domingo, 19 de junho de 2011

Por que Deus permite que coisas ruins aconteçam com boas pessoas?



Esta é uma das perguntas difíceis de toda a teologia. Deus é eterno, infinito, onisciente, onipresente, onipotente, etc. Por que nós, seres humanos (que não somos eternos, infinitos, oniscientes, onipresentes, onipotentes) vamos esperar que sejamos capazes de compreender inteiramente os caminhos de Deus? O livro de Jó lida com esta questão. Deus permitiu que Satanás fizesse tudo o que desejou com Jó, exceto matá-lo. Qual foi a reação de Jó? “Ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15). “... o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Jó não compreendeu por que Deus tinha permitido as coisas que permitiu, mas sabia que Deus era bom e por isso perseverou confiando Nele. Esta também deveria ser a nossa reação. Deus é bom, justo, amoroso e misericordioso. Muitas vezes nos acontecem coisas que simplesmente não podemos entender. Entretanto, ao invés de duvidar da bondade de Deus, nossa reação deveria ser confiar Nele. “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5-6).

Talvez uma pergunta mais apropriada seja: “Por que coisas boas acontecem com pessoas más?” Deus é santo (Isaías 6:3; Apocalipse 4:8). Os seres humanos são pecadores (Romanos 3:23; 6:23). Você quer saber como Deus vê a humanidade? “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Romanos 3:10-18). Todo e qualquer ser humano neste planeta merece, neste exato momento, ser lançado no inferno. Cada segundo que temos de vida, cada segundo, nos é concedido pela graça de Deus. Até a mais terrível infelicidade que pudéssemos experimentar neste planeta é dádiva misericordiosa comparada com o que realmente merecemos, inferno eterno no lago de fogo.

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8). Apesar da natureza má e pecadora das pessoas, Deus assim mesmo nos amou. Ele nos amou o suficiente para morrer, a fim de carregar a pena por nossos pecados (Romanos 6:23). Tudo o que precisamos fazer é crer em Jesus Cristo (João 3:16; Romanos 10:9) para que sejamos perdoados, e então a nós é prometido um lar no céu (Romanos 8:1). O que merecemos = inferno. O que Deus nos dá= vida eterna no céu se apenas crermos. Foi dito que este mundo é o único inferno que os crentes algum dia vão experimentar, e este mundo é o único céu que os infiéis vão experimentar. Da próxima vez que fizermos a pergunta: “Por que Deus permite que coisas ruins aconteçam com pessoas boas?”, talvez devamos perguntar: “Por que Deus permite que coisas boas aconteçam com pessoas más?”

Fonte: http://www.gotquestions.org/portugues/coisas-ruins-pessoas-boas.html

terça-feira, 24 de maio de 2011

Temor e Tremor - O que isso significa?



O profeta Moisés alertou o povo dizendo: Não temais ( Ex 20:20 ), porém, em Levítico ele reitera para que tivessem temor do Senhor: "Não te assenhorearás dele com rigor, mas do teu Deus terás temor" ( Lv 25:43 ).

Outro ponto intrigante é a recomendação do apóstolo Paulo: "De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor" ( Fl 2:12 ).

Para alguns, este é um caso de contradição. Outros tentam explicar a passagem como sendo uma contradição aparente, ou simplesmente nomeiam de paradoxo. Mas, o que a bíblia tem a dizer? Seria somente um problema de semântica e etimologia?

O Amor lança fora o medo

Uma coisa é certa no alerta que Moisés fez ao povo de Israel: Deus não se relaciona com as suas criaturas através do medo “Não temais” ( Ex 20:20 ). A relação que Deus sempre procurou estabelecer com as suas criaturas pauta-se pela confiança.

Por que as criaturas de Deus devem confiar? Porque Deus é fiel e justo, atributos basilar para se estabelecer uma relação de confiança ( 1Jo 1:9 ).

Além de fiel, justo e imutável, Deus se relaciona com criaturas livres, pois onde o Espírito do Senhor está, aí há liberdade ( 2Co 3:17 ).

Nenhuma das criaturas de Deus deve temê-Lo, pois Deus ama indistintamente as suas criaturas, e o amor lança fora o medo "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor" ( 1Jo 4:18 ).

Ora, Deus é amor, e em Deus não há medo, receio, temor, antes o perfeito amor lança fora o temor. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele ( 1Jo 4:16 ). Quem está em Deus é porque confia n’Ele ( 1Jo 4:16 ).

Qualquer que tem medo teme somente a pena, pois o medo não procede de Deus. O que procede de Deus é a confiança, pois ele é fiel, verdadeiro, justo, santo, imutável, amor, luz, etc. Deus não pode ser tentado com o mal, e a ninguém tenta ( Tg 1:13 ), portanto, o medo não procede de Deus.

Qualquer que tem medo é porque não é ‘perfeito’ em Deus, ou seja, não ‘conhece’ a Deus, não crê em Deus e não está em Deus, pois se confiasse entenderia que, tal Cristo é, são os que crêem aqui neste mundo ( 1Jo 4:15 -18).

Mesmo que o Senhor venha para provar, o homem deve confiar n’Ele, pois assim o Senhor recomenda por intermédio do seu profeta: “Não temais, Deus veio para vos provar...” ( Ex 20:20 ). Aquele que se relaciona através do amor, da justiça, da fidelidade, da imutabilidade jamais despertará nas suas criaturas o medo, antes trará confiança e descanso.

O Temor do Senhor

Mas, se o homem não deve ter medo de Deus, que ‘temor’ é necessário ter de Deus? ( Lv 25:43 ) O que é operar a salvação com temor e tremor?

Parte da resposta encontra-se na palavra anunciada por Moisés: o homem não pode ter medo de Deus, mesmo quando Ele vem prová-lo, porque é essencial que o ‘temor’ de Deus esteja perante o homem, para que ele não venha a pecar contra Deus.

Como? O homem não pode ter medo, mas tem que ter o alardeado ‘temor’ reverente? Isto não seria outro nome para o medo, ou para a falta de confiança?

Para uma interpretação correta, devemos iniciar a análise com o motivo apontado como essencial para se ‘temer’ ao Senhor: “... afim de que não pequeis" ( Ex 20:20 ).

Há outro homem de Deus que disse algo semelhante: "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti" ( Sl 119:11 ). Quando se compara a meditação de Davi com o alerta de Moisés, chega-se à seguinte conclusão: o ‘temor’ de Deus é a Palavra de Deus!

"Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti" ( Sl 119:11 );
“... e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis" ( Ex 20:20 ).
O que era válido para Davi é válido para todos os homens: para não pecar, somente a ação da palavra de Deus no coração do homem!

Em vários textos bíblicos a palavra ‘temor’ foi utilizada para fazer referência à palavra de Deus. Ao observar o contexto bíblico onde Moisés alertou o povo de Israel para não ter medo de Deus é possível perceber que o profeta se referiu à palavra de Deus como sendo o ‘temor’ do Senhor.

Deus queria que o povo ouvisse quando Ele falasse com Moisés para que pudessem crer n’Ele ( Ex 19:9 ), mas ao ver que o monte Sinai fumegava e tremia grandemente, o povo teve medo de Deus e não quiseram ouvir a sua voz ( Ex 20:19 ). Foi quando Moisés alertou-os: “Não temais, Deus veio para vos provar...” ( Ex 20:20 ).

O que Deus se propôs fazer que o povo de Israel não podia temer? Pelo texto fica claro que Deus somente queria lhes falar, e a palavra do Senhor tinha o fito de que cressem n’Ele, ou seja, para que não pecassem contra o Senhor ( Ex 19:9 ; Ex 20:20 ).

A bíblia define que o ‘temor’ do Senhor é o princípio da sabedoria "O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria..." ( Pv 1:7 e Pv 9:10 ).

O salmista Davi fez a mesma declaração: "O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento tem todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre" ( Sl 111:10 ).

Como é de conhecimento comum, a poesia hebraica trabalha com paralelismo, ou rima de idéias em lugar de rimas de sons. A maioria dos paralelismos é dística, ou seja, expressam pensamentos sinônimos em cada linha. Outros são antíteses de idéias, pois a segunda linha da poesia expressa a negativa da linha precedente. Há também os paralelismos dísticos construtivos ou sintéticos, pois fortalecem um pensamento.

Há vários tipos de paralelismos, mas este não é o foco deste artigo. Se tomarmos o Salmo 111, verso 10, é possível verificar que se trata de um tipo de paralelismo dístico. A idéia que a frase: ‘O temor do Senhor é o princípio da sabedoria’, procura transmitir é a mesma idéia proposta na frase: ‘Bom entendimento tem todos os que cumprem os seus mandamentos’, ou na frase: ‘O seu louvor permanece para sempre’.

Crer na palavra é a obra sobre excelente de Deus ( Jo 6:29 ). É da sua palavra que procede o verdadeiro louvor que dura para sempre "Então creram nas suas palavras, e cantaram os seus louvores" ( Sl 106:12 ); "Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo" ( Ef 1:12 ). Todos que crêem (esperam em Cristo), são novas criaturas criadas para louvor da glória de Deus.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria porque Cristo é a sabedoria de Deus, o verbo de Deus, a palavra encarnada "Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" ( 1Co 1:30 ).

Cristo é a fonte de água que jorra para a vida eterna, e quem n’Ele crê, ainda que esteja morto, obtém vida. Quando lemos que o temor do Senhor é fonte de vida e que livra o homem das amarras da morte, isto significa que Cristo livra o homem do pecado "O temor do SENHOR é fonte de vida, para desviar dos laços da morte" ( Pv 14:27 ).

Somente Cristo tem poder de perdoar pecado, pois Ele é a misericórdia e a verdade de Deus demonstrada aos homens. Somente o Verbo encarnado desvia os homens do pecado "Pela misericórdia e verdade a iniqüidade é perdoada, e pelo temor do SENHOR os homens se desviam do pecado" ( Pv 16:6 ).

Novamente o salmista utiliza o paralelismo dístico neste verso: "Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor" ( Sl 119:38 ),

para estabelecer a relação ‘palavra’ e ‘temor’. O salmista aguardava que Deus confirmasse a sua promessa, pois era dedicado à sua palavra. A relação temor, palavra e juízo estão intimamente ligados "O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente" ( Sl 19:9 ).

Quando Salomão disse: "No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos" ( Pv 14:26 ), ele também fez uso da palavra ‘temor’ para demonstrar a imutabilidade da palavra de Deus. O homem deve confiar na palavra do Senhor, pois ela é firme, imutável. É na palavra do Senhor que os que crêem se refugiam ( Hb 6:18 compare com Pv 14:26 ).

Quando lemos: "Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR" ( Sl 34:11 ), vemos o salmista fazendo um convite solene para que o ouvissem, pois seria ensinado a palavra do Senhor. Do mesmo modo, o salmista queria que o Senhor lhe ensinasse, pois o caminho do Senhor é a verdade da palavra de Deus. Cristo é o caminho, e todos que crêem andam n’Ele "Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome" ( Sl 86:11 ; Jo 14:6 ).

Jesus é o caminho, a verdade e a vida, ou seja, Ele é o temor do Senhor. Quando o salmista ora pedindo: “Une o meu coração ao temor do teu nome” ( Sl 86:11 ), Ele ora para que Deus lhe conceda ser um com a palavra da verdade ( Sl 119:11 ; Pv 4:4 ).

O profeta Isaias ao falar do Messias prometido anunciou: "E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR" ( Is 11:2 ). O Espírito do Senhor, que também é Espírito de sabedoria e entendimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de conhecimento e de temor, repousou sobre o Messias. Deste modo fica demonstrado que, o temor do Senhor é o mesmo que a palavra do Senhor.

Porém, há aqueles que querem se aproximar de Deus com um ‘temor’ expúrio, como era o caso do povo de Israel "Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído" ( Is 29:13 ).

Treme terra

Se o temor do Senhor é o mesmo que a Sua palavra, o que é tremor? "Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra" ( Sl 96:9 ); "Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor" ( Sl 2:11 ).

O que o apóstolo Paulo quis dizer com: ‘... operai a vossa salvação com temor e tremor’? ( Fl 2:12 ) De onde o apóstolo Paulo tirou esta linguagem? Provavelmente das Escrituras, como se lê: “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro” ( Is 8:13 ).

Como se santificar ao Senhor dos Exércitos? Sendo Ele o temor e o assombro, ou melhor, temor e tremor!

Como é possível ao homem operar a salvação? Com temor e tremor, ou seja, o homem opera a salvação obedecendo (tremor) a palavra do Senhor (temor).

O homem serve ao Senhor através da sua palavra (temor), e em obedecê-lo (tremor) há bem-aventurança (alegria) "Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos" ( Is 66:5 ; Sl 2:11 ).

Novamente as palavras ‘temor’ e ‘tremor’ são utilizadas para descrever respectivamente a ‘palavra do Senhor’ e ‘obediência’ “Minha aliança com ele foi de vida e de paz, e eu lhas dei para que temesse; então temeu-me, e assombrou-se por causa do meu nome” ( Ml 2:5 ).

Conclusão

Após este pequeno estudo é possível deixar claro que a palavra de Deus não possui contradição alguma. Que em temor e tremor não há paradoxo algum.

Temor e tremor não coadunam com as perspectivas filosóficas que há no mundo, pois a palavra de Deus somente se discerne espiritualmente.

Mas, como discernir ‘espiritualmente’ a palavra de Deus? O apóstolo Paulo demonstra que é necessário comparar ‘coisas espirituais com as espirituais’, ou seja, para discernir o ‘temor’ do Senhor conforme o recomendado pelo apóstolo Paulo, ‘espiritualmente’, basta comparar o Pentateuco com os Salmos, Provérbios com os Profetas, os Profetas com os Evangelhos, os Salmos com as cartas do Novo Testamento, Antigo Testamento com o Novo Testamento, pois a palavra de Deus se auto-explica ( 1Co 2:13 ).

Nunca se deve interpreta a bíblia a partir de experiências pessoais. Jamais a angustia, a desilusão, o medo e o tremor do homem devem ser utilizados como base para se analisar a palavra de Deus.

Crer em Deus não é um ‘salto de fé’, não é um ‘comprometimento com o absurdo’. Ora, tal posicionamento demonstra que se desconhece a natureza da fé.

O escritor aos Hebreus diz exatamente o contrário: "ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" ( Hb 11:1 ). O salto de fé é inconsistente, pois a fé é o firme fundamento daquilo que se espera. A fé é prova cabal do que não se vê.

A fé não é o mesmo que crença. A fé refere-se à promessa de Deus. Fé é o mesmo que ‘temor’, pois, por meio da fé, que é dom de Deus, os antigos alcançaram testemunho ( Jd 1:3 ; Gl 3:23 ).

Por intermédio de quem Abraão alcançou bom testemunho? Não foi por causa do Descendente, que é Cristo? Cristo não é a fé que havia de se manifestar? Ou seja, os antigos alcançaram bom testemunho por meio do Descendente, a fé que havia de se manifestar.

Quando Judas concita os cristãos a batalhar pela fé, ele tinha em mente a verdade do evangelho, o temor do Senhor ( Jd 1:3). Da mesma forma a fé foi primeiramente anunciada a Abraão, quando Deus disse: “Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ), pois somente com a vinda do Descendente, que é Cristo, a fé foi manifesta aos homens ( Gl 3:16 e Gl 3:23 ).

A fé, o temor, o evangelho identificam-se com a pessoa do Cristo, e, portanto, a fé que foi manifesta aos homens é firme, inabalável, âncora da alma, verdadeira, etc.

O pressuposto de que a fé é impossível se houver provas e certezas e inconcebível. Admitir que há riscos na fé é inaceitável! A concepção que demonstra não haver necessidade de provas para que a pessoa possa crer e viver a fé não é bíblica.

A esperança proposta em Cristo é ancora da alma, ou seja, segura e firme, pois por duas coisas imutáveis Deus se interpôs com juramento: a) Deus é imutável, e; b) Deus não pode mentir ( Hb 6:18 ). De qual prova o homem necessita? Onde há segurança maior?

A filosofia existencialista de Soren Kierkegaard não soube distinguir a verdadeira natureza da fé na obra ‘Temor e tremor’. Quando Abraão ofereceu o seu filho em sacrifício, segundo a ordem divina, já havia recobrado em figura o seu filho dentre os mortos, pois teve por firme a palavra que diz: “Em Isaque será chamada a tua descendência” ( Hb 11:18 -19).

Através do temor do Senhor, que diz: ‘Em Isaque será chamada a tua descendência’, Abraão ‘tremeu’ e ofereceu Isaque em sacrifício “Ouvi a palavra do Senhor, vos que tremeis da sua palavra...” ( Is 66:5 ).

Fonte: Texto escrito por Crispim. Disponível no portal www.ibiblia.net

domingo, 22 de maio de 2011

O Espírito Santo é uma pessoa ou uma energia? - Gordon Chown



Apesar de tudo quanto podemos acolher com gratidão daquilo que o Antigo Testamento nos ensina a respeito do Espírito Santo, a doutrina realmente distintiva a respeito provém do Novo Testamento.

Em João 7.39, lemos que “Até então o Espírito ainda não tinha sido dado, pois Jesus ainda não fora glorificado”. O que fica claro é que o Espírito, até então, nunca tinha sido outorgado no sentido mais pleno, e que não seria derramado sobre toda carne até que Jesus fosse glorificado. Ou seja: o Espírito Santo, conforme é definido no Novo Testamento, é outorgado às pessoas como resultado da obra de Jesus Cristo. O Novo Testamento, a partir de então, continua ressaltando a íntima conexão entre o Espírito e Jesus.

O ESPÍRITO DE JESUS

O Espírito Santo é “o Espírito de Jesus” (Atos 16.7), “o Espírito de Jesus Cristo” (Filipenses 1.19), “o Espírito de Cristo” (Romanos 8.9), “o Espírito do seu [de Deus] Filho” (Gálatas 4.6). A obra de Jesus e a obra do Espírito estão profundamente entrelaçadas entre si. O Espírito dá testemunho de Jesus (João 15.26), faz as pessoas lembrarem-se daquilo que Jesus disse (João 14.26) e glorifica a Jesus (João 16.14).

Não se pode negar que o Novo Testamento é marcado por uma profusão da atividade do Espírito, tanto assim que Atos dos Apóstolos poderia ser chamado “Atos do Espírito Santo”. Os Evangelhos relatam o que Cristo fez e disse, enquanto Atos relata o que o outro Consolador fez e disse.

Tudo isso é sempre considerado como uma das conseqüências da encarnação. Não há referência no Novo Testamento a alguma obra do Espírito à parte de Cristo – trata-se do “Espírito de Cristo”. Portanto, o Espírito Santo, ao nos alcançar, transmite a nós os pensamentos de Cristo, suas emoções, sua vontade, sua vitalidade.

MÁ INTERPRETAÇÃO

Repudia-se, assim, uma suposta “Dispensação do Espírito” no sentido de o Pentecostes ter possibilitado um relacionamento com Deus independentemente de Cristo. É da máxima importância ressaltar que ser cristão depende daquilo que Cristo fez.

Hoje, Jesus Cristo faz em mim, mediante o Espírito, aquilo que Ele já fez por mim séculos atrás, na Cruz, por meio de sua Pessoa. É essa revelação do Espírito no Novo Testamento que ocupará a nossa atenção até ao fim desse estudo, no qual selecionaremos os aspectos mais importantes e veremos sua relevância para hoje.

A primeira questão é se o Espírito é uma Pessoa ou uma coisa? É um ser vivente real assim como o Pai e o Filho, ou é um poder, uma influência ou uma força que leva a efeito o propósito divino? Fica claro o impacto primário do ensino do Novo Testamento: o Espírito é considerado consistentemente como uma pessoa. Quanto a Deus Pai, a própria palavra “Pai” tem significado implícito que nos leva a considerá-lo como Pessoa, no sentido mais pleno da palavra. Quanto ao Deus Filho, é mais fácil ainda pensar nele como o Menino de Belém, o Carpinteiro de Nazaré, o Mestre da Galiléia, apesar da sua plena divindade manifestada na Ascensão.

O Espírito Santo, porém, sem o conceito de “Pai” e sem o da encarnação de Filho, é mais difícil retratarmos. Sua operação é interior e invisível, pos Ele nos dá graça, orientação, forças etc. Tanto que poderíamos atribuir a Ele uma influência procedente do Pai. “Espírito” é neutro em grego (e em inglês). Ele é simbolizado no Novo Testamento pelo óleo, fogo, vento, água etc., de modo que as seitas, como as Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo Dia, dentre muitas outras, facilmente o imaginam como uma força inanimada.

CONSOLADOR OU CONSELHEIRO

A palavra grega em pauta é parakletos, que literalmente significa alguém “chamado ao lado” de outra pessoa, normalmente para ajudar. Pode ser para falar uma palavra favorável no julgamento desta. Nesse sentido, consta em 1João 2.1: “Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. Na versão King James, coloca-se Advocate, “defensor” (que não devemos transliterar como Advogado, pois a Bíblia tem juiz, réu e vítima, com suas respectivas testemunhas, todavia não tem o “advogado” moderno).

As demais passagens onde ocorre parakletos são João 14.16, 26; 15.26; 16.7, com a tradução tradicional de Consolador. Na Nova Versão Internacional, é Conselheiro. O essencial, aqui, é que a palavra teria sido entendida pelos leitores originais de João como referente a uma pessoa – seja Consolador, Conselheiro, Intercessor, Defensor, Ajudador (sendo todas essas palavras tipicamente aplicadas a Deus no Antigo Testamento).

Em grego, “espírito” é uma palavra de gênero neutro, conforme mencionamos supra, e o respectivo pronome ou adjetivo está na forma neutra. O apóstolo João obedece essa regra quando as duas palavras estão juntas. Todavia, fora disso, usa o masculino “ele”. Para a gramática rigorosa, é incorreto, mas nos leva a entender que João pensava habitualmente no Espírito em termos pessoais. Veja o que João 16.13 diz: “…aquele [masculino] Espírito [neutro]…” (ARC).

Continuando a análise em grego, precisamos definir “outro Consolador” (João 14.16). Em grego, temos állos, que significa “outro do mesmo tipo”, e héteros, “outro de tipo diferente”.

Na mesa, alguém nos oferece uma laranja e, depois, pedimos állos – mais outra. Se pedirmos héteros, seria outra fruta – banana, maça, pêra etc. Jesus se refere a “állos Consolador” – alguém semelhante a Ele, Jesus.

Nos discursos de despedida de Jesus (João 14.15-17, 25-26; 15.26-27; 16.5-11, 12-15), veremos que o Espírito é sempre referido como uma Pessoa. Ele fará as pessoas se lembrarem daquilo que Jesus falou e as ensinará (João 14.26); testemunhará a respeito de Jesus (15.26); guiará as pessoas, ouve e fala (João 16.13); e glorificará a Jesus e declarará determinadas coisas (João 16.14). Fica claro, então, que no Evangelho de João, o Espírito é considerado consistentemente como Pessoa, e não como mera influência ou poder.

ESPÍRITO SANTO NOS ESCRITOS PAULINOS

O Espírito Santo ocupa espaço considerável nos escritos do apóstolo Paulo. Chega ao ponto de ele dizer: “Se alguém não têm o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo”, Romanos 8.9, e pela proposição positiva: “…porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”, Romanos 8.14.

Quando Paulo encontrou alguns supostos cristãos, perguntou imediatamente: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?” (Atos 19.2). Diante da resposta negativa, Paulo passou imediatamente a retificar a situação: “Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo, as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam em línguas e profetizavam. E estes eram ao todo uns doze varões”, Atos 19.4-7

Devido a importância que Paulo atribui ao Espírito Santo, suas epístolas abundam em referências ao Espírito Santo. Usualmente, ele refere-se ao Espírito como ativo de alguma maneira. Na base dessas atividades, vê-se que o Espírito é forçosamente uma Pessoa. Vejamos, por exemplo, o que diz 1Coríntios 12.11: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”. Essas operações são atribuídas a uma pessoa e o “querer” caracterizam personalidade.

PERSONALIDADE

A personalidade está envolvida na “mente” ou “intenção” do Espírito (Romanos 8.27), que é considerado entidade pensante, assim como em 1Coríntios 2.11 – “O Espírito conhece”. Não se trata de um ser friamente intelectual, pois Paulo fala do “amor do Espírito” (Romanos 15.30) e da possibilidade de “entristecer” o Espírito Santo (Efésios 4.30). O amor e cuidado do Espírito pelas pessoas são vistos na sua intercessão intensiva “com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26), e isso “de acordo com a vontade de Deus” (v27), o que enfatiza sua união com o Pai. O Espírito Santo “clama” (Gálatas 4.6), habita nas pessoas (Romanos 8.9), as dirige (Romanos 8.14) e as ensina (1Coríntios 2.13). “O próprio Espírito testifica ao nosso espírito que somos filhos de Deus”, Romanos 8.16.

Semelhantemente, Paulo repetidas vezes associa o Espírito com o Pai e o Filho, como, por exemplo, quando diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vocês”, 2Coríntios 13.13; “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para o que for útil”, 1Coríntios 12.4-6; “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Um só Deus e pai de todos, o qual é sobre todos e por todos, e em todos”, Efésios 4.4-6.

Não se pode imaginar que Paulo quisesse nos dizer que, apesar de o Pai e o Filho serem Pessoas, o Espírito Santo não é Pessoa. Os três são invocados em pé de igualdade.

DISTINTO DO PAI E DO FILHO

Assim, chegamos a questão do relacionamento entre o Espírito, por um lado, e o Pai e o Filho, por outro lado. A maioria das referências ao Espírito no Novo Testamento alude a Ele em operação, mas sem referência ao Pai ou ao Filho.

Exemplificando: “Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria”, 1Coríntios 12.8. Aqui temos o Espírito fazendo algo dentro do crente. Segundo a impressão dada pelo referido texto e por inúmeros outros no Novo Testamento, Ele é classificado como Entidade individual.

No entanto, não podemos ficar somente com alguma impressão. Existem várias passagens que falam de todas as três Pessoas da Trindade. Temos a “graça” em 2Coríntios 13.14, as “unidades” (“um só”) em Efésios 4.4-6 e as “diversidades” em 1Coríntios 12.4-6.

Temos ainda a fórmula batismal registrada em Mateus 28.19: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Em Marcos 1.10-11, lemos que o Espírito desceu em forma de pomba sobre Jesus e, ao mesmo tempo, a voz do Pai veio dos Céus. Cada membro da Trindade tem seu respectivo papel separado nesse episódio.

No mesmo sentido, vemos o Filho orando ao Pai para ele enviar o Espírito (João 14.16). Tanto o Pai quanto o Filho estão envolvidos na missão do Espírito (João 14.26; 15.26; 16.15). Às vezes, toda a Trindade é mencionada: “Por meio dele [de Cristo] tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito”, Efésios 2.18 (RA). Uma dupla menção acha-se em Romanos 8.11: “E, se o Espírito daquele [de Deus] que ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos habita em vocês, aquele [Deus] que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês”. Veja também Romanos 15.16; 1Coríntios 6.11; 2Tessalonicenses 2.13; Tito 3.4-6; 1Pedro 1.2 e Judas 20-21. Essas são passagens suficientes para vermos que o Novo Testamento ensina sobre as três Pessoas em conjunto.

Há passagens que se referem a dois membros da Trindade de modo que não podem ser considerados idênticos. Jesus nos diz: “…é para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro não virá para vocês; mas se eu for, eu o enviarei”, João 16.7. Esse texto inclui a possibilidade de a identidade entre Jesus e o Espírito ser confundida. Da mesma forma, vemos o Espírito Santo fazendo intercessão por nós diante do Pai (Romanos 8.26-27), o que exclui a identidade do Espírito ser confundida com a do Pai. Por meio desses textos, notamos claramente que é, então, mantida uma distinção entre os membros da Trindade, e é excluída a idéia de o Espírito ser um “aspecto” ou “força” do Pai e do Filho. Assim, o Espírito não é uma coisa, mas uma Pessoa.

ASSOCIAÇÃO COM O PAI E O FILHO

Já notamos que existem várias passagens no Novo Testamento onde o Espírito é mencionado na mais íntima conexão com o Pai e o Filho. Nelas, nada se diz a respeito do relacionamento entre os membros da Trindade. No entanto, muita coisa está subentendida, conforme veremos. Na fórmula batismal (“…batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, Mateus 28.19), não há definição da natureza essencial dos membros da Trindade. Quanto à deidade, nenhum ser no Céu ou na Terra poderia ser colocado na mesma expressão, na mesma categoria. A palavra “nome” está no singular – o que expressa a unidade das três Pessoas. A deidade consiste no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

O mesmo pode ser dito a respeito de todos os textos que vinculam entre si as três Pessoas. O Espírito é um ser em igualdade de condições com o Pai e o Filho. O Espírito participa da inauguração do ministério de Jesus, ao descer sobre Ele no batismo (Marcos 1.10-11). O Espírito também se destaca na encarnação de Jesus.

Em Mateus 1.18, Maria se achou grávida pelo Espírito Santo (Lucas 1.35), vemos ainda o Espírito Santo levando as pessoas a Jesus, testemunhando Dele e continuando a sua obra (João 14.26; 15.26; 16.13-15).

Paulo, em Romanos 15.16, fala dos gentios sendo “santificados pelo Espírito Santo”. As Boas-Novas daquilo que Cristo fez em favor das pessoas incluem um lugar para a operação do Espírito. A obra do Pai em dar vida às pessoas é “pelo seu Espírito, que habita em vós” (Romanos 8.11).

O conceito de Deus, por mais sublime e enaltecido que seja, vir a conviver com o homem em amor e misericórdia é visto em muitas partes das Escrituras: “Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito”, Isaías 57.15.

Às vezes, é deixado claro que é por meio do Espírito Santo que Deus convive entre as pessoas e dentro delas. É assim que Paulo escreve aos coríntios: “Não sabeis, vós que sois templos de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus que sois vós, é santo”, 1Coríntios 3.16-17.

O santuário é onde as pessoas buscam a presença de Deus, é onde Deus habita de modo especial. E no santuário, aqui mencionado, é o “Espírito de Deus” que habita. A inferência é clara: o Espírito Santo é Deus – Deus habitando no homem (1Coríntios 6.19).

De acordo com o registro de João, Jesus, na noite antes da crucificação, disse aos apóstolos: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito da verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós”, João 14.16-17.

Não se trata de uma manifestação fugaz e secundária. A presença do Espírito dentro das pessoas é “para sempre”, enquanto o crente nutri-la. Essa presença santificadora e eterna, como num santuário, não pode ser menos do que Deus.

AS COISAS MAIS PROFUNDAS DE DEUS

Paulo, referindo-se à sabedoria que o Espírito nos revela (1Coríntios 2.6-10a), explica: “O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está. Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus”, 1Coríntios 2.10-11.

O Espírito, tendo a própria natureza da deidade, tem nítido conhecimento das coisas de Deus. As mensagens dos profetas, registradas no Antigo Testamento, não tiveram sua origem na sagacidade, entendimento e habilidade deles, mas “falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2Pedro 1.21). O Espírito Santo, de dentro da deidade, inspirou os profetas nas coisas que nenhuma pessoa criada poderia saber por conta própria.

BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO

Em todos os três Evangelhos Sinóticos, está registrada a declaração de Jesus no sentido de a blasfêmia contra o Espírito Santo ser considerada o mais hediondo de todos os pecados (Mateus 12.31-32); Marcos 3.28-29 e Lucas 12.10). Mateus e Lucas declaram especificamente que é pior do que a blasfêmia contra o Filho do Homem, Jesus Cristo. Decerto, não se refere a algumas meras palavras levianas ou caluniadoras. Seria mais uma atitude total à vida.

A ocasião foi a declaração dos oponentes de Jesus, no sentido de Ele expulsar demônios por meio de “Belzebu, o príncipe dos demônios” (Mateus 12.24). Atribuíram, deliberadamente, os atos de misericórdia de Jesus, realizados no poder do Espírito Santo, aos poderes do Maligno. Classificaram o bem como iniqüidade, e assim rejeitaram tudo quanto Cristo representava. A consciência de tais pessoas normalmente está cauterizada, em contraste com a consciência tenra, aflita com a possibilidade de ter falado algo assim, sem querer.

Posto que o Espírito Santo caracteriza especificamente a vida nova que Cristo veio trazer, pecar contra o Espírito Santo é repudiar semelhante vida. À luz da revelação luminosa e clara do Evangelho, esse repúdio viola as convicções do intelecto, a iluminação da consciência e os ditames do coração. É atribuir a Satanás uma obra nitidamente da parte de Deus, é dizer que o Espírito Santo é um espírito maligno do inferno, e que Cristo é o próprio Satanás. No presente estudo, o assunto em pauta é a divindade do Espírito Santo, e vemos que blasfemá-lo é pior do que a blasfêmia contra Jesus Cristo, cuja divindade não está em dúvida entre os cristãos.

Confirmação dessa divindade é vista no começo do ministério Jesus, quando “o Espírito o impeliu para o deserto” (Marcos 1.12). Aqui, o Espírito Santo pode ser inferior a Jesus. Da mesma forma, na primeira pregação de Jesus, Ele declarou ser o cumprimento da profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lucas 4.18 e Isaías 1.1-2). Seu ministério foi realizado no poder e na orientação do Espírito Santo, que , portanto, não pode ser menos deidade do que Jesus Cristo.

ATRIBUTOS DIVINOS

Em todas as partes do Novo Testamento, vê-se que o Espírito Santo tem atributos divinos. Assim como Deus Pai é considerado onipresente, assim também o Espírito Santo: “Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito”, 1Coríntios 12.13. Forçosamente, o Espírito precisa estar em todos os lugares para poder exercer semelhantes funções. Semelhantemente, vemos isso na passagem sobre “as coisas profundas de Deus” (1Coríntios 2.10). Nada, nem sequer as coisas que pertencem à própria natureza de Deus, está desconhecido ao Espírito.

Quanto à onipotência, é possível que seja atribuída ao Espírito Santo em passagens tais como Romanos 15.19 (“… pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do poder do Espírito de Deus…”) ou 1Coríntios 12.11, que fala do Espírito que distribui os seus dons “individualmente, a cada um, como quer”. No mínimo, nada ou ninguém pode impedi-lo de fazer tais coisas. A capacidade de salvar, que é atribuída ao Espírito Santo por todo o Novo Testamento (Romanos 8.2, 11 e Tito 3.5), também pode ser considerada atributo divino – no Antigo Testamento, é prerrogativa de Deus dar a salvação ao seu povo.

Nessa categoria de atributos divinos, devemos classificar as passagens que declaram que o Espírito Santo é Autor das Sagradas Escrituras, tais como Atos 1.16 (“…era necessário que se cumprisse a Escritura que Espírito Santo predisse por boca de Davi…”) e mormente Hebreus 10.15 (“O Espírito Santo também nos testifica…”). Ao examinarmos a passagem do Antigo Testamento citado nesse texto, que é Jeremias 31.33, vemos que são palavras do Senhor Deus. Em Hebreus 3.7-9, a expressão “Assim, como diz o Espírito Santo” inclui “onde os seus antepassados me tentaram”. Em Êxodo 17.7, o texto “puseram o Senhor à prova” refere-se a Deus. Fica claro que o Espírito Santo é considerado Deus no sentido mais plenário. Ainda mais porque o Espírito Santo, como Autor do Antigo Testamento, é Autor das palavras reconhecidamente pronunciadas por Deus.

A conclusão lógica é atingida numa declaração explícita de que o Espírito Santo é Deus. Pedro, falando ao marido de Safira, diz: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo? (…) Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus”, Atos 5.3-5. Há, portanto, evidências abundantes da divindade do Espírito. Mas, a conclusão não depende somente das passagens citadas. A divindade do Espírito Santo não é questão de textos isolados, mas é confirmada pelo conceito global da obra inteira Dele.

E isso é de importância tremenda. Quando tomarmos consciência de que o poder que entra em nosso coração e vida ao nos tornarmos cristãos não é o poder de nenhuma criatura, mas do próprio Deus, isso faz de fato a diferença. Para alguns, ter íntima comunhão com um ser angelical poderia valer algo; ter experiência em primeira mão com uma força cósmica, também; mas, conhecer o poder e presença contínua do próprio Deus é algo muito acima de tudo isso.

Fonte: Gordon Chown – Missionário, tradutor e professor de Teologia.
Manual do Obreiro (CPAD) – 2006.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Traduções da Bíblia para a Língua Portuguesa



A Bíblia foi traduzida, ao longo dos séculos, em mais de 2400 línguas e idiomas diferentes, incluindo a língua portuguesa.

Idade Média

A primeira tradução que se tem notícia é a do rei Dinis de Portugal, conhecida como Bíblia de D. Dinis, que teve grande tiragem durante o seu reinado. É uma tradução dos 20 primeiros capítulos de Gênesis, a partir da Vulgata. Houve também traduções realizadas pelos monges do Mosteiro de Alcobaça, mais especificamente o livro de Atos dos Apóstolos.

Durante o reinado de D. João I de Portugal, este ordenou que fosse traduzida novamente a Bíblia no vernáculo. Foi publicada grande parte do Novo Testamento e os Salmos, traduzidos pelo próprio rei. Sua neta, D. Filipa, traduziu os evangelhos do francês. Bernardo de Alcobaça traduziu Mateus e Gonçalo Garcia de Santa Maria traduziu partes do Novo Testamento.

Em 1491 é imprimido o Comentários sobre o Pentateuco que, além do Pentateuco, tinha os Targumim sírios e o grego de Onquelos. O tipógrafo Valentim Fernandes imprime De Vita Christi, uma harmonia dos Evangelhos. Os "Evangelhos e Epístolas", compilados por Guilherme de Paris e dirigidos ao clero, são imprimidos pelo tipógrafo Rodrigo Álvares. Numa pintura de Nuno Gonçalves, aparece um rabino segurando uma Torá aberta.

Em 1505, a rainha Leonor ordena a tradução de Atos dos Apóstolos e as Epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas. O padre Antonio Ribeiro dos Santos é responsável por traduções dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Em 1529, é publicada em Lisboa uma tradução dos Salmos feita por Gómez de Santofímia, que teve uma 2ª edição em 1535. É bem possível, devido à proximidade com a Espanha, traduções em espanhol fossem conhecidas, como as de João Pérez de Piñeda, João de Valdés e Francisco de Enzinas. O padre jesuíta Luiz Brandão traduziu os quatro Evangelhos.

Durante a Inquisição houve uma grande diminuição das traduções da Bíblia para o português. A Inquisição, desde 1547 proibia a posse de Bíblias em línguas vernaculares, permitindo apenas a Vulgata latina, e com sérias restrições.

Por volta de 1530, António Pereira Marramaque, de uma família ilustre de Cabeceiras de Basto, escreve sobre a utilidade de verter a Bíblia em vernáculo. Poucos anos depois, é denunciado à Inquisição por possuir uma Bíblia em vulgar.

Uma tradução do Pentateuco é publicada em Constantinopla em 1547, feita por judeus expulsos de Portugal e Castela. Abraão Usque, judeu português, traduziu e publicou uma tradução conhecida como a Bíblia de Ferrara, em espanhol. Teve que publicar em Ferrara, por causa de perseguição.

Tradução de João Ferreira de Almeida

A tradução feita por João Ferreira de Almeida é considerada um marco na história da Bíblia em português porque foi a primeira tradução do Novo Testamento a partir das línguas originais. Anteriormente supõe-se que havia versões do Pentateuco traduzidas do hebraico.

Ele já conhecia a Vulgata, já que seu tio era padre. Após converter-se ao protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu para a Batávia. Aos 16 anos traduziu um resumo dos evangelhos do espanhol para o português, que nunca chegou a ser publicado. Em Malaca traduziu partes do Novo Testamento também do espanhol.

Aos 17, traduziu o Novo Testamento do latim, da versão de Theodore Beza, além de ter se apoiado nas versões italiana, francesa e espanhola.

Aos 35 anos, iniciou a tradução a partir de obras escritas no idioma original, embora seja um mistério como ele aprendeu estes idiomas. Usou como base o Texto Massorético para o Antigo Testamento e uma edição de 1633 (pelos irmãos Elzevir) do Textus Receptus. Utilizou também traduções da época, como a castelhana Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento ficou pronta em 1676.

O texto foi enviado para a Holanda para revisão. O processo de revisão durou 5 anos, sendo publicado em 1681, após terem sido feitas mais de mil modificações[carece de fontes?]. A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar a tradução com a versão holandesa publicada em 1637. A Companhia das Índias Orientais ordenou que se recolhesse e destruísse os exemplares defeituosos. Os que foram salvos foram corrigidos e utilizados em igrejas protestantes no Oriente, sendo que um deles está exposto no Museu Britânico.

O próprio Almeida revisou o texto durante dez anos, sendo publicado após a sua morte, em 1693. Enquanto revisava, trabalhava também no Antigo Testamento. O Pentateuco ficou pronto em 1683. Há uma tradução dos Salmos que foi publicada em 1695, anexo ao Livro de Oração Comum, anônima, mas atribuída a Almeida. Almeida conseguiu traduzir até Ezequiel 48:12 em 1691, ano de sua morte, tendo Jacobus op den Akker completado a tradução em 1694.

A tradução completa, após muitas revisões, foi publicada em dois volumes, um 1748, revisado pelo próprio den Akker e por Cristóvão Teodósio Walther, e outro em 1753. Em 1819, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publica uma 3ª edição da Bíblia completa, em um volume.

Há também as edições impressas em na colônia dinamarquesa de Tranquebar, que datam de 1719 a 1765. São edições parciais da Bíblia, que foram obtidas à medida que os revisores terminavam seu trabalho.

Resumindo, foram impressas:

NT, 1ª edição, Amsterdã, 1681
NT, 2ª edição, Batávia, 1693 [1]
NT, 3ª edição, Amsterdã, 1712 [2]
AT, Gênesis a Ester, Batávia [3]
AT, Jó a Malaquias, Batávia [4]

Impressões em Tranquebar: Gênesis, 1719; Oséias a Malaquias, 1732; Josué a Ester, 1738; Jó a Cânticos, 1744; Isaías a Daniel, 1751; O Livro de Salmos, 1740; Os Evangelhos, 1760; Novo Testamento, 1765.

O trabalho de João Ferreira de Almeida é para a língua portuguesa o que a Bíblia de Lutero é para alemã, a King James Version para a inglesa e Reina-Valera é para a espanhola. No entanto, a única tradução moderna em Português, que utiliza os mesmos textos-base em grego e hebraico que foram utilizados por João Ferreira de Almeida, é a versão Almeida Corrigida Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. As demais traduções modernas, embora utilizem o nome "Almeida", como a Almeida Revista e Atualizada e Almeida Revista e Corrigida baseiam-se em maior ou menor grau nos manuscritos do chamado Texto Crítico, que passou a ser utilizado somente a partir do século XIX. Teófilo Braga, ao comentar sobre a versão original de Almeida, disse: "É esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da língua portuguesa no século XVIII."

Tradução de Antonio Pereira de Figueiredo

Devido à Inquisição, houve poucos esforços na Igreja Católica para a produção de uma tradução bíblica em língua portuguesa. António Pereira de Figueiredo, padre português, começou o projeto de tradução da Bíblia em português. Era baseado na Vulgata e levou 18 anos para ser completada. Essa tradução só foi possível graças ao enfraquecimento e desativação da Inquisição[carece de fontes?].

O Novo Testamento foi publicado entre 1778 e 1781 em seis volumes. O Antigo Testamento foi publicado entre 1782 e 1790 em 17 volumes. A versão em sete volumes, que é considerada padrão, foi publicada em 1819, sendo que a versão em volume único foi publicada em 1821.

Por ser uma versão com português mais recente, foi considerada melhor que a de Almeida, apesar de não ter sido baseado nos idiomas originais. Nota-se que foi a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira que editou as revisões de 1821 (completa) e 1828 (sem os deuterocanônicos). A Sociedade Bíblica de Portugal foi fundada em 1835e distribuiu essa, além da versão de Almeida. Teve boa acolhida entre católicos e protestantes.

Traduções em Portugal, após Almeida e Figueiredo

Traduções parciais

Padre António Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e Marcos no final do século XIX, baseado na Vulgata.

Traduções completas

O comerciante natural de Hamburgo, Pedro Rahmeyer é responsável por uma tradução completa da Bíblia em português. Ficou conhecida como "Bíblia de Rahmeyer" e está em exposição no Museu de Hamburgo. Supõe-se que, durante os 30 anos que ficou em Lisboa, tenha traduzido do alemão.

Em 1933, com apoio papal, o padre Matos Soares publica sua tradução da Bíblia em português, traduzida a partir da Vulgata. Ganhou a aprovação da Igreja Católica, sendo a mais popular no Brasil, desde que foi publicada em 1942.

A Tradução Interconfessional em Português Corrente foi fruto de um trabalho conjunto entre católicos e protestantes. Iniciada em 1972, é revisada em 2002.

Traduções parciaisPadre António Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de Mateus e Marcos no final do século XIX, baseado na Vulgata.

[editar] Traduções completasO comerciante natural de Hamburgo, Pedro Rahmeyer é responsável por uma tradução completa da Bíblia em português. Ficou conhecida como "Bíblia de Rahmeyer" e está em exposição no Museu de Hamburgo. Supõe-se que, durante os 30 anos que ficou em Lisboa, tenha traduzido do alemão.

Em 1933, com apoio papal, o padre Matos Soares publica sua tradução da Bíblia em português, traduzida a partir da Vulgata. Ganhou a aprovação da Igreja Católica, sendo a mais popular no Brasil, desde que foi publicada em 1942.

A Tradução Interconfessional em Português Corrente foi fruto de um trabalho conjunto entre católicos e protestantes. Iniciada em 1972, é revisada em 2002.

Traduções no Brasil

Traduções parciais

A primeira tradução realizada no Brasil foi feita pelo bispo Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré. Era um Novo Testamento traduzido a partir da Vulgata. No prefácio, havia acusações contra os protestantes, chamando suas versões da Bíblia de "falsificadas". Foi publicada em São Luís, no Maranhão, em 1847, sendo impressa em Portugal em 1875.

Em 1879, a Sociedade de Literatura Religiosa e Moral publica uma revisão do Novo Testamento de Almeida. Foi revisada por José Manoel Garcia, pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa e pelo pastor Alexandre Latimer Blackford.

O imperador D. Pedro II era um profundo admirador da cultura judaica. Após aprender o hebraico, que era a sua língua favorita, traduziu partes da Bíblia, como o livro de Neemias, além de partes do Velho Testamento para o latim.

F. R. dos Santos Saraiva, autor de um dicionário latino-português, traduz os Salmos, com o título de Harpa de Israel, em 1898.

Duarte Leopoldo e Silva traduz e publica os Evangelhos em forma de harmonia. O Colégio da Imaculada Conceição, Botafogo, Rio de Janeiro, publica uma tradução dos Evangelhos e Atos, do francês, preparada por um padre, em 1904. Padres franciscanos iniciam um trabalho de tradução a partir da Vulgata, sendo concluído em 1909. No mesmo ano, o padre Santana traduz o Evangelho de Mateus diretamente do grego. É a primeira tradução parcial da Bíblia, em português, dos idiomas originais feita por um padre católico, embora tenha sido apoiado pelo latim.

J. L. Assunção traduz o Novo Testamento a partir da Vulgata em 1917. Surge, no mesmo ano, o livro de Amós, traduzido por Esteves Pereira. Foi traduzido do etíope. Em 1923, J. Basílio Pereira traduz o Novo Testamento e os Salmos a partir da Vulgata.

O então padre Huberto Rohden foi o autor de uma tradução do Novo Testamento. Começou a traduzir enquanto estudava na Leopold-Franzens-Universität Innsbruck, Áustria, completando em 1930. Foi publicado pela Cruzada da Boa Imprensa (atualmente é pela editora Martin Claret). Utilizou como base o Textus Receptus.

O rabino Meir Matzliah Melamed traduz a Torá, numa edição sem data, com o nome de A Lei de Moisés e as Haftarot. Foi publicada em 1962. A tradução foi revisada e lançada, em 2001, com o nome de A Lei de Moisés. Está disponível pela Editora Sêfer.

Em 1993 é publicado o Novo Testamento da Nova Versão Internacional. Em 2005, o pastor batista Fridolin Janzen traduz o Novo Testamento em português, baseado no Textus Receptus. O texto está disponível no seu website, e está para ser imprimida.

Traduções completas

A primeira tradução completa foi a Tradução Brasileira. Foi uma tradução da Bíblia que não contava somente com teólogos, como H. C. Tucker, William Cabell Brown, Eduardo Carlos Pereira, mas também com eruditos como Ruy Barbosa, José Veríssimo e Virgílio Várzea.

A tradução se principiou em 1902. Os dois primeiros evangelhos foram editados em 1904, e depois de alguma crítica e revisão, o Evangelho de Mateus saiu novamente em 1905. Os Evangelhos e o livro dos Atos dos Apóstolos foram publicados em 1906, e o Novo Testamento completo em 1910. Publicada em sua inteireza em 1917, apresenta características eruditas, sendo bastante literal em relação aos textos originais.

Não obteve o agrado dos leitores, por traduzir nomes hebraicos de uma maneira próxima à daquela língua, falta de literalidade e falta de revisões. Ver artigo principal: Tradução Brasileira.

A Almeida Revista e Corrigida foi a primeira Bíblia a ser impressa no Brasil, em 1948. Está em circulação a revisão de 1995. Ver artigo principal: Almeida Revista e Corrigida.

A Editora Paulinas publicou desde a década de 1950 até 1990, a Bíblia traduzida da Vulgata Latina pelo padre português Mattos Soares na década de 1930.

Publicada em 1959, a Almeida Revista e Atualizada utiliza o Texto Crítico, ao invés do Textus Receptus. Ganhou aprovação da CNBB. Ver artigo principal: Almeida Revista e Atualizada.

Em 1959 é publicada a tradução dos monges Meredsous em português. O trabalho de tradução foi coordenado pelo franciscano João José Pedreira de Castro, do Centro Bíblico de São Paulo. Foi traduzida a partir da versão francesa publicada na Bélgica.

A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas é uma tradução da Bíblia feita pelas Testemunhas de Jeová. Foi publicada em 1963, sendo traduzida da versão inglesa. Recebeu uma revisão em 1984 (em português em 1986), com a inclusão de notas marginais. Ver artigo principal: Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

A Versão Revisada foi publicada em 1967, pela Imprensa Bíblica Brasileira e pela Juerp. É de orientação batista. Ver artigo principal: Versão revisada segundo os melhores textos.

Em 1976 é publicada a Bíblia de Jerusalém, pelas Edições Paulinas. É baseada na versão francesa, sendo que as notas e comentários são traduzidos. Em 2002 é publicada a revisão, chamada de Nova Bíblia de Jerusalém.

Em 1981 é publicada a Bíblia Viva, uma paráfrase da Bíblia. A versão original foi elaborada por Kenneth Taylor e foi traduzida na base da equivalência dinâmica (idéia por idéia). Já está na 2ª edição.

Em 1982 é publicada a Bíblia Vozes, pela editora Vozes, traduzida por uma comissão, presidida pelo franciscano Ludovico Garmus. No mesmo ano é publicada uma versão pela editora Santuário. No ano seguinte é publicada a Bíblia Mensagem de Deus pelas edições Loyola.

Em 1988 é publicada A Bíblia na Linguagem de Hoje, caracterizada por ter uma linguagem popular e tradução flexível. Um exemplo é a tradução de Juízes 3:24: Aí os empregados chegaram e viram que as portas estavam trancadas. Então pensaram que o rei tinha ido ao banheiro. Muitos eruditos vêem uma excessiva utilização de linguagem popular, que pode comprometer a fidelidade com o texto original. Devido a esses problemas, essa tradução passou por um grande processo de revisão, que resultou na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, em 2000.

Em 1990 é publicada a Edição Pastoral. Coordenada pelo teólogo Ivo Storniolo, é uma tradução afinada com a teologia da libertação, sendo voltada para uso dos leigos. Ver artigo principal: Edição Pastoral.

Ainda em 1990, a Editora Vida publicou a sua Edição contemporânea da Bíblia de Almeida (EAC). Essa edição eliminou arcaísmos e ambiguidades do texto original de Almeida, mas com a promessa de preservar as excelências do texto que lhe serviu de base.

Em 1997 é publicada a Tradução Ecumênica da Bíblia (sendo baseada na versão francesa), sendo parte de sua comissão católicos, protestantes e judeus. O Antigo Testamento foi mantido do modo como se utiliza nas Bíblias judaicas.

Em 2001, a CNBB produziu uma tradução comemorativa dos 50 anos da CNBB, e já está na 3ª edição e envolveu cooperação entre sete editoras católicas. No mesmo ano é publicada a Torah Viva, traduzida por Adolfo Wasserman, baseada na versão inglesa. É publicada também a versão completa da Nova Versão Internacional.,

Em 2002 é publicada a Bíblia do Peregrino, traduzida por Luís Alonso Schökel. É uma tradução da versão espanhola.

Em 2006 é publicada a Bíblia Hebraica. É o primeiro Tanakh completo publicado em português, desde 1553. Os tradutores foram David Gorodovits e Jairo Fridlin e foi revisada por rabinos e professores.

Em 2007 é publicada a Bíblia Almeida Século 21, uma atualização da "Versão Revisada" do texto de Almeida (também conhecida como "Versão revisada segundo os melhores textos") por uma parceria entre a Imprensa Bíblica Brasileira/Juerp, a Editora Hagnos e a Editora Atos.

Traduções feitas em outros países

A Sociedade Bíblica Trinitariana, fundada no Reino Unido em 1831, também produziu uma versão para o português do Novo Testamento, em 1883. É baseada, no Textus Receptus, assim como todas as Bíblias da Sociedade Bíblica Trinitariana.

Fonte: Traduções da Bíblia em língua portuguesa. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%B5es_da_B%C3%ADblia_em_l%C3%ADngua_portuguesa

terça-feira, 26 de abril de 2011

É difícil ser feliz sozinho



O isolamento social pode causar sérios distúrbios.

“A dor da solidão é uma ferida profundamente perturbadora”, afirma o pesquisador John Cacioppo, professor de psicologia da Universidade de Chicago e um dos mais renomados pesquisadores sobre solidão dos Estados Unidos. A afirmação consta no livro Solidão, recém lançado pela Editora Record, que traz um amplo estudo sobre um ‘estado’ que causa temor em muita gente: ‘o sentir-se sozinho’. “A solidão remete à angústia da separação e faz parte do ser humano temer o desamparo”, comenta a psicóloga do Hospital Samaritano de São Paulo, Luana Viscardi.

Segundo o livro, o isolamento social tem um impacto na saúde comparável ao efeito da pressão sanguínea alta, da falta de exercícios, da obesidade e do cigarro. O estudo que deu origem ao livro utilizou exames de ressonância magnética para estudar as conexões entre isolamento social e atividade cerebral. E o resultado é que, em pessoas mais sociáveis, uma região do cérebro conhecida como estriato ventral ficou muito mais ativa quando elas observavam imagens de pessoas em situações agradáveis. O mesmo não ocorreu nos cérebros de pessoas solitárias. Vale destacar que o estriato ventral é uma região importante para o cérebro, em especial para o aprendizado, ativada por estímulos que os especialistas chamam de recompensas primárias (como a comida) e recompensas secundárias (como o dinheiro). A convivência social e o amor também podem ativar a região.

A dor da solidão é psíquica

Exagero? Que nada! Para Margareth dos Reis, Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e psicóloga do Instituto H. Ellis, de São Paulo, a sensação de vazio provocada pela solidão pode desenvolver sintomas sérios. “Depressão, compulsão por comida e alcoolismo podem entrar nessa lista”, confirma Margareth. Já Luana explica que a dor da solidão não é física, e sim psíquica. “Mas, ao se sentir sozinha, a pessoa pode ser levada à angústia e daí ter reações físicas como tontura, sudorese e coração acelerado”, completa.
Para tratar o problema, em casos mais amenos, o acompanhamento psicológico pode ajudar. Se o individuo já estiver em um nível mais crônico, apresentando um quadro depressivo, por exemplo, pode necessitar de medicamentos. Isso porque, de acordo com a pesquisa apresentada no livro, os seres humanos são muito mais entrelaçados e interdependentes – em termos fisiológicos e psicológicos – do que se supõe. “O ser humano precisa do contato social, pois isso é benéfico para ele perceber seu potencial, aprender, crescer e trocar experiências”, diz Margareth.

Dificuldade de interagir

No entanto, cada vez mais a conectividade está sob risco. “Há uma enorme oferta de atividades, porém existe uma superficialidade nos relacionamentos”, alerta Margareth. Para ela, quem vive nas grandes metrópoles sofre ainda mais com isso. “As pessoas não conseguem se identificar com as outras, estão sempre reclamando de falta de tempo, vivem na correria e usam isso para justificar a dificuldade de interagir”, acrescenta a psicóloga. Além disso, segundo ela, existem as redes sociais na Internet que conquistam cada vez mais seguidores e, muitas vezes, criam uma ilusão. “Há pessoas que têm uma rede de contato extensa, mas não têm intimidade com ninguém. Se quiser uma companhia para ir ao cinema, por exemplo, não consegue contar com alguém desta lista virtual”, condena Margareth.

Em contrapartida, Luana defende que não dá apenas para enxergar os contatos virtuais de forma negativa. “Tudo depende da forma como cada um utiliza essa ferramenta. Enquanto alguns se fecham neste mundo ilusório, outros usam isso para ampliar trocas e reencontrar verdadeiras amizades.” A superficialidade também está fora do virtual. “Nas grandes cidades, por exemplo, estão todos centrados no trabalho e, após o expediente, nem sempre ocorre esta troca”, destaca Luana.

A versão positiva

John Cacioppo explica em seu estudo que, para um ser da nossa espécie, a saúde e o bem-estar requerem que o indivíduo esteja satisfeito e seguro em seus laços com outras pessoas. Seria uma forma de ‘não se sentir só’. E Margareth acrescenta que um indivíduo solitário não pode se deixar cair nessa rotina empobrecida, de isolamento e confinamento de vida. “Se não reagir logo, a pessoa pode ficar depressiva e indisposta para reverter o caso”, avalia. “Nada substitui a presença de alguém, o contato”, afirma Margareth.

Embora a solidão esteja sempre atrelada a um sentimento negativo, ela também apresenta sua versão positiva. Pelo menos é o que defendem os especialistas. “Se fechar para balanço ou ter um momento de recolhimento é muito positivo para qualquer pessoa”, diz Margareth. Para Luana, este pode até ser um processo doloroso, porém de enorme importância para o crescimento pessoal. “Isso apenas não pode se tornar constante”, lembra Margareth. Segundo a obra, “quase todos sentem as pontadas da solidão em algum momento”. E este sentimento pode ser algo breve e superficial, como ser o último escolhido para uma brincadeira – ou algo agudo e severo -, como a perda de um ente querido. “Este tipo de solidão faz parte da vida de qualquer pessoa”, avalia Margareth.

Fonte: Simone Cunha, especial para o iG - 07/04/2011 http://delas.ig.com.br/comportamento/e+impossivel+ser+feliz+sozinho/n1596828826286.html

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As últimas horas de Jesus



Quase tudo o que se sabe sobre a vida de Jesus, seu legado e ensinamentos, foram resumidos nos evangelhos canônicos – escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João – cerca de 40 anos após a sua morte. Essencialmente, os discípulos contaram a mesma história, porém salientaram aspectos diferentes. Afinal, reconstituir uma trajetória como a de Jesus Cristo deve ter sido tarefa desafiadora.

Todavia, entre todos os relatos, há um momento que mereceu destaque especial. Trata-se da última semana do Mestre com o povo. Dias que antecederam as comemorações da Páscoa do judaísmo e ressignificaram esta festa, transformando-a no evento mais importante do mundo cristão. Hoje, quase 20 séculos depois, a arqueologia, antropologia, sociologia, história, medicina e demais áreas do conhecimento têm ajudado a preencher muitas lacunas culturais que não foram mencionadas pelos evangelistas.

ÚLTIMA VIAGEM DE JESUS

Conta a história que por volta do ano 30 (d.C.), Jesus, acompanhado por seus discípulos e uma multidão de peregrinos, viaja a Jerusalém para participar das celebrações da Páscoa no templo judaico. A cidade tinha cerca de 100 mil habitantes, mas nessa época chegava a abrigar 180 mil pessoas. Para o povo que O seguia, era apenas uma viagem de rotina, já que os palestinos costumavam visitar Jerusalém nessa época. Entretanto, Jesus sabia o sofrimento que havia de passar. Chegando ao local, uma semana antes de sua morte, foi direto a Betânia – um pequeno vilarejo localizado a três quilômetros de Jerusalém –, onde se hospedou na casa de Lázaro, Marta e Maria, seus melhores amigos. Participaria das programações no templo e diariamente retornaria a Betânia a fim de descansar. E assim sucedeu (veja tabela abaixo):

DOMINGO

Pela manhã, bem cedo, Jesus parte para Jerusalém, montado em um jumento, como previa o profeta Zacarias. Sua entrada nos portões da cidade é triunfante. Uma multidão O reverencia, abanando louros e palmeiras enquanto gritam: “Viva o profeta de Nazaré!”.

Ao chegar ao templo, uma cena bastante desagradável O impacta. Desde a esplanada, todo o local está infestado de ambulantes vendendo quinquilharias, negociantes e cambistas comercializando animais. Jesus fica indignado, perde a paciência, vira as mesas dos comerciantes, derruba cadeiras, abre gaiolas e grita: “Vocês fizeram da casa do meu Pai um covil de ladrões”.

SEGUNDA E TERÇA-FEIRA

Jesus retorna ao templo, onde discursa através de parábolas e debate com a elite sacerdotal judaica (fariseus e saduceus). Eles estavam irritados. A cena da expulsão dos negociantes ocorrida no dia anterior havia sido a gota d’água para que as autoridades judaicas, definitivamente, O considerassem uma ameaça, não apenas à situação econômica, mas ao bem-estar político do Estado Judeu que, na época, era dominado pelos romanos.

Mal-intencionados, preparam armadilhas para que Jesus tropece em suas opiniões. Porém, sem sucesso, não encontram em suas palavras razão para condená-lO.

QUARTA-FEIRA

A aflição aumenta ainda mais. Ao retornar ao templo, Jesus chora no Monte das Oliveiras e, diante de Jerusalém, lamenta a destruição que sobrevirá à cidade.

No templo, continua o debate com os seus adversários.

QUINTA-FEIRA

Passa a tarde com sua mãe.

Entre 18h e 23h30, Jesus celebra sua última ceia junto aos discípulos. Ali, depois de partir o pão e beber do cálice, diz: “Façam isso todas as vezes que comerdes e beberdes em memória de mim”. Nessa reunião, Cristo enfatiza os ensinamentos que deverão ser passados a toda a humanidade após a sua morte.

Por volta das 23h30, Jesus pede que os discípulos fiquem orando e se retira para o Jardim do Getsêmani a fim de orar a sós. Ele sabia que em cerca de 1 hora seria traído por Judas, um dos seus discípulos. Seu coração quase não pode suportar tamanho peso, então afirma: “Minha alma está cheia de tristeza até a morte”.

OBS.: Os evangelhos não tratam detalhadamente da cronologia. Portanto, o quadro é dedutivo.

O SOFRIMENTO NO GETSÊMANI

Havia dias em que Jesus experimentava a sensação de angústia, medo e tristeza. Mas esses sentimentos se intensificaram ainda mais, pouco antes de seu aprisionamento – possivelmente ocorrido por volta de 01h30 da madrugada de sexta-feira – no Jardim do Getsêmani.

De acordo com o relato do médico Lucas – o único evangelista que citou o fato –, naquele momento Jesus transpirava gotas de sangue. Um fenômeno raríssimo conhecido pela ciência como hematidrose e que, segundo o PhD. Alexander Metherell, doutor em Medicina pela Universidade de Miami, ocorre em casos de ansiedade extrema, quando a liberação de certas substâncias químicas ocasiona o rompimento dos vasos capilares das glândulas sudoríparas e faz com que a pele fique sensível a tal ponto de o sangue se misturar ao suor.

De acordo com o artigo “A morte física de Jesus”, escrito pelo médico americano William Edwards e colegas, “a perda sanguínea, provavelmente, foi pequena, no entanto, o ar frio da noite, misturado ao suor, era o suficiente para lhe causar calafrios”. O estudo científico foi publicado pelo JAMA (Jornal da Associação Médica dos Estados Unidos).

SEIS JULGAMENTOS FAJUTOS

Logo depois de ser preso, Jesus é encaminhado a uma série de julgamentos forjados. Possivelmente algemado, os soldados da guarda judaica O levam a presença de Anás, o sogro do sumo sacerdote Caifás – um cargo religioso cujo grau era considerado o mais elevado entre os israelitas. Para eles, era o representante de Deus na terra.

Algumas pessoas questionam esse fato. Afinal, por que os soldados levaram Jesus primeiramente a Anás, se era Caifás o sumo sacerdote no poder?

Paul Maier, professor de História Antiga da Western Michigan University e autor do livro Jesus, Verdade ou Mito?, responde a essa indagação: “Anás era o detentor do maior recorde de todos os tempos em matéria de nepotismo. Fez cinco de seus filhos se tornarem sumo sacerdotes e o título, no momento, pertencia a seu genro, José Caifás, porque ele o concedera”. Mesmo não sendo mais o sumo sacerdote, todos o respeitavam, tamanha a sua influência. Seu cargo era praticamente honorífico.





Paul Maier, professor de História Antiga da Western Michigan University e autor do livro Jesus, Verdade ou Mito?, revela porque os soldados levaram Jesus primeiramente a Anás, se era Caifás o sumo sacerdote no poder naquela época

Além disso, os fariseus sabiam: se Jesus fosse levado à presença de Anás, ele certamente induziria Caifás a condená-lO, já que ambos tinham participação nos lucros das vendas realizadas no templo, uma das atividades mais proeminentes e lucrativas da época. Ter uma banca na sinagoga era como ser proprietário de uma luxuosa loja em um shopping center. Como o sumo sacerdote era o administrador geral, todos os comerciantes deviam-lhe impostos.

Anás queria saber mais sobre a doutrina que o rapaz de Nazaré ensinava ao povo. Mas Jesus respondeu: “Para que perguntas a mim? Pergunte aos que me ouviram...”. E, considerando sua atitude um desrespeito para com a autoridade, um dos oficiais O esbofeteou.

A lei mosaica exigia que a acusação contra os malfeitores fosse feita por, no mínimo, duas testemunhas cujos depoimentos tivessem coerência. Além disso, a lei garantia que um réu jamais seria condenado horas antes de um sábado porque isso lhe impediria de solicitar recurso. Entretanto, mesmo sem nenhuma acusação coesa, o julgamento prosseguiu. Como já era esperado, Anás pediu aos soldados que levassem Jesus à presença de seu genro.

Poucos minutos depois, Jesus já está no palácio de Caifás, onde escribas, anciãos e sacerdotes O aguardavam para um novo interrogatório. Como não havia acusação coerente, o sumo sacerdote, possivelmente avisado da afronta do Mestre a seu sogro e indignado com o episódio da segunda-feira, passa a questioná-lO sobre sua identidade, supostamente messiânica.

Logo, eles O consideram blasfemo por deixar nas entrelinhas a mensagem de que era de fato o Rei dos judeus, um delito constituído no direito romano – lex de maiestate, lei anterior a Júlio César e a Augusto – que punia com morte a traição em relação ao Estado. Ao clarear do dia, agora diante do Sinédrio, Jesus é mais uma vez condenado.

Segundo o teólogo e escritor Josh McDowell, autor da obra As Evidências da Ressurreição de Cristo, havia duas cortes no Sinédrio. Uma composta por 23 membros especializados em julgar casos que envolvessem a pena capital e outra composta por 71membros, “um tribunal para casos que envolvessem o Chefe do Estado, o sumo sacerdote e quaisquer outras pessoas, por ofensas contra o Estado e o Templo”. McDowell diz ainda que o Sinédrio de 71 membros “podia deixar de julgar um caso que envolvesse a pena de morte, por isso é provável que Jesus tenha sido julgado pela corte menor”.

Como o Sinédrio não tinha poder legal para crucificá-lO, precisou encaminhá-lO a uma corte romana a fim de conseguir a liberação. Chamando a atenção para esse fato, o pastor e teólogo Acyr Raymann, professor da Universidade Luterana de São Leopoldo (RS), declara: “O Sinédrio tinha poder para matar Jesus, porém não por crucificação, mas por apedrejamento, por exemplo. No entanto, os fariseus não queriam assumir esta responsabilidade. Por isso, insistiram na crucificação. Só assim esse fardo estaria sobre as costas do governo romano. Sem querer, eles estavam cumprindo as Escrituras”.

Já era aproximadamente 7 horas da manhã quando o quarto julgamento começou. No pretório da fortaleza Antônia, o centro de comando de Pôncio Pilatos, governador romano da Palestina, outro interrogatório aconteceu. Mas Pilatos, que não encontrara motivos para executá-lO, sabendo que Jesus era galileu, encaminhou-O ao tetrarca romano Herodes Antipas, que tinha jurisdição sobre a Galiléia.

Em outras palavras, a cena poderia ser comparada a um presidente enviando a vítima para que o governador do Estado, onde o réu nascera, tomasse as devidas providências. Pilatos não queria se comprometer. Herodes deve ter ficado feliz com a consideração de Pilatos para com ele. Afinal, esta parecia ser uma atitude de reconhecimento. Entretanto, Jesus se recusa a responder qualquer pergunta de Herodes, e o tetrarca O devolve a Pilatos que, mesmo consciente da inocência de Jesus, a fim de agradar a multidão, ordena seu açoitamento seguido da crucificação, o mais infame e cruel método de tortura do mundo antigo, reservado apenas para escravos, revolucionários e aos piores criminosos. Uma pena cujo sofrimento era considerado pior do que o apedrejamento, fogueira, decapitação e estrangulamento defendidos pela lei judaica.

Foram 3 julgamentos judaicos e 3 romanos. O percurso entre os locais por onde Jesus passou desde o aprisionamento até o pretório chega a 4 quilômetros.

A CRUELDADE DO SUPLÍCIO

O açoitamento era uma pena preliminar em todas as execuções romanas. Seu instrumento de martírio era conhecido como flagrum, uma espécie de chicote com cabo de madeira e longas tiras de couro trançado em cujas extremidades eram fixados pedaços de ossos cortantes e bolas de chumbo. A finalidade da repressão era inspirar o medo público e enfraquecer o sujeito pela perda de sangue até paralisá-lo. Somente mulheres, senadores e soldados (exceto os desertores) estavam livres desse flagelo. Na frente do tribunal, era costume amarrar o acusado a um tronco e ali, totalmente despido, dois soldados de cada vez desciam o açoite, começando pelos ombros, depois nas costas, coxas e nádegas, até chegar às pernas.

Segundo o médico e escritor Truman Davis, autor do livro A Crucificação de Jesus, “os açoites primeiro atingem os tecidos subcutâneos, produzindo gotejamento de sangue dos vasos capilares. Em pouco tempo, o sangue arterial das veias dos músculos subjacentes começa a jorrar. As pequenas bolas de chumbo são responsáveis pelas profundas contusões”. Em descrições históricas sobre o suplício, como a que fez Eusébio – um historiador do século 3 – “as veias, músculos, tendões e vísceras da vítima ficam totalmente expostas”.

A lei judaica limitava os açoites em 40 chicotadas. No entanto, os fariseus fundamentalistas, que se orgulhavam de seguir à risca as regras estabelecidas, limitavam os açoites em 40 menos 1, isto é, 39, porque no caso de contarem errado, não chegariam a desobedecer a lei. Mas essa pseudobondade dos fariseus certamente não beneficiou Jesus. Os encarregados do suplício do Mestre eram soldados romanos, e na lei romana não havia limitações para o espancamento do réu. Era o centurião quem determinava o fim do martírio. Ao desamarrar a vítima, permitia-se que ela se deitasse sobre o seu próprio sangue.

Outro costume entre os romanos era o escarnecimento após o flagelo. Como o delito de Jesus havia sido intitular-se Rei, aqueles homens colocaram um manto púrpura sobre seus ombros, simbolizando realeza, e uma coroa com cerca de 70 espinhos que, ao penetrarem o couro cabeludo, provocaram intenso sangramento. Entre gargalhadas, cuspiam em seu rosto e gritavam: “Salve o Rei dos judeus”. Depois disso, Jesus, totalmente dilacerado, é exposto à multidão no pretório – o tribunal romano – e de lá percorre a via sacra rumo à crucificação.

CURIOSIDADE: JESUS MORREU AOS 33 ANOS NO ANO 30 D.C.

Se o calendário cristão começa a contar por ocasião do nascimento de Jesus, como Ele pode ter morrido no ano 30 d.C., se a Bíblia diz que Ele morreu aos 33 anos?

A contagem do tempo até meados de 525 d.C. era uma grande confusão. Existia o calendário Juliano, Gregoriano, Hebreu, Chinês, Muçulmano, entre outros. Para pôr um fim nessa desordem, em 525 d.C., o historiador grego Dionísio, calculando a data de Páscoa, toma o calendário Juliano como base e estabelece o nascimento de Jesus Cristo como sendo o primeiro ano de uma nova era. Os acontecimentos que tivessem ocorrido antes do nascimento de Jesus seriam sinalizados com a sigla a.C.

Apesar de ter sido criado em 525 d.C., somente no século 6 o calendário de Dionísio começa a ser utilizado. No séc. 10, a era cristã é oficializada pela Igreja Católica e a nova medição passou a ser difundida por todo o mundo. No entanto, em meados do séc. 19, quando o calendário já está sendo amplamente utilizado por várias nações, descobre-se que Dionísio cometeu um erro de aproximadamente 4 anos em seus cálculos. Para a historiografia moderna, não há dúvidas de que Jesus nasceu antes da contagem inicial estabelecida por Dionísio, isto é, por volta do ano 4 a.C.


VIA SACRA

O caminho entre o tribunal e o local da execução – uma região montanhosa chamada Gólgota/Calvário, localizada fora dos muros da cidade – era de, no máximo, 650 metros. Nesse percurso, Jesus, agora novamente vestido, carrega o patibulum, isto é, o tronco horizontal da cruz, uma vez que o suporte vertical costumava ficar permanentemente fixado no local.

O peso dessa trave variava entre 34 e 57 quilos – dependendo da cruz, havia vários tipos – e normalmente era colocado sobre os ombros da vítima e atado com tiras. Uma pessoa em situação física normal poderia carregar esse peso sem maiores problemas. No entanto, a debilidade física de Jesus era tão intensa que O impossibilitava de caminhar sem cair. Foram quase 50 minutos de caminhada, arrastando um pé após outro, entre tropeços e empurrões. A cada queda, a trave também caía e lhe esfolava o dorso. Como a exaustão de Cristo excedia os limites, próximo ao Calvário a guarda romana permite que uma outra pessoa O ajude a carregar.

Uma das ponderações comuns sobre a crucificação de Cristo é o questionamento: como o povo judeu pode ter mudado de opinião tão rapidamente de segunda para sexta-feira, já que na segunda reverenciavam-nO e na sexta gritavam “Crucifica-O!”? Nem ao menos os peregrinos que vieram com Jesus podiam defendê-lO?

Maier, autor de Jesus, Verdade ou Mito?, esclarece esse mal-entendido que tem sido a raiz do anti-semitismo, isto é, o ódio aos judeus no mundo. “Naquele tempo as pessoas se deitavam ao pôr do sol e acordavam ao nascer do sol. Convenhamos, Jesus é preso depois de escurecer e é submetido a julgamentos até o amanhecer. É preciso recordar que não havia noticiários noturnos ou plantões de notícia. Portanto, como poderiam saber do que se passava com o Mestre? Na verdade, eles nada souberam até que fosse muito tarde”. E, de fato, de acordo com o depoimento de Lucas, nem todo judeu queria a crucificação de Cristo. Muitos deles ficaram sabendo da execução quando o tumulto passava diante de suas casas. Mas a sentença era irrevogável. O evangelista chega a afirmar que “uma multidão de homens e mulheres judias choravam, enquanto Jesus arrastava sua cruz até o Calvário”.



Josh McDowell lembra que o Sinédrio de 71 membros “podia deixar de julgar um caso que envolvesse a pena de morte, por isso é provável que Jesus tenha sido julgado pela corte menor”

A CRUCIFICAÇÃO

Ao chegar ao local da execução, a lei judaica determinava que uma dose de vinho misturado a mirra (fel) fosse oferecida ao réu. A bebida tinha efeito levemente anestésico. Jesus chegou a molhar a boca no líquido, mas o gosto parecia ser tão ruim que Ele se recusou a tomar.

Por volta de 9 horas da manhã, isto é, à hora terceira, os preparativos para a crucificação se iniciam. Os carrascos, mais uma vez, têm a incumbência de despir Cristo, porém sua túnica está grudada às feridas. Para tirá-la, é necessário puxar violentamente, e isso lhe provoca dores intensas, já que chagas levemente cicatrizadas são novamente abertas. Vestido apenas com um manto, o Mestre é jogado ao chão, a terra penetra em seus ferimentos e o martírio da crucificação atinge o seu ápice quando os pregos lhe atravessam os pulsos e pés, transpassando nervos, tendões e ossos. Certamente, esse foi o momento de pior dor.

Segundo a Enciclopédia Bíblica Wycliffe, “restos arqueológicos de um corpo crucificado na época de Cristo e encontrado em um ossuário perto de Jerusalém indicam que os pregos utilizados nessas execuções eram longos, quadrados e tinham entre 13 e 18 centímetros”. Outro fato curioso é que os pregos não eram transpassados pelas palmas das mãos, mas através dos pulsos, porque os ligamentos e ossos desta região são mais fortes e podem segurar mais peso do que as palmas.

Os pés, geralmente, eram pregados um sobre o outro, deixando as pernas levemente recolhidas a fim de facilitar o apoio e a fixação. Logo depois, uma placa trazia o nome do réu e um letreiro em três idiomas – hebraico, latim e grego –, indicando o crime praticado pelo executado. Na de Jesus, pregada na parte superior do patibulum, estava escrito: Jesus de Nazaré, Rei dos judeus.

Segundo o estudo científico “A Morte Física de Jesus”, “embora o açoitamento tenha resultado em perda considerável de sangue, a crucificação em si era um procedimento relativamente sem sangramento, uma vez que nenhuma grande artéria era comumente atingida”. Os carrascos sabiam o local anatomicamente apropriado para deixar o indivíduo o maior tempo possível exposto ao sofrimento. A crucificação podia durar entre 3 horas e 4 dias. No entanto, quando havia interesse em antecipar a morte – como foi o caso dos ladrões que ainda estavam vivos quando Jesus morrera – quebravam-se as pernas do réu e, sem ter onde se apoiar, o indivíduo morria por asfixia.

Edwards esclarece ainda que o maior efeito patofisiológico da crucificação é a interferência na respiração, particularmente a exalação, já que o ar entra, mas sai com muita dificuldade, como um asmático nas piores crises. “O peso do corpo sobre os braços estendidos e ombros tende a pressionar os músculos intercostais num estado de inalação, impedindo a exalação. Uma exalação adequada exigiria um ato de levantamento do corpo, que poderia ser conseguido ao apoiar-se sobre o tarso dos pés. No entanto, este procedimento resulta em dores como se fossem queimaduras por todo o corpo”.

PÁSCOA - ANTES E DEPOIS DE CRISTO

Era costume entre os israelitas. No primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera, isto é, na noite do dia 14 de Nissan – o primeiro mês do calendário judaico, uma data variável no calendário cristão, entre os dias 22 de março e 25 de abril – o povo judeu comemorava a Pessach. A festa existia desde o período pré-mosaico e celebrava a entrada da primavera no hemisfério norte. Porém, com o advento da libertação do povo judeu após 430 anos de escravidão no Egito, passou a ter novo significado. Era dia de unir a família para festejar a liberdade. Agradeciam a Deus oferecendo sacrifícios e pediam a Ele perdão pelos pecados, assim como proteção sobre o lar e o rebanho.

Desde que o povo judeu, guiado por Moisés e Arão, atravessou o Mar Vermelho em direção à Terra Prometida em 1.060 a.C., em todas as residências dos israelitas, o ritual denominado Pessach – Páscoa, ou literalmente “passagem, travessia” – era reproduzido conforme as últimas ordenanças de Deus ao povo, na noite em que houve a grande libertação. Imolava-se um cordeiro, retirava-se o sangue do animal e então ungia-se os umbrais e vergas das portas, em alusão à proteção contra o anjo da morte que matou os primogênitos das famílias egípcias, a última e única praga que tocou emocionalmente Faraó, fazendo-o autorizar a partida dos escravos rumo à liberdade.

A festa era tão ou mais popular que o Natal dos dias atuais. O banquete servido ao som de música, alaridos e danças tinha mesa farta e muita carne assada.

Para o cristianismo, a morte de Jesus colocou fim à imolação de cordeiros, pois os pecados passaram a ser perdoados através do Espírito Santo, já que Jesus levou sobre si os pecados de todos. Além disso, o marco referencial entre a lei e a graça se estabeleceu.


A MORTE DE JESUS

De acordo com alguns especialistas, a causa da morte de Jesus pode ter sido multifatorial. Desidratação, arritmia por estresse induzido, perda sanguínea e enfarte estão entre os diagnósticos mais especulados. Outros, como o pesquisador Benjamin Brenner, do Centro Médico Rambam de Israel, cogitam ainda a hipótese de ter ocorrido uma embolia pulmonar.

No entanto, há quem conteste essa possibilidade. Dr. William Edward diz que é praticamente improvável que uma trombose tenha se formado num curto espaço de tempo. Para ele, “as duas causas mais lógicas são choque hipovolêmico [que tem como causa determinante a perda de sangue, plasma ou líquidos extracelulares] e asfixia por exaustão”.

Foram seis horas de sofrimento na cruz. Durante esse tempo, esforçando-se ao extremo, Jesus pronunciou apenas sete frases. A primeira delas foi dirigida aos seus executores, enquanto lançavam sortes sobre sua única vestimenta. E disse: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. A segunda, ao ladrão da cruz que, arrependido, pedia ao Mestre para lembrar-se dele quando entrasse no Reino. A terceira, a seu irmão João – ainda adolescente – que, juntamente com sua mãe, chorava à beira da cruz. “Eis aí a tua mãe, eis aí o teu filho”, disse.

A quarta, pronunciou quando parecia não mais suportar a dor: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, seguido de “Tenho sede”, quando lhe deram uma esponja umedecida em um pouco de vinho azedo, resto da bebida dos soldados. Finalmente, às 3 horas da tarde de sexta-feira, isto é, à hora nona, Jesus brada em alta voz dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E então, morre.

A pedido dos soldados, Pôncio Pilatos autorizou a crucifratura dos executados, isto é, o ato de quebrar-lhes as pernas a fim de que não pudessem exercer força para se erguerem e então respirarem. A pressa devia-se ao fato de que o pôr do sol se aproximava e logo se iniciariam as celebrações de Páscoa, período em que as execuções não eram permitidas. Mas, quando a ordem fora dada, Jesus já estava morto, por isso, somente os ladrões tiveram suas pernas fraturadas.

Para certificar-se de que Jesus realmente estava morto, um soldado chamado Longínquos desferiu um golpe de lança sobre o lado direito de seu corpo, transpassando possivelmente um dos pulmões e o coração. João afirmou que “sangue e água jorraram do ferimento”. Para a medicina moderna, a acumulação de fluidos que envolvem o coração – isto é, o pericárdio – e a membrana que cerca os pulmões, denominada pleura, pode ter sido a causa do estranho fenômeno.

Depois disso, José de Arimatéia, que também era seguidor de Jesus, pediu autorização a Pilatos para levar o corpo do Mestre. Então, juntamente com Nicodemos, banharam-nO com mirra e aloés e O sepultaram. Ao terceiro dia, Ele ressuscitou.

Não há sofrimento com tamanha repercussão que tenha sido mais aterrorizante do que as últimas horas de Cristo. Além das dores físicas e injustiças políticas, o desprezo, a humilhação e a rejeição contribuíram para que sua tristeza fosse ainda maior. Felizmente, a crucificação e a morte de Jesus não estabeleceram o fim de um grande ministério, como queriam os fariseus. Na realidade, involuntariamente, eles contribuíram para que o Messias fosse eternamente coroado, cumprindo o que havia sido predito nas Escrituras. Hoje, povos, tribos e nações O reverenciam.

A Páscoa obteve um novo significado. Para o perdão dos pecados, o sacrifício de animais e o derramamento de sangue foram abolidos. Cristo passou a simbolizar o Cordeiro. O madeiro, o altar; e o sangue vertido na cruz, a purificação dos pecados. Este marco divisor entre duas páscoas, a libertação do Egito e o perdão dos pecados pela graça existirá para todo o sempre, até que a promessa de Jesus, feita aos discípulos após a ressurreição, se cumpra. “Irei vos preparar lugar, para que onde Eu estiver, estejais vós também”.

Fonte: Texto de Oziel Alves. Revista Enfoque Gospel. Edição 80 - mar/2008.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A imortalidade, por Russel Shedd



O inspirado apóstolo Paulo escreveu para a Igreja de Roma que Deus dará vida eterna para os que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade (Romanos 2:7). Entender bem o que esse trecho da Palavra de Deus ensina para, em seguida, praticá-lo é um desafio e tanto para aquele que toma a sério o que o texto diz.

A maioria dos evangélicos acredita que basta crer, ser batizado, freqüentar os cultos, fazer suas contribuições regulares aos cofres da sua igreja, para ser aceito por Deus. Esse texto de Romanos parece acrescentar algo mais. Uma vez que a “descoberta” da Reforma foi que a salvação se alcança unicamente pela fé, a declaração de Paulo parece contraditória. Para salvaguardar a integridade da verdade do Evangelho, quero oferecer algumas sugestões.

Primeiro, que a inclusão de fazer o bem faz parte integral da salvação de todos aqueles que abraçaram uma fé genuína. Fé viva, afirma Tiago, é demonstrada em obras, não apenas em palavras e boas intenções. Paulo acrescenta que as boas obras devem acompanhar a vida inteira do cristão fiel.

Segundo, o texto confirma que a esperança de receber a herança da vida eterna (imortalidade) é conseqüência de uma busca, mesmo depois de ter crido sinceramente nas verdades centrais do Evangelho e confiado no Senhor Jesus. “Buscar” significa mais do que apenas esperar. O autor de Hebreus colocou essa necessidade assim: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem a santidade, ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).

Terceiro, dá para se deduzir que a importância de buscar a glória e honra, que somente Deus pode conceder, reside no fato de que aquele que não busca não receberá esse grande galardão. Há perigo imensurável de imaginar que o Pai dará ao seu “filho”, descompromissado com qualquer valor do Reino, o mais precioso dos seus tesouros.

Não foi essa a lição que Jesus quis frisar em sua conhecida parábola dos servos e dos talentos? Os primeiros dois se esforçaram até dobrar o valor dos seus talentos, enquanto o servo mau e desobediente escondeu seu único talento no quintal. Quando o entregou ao dono, a reação foi imediata e contundente: “Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei... Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez... e lancem fora o servo inútil nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25:26-30 – NVI).

Uma vez convencidos de que a vida eterna pode ser recebida unicamente pela fé no Senhor Jesus, nos resta a tarefa de procurar o sentido de “buscar a glória e imortalidade”.

Pelo contexto imediato, concluímos que essa busca inclui a prática do bem, não apenas durante alguns dias em que estávamos motivados pelo primeiro amor, mas persistindo em fazer o bem durante toda a vida. A busca requer uma dedicação à vontade de Deus revelada na Bíblia. Paulo entendeu que seu apostolado se resumia no chamado de um povo dentre as nações “para a obediência que vem pela fé” (Romanos 1:5).

Alguém que se compromete com o serviço do seu Senhor deve saber o que este quer que ele faça. Paulo exorta os efésios a não serem insensatos, mas “procurar compreender qual é a vontade do Senhor” (Efésios 5:17). Esforçar-se para saber e praticar o que o mestre quer, sem dúvida, significa buscar a glória, isto é, sua aprovação. “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar...” (2 Timóteo 2:15 – NVI).

Quando Jesus declarou que ele edificaria sua igreja, não pensou em uma igreja que ajuntaria dois bilhões dos habitantes da terra que apenas se identificam verbalmente como “cristãos”, mas cujas vidas demonstram os mesmos valores e práticas daqueles que não professam qualquer lealdade ao Senhor Jesus.

O futuro do filho de Deus, salvo pela fé e guiado pelo seu Espírito, será muito melhor do que a imaginação humana pode contemplar. O futuro que aguarda aqueles que amam o Senhor de verdade e, por amor a ele, buscam sua vontade e sofrem para servi-lo, tem a garantia de uma recompensa de imortalidade repleta de honra e glória. Eles ouvirão as palavras de Jesus: “Bem feito, servo bom e fiel... entra tu no gozo do teu Senhor”!

Fonte: Revista Enfoque Cristão - Edição 86 - Outubro/2008