como o povo do Livro, porque baseiam suas vidas pela revelação de Deus na Toráh. A Toráh são os cinco livros da Bíblia conhecidos como Pentateuco, que além da história contêm 613 mandamentos (ou obrigações). Nos livros encontram-se, leis, rituais, regras de higiene e leis morais. Para os judeus, as leis fazem parte de uma revelação de aliança com Deus.


Além da Toráh, os judeus possuem como escrituras o Tanach (Antigo Testamento), o Talmude (explicação do Tanach) e as Escrituras dos sábios.


A Escatologia Judaica possui uma ordem cronológica, que inclui até mesmo a construção do Templo.


A princípio, a vinda do Messias é o grande evento esperado pela nação judaica. A palavra hebraica Mashiach (ou Moshiach משיח) significa o Ungido e refere-se a um ser humano. Apesar de os cristãos usarem também a palavra “messias”, usam-na de forma diferente.


Para os sábios judeus, Jesus Cristo não possuía as credenciais necessárias para ser considerado o Ungido, vindo de Deus. Por isso, ainda estão a aguardar o Messias prometido, anunciado pelos profetas de Deus. Jesus é visto como um falso messias extremista ou como um bom rabi (mestre), que foi martirizado.


No Judaísmo, o fim do mundo é chamado de acharit hayamim (fim dos dias). Eventos tumultuosos abalarão a velha ordem do mundo, criando uma nova ordem na qual Deus é universalmente reconhecido como a nova Lei que organiza tudo e todos. Uma das sagas do Talmud diz “Deixe o fim dos dias chegar, mas eu não devo estar vivo para presenciá-lo“, porque os vivos na ocasião serão submetidos a tais conflitos e sofrimentos.


De acordo com essa tradição, o fim do mundo irá presenciar os seguintes eventos:


- Reunião dos judeus na terra geográfica de Israel .
- Derrota de todos os inimigos de Israel.
- Construção do terceiro Templo de Jerusalém e a restauração dos sacrifícios e serviços nele.
- Revitalização dos mortos ou ressurreição.


Naquele momento, o Messias judeu se tornará o monarca ungido de Israel.


Quanto ao sonho de reconstruir o templo é realista e biblicamente correto; um dia ele se realizará. A Bíblia ensina explicitamente que a reconstrução se tornará realidade. Mas a alegria será passageira e a adoração será interrompida. Como veremos através de alguns tópicos da história e da Bíblia, o novo templo não será nem o primeiro nem o último a ser erguido. Sua construção é certa, mas os dias turbulentos que a acompanharão também.

A Grande Verdade sobre a Escatologia Bíblica


A Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Foi dada ao homem por Deus para ser o absoluto, o supremo, o competente, o infalível e imutável padrão de fé e prática. Cremos firmemente que, embora as tempestades de desaprovação continuem a levantar-se contra a Palavra de Deus, a confiança do crente humilde nela é justificável e confirmada. Este volume sagrado é e sempre será o Livro de Deus.


Não obstante, lembramos que a única teoria que faz jus às reivindicações Bíblicas é a da inspiração Verbal Plenária. Ela ensina que apesar de Deus usar os escritores sacros em suas próprias línguas e estilos eles foram inspirados pelo Espírito Santo. Toda a Bíblia foi inspirada!
Quando entramos no campo da Escatologia Bíblica, devemos atentar para duas grandes verdades:


1. A Profecia Bíblica jamais erra. Os intérpretes sim. A Palavra de Deus jamais errou. Ela é infalível, mas por muito tempo, têm estado sob refém de interpretações particulares, equívocos teológicos, heresias e em nosso tempo uma avalanche de especulações apocalípticas. Qualquer erro ou equívoco quanto a acontecimentos em nossos dias, é de importante valia esclarecer, que, não deve ser colocado a Palavra de Deus sob suspeita, e sim a incoerência das muitas literaturas do gênero, as aventuras apocalípticas de determinados escritores e a falta de visão bíblica de alguns pregadores;


2. As Diversas Correntes de Interpretações Escatológicas caminham numa mesma direção. Nenhuma linha de interpretação Escatológica Protestante deve ser ignorada ou ridicularizada, pois todas elas, por mais diferentes que sejam, estão numa mesma direção Teológica. Diferente das interpretações da Escatologia das Religiões, a Escatologia Bíblica em qualquer visão consegue manter a pureza Doutrinária e do Evangelho, consegue preservar as verdades acerca de Deus e Sua soberania, Jesus O Cristo e o poder do sacrifício, mantendo seguro os princípios da Palavra de Deus. Sejam nos seminários ou escolas de teologia, todos os pensamentos devem ser expostos e apresentados em sua íntegra. Tanto o Pré-milenismo quanto o Amilenismo (principais correntes) contribuem com suas interpretações e ampliam o entendimento cristão quando estudadas ambas.


A Escatologia Bíblica se torna na Igreja de Cristo, o poder literário que mantém acesa a chama da esperança na volta de Jesus. É claro que esse poder literário vivo, vem diretamente do Espírito Santo, quando lemos, cremos e mantemos nossa fé na Palavra. Quando sabemos que a Escritura cumprirá, mesmo em meio às diversas opiniões, independe. É inquestionável que a Bíblia no decorrer da história permaneceu sem nenhum tipo de alteração em suas profecias. E mais inquestionável ainda é que essas profecias se cumpriram, outras irão se cumprir.


Crendo que muitos escritos curiosamente apresentam uma linguagem escatológica parecida com a Bíblia, mesmo com personagens diferentes, e conceitos espirituais de outro extremo, concluímos que qualquer literatura religiosa tem todo o direito de expor as profecias da Escatologia na visão de seus escritores. Enquanto isso a Bíblia Sagrada prossegue expondo as profecias da Escatologia na visão de Deus.


Littera scripta manet!


Fonte: http://www.napec.net/


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Igreja pode ter as portas abertas para quem sofre de transtornos mentais (Valter Gonçalves Jr.)



Estudo recentemente publicado no periódico inglês The Lancet, um dos mais importantes jornais médicos do mundo, mostra que 19% dos anos perdidos em razão de doenças crônicas no Brasil são conseqüência de transtornos mentais. Elas roubam mais tempo de trabalho e qualidade de vida dos brasileiros do que doenças cardíacas, diabetes ou câncer. É quase um quinto da vida do nosso povo a se perder em razão de distúrbios psiquiátricos. De autoria de um grupo de pesquisadores capitaneados pela professora Maria Inês Schimidt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o estudo joga um pouco de luz sobre um problema muitas vezes escondido ou ignorado pela sociedade. A carga de sofrimento costuma recair sobre quem, de forma quase sempre solitária, luta contra transtornos mentais incapacitantes. Além da dificuldade de vencer doenças que os arrancam do convívio social – em função de delírios, fobias, manias, variações de humor, ansiedade, vícios, depressão e desconexão com a realidade –, os portadores desses transtornos têm de conviver também com o terrível estigma da loucura.


Esquizofrenia, transtorno bipolar do humor (TBH, antes chamado de psicose maníaco-depressiva) e depressão, entre outras doenças, acometem um enorme contingente populacional. Só a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar estima em 15 milhões – o equivalente a 8% da população brasileira – o número de pessoas com a doença, em diferentes níveis de gravidade. Muitos demoram a reconhecer que precisam de ajuda médica e psicoterápica, enquanto se afastam de seu trabalho, de seus amigos e de suas famílias. E se a saúde pública no Brasil está muito longe do ideal, a situação de quem precisa de tratamento psiquiátrico pode ser dramática. “Os doentes mentais graves estão nas ruas ou nas prisões; há centenas de pessoas nos postos de emergência”, lamenta o psiquiatra Francisco Lotufo Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP), que aponta falta de leitos para atender as pessoas em momentos de crise.
Essa enorme quantidade de gente a buscar ajuda para enfrentar distúrbios – que, se não tratados, podem ser devastadores – vai bater nas portas das igrejas. A boa notícia é que, se elas estiverem preparadas, esta pode ser uma alternativa positiva. Autor de estudo sobre a ocorrência de doenças mentais em ministros religiosos, o professor Lotufo dá aula sobre religião e saúde na USP. Ele é um dos que entendem que a religiosidade pode ter papel positivo em relação aos transtornos mentais. “O antagonismo entre a fé e a psiquiatria é coisa do passado”, diz, contrariando o senso comum. Ele se baseia em estudos que mostram como a religião pode ter papel terapêutico – e ressalta que os sacerdotes costumam ser mais saudáveis do que a média da população.


“Os compromissos religiosos são benéficos. As evidências científicas apontam para isto. A taxa de mortalidade dos pacientes é menor. A frequência a um culto ajuda a dar estabilidade”, afirma, lembrando que no ambiente religioso costuma haver menos abuso de álcool e violência. “Confiar em Deus pode dar um sentido ao sofrimento, trazer um propósito, aumentar a esperança e diminuir a ansiedade”, continua o especialista, que identifica nas igrejas um enorme campo aberto para o trabalho voluntário e ministerial em favor das pessoas que sofrem com esses distúrbios. Ele considera que uma teologia saudável tende a ser boa aliada no tratamento de transtornos mentais. Mas distingue uma religiosidade mais profunda, com foco na fé em Deus, daquela que é só um meio para obter vantagens ou que se configura numa espécie de arma ideológica ou de manipulação. Quando a frequência a uma igreja é apenas um meio de ganhar status ou de impor o domínio sobre os outros, os efeitos benéficos da religiosidade se perdem, explica o professor.


“Há um perfil de sistema religioso não saudável, que condena os diferentes, impede a circulação de informação e encoraja a dependência da liderança, que por sua vez não costuma ser pastoral, mas focada em grandeza e em valores passageiros”, descreve. Lotufo lembra que existem “cultos totalitários”: nesse caso, “o pensamento tem categorias rígidas e Deus é sobretudo um Deus que pune”. O resultado pode ser o de abuso por parte de líderes, o que se torna mais grave se eles próprios têm alguma patologia, avalia Lotufo.

“MÚTUA COOPERAÇÃO”


“A prática cristã não nos isenta das mazelas da condição humana, o que inclui o adoecimento mental. Por outro lado, a fé não deixa de se manifestar, mesmo em meio às situações mais deploráveis”, afirma o psiquiatra Uriel Heckert, um dos fundadores do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC). “Lembro-me dos que, em meio ao desespero, lutam e oram a Deus para que os livre do suicídio. Outros se arriscam em situações que lhes causam grande ansiedade, firmados na confiança em Deus”, afirma. Segundo o médico, os psicóticos, em seus seus delírios, apegam-se com frequência a temas místicos na tentativa de reorganizar seu psiquismo. “Em toda experiência humana fica patente a busca por significado, o anseio pela proximidade com Deus”, atesta.


O terreno minado do fanatismo religioso não impede Heckert de caminhar na direção da convergência entre fé e ciência. “O fanatismo religioso é um fenômeno complexo, não redutível a entendimentos superficiais. De qualquer forma, Freud já demonstrou que radicalismos em posições religiosas podem representar defesa contra desejos não aceitos conscientemente”, explica. O médico entende que a psiquiatria e a religião não precisam se enfrentar. “O antagonismo tem dado lugar ao diálogo e mútua cooperação, a despeito de fundamentalismos ainda presentes tanto no campo científico como no religioso”.


Uriel Heckert também vê uma religiosidade com efeitos terapêuticos e uma outra, que pode ser doentia. “Paul Tournier (ver quadro), respeitado médico suíço, deixou-nos notável comparação entre o Evangelho da culpa e o Evangelho da graça de Deus”, distingue. “Já o pesquisador H.G. Koenig, da Duke University, nos Estados Unidos, fala claramente sobre os riscos para a saúde representados pelas religiões que se fundamentam na supervalorização da culpa. Por outro lado, aquelas que enfatizam o perdão mostram-se relacionadas favoravelmente à saúde”.


O psiquiatra argentino Carlos José Hernández fez dessa compreensão a sua bandeira, não só médica, como espiritual e também política. Em vez de poder e culpa, buscou dosar sua abordagem terapêutica com a noção de graça e de liberdade. Nos anos 1970, em plena ditadura militar, Hernández, que dirigia um hospital psiquiátrico em Posadas, na Argentina, arquitetou uma comunidade terapêutica, na qual os pacientes psiquiátricos não eram impedidos de sair, mas sim, estimulados a voltar para seguir com seu tratamento. “Naquela época, isso era uma bandeira política e ideológica: estávamos também lutando contra a ditadura”, conta o médico, referindo-se ao movimento antimanicomial.


Hernández, que professa a fé cristã, não vê a igreja como geradora de patologias ou neuroses. “Isto pode se dar em todos os grupos: sindicatos, partidos políticos, movimentos ativistas”, desmistifica. Ao mesmo tempo, enxerga um espaço para o sagrado no cuidado da mente. Ele é autor do livro O lugar do sagrado na terapia” (Editora Nascente, 1986). “Procuro unir no meu peito duas coisas que parecem muito distantes: fé e ciência”. Sua experiência de procurar humanizar o tratamento psiquiátrico, com um “hospital sem chaves”, ganhou o respeito da Organização Mundial de Saúde, que chegou a premiá-lo.

CUIDADO PASTORAL


Hernández aborda a desconfiança das pessoas que, ao se depararem com algum paciente com transtorno mental, creem estar diante de alguma manifestação demoníaca. O psiquiatra argentino dá uma dica, procurando mudar o foco: o olhar sai do doente para o observador que se pretende “são”. Ele cita a passagem bíblica em que Jesus Cristo se depara com o gadareno, que levava consigo uma legião de espíritos malignos. “Quanto mais se tenha inimigos que se queira destruir, que se queira matar, mais demônios se tem”, declara, pregando a vivência de uma fé amorosa e de uma igreja aberta aos diferentes – e, até, aos descrentes. Para Hernández, o remédio contra a alienação da mente é justamente o de buscar conexão com o outro.
A psicóloga Gláucia Pereira de Medeiros, também ligada ao CPPC, tem acompanhado, nos últimos anos, a mudança de entendimento da igreja evangélica quando se trata de lidar com os mais diversos distúrbios da mente e das emoções. De acordo com Gláucia, que atua há 25 anos no campo da psicologia clínica, com foco especial em psicoterapia familiar, a maioria dos seminários e líderes evangélicos têm deixado de lado as antigas restrições à psicologia e à psiquiatria a ponto de, hoje, muitos pastores se apaixonarem pela área e buscarem alguma formação na psicanálise, procurando até atuar como psicoterapeutas – não sem fortes críticas das sociedades de psicologia e psicanálise. A questão é que, para de fato atuar na área, é preciso ter formação completa.


“Em alguns casos, as pessoas podem perder o pastor e ganhar um psicanalista superficial”, observa Gláucia, salientando que esta não é a postura da maioria dos líderes. “O cuidado pastoral é insubstituível: é sempre bom perceber que os pastores têm a centralidade na sabedoria bíblica, na fé cristã. Então, eles podem buscar mais conhecimento sobre o comportamento humano, por meio da psicologia, mas sem abrir mão do seu papel”, diz, fazendo distinção entre o aconselhamento bíblico, pastoral, próprio das lideranças religiosas, e a psicoterapia, em seus diferentes ramos.


Gláucia, porém, observa como a idéia de buscar tratamento psicológico ou psiquiátrico ainda assusta muitos evangélicos. “Muitos ainda entendem que ir ao psicólogo é um fracasso espiritual. Então eles podem ter gripe ou dengue, mas não podem ter depressão ou síndrome do pânico. Há falta de conhecimento acerca das contingências humanas”, lamenta Gláucia.

ACOLHIMENTO


“Comunhão só é possível entre pessoas de verdade. E então é preciso tirar as máscaras. As pessoas precisam assumir quem de fato são, tanto em sua parte luminosa, quanto em sua parte sombria”, atesta, por sua vez, o pastor Ziel Machado, da Igreja Metodista Livre, de São Paulo. Ele procura estimular sua igreja – formada majoritariamente por integrantes da colônia japonesa – a ser uma verdadeira comunidade terapêutica, capaz de acolher pessoas que enfrentam os mais diversos distúrbios. “É preciso transformar a hostilidade da sociedade na qual vivemos em hospitalidade. Cada um tem pontos fortes e débeis. A sua área débil é a minha área de ministério, e vice-versa”.

Ziel revela que a igreja tem entre seus integrantes quatro pessoas com transtornos mentais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar. Algumas delas estão na comunidade há mais de 20 anos. Segundo o pastor, elas estão plenamente incluídas, e, quando estão bem, ajudam a igreja nas atividades do dia-a-dia, dentro das suas possibilidades. Além do acolhimento da comunidade, que tem cerca de 600 membros, há uma atenção especial para quem sofre de transtornos. “Acompanhamos, procuramos saber a realidade delas”, diz Ziel, salientando que a igreja tem entre seus membros profissionais de saúde mental, que ajudam nesse sentido. Assim, a pessoa é estimulada a seguir com seu tratamento e com a medicação prescrita pelo médico. “Verificamos se a pessoa está se medicando”, conta o pastor, que rejeita com firmeza a oposição entre fé e medicina. “Ninguém come oração em vez de pão. É a mesma relação com o tratamento e o remédio”, declara.


“O que nos ajudou bastante foi perceber que o desafio do cuidado é cada vez mais complexo e difícil. É preciso esse diálogo interdisciplinar”, revela. A tradição japonesa de zelar pelos idosos também ajuda a dar à igreja um perfil acolhedor. É que raramente, explica Ziel, os anciãos da comunidade vão para asilos. E os membros da igreja ajudam a diminuir a carga dos familiares que cuidam de seus idosos com Mal de Parkinson ou de Alzheimer. “Duas vezes por mês há o ‘dia do cuidado’”, explica. “Eles ficam na igreja o dia inteiro e têm diversas atividades. Os idosos reconstituem a autoestima, enquanto seus parentes podem tirar aquele tempo para descanso”.
Para Ziel, é uma pena que muitas igrejas estejam mais centradas no “evento” do culto do que na comunhão entre seus integrantes. E que o cuidado pastoral, muitas vezes, seja substituído pelo cuidado gerencial. “Não somos uma igreja perfeita. Não somos modelo para ninguém, mas nossa experiência pode encorajar outros. A gente procura levar as pessoas a sério”.

“Minha fé me ajuda a conviver com a doença”


“Sou evangélica desde criança e pertenço a uma Igreja Batista, assim como meu marido e parte da família. Tenho transtorno bipolar, e a minha fé é muito importante na convivência com esta doença. Estou estabilizada há dez anos. Por causa da fé, aceitei a condição de ter o transtorno mais facilmente, pois sei que Deus permitiu que eu tivesse isso e ele não dá um fardo mais pesado do que possamos carregar.


“Devido à doença, tenho me achegado mais a Deus, pela oração e pela leitura da Palavra. Há pessoas na minha família, sem fé, que não aceitam de forma nenhuma a doença que também possuem. Assim, a fé é um grande diferencial. Infelizmente o preconceito é forte em todos os meios. E a ignorância, principalmente no meio evangélico, leva as pessoas a duvidarem que o transtorno seja uma doença e a até pensarem que os doentes estão possuídos por demônios.


“Minhas piores crises eram de depressão. Nessa fase, as pessoas são um pouco mais solidárias, embora já tenha ouvido de muitos cristãos que ‘crente não tem depressão’. E perguntaram se não seria ‘opressão’. Certa ocasião, um pastor pentecostal tentou expulsar o demônio de mim. Mal começou e já parou dizendo que eu não precisava de oração. Noutra ocasião, eu estava mal, e o pastor da minha igreja esteve em casa e disse para o meu marido: ‘O problema não é espiritual; leve-a a um psiquiatra’.


“O Senhor tem colocado pessoas certas em nossa vida e tem me dado a estabilidade para eu poder cuidar do meu filho de 11 anos, que também tem transtorno bipolar. Outro dia, ele viu na TV um missionário dizer que transtorno bipolar é possessão demoníaca e então me pediu para mostrar na Bíblia que isto não é verdade. Deus me deu, então, este versículo: ‘Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca’ (I João 5:18).”


Cláudia Hoffmann é dona de casa e mora em São Paulo

“Eu tinha vergonha de minha doença”


“O transtorno afetivo bipolar do humor é um assunto complicado. Mas eu não poderia ser melhor acolhida em minha igreja e minha família. Glória a Deus por Isso! Meus pastores têm muito discernimento. Fui aconselhada assim: só os profissionais qualificados devem dar o tratamento, de acordo com o preparo que receberam e sua experiência profissional. As pessoas que recebem este diagnóstico devem seguir as orientações médicas. Uma pessoa não é só espiritual, mas emocional e bioquímica também.


“Eu sentia os sintomas desde que me conheço por gente: inconstância emocional, tristezas repentinas, e de repente alegria estonteante, tudo sem razão. Vivia em uma gangorra emocional, o que complicava minha vida em todos os sentidos. E se acontecesse alguma perda, como um falecimento, ficava até meses de cama, com muita depressão. Mas sempre temi procurar tratamento com psiquiatras e psicólogos, pois temia ser chamada de louca. Eu mesma tinha preconceito.


“Depois de pensamentos insistentes de suicídio, decidi procurar ajuda profissional. Coloquei Deus à frente de tudo, orei muito para que ele me direcionasse. Conversei com meus pastores e minha família e recebi todo o apoio deles. Aceitei o tratamento, tomo direitinho os meus remédios e tenho encontros a cada 50 dias com a psiquiatra e todas as semanas com a psicóloga. Vivo muito bem. Tenho, às vezes altos e baixos normais, que todo mundo tem. Eu tinha extrema dificuldade, muita vergonha da doença. Hoje, não – apenas não deixo que me rotulem como ‘bipolar’: sou muito mais que isto, sou uma filha amada do Senhor!


“Recebo e-mails de bipolares ou parentes de bipolares. Eles me encontram pelo blog e pedem conselhos. Querem saber como lido com a bipolaridade sendo evangélica. Sei o quanto é grande a responsabilidade; se Deus não me direcionasse, não saberia o que escrever. Tenho a possibilidade de falar de Jesus para essas pessoas, e as tenho aconselhado a também aceitar o tratamento, pois a maioria não aceita. Tento ajudá-las a enfrentar suas lutas, pois estamos todos juntos nessa!”


Marly Ribeiro mora no Rio de Janeiro e tem um blog (paraabencoarsuavida.blogspot.com) sobre bipolaridade

Fé e medicina


Ao contrário do que muitos podem pensar, a aproximação entre a fé evangélica e os cuidados médicos com a saúde mental não é coisa recente. O psiquiatra suíço Paul Tournier (1896-1986) começou sua carreira médica em 1924 e, a partir de 1937, passou a combinar a medicina com o aconselhamento cristão. Seu primeiro livro, intitulado “Medicina da pessoa” (1940), promovia a visão de um tratamento integral aos pacientes. O legado de Tournier teve grande impacto sobre os aspectos psicossociais do tratamento médico. Algumas de suas obras foram lançadas em português, como Culpa e graça, Os fortes e os fracos e Mitos e neuroses (Editora ABU) .

GLOSSÁRIO


Esquizofrenia - Caracteriza-se por uma desorganização ampla dos processos mentais, com sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções. Causa grandes prejuízos ocupacionais e nas relações interpessoais e familiares. A doença tem manifestações psíquicas, que começam no fim da adolescência ou início da idade adulta, e é crônica, com tendência à deterioração da personalidade. O indivíduo perde o sentido de realidade e fica incapaz de distinguir a experiência real da imaginária


Transtorno bipolar de humor - O transtorno bipolar do humor (TBH) é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Elas vão da alternância de estados de alegria e tristeza até oscilações patológicas acentuadas, com episódios de mania, hipomania, depressão e mistos. O TBH pode ser acompanhado de delírios, com crenças irreais sobre as próprias capacidades: o paciente pensa ter muitos dons ou poderes especiais. O comportamento pode ser inadequado, provocador, intrometido, agressivo ou de risco. A doença tem grande impacto na vida do paciente, de sua família e da sociedade, causando prejuízos em vários setores da vida, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico

Depressão – Afeta o estado de humor do paciente, deixando-o com um predomínio anormal de tristeza. Afeta pessoas de qualquer faixa etária e é desencadeada por fatores genéticos e neuroquímicos, somados a elementos ambientais, sociais e psicológicos

FONTE: ABC da Saúde (abcdasaude.com.br)




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A química do cigarro

Cique nas figuras para ver as informações de forma nítida.










domingo, 13 de novembro de 2011

Por que a astrologia não faz sentido para o cristão






“O grande inimigo da verdade não é, geralmente, a mentira: deliberada, inventada, desonesta; mas, sim, o mito: persistente, persuasivo e fora da realidade”— Kennedy

“E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.

E foi a tarde e a manhã, o dia quarto”— Gn 1.14-19

A finalidade de Deus, ao criar os astros e as estrelas, era iluminar a terra e determinar o andamento regular do tempo. De modo algum, sua pretensão foi, por meio desses astros, controlar o temperamento ou o destino do homem sobre a terra. Esta concepção não é real e muito menos bíblica. É querer usar as estrelas e os astros para um fim para o qual não foram criados. O resultado só pode ser um grande engano.

Os astrólogos sim, têm influenciado a atitude dos homens, levando-os a confiar mais em supostas previsões, baseadas nos astros, do que no exercício do seu livre-arbítrio diante de um Deus pessoal que exige deles uma resposta. As estrelas não têm nada a ver com isso. Os que pensam estar sendo manipulados pelo Sol, pela Lua e pelas estrelas, na verdade, estão sendo manipulados pelos astrólogos. Se pensarmos que Ronald Reagan, quando presidente dos EUA, se utilizava constantemente de astrólogos, só podemos concluir que estes sim, têm influenciado o mundo, e não as estrelas. Estas, se tivessem consciência, ficariam coradas de vergonha com o que é dito e feito em seu nome. Os “analfabetos do espaço”, incapazes de ler o que dizem as estrelas, sujeitam-se docilmente àqueles que alegam poder fazê-lo.

A astrologia tem sido um sistema de arte divinatória que tem influenciado a conduta da humanidade por milênios. Mas nem sua antiguidade nem sua popularidade podem torná-la veraz. Não há respostas satisfatórias para muitas perguntas concretas sobre este assunto. Há muitos motivos pelos quais não podemos crer na astrologia. Se a sua popularidade puder comprovar alguma coisa, então existem muitos outros absurdos que deveremos aceitar como verdade.

Por que não cremos na astrologia?

Porque as estrelas que vemos nos céus podem deixar de existir

As distâncias no espaço sideral são muito maiores do que podemos imaginar. São tão grandes que são medidas por uma unidade de distância chamada ano-luz, que equivale à distância percorrida pela luz no período de um ano. Se levarmos em conta que a velocidade da luz é de 300.000 km por segundo, em um ano a distância percorrida por ela seria de aproximadamente 9.000¹² km.

Quando imaginamos que depois do Sol a estrela mais próxima da terra se encontra há muitos anos-luz de distância, concluímos que na verdade a luz da estrela que estamos contemplando é uma luz emitida por ela há muitos anos. É complicado acreditar que esta distância permita qualquer influência dos corpos celestes sobre nós. Cálculo algum pode tornar coerente alguma influência deles sobre nossas vidas. Além disso, é possível que tal luz possa ser o reluzir de uma estrela que já nem existe mais!

Porque não existe uma razão lógica para que a nossa vida e temperamento sejam influenciados pelos astros

Que os astrólogos nos expliquem porque as posições dos astros influenciam nosso ser e destino. Que nos expliquem qual é a interação existente entre a massa e o movimento desses corpos celestes com o nosso modo de ser e com os acontecimentos de nossas vidas. É uma energia? É uma força física, espiritual? Os astros são deuses? Como podem atingir o nosso cérebro?

Não existem explicações plausíveis e razoáveis para todas estas indagações. Os próprios astrólogos desconhecem estes porquês e as pessoas que consultam horóscopos nem sempre se preocupam em perguntar. Talvez com medo de descobrir que suas crenças não têm fundamentos, elas preferem fazer de conta que as estrelas falam, enquanto os astrólogos fazem de conta que as ouvem.

Para o astrônomo Varella, diretor do Planetário Municipal de São Paulo, os postulados aceitos pelos astrólogos estão longe de constituir uma lei física: “É pura invenção [...] é apenas mais uma evidência do egocentrismo praticado por quem considera que os astros exercem alguma influência sobre os seres humanos”. Graças às mais modernas pesquisas da astrofísica, descobriu-se que há no cosmo forças, partículas, subpartículas, agindo e reagindo entre si e sobre os astros. Mas nunca se detectou qualquer tipo de energia emanada dos planetas capaz de atravessar o espaço, penetrar na atmosfera terrestre e afetar as características de pessoas nascidas neste ou naquele instante.

Ainda vale a pena mencionar a declaração de I.W. Kelly, em seu livro Astrologia moderna: uma crítica. Ele não deixa dúvidas quanto à vaidade (futilidade) da astrologia e quanto aos verdadeiros elementos por trás dessa prática: “A astrologia, do modo que é praticada atualmente (seja na sua forma tradicional ou psicológica), não é de qualquer relevância na compreensão de nós mesmos ou de nosso lugar no cosmo. Seus defensores modernos não são capazes de explicar qual é o fundamento das associações astrológicas com as questões terrenas, não têm qualquer explicação plausível para suas alegações e não contribuíram com nenhum conhecimento de valor para qualquer campo das ciências sociais. Além disso, a astrologia não tem os recursos teóricos/conceituais para resolver adequadamente seus próprios problemas internos ou anomalias externas, ou para se decidir entre alegações e sistemas astrológicos conflitantes”.

Porque pessoas nascidas no mesmo dia e horário têm temperamentos e destinos diferentes

Esaú e Jacó é um caso bíblico e típico de gêmeos que tiveram temperamentos e destinos completamente distintos. Segundo os ensinamentos apregoados pela astrologia, suas vidas teriam de ser ao menos muito mais semelhantes do que foram. De fato, se existe uma prova bíblica da futilidade das afirmações astrológicas, esta prova é a vida destes dois irmãos.

Em primeiro plano, seus temperamentos eram evidentemente distintos, para não dizer opostos: “E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas” (Gn 25.27). Percebemos logo em Jacó um comportamento mais brando, caseiro, sedentário. No caso de Esaú, porém, ele é enérgico, aventureiro. Mais tarde, iria viver de ataques contra as caravanas no deserto (Gn 27.39,40).

Em segundo plano, vemos atitudes diferentes dos dois irmãos, as quais vão determinar destinos diferentes. Enquanto Esaú não mostrou qualquer interesse por aquilo que era seu de direito (Gn 25.32), Jacó fez de tudo para conseguir, inclusive enganar seu pai (Gn 27.6-29). O Novo Testamento mostra claramente que o coração de Esaú era bem diferente do de Jacó (Hb 12.16,17).

E, por fim, eles tiveram destinos bem diferentes, que não foi determinado de forma alguma pelo dia ou ano de seu nascimento, visto serem praticamente idênticos. Suas vidas foram um resultado de suas decisões e da ação de Deus nelas. Foram as bênçãos de Deus ou a ausência das mesmas que causaram os respectivos resultados. Nada no espaço interferiu nas vidas de Esaú e Jacó e em seus destinos.

Além do exemplo bíblico, há um contemporâneo bastante significativo. Foi realizada uma pesquisa, na década de 50, com mais de dois mil bebês nascidos quase simultaneamente em um mesmo dia do mês de março, na cidade de Londres. Como o mapa astral das pessoas é baseado na hora e lugar do nascimento, os cientistas monitoraram esses bebês durante 45 anos na tentativa de identificar as características semelhantes entre eles na vida adulta. Mas não encontraram nenhuma semelhança no destino dos bebês, chamados de “gêmeos de tempo”. Também compararam mais de 100 características pessoais, como, por exemplo, agressividade, ansiedade, habilidade nos esportes e nas artes, desempenho nos estudos, etc., e fizeram testes de inteligência. Não descobriram nada parecido entre eles. A única conclusão a que puderam chegar foi que a astrologia é uma inutilidade.

Portanto, seja a Bíblia, sejam as pesquisas modernas, o que se pode concluir é que, na prática, as previsões astrológicas não oferecem qualquer evidência empírica. Muito pelo contrário, é evidente que o que menos influencia a vida e o destino de uma pessoa é o momento do seu nascimento. É uma explicação inválida para a vida humana e incapaz de apresentar qualquer sentido coerente para isto.

Porque a nossa vida é determinada por nossas escolhas e não pela impessoalidade dos astros

“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30.19; grifo nosso).

“Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra” (Is 1.19; grifo nosso).

“Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem” (Is 7.15; grifo nosso).

“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17; grifo nosso).

O livre-arbítrio foi o grande presente de Deus ao homem, que o tem tornado distinto das demais criaturas. O homem tem a possibilidade de refletir sobre sua situação e, mediante sua razão, tomar decisões. Seu destino é a colheita de sua própria semeadura (Os 8.7; Gl 6.7,8) e não a conseqüência cega do dia, mês e ano em que nasceu. O futuro do ser humano não pode ficar atrelado às estrelas. Isto não seria justo. Só pode ficar atrelado às suas próprias decisões nesta vida. Não é nada consolador dizer a alguém que sofre por causa de uma tragédia que isto era inevitável porque já estava determinado em seu nascimento.

Não se pode negar que se as proposições da astrologia forem levada a sério o homem é um mero escravo de um determinismo planetário. Seu destino e ser estão escritos nas estrelas. Assim como não pode mudar as leis fixas das estrelas (Jr 31.35), também não pode mudar essas conseqüências em sua vida. Quando os astrólogos tentam desculpar-se, dizendo que a astrologia é apenas uma influência, então nos perguntamos em que ela pode ser útil. O ser humano já é cercado, por dentro e por fora, por coisas que influenciam suas atitudes. Temperamento, personalidade, educação, meio ambiente, contexto social, etc. Todas, embora o influenciem, não são determinantes. Esperam uma resposta de sua parte. Achar que, além dessas influências todas, nos resta alguma na disposição dos planetas, é apoiar-se em algo não só improvável, mas impossível.

Mais um detalhe: Se eu posso me desviar do mal (Jó 1.1; Pv 22.3), então não cairei nele. Não posso aceitar que só porque nasci em tal data estou definitivamente fadado a sofrer algo ou mesmo a obter algo. Este pensamento fatalista é deveras ruim para a vida do homem sobre a terra.

Porque o sustentáculo da astrologia é o comércio, não a verdade

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males”, escreveu o apóstolo Paulo ao seu discípulo Timóteo (1Tm 6.10). E, na verdade, muitos tipos de erros e enganos são sustentados pelo mercado, independente de sua veracidade. As máquinas de propaganda constantemente fazem as pessoas comprarem um produto que não precisam por um preço que não podem pagar. Esta é a sua missão.

Com a astrologia não é diferente. Sua popularidade não é proporcional à sua utilidade ou veracidade, mas à publicidade que a promove e ao lucro que resulta disso. A ajuda que ela oferece às pessoas, seja psicológica ou real, é “zero”. As bases para suas afirmações são excessivamente frágeis. As pessoas que lêem e consultam horóscopos e astrólogos dificilmente encontram apoio sólido para suas decisões. Alguém já disse: “A falácia que me alegra é preferível à verdade que me entristeça”. As pessoas preferem ser consoladas pela ilusão a ser confrontadas com a realidade. Mas os valores movimentados por este segmento são altos o suficiente para mantê-lo vivo.

Existe uma miríade de publicações periódicas especializadas no assunto. Sem falar que todo jornal ou revista que se preze, independente do assunto que aborde, traz sua seção de astrologia. Isto quando não vemos os mais diversos assuntos abordados de um ponto de vista astrológico. Além disso, há livros, cursos e outros materiais, o que faz que o ramo se “profissionalize” cada vez mais. O preço de um mapa astral atualmente varia em torno de R$ 30,00 a R$ 600,00, aproximadamente. E a procura cresce a cada dia.

Embora qualquer pessoa séria perceba o engano por trás dessa crença, a aura de misticismo que a envolve, aliada a uma propaganda maciça, transforma fumaça em castelos sobre a rocha. Acaba se tornando um hobby, um hábito que será praticado mesmo sem convicção, quase automaticamente. Já dizia Goebbels, chefe do Departamento de Propaganda de Hitler, que “vinte e cinco mentiras valem por uma verdade”. A máxima não pronunciada de que “se é popular, então é verdadeiro” é que prevalece.

Se um jornal tirasse a seção de economia de suas páginas, causaria menos polêmica do que se tirasse a seção de astrologia. Mesmo que a astrologia do jornal não passe de alguns conselhos “interessantes” emitidos por um jornalista qualquer, algumas pessoas se tornam tão viciadas que não saem de casa sem lê-los. Para o jornal ou revista, é uma questão econômica e não espiritual. A única questão envolvida é a do retorno financeiro. (Uma jornalista que trabalhava para um grande diário confessou, certa vez, que quando ficou encarregada da seção de astrologia misturava “previsões” de edições antigas e as liberava para publicação).

Basta ler alguns dos horóscopos que circulam nos periódicos, mesmo nos especializados, para perceber que não passam de conselhos e possibilidades que se encaixam com qualquer pessoa, em qualquer lugar sobre a terra. Nada há de exato e extraordinário. Mas não cessarão. A máquina econômica é muito lucrativa para que a deixem morrer.

Porque as afirmações da astrologia são arbitrárias

Por exemplo, Roy Gillet, presidente de uma das maiores associações de astrólogos do Reino Unido, fez a seguinte observação política sobre W. Bush, presidente dos EUA, e Tony Blair, primeiro-ministro inglês: “Descobri que o Blair tem a Lua em Aquário, coisa de gente muito fechada, auto-suficiente. Ele e o Bush têm o Sol em Câncer, por isso são tão amigos e não dão satisfação a ninguém. Fazem sempre o contrário do que o mundo inteiro espera deles”.

Por que “ter a Lua em Aquário” faz alguém ser fechado? Não poderia fazer a pessoa ser concentrada, ou analítica, ou extrovertida, ou alegre, por exemplo? Por que o fato de ambos terem “o Sol em Câncer” os faz amigos? De onde vem o conhecimento de que tal posição dos astros indica tal atitude nas pessoas? É algum tipo de lei da natureza? São leis universais aceitas por todos os astrólogos de todas as épocas em todos os lugares? Essas leis podem ser comprovadas? Ou são meros produtos da opinião dos astrólogos?

As leis astronômicas foram descobertas pelos astrônomos. As leis astrológicas foram inventadas pelos astrólogos. Não existem lógicas em suas deduções. Não existem princípios que possam ser extraídos e aplicados infalivelmente em qualquer tempo e lugar. Tudo o que é dito a respeito de uma interpretação astrológica é dito arbitrariamente, segundo a criatividade e opinião do astrólogo. O significado dos astros não é extraído por algum processo lógico, mas, sim, atribuído pelos astrólogos conforme a “fertilidade” de sua imaginação.

Porque a astrologia está ligada ao paganismo

Os nomes dos planetas: Vênus, Marte, Saturno, Plutão, não foram escolhidos por acaso. Eram os nomes dos deuses do panteão greco-romano. Todavia, mais do que nomes, os gregos e os romanos consideravam os astros como deuses. Vemos esta associação com a explicação fornecida por uma astróloga referente ao planeta Marte: “Do que a astrologia é capaz, afinal? Segundo Celisa Beranger, a astrologia é um saber simbólico: faz associações entre movimentos celestes e eventos terrestres, e as interpreta como quer. Um exemplo: ‘Qual é o significado quando Marte se aproxima da Terra?’. Ele tem um significado: Marte é o deus da guerra. A sua analogia é de beligerância ou de belicosidade, explica Celisa”.

Gostaríamos de uma resposta para a seguinte questão: Marte é o deus da guerra? Em qual crença? Cristã? Muçulmana? Ou pagã? Existe, de fato, o deus da guerra? E o que ele tem a ver com o planeta que leva o seu nome? Esta associação não tem sentido nenhum. Vejamos bem: o que temos aqui é um deus inexistente (imaginário), que empresta seu nome para um corpo celeste que, por causa desse empréstimo, passa a exercer a influência segundo a característica do deus inexistente. Pagananismo e astrologia andam de mãos dadas.

Os egípcios foram os primeiros a construir um calendário solar. Separaram um grupo de 36 estrelas brilhantes que, uma a uma, foram separadas entre si por um período de dez dias. Essas estrelas, que serviam para indicar o tempo através dos anos, vieram a ser chamadas de decanos (termo do tarô). Cada decano foi concebido como sendo um espírito com poder sobre o período de tempo para o qual servia. Com isso, podemos ver a identificação da astrologia com os deuses pagãos.

Quando a astrologia foi levada da Mesopotâmia para a Grécia, os planetas passaram a ser para os gregos o que já eram para os mesopotâmicos – não simplesmente astros, mas deuses. Como os filósofos não puderam abolir os deuses da crença popular, por escolha ou necessidade, eles, então, identificaram os dois (deuses e crenças populares). Platão chegou a propor em sua obra, As leis, que o Sol deveria ser adorado com o título de Apolo.

Por outro lado, é maravilhoso ver que Moisés, instruído nas artes e ciências do Egito, ensinou a Israel, pela revelação divina, a afastar-se desse tipo de idolatria. Disse ele: “Que não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus; e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus” (Dt 4.19). Sua concepção era de um Universo criado por Deus para o bem do homem e não de um Universo que era algum deus.

Por essas palavras, percebemos que a adoração aos astros era comum na antiguidade. Mas aqueles que queriam ser fiéis a Deus fugiam disso: “Se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa, e o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão, também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria a Deus que está lá em cima” (Jó 31.26-28).

Conhecendo as raízes da astrologia, cabe ao homem afastar-se desta para apegar-se ao Deus vivo.

Porque a astrologia está ligada à magia

“Caso de um acaso bem marcado em cartas de tarô. Meu amor, o nosso amor estava escrito nas estrelas, tava sim...”. Era a música de uma cantora pop da década de 80. É fácil perceber o quanto a astrologia está próxima de outros tipos de magia e ocultismo. O perfil do astrólogo não se harmoniza, em ponto algum, com o do pesquisador, do astrônomo ou do cientista. Ele não é um pensador, nem um filósofo. Na verdade, é um “vidente”, um tarólogo, um bruxo, um quiromante, ou algo parecido. Quem lida com astrologia lida com os poderes do oculto e não com as evidências da ciência ou da sabedoria. Negar isto é tolice.

Por mais que os astrólogos queiram incluir cálculos matemáticos e astronômicos em suas “previsões”, isto não os redime. Na verdade, os resultados de suas análises têm mais a ver com a mediunidade do que com a precisão científica. Longe de ser uma ciência exata, a astrologia não passa de uma arte de adivinhação tão condenada pela Bíblia como as demais.

A astrologia é irmã gêmea da magia. Em seu livro sobre magia moderna (wicca), Eddie Van Feu afirma: “Todos os rituais devem seguir uma tabela planetária para uma melhor eficácia...”. Segundo ela, “você precisa saber quais influências cada planeta exerce e consultar as horas e os dias de acordo com seu ritual ou encantamento”. Lua cheia, solstícios, influência dos planetas (cada astro exerce uma influência específica), são elementos comuns à bruxaria.

Porque a Bíblia condena todo tipo de adivinhação e ocultismo

A astrologia, em sua forma tradicional, é um método de adivinhação baseado na teoria de que as posições e movimentos dos corpos celestes (estrelas, planetas, Sol e Lua), no momento do nascimento, influenciam profundamente a vida da pessoa. Na sua forma psicológica, a astrologia é um tipo de terapia da Nova Era, usada para a autocompreensão e análise da personalidade.

Tem sido a porta de entrada mais comum para outros tipos de ocultismo. Embora em sua comercialização assuma, muitas vezes, um caráter inocente, quase como que de uma brincadeira popular, quando, porém, proferida e utilizada por verdadeiros astrólogos, torna-se tão nociva espiritualmente quanto as outras formas de adivinhação.

Quem deseja, pois, se afastar de todo tipo de práticas proibidas deve também se afastar da astrologia, ainda que apresente aparência de inocência. “Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti” (Dt 18.9-12).

Por este motivo, o profeta Isaías, ao proferir seu juízo contra a idólatra Babilônia, também não pôde deixar de profetizar contra seus “agoureiros dos céus”, aqueles que se diziam capazes de predizer o futuro por meio das estrelas: “Deixa-te estar com os teus encantamentos, e com a multidão das tuas feitiçarias, em que trabalhaste desde a tua mocidade, a ver se podes tirar proveito, ou se porventura te podes fortalecer. Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e salvem-te do que há de vir sobre ti. Eis que serão como a pragana, o fogo os queimará; não poderão salvar a sua vida do poder das chamas; não haverá brasas, para se aquentar, nem fogo para se assentar junto dele. Assim serão para contigo aqueles com quem trabalhaste, os teus negociantes desde a tua mocidade; cada qual irá vagueando pelo seu caminho; ninguém te salvará” (Is 47.12-15; grifo nosso).

Porque eu entreguei minha vida a Jesus e Ele é o Senhor das minhas atitudes, do meu presente e do meu futuro

A experiência cristã de conversão e novo nascimento põe fim completo à crença na astrologia. Para alguém que passou a viver sob o senhorio de Jesus Cristo, não existe lugar para a noção de que o movimento dos astros no céu seja responsável por qualquer coisa em sua vida, seja seu jeito de ser e pensar, seja seu futuro.

A vida cristã é concebida em termos do caráter de Cristo. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20). Somos transformados pelo Espírito Santo (2Co 3.18) para nos tornarmos semelhantes a Cristo (Rm 8.29). Antes disso, está escrito que éramos controlados por nossa carne, pensamento e, também, por Satanás (Ef 2.2,3). Não podemos aceitar a “forma” deste mundo (Rm 12.2), e isto inclui rejeitar a crença na astrologia como fator determinante de nossa personalidade.

A vida cristã é regida por chamado e ministério (At 20.24). Deus tem um propósito e um futuro para a nossa vida (Jr 29.11), e devemos viver segundo este propósito para que possamos chegar a este futuro que Ele nos tem preparado. Não há espaço para confiar em coisas “escritas nas estrelas”. Nada que aconteça no espaço sideral deve nos atemorizar. Nenhuma previsão astrológica deve causar qualquer preocupação em nosso coração. “Não vos espanteis dos sinais dos céus; porque com eles se atemorizam as nações” (Jr 10.2). Um crente de verdade está seguro da sua vida nas mãos de Deus e de modo algum vai se deixar enganar pelos absurdos da astrologia.

Não podemos aceitar nada na astrologia

Nem seus conceitos, suas explicações, suas reivindicações. Não há nada escrito nas estrelas sobre o destino individual de ninguém. Os astros definitivamente não predizem o futuro. Definitivamente também não influenciam o comportamento humano. Se quiserem, as pessoas podem mudar esses fatos ou continuar apegando-se a crendices supersticiosas. Mas não podem ter uma confiança verdadeira em Deus e nos astros ao mesmo tempo.

Se há algo para o homem entender quando olha para as estrelas, com certeza não é seu temperamento nem seu futuro. Mas pode olhar para o céu e reconhecer um pouco da glória e do poder de Deus: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas” (Rm 1.19,20).

Pode também fazer como o rei Davi e perceber a bondade de Deus e a pequenez do ser humano diante da grandeza do Universo:

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!” (Sl 8.3-9).

Glória ao Deus que é sobre todas as coisas!

Mapa astral - Aspectos Planetários

Os astrólogos acreditam que os traços de personalidade e a direção da vida de um indivíduo são revelados pela posição das estrelas e dos planetas por ocasião do seu nascimento. Para interpretar possibilidades e ver como poderiam ser desenvolvidos certos potenciais, os astrólogos seguem o mapa astral.

Elaborar um mapa completo é um processo complicado que exige consulta a diversas fontes. Tais cálculos só podem ser dominados com instrução, paciência e prática.

De acordo com a tradição, pede-se para um astrólogo experiente traçar este mapa. Em geral, este cobra uma taxa que inclui uma interpretação do mapa e os conselhos aos respectivos conflitos descobertos.

Um dos aspectos mais poderosos que podem aparecer em um mapa são a oposição, a quadratura, a conjunção e o trígono. Para interpretá-los, leva-se em consideração a natureza dos planetas envolvidos. Abaixo, você encontra os exemplos pela posição em Marte e Saturno. Veja:

Oposição

Aqui, o planeta Saturno – que simboliza estrutura, disciplina e autoridade – aparece na primeira casa, que governa a independência. Marte – que representa desejo, energia e sexualidade – opõe-se a Saturno na sétima casa, que rege as parcerias. Os astrólogos interpretam esse aspecto de oposição como um forte conflito entre o desejo de ficar sozinho e autocontido e a busca agressiva de relacionamento com os demais.

Quadratura

Este aspecto de quadratura revela um conflito entre Marte na quarta casa, que governa a infância, e Saturno representa a autoridade e a disciplina, além da paternidade e do relacionamento com o pai. Para os astrólogos, esse aspecto assinala o conflito de alguém com o pai, bem como com outras figuras de autoridade.

Conjunção

Neste aspecto, que se costuma interpretar como sinal de luta interna, os planetas Marte e Saturno aparecem na quinta casa, que se julga reger a criatividade. Neste caso, Marte, que representa o desejo e as coisas físicas, está em luta com Saturno, símbolo da disciplina; segundo a interpretação de um astrólogo, esta conjunção poderia significar uma luta contra a letargia ou a dificuldade em impor disciplina a uma energia física.

Trígono

Marte na sétima casa, que se supõe ser regente das relações e parcerias íntimas, seta separado por 120 graus de Saturno na casa 11, que se supõe descrever tanto a interação social quanto a criativa. Esse aspecto, dizem os astrólogos, cria uma atmosfera na qual parcerias energéticas resultam em contribuições sociais responsáveis.

Glifos planetários

No mapa natal, cada planeta, o Sol e a Lua são representados por um símbolo, ou glifo. Os planetas retrógrados – aqueles que, vistos da Terra, parecem estar andando para trás – são anotados com um símbolo especial, assim como os nodos Norte e Sul da Lua, pontos em que a órbita mensal da Lua cruza a eclíptica.

Notas:

COSTA, Jefferson Magno. Porque Deus condena o espiritismo. CPAD, 1987.VAN FEU, Eddie. Wicca.Editora Escala, 2003.Enciclopédia Britânica. Verbete Astrologia Vol 2, Edição de 1967.Revista Superinteressante, nº 10, ano 2, out/1988.KELLY, I.W. Modern Astrology: a critique, p. 931.http://www.cetico.hpg.ig.com.br/astrologia.html.

Fonte: http://www.icp.com.br/69materia1.asp




quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Os Rumos do Ecumenismo

Não tenho a pretensão de escrever um tratado completo e definitivo sobre os esforços ecumênicos em andamento na atualidade. Quero apenas avaliar o assunto à luz da Palavra Profética. Não recorro a ela como mera coleção das profecias registradas nas Sagradas Escrituras – no Antigo e no Novo Testamento – mas vejo-a como base para uma perspectiva espiritual do tempo presente, conforme Paulo escreveu: “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.13-14).

O que acontece hoje, aqui e agora, no mundo e no meio cristão? Qual o significado desses desenvolvimentos para os cristãos verdadeiros? Até que ponto o Movimento Ecumênico abre caminho para o cenário dos tempos finais? Que reação nosso Senhor Jesus Cristo espera de nós? Até onde o ecumenismo já avançou e até onde vai prosseguir?

No que pensamos quando falamos de ecumenismo?

No contexto bíblico, ecumênico significa simplesmente “relativo a toda a terra habitada; universal” ou apenas “o mundo”. Esse conceito é usado, por exemplo, em Mateus 24.14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”. O sentido bíblico do termo “ecumênico” é o da união de todos os crentes por iniciativa do Espírito Santo.

O ecumenismo que se busca hoje, ao contrário, promove uma união com base no que poderíamos chamar de “menor denominador comum” (usando terminologia matemática). Seus porta-vozes confundem a unidade dos verdadeiros crentes, como João a descreve (veja Jo 17.21-23), com a união de igrejas e organizações ou, ampliando ainda mais sua abrangência, com a união de todos os que de alguma forma crêem em Deus ou em alguma divindade.

A Bíblia, porém, enfatiza com muita clareza a exclusividade da verdadeira Igreja, fundada sobre a Palavra de Deus. Encontramos menção dessa base principalmente nos Atos dos Apóstolos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42). Através de esforços e manobras políticas visando unir todas as organizações e denominações jamais surgirá o que a Bíblia chama de “assembléia dos santos”, a união dos “separados”.

A “Igreja de Deus” é um organismo espiritual, separado e chamado para fora do mundo pelo próprio Deus por meio da obra salvadora de Jesus Cristo na cruz, com a finalidade de ser algo especial para o louvor da graça de Deus: “Depois de fazer sair todas as (ovelhas) que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz... Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim... Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor” (Jo 10.4,14,16).

É preciso adiantar que o ecumenismo não é apenas uma corrente religiosa. Trata-se de um movimento mundial abrangente desde tempos imemoráveis. O movimento ecumênico acontece paralelamente à mudança geral de valores da sociedade humana e tem pontos de contato com as palavras mágicas do “Ocidente cristão”: tolerância, paz, humanidade, justiça e preservação da natureza. Ele propaga uma “nova espiritualidade” – seja isso o que for – e usa uma terminologia predominantemente religiosa. Suas fontes podem ser encontradas em movimentos políticos, culturais e sociais que buscam a globalização em grande escala.

O ecumenismo em ofensiva no mundo inteiro

O ecumenismo já avançou mais do que geralmente se supõe. Em última análise, esse é um caminho sem volta, pois o pensamento ecumênico que já se infiltrou em igrejas, denominações e organizações não pode mais ser corrigido ou extirpado. A única alternativa é pessoal: indivíduos demonstrando determinação para se afastarem terminantemente de tudo que é relacionado a esse movimento.

O ecumenismo não se consumará somente quando todas as igrejas, religiões e agremiações assinarem uma declaração de fé conjunta. Isso nunca vai acontecer. Um muçulmano fundamentalista não celebrará a Ceia do Senhor com um cristão convicto, nem um budista adorará a “Virgem Maria” ao lado de um católico.

A aspiração por uma união mundial “no campo religioso”, segundo o lema “Não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões”, não quer dizer que cada religião, representada por uma comissão de especialistas, trará suas crenças e que desse caldo se extrairá uma fé comum. Essa forma de ecumenismo, como muitos crentes a imaginam, não é viável e nem é o que seus defensores e fomentadores buscam. Não se trata de aproximar declarações de fé, como aconteceu com a “Declaração Conjunta Sobre a Doutrina da Justificação” assinada pela Igreja Católica e por igrejas protestantes. Esse foi apenas um “tigre de papel”. O ecumenismo tem pretensões muito mais revolucionárias.

Não se busca uma nova fé – mas um novo “Deus”

É preciso criar um novo “Deus”, que seja adequado a todos os desejos e às condições imaginadas por todos os homens da terra. Esse ato de criação humana é promovido e estimulado através de intensos esforços. O novo “Deus”, ou novo conceito de “Deus”, é oposto ao Pai celeste, antagônico ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse novo “Deus” humanamente criado será aceito por toda a humanidade por negar o verdadeiro Criador e que Seu Filho Jesus Cristo é “ o caminho, a verdade e a vida” (veja Jo 14.6).

Segundo o ecumenismo, não são as declarações de fé que precisam se aproximar; o próprio Deus deve se adequar à imaginação humana. É justamente isso que levará à adoração de um homem no final dos tempos, conforme lemos em Apocalipse 13.11-18. “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (v.18).

O teólogo Walter G. Bauer escreveu:

O cristianismo aniquila o futuro da humanidade com o nome ‘Jesus' – essa é a verdade! O cristianismo mata a divindade com o nome de Deus! Por isso, esse nome não deve mais ser pronunciado, mas apenas parafraseado! Deus precisa de um novo nome para que possa ser novamente Deus; Ele o receberá porque quer voltar a ser Deus entre nós, para que O reconheçamos como o Deus de todos os homens, que nos faz uma só exigência e nos impõe uma única lei: sermos todos irmãos na grande família humana que é formada por muitos povos. Toda a existência na face da terra terá um novo parâmetro, e ‘Homem' será o novo nome de Deus.[1]

É constrangedor transcrever essas afirmações. Apenas o faço para mostrar como o processo de criação de uma nova idéia de Deus já está mais adiantado do que imaginamos. O mesmo é comprovado pela declaração da falecida Madre Teresa de Calcutá, muito estimada até mesmo por alguns membros de igrejas consideradas bíblicas:
Quando encontramos Deus face a face e O recebemos em nossa vida, seremos melhores hindus, melhores católicos, melhores o que quer que sejamos, pois devemos aceitar a Deus da forma como Ele existe em nossa imaginação”.[2]

Ecumenismo não é a compilação de doutrinas e tradições existentes, mas a criação de uma nova visão de mundo e de uma idéia de Deus que abrange todas as religiões. Para ilustrar, transcrevo uma citação de uma revista católica:

A unificação das religiões, estimulada pelo Santo Padre João Paulo II e aclamada por Sua Santidade o Dalai Lama, é o alvo que será atingido em breve. Virá o dia em que o amor ao próximo, defendido tão enfaticamente por Buda e Jesus Cristo, salvará o mundo, pois haverá o maior empenho conjunto para impedir a destruição da humanidade, conduzindo-a à luz na qual todos cremos”.[3]

Precisamos confrontar essas afirmações com a santa e eterna Palavra de Deus. A situação acima citada é descrita no Salmo 2: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.”

Na verdade, o Movimento Ecumênico é um movimento anticristão, mesmo que certas igrejas afirmem o contrário. O ecumenismo atual não se preocupa com missões, em alcançar pessoas com a mensagem do Evangelho para que sejam salvas, mas busca o diálogo, segundo o lema: “Creia no que eu creio e crerei na sua fé”.

Pensamentos sedutores e agradáveis

Uma frase ecumênica repetida impensadamente por muitos cristãos é: “A doutrina separa, a oração une”. Outros adeptos do ecumenismo dizem: “Devemos construir pontes e não muros”. Outros, ainda, anunciam: “Unidade no que é relevante, liberdade no que é secundário e, acima de tudo, o amor”. Todos esses pensamentos parecem muito lógicos, o que explica sua grande aceitação, principalmente por serem repetidos por líderes eclesiásticos considerados fiéis. Mas as três afirmações citadas são diametralmente opostas ao ensino bíblico!

A doutrina separa, a oração une

É absolutamente verdade que a Palavra de Deus produz separação, muitas vezes de maneira mais radical do que nós teríamos coragem de fazer. Mas será que podemos unir em oração o que a Palavra de Deus separa e afasta? Através da oração podemos suspender proibições e mandamentos claros de Deus? Podemos deixar de lado a doutrina do Novo Testamento sobre o batismo ou a Ceia do Senhor para nos unirmos em oração em torno de assuntos que consideramos mais importantes? Que atrevimento em relação à santa Palavra de Deus, que nos diz na Segunda Epístola de João: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2 Jo 1.9-11). Como podemos unir em oração o que Deus claramente separou?

Devemos construir pontes e não muros

Sem considerar que o tema pontes não é mencionado pela Bíblia e que muros aparecem em torno de trinta vezes no texto sagrado, separação é um assunto recorrente no Plano de Salvação. Construir muros é uma exigência de Deus e visa distinguir amigos de inimigos (veja Is 62.6). Muros ofereciam proteção contra os inimigos e também, simbolicamente, diante da influência exercida por aqueles que não criam no Deus de Abraão, Isaque e Jacó (veja Is 26.1-2). Era assim na Antiga Aliança, e na Nova Aliança encontramos a ordenança de demarcar fronteiras e estabelecer os limites entre os renascidos e os que apenas dizem crer em Jesus. Paulo escreve:

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14). Será que é necessária uma exortação ainda mais clara sobre a necessidade de distinção entre cristãos renascidos e cristãos apenas nominais? Já não houve demasiadas decisões equivocadas e de conseqüências funestas em muitas igrejas por terem sido dominadas por pessoas que não eram crentes?
Como se processa o “ide” de Jesus se no fundo todos “crêem” em algum deus? A quem devo pregar o Evangelho se construo pontes, indicando que a fé e a descrença nem se encontram tão distantes uma da outra? A diferença que existe entre um cristão renascido e um cristão nominal não será anulada através de uma ponte, mas somente pelo amor de Deus. E uma das características imutáveis do amor de Deus é a verdade. Por mais que desejemos, não existem pessoas semi-salvas; há apenas salvos e perdidos. Quando construímos uma ponte para as pessoas perdidas, isso acontece apenas no sentido de atraí-las para o lado da verdade, de conduzi-las das trevas para a luz. Tal ponte serve apenas para salvação e não para um entendimento entre cristãos nominais, dando a entender que, de alguma forma, todos acreditamos nas mesmas coisas. Quem constrói esse tipo de ponte torna-se culpado em relação aos que chama de cristãos sem que o sejam realmente, com base na verdade bíblica.

Unidade no que é relevante, liberdade no que é secundário e, acima de tudo, o amor

Essa fórmula de Agostinho (citada livremente) é aparentemente lógica, mas também apresenta dois problemas:

Primeiro, ela passa a impressão de que a mensagem bíblica se divide em partes relevantes e secundárias, importantes e sem importância, em princípios básicos, que devem ser seguidos por todos os cristãos, e doutrinas secundárias que cada um pode interpretar como quiser. Isso acabou conduzindo a uma fórmula que se tornou popular nos últimos anos: “O que importa é Jesus, o resto não interessa”. Essa afirmação dissocia a pessoa de Jesus Cristo de Seus ensinamentos e da missão que nos deu. O alvo de muitas iniciativas “interconfessionais” é a conversão e não o ensino. O objetivo evangelístico justifica, por assim dizer, os meios, e reduz as diferenças ao “menor denominador comum”.

A fórmula de Agostinho apresenta outro problema: quem decide o que é relevante e o que é secundário? E como é possível que acima disso tudo esteja o amor de Deus?
É um grave erro adotar levianamente certas fórmulas, lemas e ditados que até parecem profundos e espirituais mas, no final, diluem as verdades absolutas do Evangelho. Esse é o outro tópico que quero salientar neste artigo.

O Movimento Ecumênico usa os métodos da sedução

É característica básica da sedução não ser evidente nem facilmente detectável. Os enganadores formulam seus postulados usando terminologia espiritual, religiosa e bíblica, mas de significado diferente. Eles encobrem e disfarçam habilmente suas intenções e seus propósitos e é difícil decifrar o que se esconde nas entrelinhas de certas declarações ou atrás de fatos apresentados de maneira positiva. Um marco no caminho em busca da “união das igrejas” foi a assinatura da “Declaração Conjunta Sobre a Doutrina da Justificação”, a respeito da qual o Vaticano comentou:
Em Augsburgo acontece hoje um fato do maior significado. Os representantes da Igreja Católica e da Federação Luterana Mundial assinam uma declaração a respeito de um dos principais temas que colocou em antagonismo católicos e luteranos: a doutrina sobre a justificação pela fé... Esse é um marco no dificultoso caminho da restauração da plena unidade entre os cristãos... Confiemos o caminho ecumênico à intercessão maternal da Santa Virgem.[4]

O jornal Frankfurter Allgemeine comentou a respeito:

É uma flagrante distorção dos fatos e do texto considerar o documento revolucionário, como se ele contivesse uma mudança na conhecida reivindicação absolutista de Roma. A doutrina da justificação continua sendo um dos critérios imprescindíveis e não o critério imprescindível.[5]
O próprio comentário do jornal é problemático. Simplificando, ele diz que a assinatura do documento pelas igrejas não mudou absolutamente nada no fato da Igreja Católica continuar reivindicando ser a única que salva!

O movimento ecumênico percorre a trilha do engano e da sedução, pois o alvo de Satanás é confundir o maior número possível de crentes. Ele sabe o que a história eclesiástica comprova: a sedução é um meio mais eficaz de diluir e enfraquecer as convicções espirituais do que a perseguição. Em outras palavras: o cristianismo não precisa ser eliminado ou erradicado . Basta neutralizá-lo.

Com a nova idéia globalizada de Deus o cristianismo não desaparecerá, mas será esvaziado – ficando sem Jesus como o Caminho, a Verdade e a Vida. A reivindicação de Jesus de ser o Salvador de todos os homens é a base do Evangelho e ao mesmo tempo o que mais incomoda o Movimento Ecumênico. (Michael Urban - http://www.chamada.com.br/)

Notas:

Walter G. Bauer, Ende und Wende des Christentums , pp. 23ss.
D. Doig, Mutter Teresa , p. 156.
Revista Die Katholische Welt, 6/89, p. 140.
João Paulo II em 31/10/99 em Roma (Osservatore Romano de 5/11/99).
Frankfurter Allgemeine Zeitung , 31/05/99, p. 6.

Fonte: http://www.chamada.com.br/mensagens/ecumenismo.html

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A arte de influenciar pessoas e administrar crises

Graças à Deus, chegou o novo livro de minha autoria - "A ARTE DE INFLUENCIAR PESSOAS E ADMINISTRAR CRISES: Liderança e Gerenciamento de Crises à Luz da Palavra de Deus".

"A liderança é algo que nos fascina. Quem de nós nunca sonhou e desejou tornar-se um líder? O assunto empolga mais ainda, por não se tratar de uma atividade meramente formal, como ocupar um cargo, por exemplo, mas da possibilidade real de influenciar pessoas, ou seja, uma ação que pode ser desenvolvida por qualquer pessoa que possua este desejo e esteja disposta à enfrentar seus desafios.

Embora fascinante, a posição de quem exerce liderança não o exime de desafios e dificuldades. Nos momentos de crise, quando os problemas devem ser enfrentados, o líder torna-se o centro das atenções. É neste momento que ele deve superar as adversidades e motivar os outros à vencerem. A liderança também nos coloca numa posição de grande responsabilidade.


Liderar é bom, influenciar é bom, mas administrar crises, não é tão bom assim. O propósito deste livro é conduzí-lo, à luz da palavra de Deus, no entendimento do exercício da liderança eficaz, independente de ser a situação favorável ou não".