sábado, 31 de março de 2012

Falsidade, Hipocrisia e Mentira - Viva 1 de abril!



A mentira é outro dos pecados mais generalizados de nossa sociedade, a tal ponto que a consciência de muitos cristãos têm se tornado insensível e debilitada com relação ao pecado da mentira. Existem muitas pessoas crentes que crêem "que não se pode viver sem uma mentirinha".

A mentira é covardia para não enfrentar a realidade. O homem se justifica ao mentir; considera que as mentiras são "piedosas" ou "por necessidade" ou ainda para evitar problemas maiores. São justificativas ilusórias e sem fundamentos, pois a falsidade e mentira são imorais e contrárias à conduta que Deus requer do homem.

Que é a Mentira?

Mentira: É uma manifestação contrária à verdade, cuja essência é o engano, e cuja gravidade se mede segundo o egoísmo ou a maldade que encerra. Está proibida pelo decálogo (10 mandamentos) divino (Ex 20:16), e um dos efeitos da conversão ao cristianismo é deixar de mentir (Ef 4:25).

A mentira direta, como a de Ananias e Safira (At 5:4), não é a única forma de mentira. Em algumas ocasiões se trata de meias verdades (que é uma "mentira inteira"), como Abraão disse de sua esposa Sara a Abimeleque: "É minha irmã." (Gn 20:2,12). O propósito é sempre enganar.

Pode ser também uma resposta evasiva, como a que Caim disse a Deus (Gn 4:9); um silêncio como o de Judas quando o Senhor o acusou indiretamente na última ceia (Jo 13:21-30), ou toda uma vida enganosa. "Se dissermos que mantemos comunhão com Ele, e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade" (I Jo 1:6).

A mentira não é um "pecadinho", isto não existe: Os mentirosos irão para o lago de fogo (Ap 21:8).

Hipocrisia: Pretensão ou fingimento de ser o que não é. Hipócrita é uma transcrição do vocábulo grego "hypochrités", que significa ator ou protagonista no teatro grego. Os atores gregos usavam máscaras de acordo com o papel que representavam.

É daí que o termo hipócrita chegou a designar a pessoa que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência.

Deus proíbe e condena a mentira e a falsidade

- Não devemos enganar, mentir, nem jurar falsamente (Lv 19:11,12); Mt 5:33-37)
- Deus destruirá o mentiroso (Sl 5:6)
- Deus aborrece a mentira (Pv 6:16-19; 12:22)
- Pesos e medidas falsas são abominação ao Senhor (Pv 20:10)
- As mentiras corrompem o homem (Mt 15:18-20; Mc 7:21-23)
- Manifesta a relação filial entre o homem e Satanás (Jo 8:43-47)
- O engano é parte integral da profunda degradação do homem (Rm 1:28-32; sl 58:3; 62:4; Pv 26:24-28; Jr 9:3-6)
- Devemos rejeitar a mentira (Ef 4:22-25; Cl 3:9; I Pe 2:1)
- O engano faz a vida infeliz, mas Deus promete bênçãos e dias bons aos homem que fala a verdade (I Pe 3:10; Sl 34:12,13)
- Deus condena a hipocrisia (Mt 6:2, 16-18; 15:6-8; 22:18; 23:27-28; Rm 12:9; I Tm 1:5-6; Tt 1:16; Tg 3:14; I Pe 1:22; 2:1-2)
- Deus rejeita a religiosidade (Tg 1:26)

Cristo é o nosso exemplo de verdade

- Não houve engano na Sua boca (Is 53:9; I Pe 2:21,22)
- Veio ao mundo para ser testemunha da verdade (Jo 18:37)
- Estamos "no verdadeiro" (I Jo 5:20)

Cristo, o Senhor, nos ordena a ser absolutamente verazes; "seja a tua palavra sim, sim e não, não" (Mt 5:37). Está preparando para si uma igreja sem mancha e sem ruga ( Ef 5:27), e como discípulos seus e parte do seu corpo, devemos ser absolutamente verazes, francos, sinceros, honestos, honrados; ainda quando tenhamos de sofrer por Sua vontade (1Pe 4:15-19; 3:17; Pv 19:22).

O povo de Deus aborrece a mentira (Sl 119:104, 128,163; Pv 30:8) e rejeita os que a praticam (Sl 40:4; 101:7; 144:11; Ef 5:11), orando para ser guardado da mentira (Sl 119:29; Pv 13:5).

O dano que faz a mentira e o engano

A mentira anestesia a consciência do mentiroso; torna-o insensível à verdade; a verdade não penetra para uma transformação. A mentira vicia com mais facilidade, já que uma mentira conduz a outra.

A falsidade e a mentira são muito prejudiciais ao relacionamento entre os discípulos de Cristo. Cria a desconfiança, o receio, a incredulidade, a suspeita. Destrói o ambiente de fé, de amor, de compreensão e estimula o ciúme. O senhor nos ordena a rejeitar a mentira em todas as suas formas: falso testemunho, engano, hipocrisia, fingimento, exagero, calúnia, desonestidade, não cumprir os tratos injustificadamente, fraude, falsificação em todas as áreas de nossa vida: lar, trabalho, comércio, igreja, autoridades, colégio, amizades, etc.

A sociedade assentada sobre a mentira e a falsidade está destinada a desmoronar. É preciso edificar uma estrutura moral de veracidade em todas as ordens e escalas da vida: nos governantes e nos governados, nos pais e nos filhos, nos patrões e empregados, nos mestres e nos alunos, nos comerciantes, nos profissionais, nos clientes.

Como se libertar e corrigir-se

Arrepender-se: mudar de atitude e de mentalidade em relação à mentira e à falsidade. Rejeitar a mentira, eliminá-la da vida. Determinar obedecer a Deus em tudo e viver sempre na verdade. Disciplinar-se até cultivar uma nova atitude baseada na veracidade.

Confessar o pecado: (Pv 28:13-14; 1 Jo 1:9; 2:1) toda a mentira é pecado e deve ser completamente confessada, esclarecendo-se a verdade com Deus e com a pessoa enganada. Quando a mentira constitui um vício arraigado à maneira de viver, deve ser confessada a um irmão maduro, responsável, procurando uma ampla orientação (Tg 5:16).

Exortação: (Tg 5:19-20: Gl 6:1-2; Ef4:25) como este pecado afeta as relações entre os irmãos, somos responsáveis uns diante dos outros para corrigir, admoestar, ensinar, etc.

Fonte: http://www.soucristao.com.br/component/content/article/44-crescimento/2182-a-falsidade-e-a-mentira

quarta-feira, 28 de março de 2012

"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig



O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus.

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

"Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério", disse. "Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável", continuou. "Normalmente as pessoas não me dizem 'boa sorte' ou 'não nos decepcione' antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo". Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.

O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris. Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. "Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso", escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros — entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Por que deveríamos acreditar em Deus?

Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes?

Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus?

Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?

A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’?

Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?

Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta?

As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural?

A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus?

Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução?

Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo?

A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade?

As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade?

Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?

Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?", perguntam elas. "Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.

Fonte: Marco Túlio Pires. Revista Veja. Abril de 2012.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O diácono é um porteiro? (Por Jean Douglas Gonçalves)



Certa vez, um homem procurou o pastor. Era um recém-convertido. Feliz e conquistado pelo amor e graça de Deus, desejava sinceramente realizar algum trabalho na congregação. Conhecia pouco da Bíblia, dos dons e serviços no corpo de Cristo e da estrutura da igreja local. Enquanto o pastor procurava orientá-lo, sem que este perdesse o entusiasmo em trabalhar pela causa, o homem sugeriu:

- Pastor, eu quero mesmo é trabalhar. Qualquer coisa serve. Pode ser como porteiro mesmo, daqueles que todo o domingo entrega o jornalzinho e cumprimentam os irmãos quando chegam para o culto.

O porteiro que o homem encontrava todos os domingos era, na verdade, um diácono (e o jornalzinho, um modesto boletim informativo). A diaconia não é um serviço qualquer. Nem é um serviço menos honroso que o presbiterato. Não é ser um porteiro (sem demérito algum ao porteiro) que, sorridentemente, recebe as pessoas que adentram ao templo e lhe entregam um boletim. A diaconia não é um serviço dominical.

Se o diácono não é um porteiro, quem é ele?

É um cristão. É um nascido de novo. Alguém que se converteu a Cristo. É um crente. Alguém que vive de acordo com as Escrituras e se submete à sua autoridade como Palavra de Deus. Que testemunha com a vida e, se necessário, com palavras a fé em Cristo. Comprometido com a causa, sustenta-a moral e financeiramente. Participante, não sazonal, da vida de sua igreja, é submisso às suas autoridades. É um servo de Deus em serviço às pessoas. É um vocacionado (1Pd 4.10-11). Se o diácono não é um porteiro, quem é ele? Segundo Atos 6.3, são pessoas “de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria...”.

Se o diácono não é um porteiro, o que ele faz?

Com alegria, zela para que o templo e suas dependências tenham ordem para o culto e cuida para que reverentemente tenhamos momentos de verdadeira adoração. Preocupa-se com o culto, pois sabe que aquele momento glorifica a Deus e edifica a igreja. Serve como um guardião das portas da adoração!

Com misericórdia, visita enfermos e abandonados. Não se recusa a tocar o doente, nem a abraçar o maltrapilho. É o consolo na dor da enfermidade e a companhia na tristeza da solidão. Serve como um anjo de Deus nas horas da angústia!

Com amor, assiste aos órfãos, viúvas, idosos e necessitados. Dá atenção a quem dela precisa. Não se esquece daqueles que são lembrados por Deus. Esforça-se para ser o sustento daquele que perdeu o apoio. Serve como um pastor que carrega ovelhas nos ombros!

Com visão missionária, estabelece programas sociais. Funda escolas, hospitais, creches, lares que acolham idosos e crianças em situação de abandono, casas de recuperação para dependentes químicos ou, simplesmente, com a mesma dedicação e carinho, prepara uma cesta básica para a família faminta. Serve como um ativista social do Reino de Deus!

Com humildade, desempenha outras funções que lhe são atribuídas pelo Conselho. O diácono não tem crise de identidade nem de auto-estima. Não se sente menor quando o Conselho lhe sugere outras atribuições eventuais, que auxiliem o bom andamento da causa de Cristo. Serve “não como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus...” (Ef 6.6)!

O primeiro mártir da fé cristã foi um diácono. Estevão era um “homem cheio de fé e do Espírito Santo (...) cheio de graça e poder” (At 6. 5, 8). Saulo, quando Estevão foi apedrejado, “consentia na sua morte” (At 8.1). Talvez, foi pensando em Estevão, que Paulo instruiu a Timóteo quanto às qualificações dos diáconos e disse: “Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus” (1Tm 3.13).

Fonte: http://www.pendaoreal.com.br/html/noti_boas.php?cod=52

quinta-feira, 22 de março de 2012

A batina do Padre Paulo Ricardo e as impressões que ela causa



Nos últimos dias vários blogs católicos promoveram uma campanha em defesa do padre Paulo Ricardo, muito conhecido por sua atuação midiática, seus vídeos sobre temas diversos (especialmente o marxismo cultural) e suas participações na Canção Nova.

Ele foi atacado em uma carta aberta por 27 outros padres, que o caluniaram das mais diversas formas; uma das "acusações" foi a de que o padre insistia na importância do uso da batina (por mais que padres e até bispos adorem andar disfarçados de leigos por aí, as regras da Igreja Católica obrigam o sacerdote a usar batina ou pelo menos o clergyman, aquele colarinho próprio dos padres).

O argumento dos fãs do disfarce é o velho ditado "o hábito não faz o monge", segundo o qual é perfeitamente possível ser um bom padre sem usar o traje clerical, e que a batina por si só não impede um padre de cometer barbaridades (aliás, concordo com o segundo ponto e discordo do primeiro). O mesmo raciocínio se aplicaria ao hábito das ordens religiosas masculinas e femininas. Mas uma pesquisa de Hajo Adam e Adam Galinsky, da Northwestern University, publicada no Journal of Experimental Social Psychology, parece dar razão ao padre Paulo Ricardo: o traje faz diferença, sim.

A pesquisa avaliou o impacto do traje não na maneira como quem o veste é percebido pelos outros, mas no modo como a pessoa percebe a si mesma quando está usando a roupa característica de sua função. Uma reportagem de Tom Jacobs destrincha a pesquisa mostrando como os participantes da experiência (estudantes de graduação, pelo que entendi) melhoraram seus resultados em testes que exigiam atenção e cuidado quando vestiam jaleco do tipo usado por médicos ou em laboratórios. Para comparar, outros estudantes também estavam com o mesmíssimo uniforme, mas foram informados de que se tratava de jalecos do tipo usado por artistas quando estão pintando. Esse grupo não apresentou nenhuma melhora nos resultados dos testes. "Parece haver algo especial sobre a experiência física de vestir certa peça de roupa", escreveram os pesquisadores.

E onde entram as roupas usadas por líderes religiosos (e aí não estamos falando só da batina dos padres ou do hábito de frades, monges e freiras)? Galisnky e Adam fizeram um comentário no site Science and religion today explicando que o resultado de sua pesquisa também poderia ser aplicado aos trajes dos clérigos, e que seu uso seria importante "não apenas pela impressão que [o traje] causa nos outros, mas também pela influência que a vestimenta tem sobre os próprios líderes", já que a roupa "pode exercer influência sobre o modo como quem a usa sente, pensa e se comporta, através do significado simbólico associado a ela". Assim como uma toga significa justiça, um terno caro significa poder e um jaleco de laboratório significa atenção e foco científico, o traje clerical é associado a "fé, dedicação e ao compromisso de liderança responsável na comunidade religiosa", e o líder religioso "pode exercer suas tarefas e inspirar seguidores de forma mais efetiva quando usa esse tipo de vestimenta".

É importante ressaltar que o traje não impede nenhum líder religioso de agir mal; mas, pelo que Galinsky e Adam concluem, a roupa tem, sim, um efeito sobre quem a usa. Parece que o padre Paulo Ricardo ganhou um argumento científico para seu esforço pelo uso da batina.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/tubodeensaio/

terça-feira, 20 de março de 2012

Bispo anglicano afirma que a cruz não é um símbolo essencial para o cristianismo



O bispo da Igreja Anglicana Dom Rowan Williams declarou sua opinião sobre a recente polêmica envolvendo duas britânicas que foram impedidas por seus empregadores de usar uma cruz sobre o uniforme de trabalho, afirmando que uso da cruz por pessoas não é essencial para o cristianismo e se trata apenas de uma “decoração religiosa”.

Nadia Eweida e Shirley Chaplin recorreram ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, com sede em Estrasburgo (França), contra a proibição de manifestar a crença cristã através do uso da cruz em seus locais de trabalho.

As afirmações do Bispo ratificam o argumento do Ministério das Relações Exteriores britânico que, em defesa do governo, rebateu a acusação de discriminação religiosa feita pelas duas cristãs com o argumento de que a exibição da cruz sobre as vestes não é “uma exigência da fé cristã”.

Essa não é a primeira vez que o bispo faz declarações polêmicas sobre o uso da cruz pelos cristãos. Em um encontro com o papa Bento 16, o anglicano já tinha dito que a cruz perdeu o seu significado e se tornou em um objeto de “fabricação” de religiões.

Sobre o caso das britânicas, Williams afirmou ainda que os fiéis “inventam” algumas coisas, como o uso da cruz, e “se aferram a elas como substituto para a fé verdadeira”, segundo o The Telegraph.

Fonte: Gospel+

quarta-feira, 14 de março de 2012

O valor das pequenas coisas



É de causar admiração como a Bíblia enfatiza com tanta precisão e como ela dá importância às coisas pequenas. Davi venceu o gigante Golias com uma pequena pedra, Sansão matou mil filisteus com uma queixada de jumento, Esaú vendeu o seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas, Jesus nasceu numa pequena aldeia de Belém, as pequenas raposas são responsáveis pela destruição de uma videira, Jesus disse que a fé como um grão de mostarda cuja semente é muito miúda pode remover montanhas. A grandeza não está no tamanho de algo, mas na potencialidade de algo.

Em Zacarias 4.10, o Senhor perguntou ao profeta: “Quem despreza o dia das coisas pequenas”? Esta passagem descreve que algumas pessoas consideravam a obra que estava sendo edificada sem importância, ou seja, insignificante. Desconsideravam estes que este trabalho era abençoado por Deus, tendo valor e importância eternos.

Davi, no Salmo 37.16 disse: “Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios”. Esta afirmação indica que a benção de Deus sobre o pouco produz contentamento e alegria, tornando a adversidade em paz devido à benção divina.

O texto bíblico de Gênesis 48.17-19, demonstra que mesmo sendo menor, a tribo de Efraim tornou-se maior em número, poder e dignidade. Donald C. Stamps, no comentário desta passagem na Bíblia de Estudo Pentecostal, mostra que em diversas ocasiões na história do Antigo Testamento, Deus escolheu o filho mais novo em vez do mais velho:

a) Gn 21.12 – Escolheu Isaque em vez de Ismael.
b) Gn 25.23 – Escolheu Jacó em vez de Esaú.
c) Gn 48.14-20 – Escolheu Efraim em vez de Manassés.
d) Gn 48.21,22; 49.3,4 – Escolheu José em vez de Rúben.
e) Jz 6.11-16 – Escolheu Gideão em vez dos irmãos dele.
f) 1Sm 16 – Escolheu Davi em vez dos irmãos dele.

Stamps afirma que “isto evidencia o fato de que ter primazia entre os seres humanos não significa ter primazia com Deus, pois Ele escolhe as pessoas à base da sinceridade, pureza e amor, e não da sua posição familiar”.

No evangelho segundo Mateus 20.25-28, Jesus definiu quem é considerado o maior no reino dos céus: “.. mas todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, ou escravo bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos”.

Jesus estava ensinando que aos olhos humanos aqueles que exercem autoridade ou possuem domínio são considerados mais importantes, grandes ou maiorais. Ele ensinou que no seu reino a grandeza não é medida pelo domínio exercido sobre outrem, mas pelo serviço que um dedica ao outro.

No evangelho segundo Mateus 18.1-4, os discípulos indagaram Jesus, demonstrando que tinham interesse em saber quem ocupava uma posição de maior destaque no Reino de Deus. Jesus, chamando uma criança para perto de si, respondeu: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus”.

É preciso que nós, servos de Deus, nos esvaziemos de todo sentimento de presunção e de ambição pessoal para que possamos servir a Deus com integridade, pois nosso próprio Deus chegou a lavar os pés dos seus discípulos, mostrando explicitamente que veio para servir e não para ser servido.

Fonte: Quando os pequenos tornam-se gigantes: A ação de Deus nas pequenas coisas - Eliel Gaby

sábado, 10 de março de 2012

Quando a revista Superinteressante se torna desinteressante? (Por Marcos Batista Lopes)



Revistas brasileiras que tratam de inúmeros assuntos científicos, às vezes se aventuram em tratar de um assunto que desconhecem, no caso: Religião, Deus, Bíblia e o Cristianismo. A revista Galileu de julho de 2002 tem por titulo: “Deus – precisamos dele?”. A revista Super Interessante de dezembro de 2005 tem por titulo: “Deus existe? – Será que a ciência tem a resposta?”. Em uma das edições da revista Super Interessante, os autores afirmam que uma pessoa não conseguiria seguir os mandamentos da Bíblia por completo, pois em outras palavras, teriam que andar como os homens das cavernas e usar longas barbas. O artigo foi escrito por uma pessoa que desconhece interpretação bíblica e a diferença entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Não é preciso muita inteligência para perceber a discriminação e o preconceito da revista para com o cristianismo ou qualquer religião existente.

Não é preciso dizer que é um desastre imenso quando estes periódicos se aventuram em assuntos religiosos. O único estudioso que citam é Mark S. Smith, pessoas que o publico desconhece. Em sua reportagem, não procuram entrevistar líderes cristãos respeitados entre as igrejas evangélicas no Brasil. A opinião ditatorial destas revistas é algo lamentável, para não dizer, ultrajante, pois afinal estamos em um país democrático. Se notarmos nos últimos anos, a revista Super Interessante procura todo fim de ano, se aventurar em assuntos religiosos. A revista evolucionista chamada – Super Interessante – às vezes se torna desinteressante quando faz afirmações religiosas inverídicas, e sem averiguação dos fatos. Os editores e autores têm a liberdade de não crer em Deus, entretanto, deveriam ter respeito para com aqueles que crêem em um Deus Criador do universo, mas não o fazem.

No texto da edição de novembro de 2010, é bem abrupto, e é escrito por pessoas que aparentemente desconhecem a Teologia Clássica, e transmitem idéias que mais parecem escritos por ateus. O título proposto pela revista – “Deus, uma biografia” – é um assunto que deveria ter sido escrito por pessoas conhecedoras da teologia judaica e cristã, para poderem especificar o assunto – Deus – de uma maneira mais adequada. Entretanto, não é o que vemos nesta edição da Super Interessante. Os autores, José Lopes e Alexandre Versignassi, tecem o texto com inúmeras piadas e conjecturas, e chegam a dizer que: “Os deuses nasceram do pôquer…” (pg 60), também afirmam que através de seus estudos descobriram que o Deus da Bíblia já fora casado, e que sofreu um divórcio litigioso, além de ser vingativo, ambicioso e que conseguiu se destacar entre os deuses usando o engano e ao amadurecer-se tornou-se menos falível. Na pagina 66 afirmam que: ‘Até então, embora Javé tivesse tomado conta das funções guerreiras de Baal, nada indicava que ele também pudesse bancar o regador de plantas. Mas os profetas israelitas passam, então,a afirmar que o mandachuva era ele.” Na mesma página as afirmações sem comprovações históricas são citadas: “No mundo mitológico, Javé se fortalecia como nunca.

Como a nação agora indefesa militarmente, era a hora de reafirmar que o deus da nação, ao menos, era o todo-poderoso. Nisso os profetas israelitas diziam que só Javé tinha existência, vida e poder; os outros deuses eram meras imagens de pedra, metal ou madeira. Era nada menos que a inauguração do monoteísmo….e esse Javé único é que iria para a Bíblia. E se tornaria a imagem de Deus no mundo ocidental.” Além destas afirmações capciosas o texto segue na mesma página: “E que, certa forma, era a imagem e semelhança do Javé pré-Bíblia: o Deus guerreiro, militar, que pune com rigidez os erros de seus adoradores. O Velho Testamento está repleto de castigos divinos dos mais leves, como transformar o fiel Jó, um milionário, em um mendigo, como um teste para sua fé, até o dilúvio universal – praticamente um restart no mundo depois de ter concluído que a humanidade não tinha mais jeito.” No final de seu texto declaram que: “… A saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopéia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência” (pg 67). Uma conclusão que faria Richard Darwins lutar de alegria, afinal são estas e outras declarações irônicas que raciocinam os ateus de nosso século.

Na página sessenta e seis, como podemos observar, as declarações dos autores carecem de fidelidade histórica e teológica. Ao contrário do que afirmam, o Deus da Bíblia se fortalecia não porque os israelitas fizessem grande propaganda de Javé, mas o Deus Único se fazia conhecer através de Moises (Ex. 3.5). Foi o amor de Javé por suas criaturas que o levou a se manifestar, e por ser fiel à própria palavra, Ele se revelaria a humanidade através de uma promessa que fez a Abraão (Gn 12.3). O mesmo Deus que autorizava as guerras era o mesmo Deus de amor que levou profetas como Jonas a pregar a salvação para os Ninivitas. As guerras eram necessárias, pois os povos ao redor de Israel não conheciam os tratados de paz, e nem os direitos humanos, a única coisa que conheciam era a violência e o terror. O Deus de Israel enviaria o seu povo para terras onde povos que desconheciam leis, amor, perdão, convivência com outros povos, e só existia uma maneira de viver em um ambiente assim; lutar defendendo-se ou morrer.

Afirmam que na história de nossa evolução deixamos de adorar deuses com formas de animais e passamos a progredir com a cultura grega. Os autores também exploram a semântica e certos nomes como: Teiman e Paran, assim como Yamm e Mot, e em um jogo de palavras, passam a impressão de erudição. Toda a reportagem é epigramática e o Deus da Bíblia é apresentado como um mito que se desenvolveu entre a humanidade. A opinião que apresentam do salmo 82, é cômica e parece ter sido interpretada por teólogos mórmons que fazem uso indevido do texto bíblico, e são factóides em suas afirmações. O salmo 82, para eles é “uma espécie de Câmara dos Deputados dos deuses, na qual eles se reúnem para discutir assuntos importantes…” (pg 64). Afirmam ainda que, em um período da história de Javé, ele impôs sua vontade perante os deuses cananeus. Todavia, o texto em pauta não tem a ver com reuniões de deuses no céu, ao contrário, esta passagem é uma poesia onde Asafe expõe a ironia de Javé sobre os juízes judaicos daquela época. Aqueles juízes estavam debaixo do julgamento de Javé, e é como se Deus afirmasse: “Vocês pensam que são deuses, entretanto como homens vocês morrerão.” Um julgamento justo sobre juízes que acreditavam que Javé nunca os puniria por seus erros, e mesmo que fossem tratados pelo povo como deuses, Javé estava alertando–os “como homens vocês morreram. “

Mas os autores da Super Interessante foram muito infelizes ao tentarem interpretar um texto da Bíblia que desconhecem e, por esse motivo eles deveriam sempre em suas pesquisas, consultar ambas as partes, tanto os teólogos clássicos tanto os estudiosos seculares, mas como não os consultam, trazem esta desinformação a um público que em sua maioria, desconhece a Bíblia. Então os autores finalizam sua reportagem afirmando que: “… a saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopéia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência. Neste aspecto, continuamos tão perdidos quanto os antigos que não sabiam por que o trovão trovejava ou o que as estrelas faziam pregadas no céu. Ainda não sabemos por que estamos aqui. E a única certeza é que vamos continuar buscando respostas. Seja o que Deus quiser”.

Nestas declarações não posso concordar com José Lopes e Alexandre Versignassi. Existe um único Deus verdadeiro (Is 43.10), que dá sentido a vida e a existência humana. Não estamos perdidos, como eles afirmam, pois não acreditamos em deuses como os antigos povos celtas, gregos e outras civilizações. A grande verdade é que o único Deus criador do universo nos apresenta o caminho para seu Reino, após a morte (Jo 14.6). Os cristãos sabem o porquê estão aqui, e as respostas estão na Bíblia, embora seja um livro desacreditado por inúmeros ditos sábios que a Palavra de Deus, os chama de loucos (1 Cor. 1.20, 21). É uma pena que pessoas que desconheçam a Bíblia, e que não crêem no Deus único, queiram tratar de um assunto que jamais poderiam escrever, pois desconhecem a hermenêutica e a exegese, e o estudo das línguas originais da Bíblia, mas que se aventuram no campo da fé. Eles afirmam na página final da reportagem: “Seja o que Deus quiser”. Nisto concordo com eles, no fim de todas as coisas é Javé que irá fazer o que quiser e não os homens que o desconhecem (Gn 14.19; Jr 10.16; Ef 1.11; Rm 11.33; Ap 4.11).

Fonte: Marcos Batista Lopes. Disponível em http://www.napec.net/apologetica/desinteressante/#more-725

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ecad cobra direito autoral de blogs



Foi com surpresa que o designer Uno de Oliveira, um dos sete responsáveis pelo blog Caligraffiti, recebeu na semana passada uma cobrança do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). O motivo, de acordo com a mensagem, era a utilização de vídeos do YouTube e do Vimeo no site.

"Achei muito estranho, pois nunca tinha ouvido falar nisso. No mesmo instante liguei para o escritório do Ecad em São Paulo e eles confirmaram que estavam começando a cobrar sites e blogs, que querem legalizar tudo", disse o blogueiro ao iG.

A prática, de acordo com o Ecad, não é nova. O órgão afirmou ao iG ter em seu cadastro aproximadamente 1.170 sites que pagam direitos autorais pela música utilizada publicamente através de diversas formas de streaming. Nas palavras do escritório, as cobranças são feitas "sempre proporcionais ao porte e características de cada utilização musical".

No caso do Caligraffiti, um blog que, segundo seus proprietários, não gera lucros para os envolvidos e tem em média 1.500 acessos diários, o valor da mensalidade cobrada foi de R$ 352,59.

"Isso vai contra toda a liberdade que conquistamos até hoje na internet. Mas eles foram categóricos, disseram que estão dentro da lei. De fato estão, mas é uma brecha de uma lei defasada", disse Uno, citando o compartilhamento na internet como fator importante para a visibilidade de muitos artistas.

A lei

Segundo o Ecad, "o direito de execução pública no modo digital se dá através do conceito de transmissão presente na Lei de Direitos Autorais (9.610/98)". A lei define que transmissão ou emissão é a difusão de sons ou de sons e imagens, por meio de ondas radioelétricas; sinais de satélite; fio, cabo ou outro condutor; meios ópticos ou qualquer outro processo eletromagnético, o que contempla também a internet.

Na visão do Ecad, o YouTube é um transmissor, enquanto os blogs que embedam em suas páginas vídeos do YouTube são considerados retransmissores, o que legitimaria a cobrança.

Decididos a não ceder, os integrantes do Caligraffiti afirmam que não deixarão de falar sobre qualquer assunto por pressão do órgão. "O Ecad não entrou em contato com a gente até agora. Acho que estão com medo, porque a opinião pública está do nosso lado. O nosso posicionamento é divulgar o que está acontecendo. E se o Ecad vier para a guerra, já temos bastante artifício para nos defender", disse Uno.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/ecad-cobra-direito-autoral-de-blogs/n1597668097059.html

sexta-feira, 2 de março de 2012

Maldição Hereditária - Um ensino equivocado



Nestes dias difíceis em que a igreja evangélica enfrenta a invasão das seitas, do ocultismo e da Nova Era, sem contar a crise de integridade, uma nova crise de identidade, se abate sobre o povo evangélico brasileiro.

Um dilúvio de novas teologias, fenômenos e práticas espirituais invadem a comunidade evangélica atingindo proporções tais que exigem um posicionamento definido da liderança.

O evangelho é simples, mas muitos pregadores estão abusando nas doutrinas da Confissão Positiva, da Saúde e da Prosperidade, dos Espíritos Territoriais, da Maldição de Família, da Cura Interior, etc.

A NOVA TEOLOGIA DA MALDIÇÃO DE FAMÍLIA

1) Este ensino diz que muitos problemas que o cristão enfrenta, sem obter soluções adequadas, são devidos a uma maldição que acompanha a família por causa de práticas abomináveis a Deus, como idolatria, feitiçaria ou pacto satânico, etc. realizadas por algum antepassado. Portanto, é necessário descobrir dentro da árvore genealógica o antepassado que tinha determinado o problema.

2) Existe um espírito (demônio) que acompanha a família geração após geração trazendo desgraças como doenças, adultério, crimes, prostituição, pobreza, morte, etc.

3) Eis algumas situações:

“Existe uma transmissão de heranças espirituais das gerações passadas para nós.” [1]

“… Deus tão-somente entrega aquela família ou indivíduo, a sofrer as ações dos espíritos que induziam seus antepassados àquelas práticas pecaminosas. Desta forma, as heranças espirituais são transmitidas de geração a geração e é por isso que se cumpre o provérbio popular: ‘Tal pai… tal filho’”. [2].

“Os chamados ‘espíritos familiares’, ou maldições hereditárias, são uma terrível realidade. Mesmo após a conversão eles continuam atuando, pois Deus trata com o nosso espírito primeiro”. [3].

“Se não estamos recebendo o que de bom Deus tem para nós, se não estamos gozando a vida no seu sentido mais pleno, pode ser que por trás de tudo isso haja maldição”.
[4]

“Os pecados dos pais podem passar de uma a outra geração, e assim consecutivamente. Há na sua família casos de câncer, pobreza, alcoolismo, alergia, doenças do coração, perturbações mentais e emocionais, abusos sexuais, obesidade, adultério? Estas são algumas das características que fazem parte da maldição hereditária nas famílias, CONTUDO ELAS PODEM SER QUEBRADAS!…”[5]

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE MALDIÇÃO DE FAMÍLIA

Muitos são os textos usados para defender esta doutrina, como Ex. 20:5; Lv 26:39; Nm 14:18; 23:8; Dt 30:19.

O mais conhecido e que iremos analisar é o de Ex. 20:5 , que diz: “Não as adorarás, nem lhes darás culto ; porque eu sou o SENHOR teu Deus , Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”.

O problema de Êxodo 20:4-6 estava relacionado com a nação de Israel e a idolatria

Os deuses egípcios: aves, crocodilos, o rio Nilo, o sol, a lua e até insetos .

Os deuses cananeus : serpentes, deuses da fertilidade (prostituição sagrada).

Os babilônios e os caldeus adoração Dagon, Ishtar , entre outros .

O contexto é idolatria e não um espírito (“alcoolismo, adultério, pornografia, etc.”) que acompanharia as famílias por várias gerações.

O texto de Êxodo (assim como os demais) nada tem haver com levar o pecado de seus antepassados e sim com o efeito do pecado sobre aqueles que aborrecem a Deus. Filhos que repetem os pecados dos pais mostram que aborrecem a Deus. Não se trata meramente do fato de que Deus amaldiçoa os filhos dos idólatras por serem seus filhos, mas por se tornarem participantes dos pecados de seus pais. Da mesma forma Deus não abençoa automaticamente os filhos dos fiéis.

As referências bíblicas à maldição (que aparecem principalmente no AT) dizem respeito a pessoas que não desfrutavam de comunhão com Deus (Ml 2:2). No caso dos fiéis, as maldições não se cumprem. Nm 23:8,23; Pv 3:33; 26:2.

O SIGNIFICADO DE BÊNÇÃO

1) Para os pregadores desta nova teologia seria: “Nossas palavras produzem bênçãos… Nossas palavras têm poder de criar situações favoráveis.”[6]

“Bênção também seria ter um bom emprego, uma boa casa, uma saúde de ferro, um bom carro…”.

2) O significado bíblico de bênção é estar em comunhão com Deus, a fonte de toda a vida.

“Abençoar é restaurar as pessoas da posição de exilados de Deus, a filhos (Rm 5:10; 10:15 )”. [7]

“Abençoar é pregar o evangelho aos perdidos levando-os a experimentar o perdão de Deus”.

“Abençoar é gerar a concórdia, a dignidade, inspirar outros a desejarem os mais altos ideais da verdade.” [8]

“Abençoar não é apenas dizer a um irmão: “Te abençôo em nome de Jesus” – é socorrer os irmãos nas suas dificuldades. João diz: “Filhinhos, não amemos de palavras, nem de língua, mas de fato e de verdade.”(I Jo 3:18).Tiago também discorda do ensino de que apenas dizer coisas positivas faça que as pessoas sejam abençoadas: “Se um irmão ou irmã estiverem carecidos de roupa, e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos, e fartai-vos, sem, contudo, lhes dardes o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?” (Tg 2:15,16).

O SIGNIFICADO DE MALDIÇÃO

1) Dentro do ensino das maldições hereditárias, seriam palavras negativas que pronunciamos contra alguém. Seriam também “espíritos” que acompanham nossas famílias e objetos de nossos antepassados que temos em casa trazendo todo o tipo de desgraça.

Jorge Linhares ensina que: “Maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado… A maldição é a prova mais contundente do poder que têm as palavras.” [9]

Já para Robson Rodovalho, maldição são espíritos que visitam as famílias trazendo morte prematura, adultério, abuso sexual, violência, enfermidade, etc. Devemos até fazer árvore genealógica: “Come dissemos antes, herdamos e possuímos a herança genética de até dez gerações… Temos que até interceder, pedir perdão por pecados que aqueles antepassados tiveram, e quebrar os pactos que fizeram.” [10]

2) Biblicamente, poderíamos dizer que a origem de toda a maldição reside no pecado. Maldição é uma sentença que vem da desobediência a Deus (Gn 3:19: Rm 5:12). Maldição é estar longe de Deus, separado do Criador (Ex. 34:1-10; Dt 27 e 28; Is 28:7-13; 29:1-10; Jr 7:1-15; Ml 1:8-14).

PERGUNTAS ORIGINADAS PELA DOUTRINA

I - Preciso desenhar uma árvore genealógica da família para resolver os problemas da minha vida?

1) Não produz nenhuma edificação ficar desenhando árvores genealógicas. Aliás, a Palavra de Deus condena esta prática como inútil (I Tm 1:4; Tt 3:9). Os mórmons têm esta preocupação, pois acreditam poder salvar aqueles que partiram sem conhecer o mormonismo por intermédio do batismo pelos mortos.

2) Se existem problemas em nossa família, precisamos discernir se são de ordem física (doença), emocional ou espiritual (pecado). Se estes problemas se relacionam ao pecado e ao afastamento de Deus, é necessário o arrependimento e o abandono do pecado. Veja Is 59:2,12; Jr 5:25; Ez 18:2-4,24; Pv 28:13.

II – Tenho que saber de que maneira determinados assuntos eram ventilados em minha família (violência, adultério, alcoolismo, prostituição, etc.)?

1) Não temos que ficar lembrando do passado, pois a Bíblia diz que somos novas criaturas: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas (II Co 5:17)”.

2) As coisas do passado não, podem nos separar do amor de Deus, pois Ele não lembra mais dos nossos pecados. Foram todos apagados pelo sangue do Cordeiro; foram lançados no fundo do mar. Veja Is 43:25; Ap. 12:11; 7:14; 5:1; 1 Pe 1:19; Mq 7:19.

III – Qual seria a relação entre meus problemas e os pecados dos meus antepassados?

1) Muitos afirmam que se um cristão comete adultério é porque algum antepassado também cometeu e o “espírito de adultério” acompanha a família, e esta cadeia precisa ser quebrada.

2) Afirmam também que a versão King James (Rei Tiago) da Bíblia reza “espíritos familiares” em Lv 19:31; 20:6, e, portanto, este ensino é correto.

O que a Bíblia diz:

1) A palavra hebraica ‘obh’ significa o ‘’vaso’’ ou instrumento dos espíritos, portanto, o médium ou necromante, conforme aparece na maioria das traduções, e não os espíritos em si.

2) Alguns acham que é mais fácil culpar os antepassados do que enfrentar seus próprios problemas. Marilyn Hickey afirma que você tem o poder de decidir o destino de seus descendentes: “Você pode decidir quanto ao destino exato da sua linhagem. Eles ou vão para Jesus, ou vão para o diabo.” [11]. Entretanto, a responsabilidade é individual e você é que tem que tomar a decisão de resolvê-la com a ajuda de Deus. Veja Jo 1:12.

3) O ensino bíblico é que eu sou responsável pelos meus próprios pecados, não existe uma transmissão genética de demônios. Veja Dt 24:16; Gl 6:7; Ez 14:12-14; Ez 18:1-4; Rm 5:12.

IV – Como posso quebrar uma maldição lançada sobre minha família?

Visto que maldição é o inverso de BÊNÇÃO, é estar afastado de Deus tenho que comunicar as boas novas de salvação aos meus. Veja Rm 8:1; Cl 3:25; Dt 24:16; Nm 23:23; Sl 91:9,10.

V – E a oração de confissão pelos pecados dos antepassados?

Há líderes evangélicos pedindo perdão pelos pecados de José de Anchieta (massacre de índios), Paulo César Farias, Fernando Collor de Mello e dos bandeirantes (suas práticas de magia) etc. Há professores de seminários evangélicos que ensinam que devemos pedir perdão a todos os negros que encontrarmos pela frente por causa da escravidão no Brasil.

Também afirmam que estamos pagando caro pelos paraguaios mortos na guerra com os brasileiros : os carros que são roubados aqui e levados para lá seriam uma forma de maldição sobre o povo brasileiro .

O ensino de que temos que confessar os pecados dos nossos pais e antepassados não tem fundamento bíblico, pois ninguém pode se arrepender por outra pessoa (Rm 14:12). Os casos de Esdras, Neemias e Daniel precisam ser analisados no contexto das passagens de Esdras 9:6-15, Neemias 9 e Daniel 9:4-19.

VI – É possível uma pessoa colocar uma maldição sobre outra?

1) “Como a maldição não é um poder em si mesmo, e necessita da permissão de Deus para que se concretize “ [12] , precisamos entender como as pessoas acabam amaldiçoando outras.

A maldição não é tanto as palavras que pronunciamos, mas o sentimento que nos leva a dizê-las.

Não podemos também deixar de falar dos prejuízos que a língua causa. Com ela se pode louvar a Deus e também pronunciar blasfêmias, falsos testemunhos, mentiras, lisonja e causar muitos males (Tg 3:8-10a). Jesus disse que a boca fala daquilo que o coração está cheio, ou seja, aquilo que uma pessoa fala está ligado aos sentimentos do seu coração (Mt 12:34).

2) “Olho gordo”, macumba, etc., não podem causar a destruição de um lar cristão. Veja Nm 23:23; Lc 10:19; Jo 8:32,36; I Jo 3:8; 4:4; 5:18.

3) E as maldições que aparecem na Bíblia? Estas se referem ao AT e não ao NT. Porém, mesmo nos tempos do AT, a maldição sem causa não pegava. No NT, a ordem de Deus é clara: “Abençoai, e não amaldiçoeis” (Rm 12:14). Qualquer pessoa que amaldiçoar outra estará fora da vontade de Deus, e este não a cumprirá.

CONCLUSÃO

Este é um ensino que escraviza. Cristãos que antes estavam vivendo uma vida de alegria e dando frutos na obra do Senhor estão agora vivendo em escravidão, pois passaram a pensar que as dificuldades que enfrentam na área emocional, nas tentações ligadas ao sexo, alcoolismo, dinheiro, depressão, doenças ou qualquer outra situação adversa são resultados dos pecados dos antepassados que hoje estão afetando a sua vida. Ora, estes problemas, enfrentados pelo cristão, têm a ver com o fruto do Espírito e santificação e não com os pecados dos antepassados.

O que se atribui a espíritos de alcoolismo, prostituição, homossexualismo, etc., na verdade, segundo a Bíblia, são apenas obras da carne (Gl 5:19-21). É possível vencê-los por meio da vida no Espírito (Gl 5:16; I Co 6:9-11). Cristo se fez maldição por nós e os efeitos espirituais da rebelião e ódio contra Deus foram totalmente quebrados (Jo 8:32,36; Rm 8:33-39; I Jo 2:1,2; 3:8), e o sangue de Jesus é suficiente para libertação total. Não temos que quebrar mais nenhuma maldição (Hb 7:25; I Jo 1:7,9; Ap. 1:5).

NOTAS

1. Robson Rodovalho. Quebrando as Maldições Hereditárias . Goiânia: Koinonia Comunidade e Edições Ltda , 3 edição , p. 10

2. Idem, p. 10

3. Souza, Autilino Batista de. Tomemos Posse. São Paulo “ABS” Edições Evangélicas, 1992, p. 33

4. Linhares, Jorge. Bênção e Maldição. Venda Nova : Editora Betânia, 1992, 2 edição , p. 8

5. Hickey, Marilyn. Quebre a cadeia de Maldição Hereditária. Rio de Janeiro ADHONEP, 1988, contracapa.

6. Linhares, Jorge. Op cit, p. 20

7. Gondim, Ricardo, O Evangelho da Nova Era. São Paulo : Abba Press, 1993, p. 113.

8. Idem, p. 113.

9. Linhares, Jorge. Op. cit., p.16

10. Rodovalho, Robson. Op. cit., 28, 29.

11. Hickey, Marilyn Op. cit., p. 51.

12. Gondim, Ricardo. op. cit., p. 111.


Fonte: Joaquim de Andrade. Publicado em www.napec.net