segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A credibilidade da igreja (Eliel Gaby - Revista Manual do Obreiro - 2012)

Artigo publicado na Revista Manual do Obreiro (CPAD), do primeiro trimestre de 2012.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Por que sou pentecostal



Primeiro porque Deus fez uma promessa.

"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito". Jl 2:28;29

Jesus reafirmou essa promessa.

"E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder". Lc 24:49
"E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias". At 1:4


E eles cumpriram essa promessa.

"E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem". At2:1;4

E eu tenho certeza que essa promessa diz respeito a mim também.

"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar". At 2:38;39

Agora que entendemos que essa promessa também é para nós vamos entender em que consiste essa promessa:

A promessa consiste em uma efusão do Espírito Santo, uma explosão da manifestação do poder de Deus na vida de seus filhos.

Essa explosão é notória no momento em que ocorre, como foi no caso dos discípulos, no relato em Atos dos apóstolos capitulo 2 vemos que quando os 120 que estavam no cenáculo foram cheios com a plenitude do Espírito, foi notado por toda a circunvizinhança. E o sinal que mais chamou a atenção dos que viram o ocorrido foi o fato de ver os discípulos falarem línguas.

Somente a descrição de atos 2 seria suficiente para eu entender que o batismo no Espírito Santo tem como confirmação falar línguas.

Porem fundamentaremos mais essa doutrina com outras passagens bíblicas.

"Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo". At8:14;17

Primeira observação que faço nessa passagem é que o batismo no Espírito Santo se da a parte do batismo nas águas, pois vejam que os apóstolos foram a Samaria para orar para os novos crentes receberem o Espírito Santo, novos crentes esses que já eram batizados nas águas, fica então muito claro que o batismo no Espírito Santo é uma experiência paralela a experiência salvífica do novo nascimento.

Mas então como saber quando ocorre o batismo no Espírito Santo?

Simples vamos usar o mesmo modo de identificação que o apóstolos usaram.

"E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus. Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias". At 10:44;48

Duas coisas ficam bem claras nessa passagem, novamente fica claro que o batismo no Espírito Santo é a parte do batismo nas águas, nesse caso Cornélio e sua família foram batizados no Espírito Santo antes de serem batizados nas águas, outra coisa que a passagem esclarece é que o batismo no Espírito Santo tem como confirmação falar línguas, segundo o relato do versículo 46 os que eram da circuncisão maravilharam-se de que o dom do Espírito fosse dado aos gentios porque os ouviam falar línguas, e Pedro continua, dizendo que deveriam batizar nas águas esses que "como nós" receberam o Espírito, quando Pedro diz "como nós" ele se refere ao ocorrido em Atos 2 onde ele juntamente com os outros falavam línguas após receberem o Espírito Santo.

Essas passagens para mim são mais do que suficientes para a doutrina dos pentecostais, porem vamos para mais uma passagem;

"Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens". At 19:2;7

Esses doze homens foram batizados nas águas e em seguida Paulo lhes impôs as mãos para que recebessem o Espírito Santo e novamente vemos aqui a confirmação pelo falar línguas.

Fica extremamente claro que o batismo no Espírito Santo tem como confirmação o falar línguas e é uma experiência a parte do batismo nas águas. Porem alguns antipentecostais usam a passagem de ICo 12:30 para dizer que nem todos tem o dom de línguas. Vejamos a passagem;

"Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos"? ICo 12:30

A resposta para essa passagem é não, com base nesse versículo alguns dizem que não pode o batismo no Espírito Santo ter línguas como confirmação, porque Paulo diz que nem todos tem esse dom.

Vamos analisar a escritura; existe ai uma diferença, Paulo não pergunta se todos falam "línguas", Paulo pergunta se todos falam "diversas línguas", e quando ele diz "diversas línguas" ele esta se referindo a um dos nove dons do Espírito Santo descritos em Corintios 12. Vejamos:

"Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer". ICo12:7;11

O dom a que Paulo se refere na pergunta é o de "variedade de línguas", e realmente nem todos tem esse dom, como nem todos tem o dom de profetizar e nem todos tem os dons de curar, porem no batismo no Espírito Santo é concedido o falar línguas como confirmação e não falar varias línguas, esse ultimo trata-se de um dom que pode ou não ser concedido a quem já é batizado no Espírito Santo e já fala línguas. Pode acontecer de a pessoa ser batizada com o Espírito Santo e no mesmo instante já receber o dom de variedades de línguas, foi o que aconteceu em Atos 2 os discípulos foram batizados no Espírito Santo e receberam o dom de variedade de línguas pois falavam línguas de outros países que nunca haviam aprendido e isso maravilhou que ouviam, da mesma maneira que no caso dos doze homens de Atos 19 que quando receberam o batismo no Espírito Santo receberam instantaneamente o dom de profecia;

"E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens". At 19:6;7

Lembre – se o batismo no Espírito Santo é para todos, toda carne segunda a promessa em Joel 2, porem os dons que são nove ao todo, são distribuídos para o que for útil, ou seja pela necessidade na obra de Deus;

"Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. ICo 12:7
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer". ICo12:11


Fonte: http://apologistadecristo.blogspot.com/2010/05/porque-sou-pentecostal.html

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O dia de adoração e serviço à Deus

Comentário da Lição da Escola Bíblica Dominical, ministrada pelo Pb. Neir Moreira, da Assembleia de Deus em Curitiba.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Com nova lei, divórcios atingem o maior índice da história




O Brasil registrou em 2010 a maior taxa geral de divórcio da história, segundo dados do estudo Estatísticas do Registro Civil 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice chegou ao número de 1,8‰, superando o 1,5‰ de 2008. Esse número é obtido pela divisão do número de divórcios pela população e multiplicada por 1.000.


O recorde se deve principalmente às mudanças nas regras de divórcios e separações estabelecidos no último ano. No Brasil, o divórcio e a separação foram instituídos e regulamentados em 1977. Até aquela data, o desquite era o dispositivo legal para a dissolução dos casamentos sem, no entanto, possibilitar nova união formal.


À época de sua criação, a separação legalizava-se por meio de processo judicial. O processo poderia ter caráter consensual, quando as duas partes estavam de acordo com os termos da separação e tinham pelo menos um ano de casados, ou litigioso. O divórcio também era formalizado através de processo instituído na Justiça três anos após a concessão da separação ou cinco anos após a separação de fato. Esses prazos foram alterados pela Constituição de 1988, reduzindo-os para dois anos, quando comprovada a separação de fato.


A partir de 4 de janeiro de 2007, os divórcios e separações puderam ser requeridos por via administrativa, nos tabelionatos de notas do País. Posteriormente, em julho de 2010, a alteração no artigo suprimiu do texto constitucional as referências ao instituto da separação e aos seus consequentes prazos, de modo que, atualmente, é possível requerer a dissolução do casamento a qualquer tempo, seja o divórcio de natureza consensual ou litigiosa.


Essas mudanças ocasionaram um grande aumento no número de divórcios e a redução no número de separações. Em 2010, foram registrados 243.224 divórcios e 67.623 separações. A comparação das taxas referentes aos Estados para os anos de 2009 e 2010 revelou crescimento dos divórcios em todos os Estados brasileiros, exceto em Roraima, Tocantins, Paraíba e Mato Grosso, que mantiveram taxas iguais às do ano anterior.


Mais divórcios e mais cedo


De acordo com o estudo, 40,9% dos divórcios registrados em 2010 foram de casamentos que duraram no máximo 10 anos. Em 2000, foram 33,3% dos divórcios para o mesmo período e, em 2005, 31,8%.


Considerando ainda os divórcios judiciais concedidos e sem recursos e as escrituras de divórcios realizadas em tabelionatos, essas dissoluções ocorridas em 2010 foram de casamentos que tiveram em média 16 anos de duração.


As informações da pesquisa mostram que as médias de idade se elevaram para ambos os cônjuges. Em 2010, a idade média ao se divorciar foi de 43 anos. Em 2000, essa idade era de 41 anos. Entre as mulheres, a diferença aumentou apenas um ano no período analisado, sendo a idade média atual de 39 anos.


Divisão de bens


A atribuição automática da comunhão parcial dos bens é refletida na distribuição dos divórcios segundo o regime de bens e esteve em 81,7% dos processos. Esta característica é adotada como padrão por se adequar às condições socioeconômicas da maior parcela da população brasileira. A opção por outros regimes deve ser objeto de manifestação do casal na ocasião do casamento. No período houve queda das percentagens de divórcios cujo regime de bens do casamento foi o de comunhão universal, passando de 29,9%, em 2000, para 13,9%, em 2010. Os divórcios dos casamentos com regime de separação de bens se elevaram, porém seu percentual é bem inferior ao dos demais, apenas 4,1%, em 2010.


As Estatísticas do Registro Civil são publicadas desde 1974 e são resultados resultado da coleta das informações prestadas pelos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais, Varas de Família, Foros ou Varas Cíveis e os Tabelionatos de Notas do País.










segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Escatologia das Religiões por Alex Belmonte





O termo Escatologia deriva de duas palavras gregas: escathos e logos que se traduzem por “último” e “estudo” ou “tratado”. É o estudo ou doutrina das últimas coisas. É chamada bíblica, no nosso caso, porque ela pode ser extrabíblica. A palavra Escatologia não é uma exclusividade da linguagem cristã, porém é quase unânime o seu uso no âmbito cristão e religioso.


No estudo da Escatologia Bíblica, é de caráter fundamental, ter o cuidado em não apresentar falsas interpretações, evitando, com isso, exposições infundadas e especulações. Deus nos adverte dizendo que devemos “manejar bem a Palavra da verdade.” (2ª Tm.2.15). “Porque a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará e não mentirá; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará”.(Hc.2.3).


Mas existe outro tipo de Escatologia que poucas pessoas conhecem, mas que se torna importante no profundo estudo das “ultimas coisas”: Trata-se da Escatologia das Religiões.

A Escatologia das Religiões


Chamamos de Escatologia das Religiões as interpretações proféticas dos últimos acontecimentos na visão das principais religiões do mundo. Dessa forma, temos por propósito expor as Escatologias Islâmica, Budista e Judaica. Quanto às demais religiões consideradas grandes e expressivas, entendemos que possuem a mesma raiz interpretativa, diferindo apenas em pequenos detalhes e particularidades.


A Escatologia Islâmica


O Islamismo é uma das quatro religiões monoteístas do mundo. Está baseada nos ensinamentos de Maomé (570-632 d.C.), chamado “O Profeta”, contidos no livro sagrado islâmico, o Corão. A palavra islã significa submeter, e exprime a submissão a lei e a vontade de Alá. Seus seguidores são chamados de muçulmanos, que significa aquele que se submete a Deus.


Ao partirmos para a exploração da Escatologia Islâmica precisamos primeiramente saber quais as raízes teológicas.


Segundo os muçulmanos, o Corão contém a mensagem de Deus a Maomé, as quais lhe foram reveladas entre os anos610 a632. Seus ensinamentos são considerados infalíveis. É dividido em 114 suras (capítulos), ordenadas por tamanho, tendo o maior 286 versos. A segunda fonte de doutrina do Islã, a Suna, é um conjunto de preceitos baseados nos Ahadith (ditos e feitos do profeta).


Segundo a Escatologia Islâmica, a História humana terminará com um julgamento final. Antes, porém, alguns personagens apocalípticos aparecerão, como o Mahdi, espécie de Messias. Esse é descrito como a mesma figura do que conhecemos como o Anticristo, que para o Islamismo aparecerá entre o Iraque e a Síria.


De acordo com o Alcorão – Surata 10.109, um mulçumano que espera escapar da ira de Alá e do tormento das chamas do Inferno, precisa esforçar-se diligentemente, para cumprir os requerimentos apresentados nos Cinco Pilares. Deus levantou profetas, através da história, para chamar os homens ao arrependimento. No Islamismo, a salvação é pelas obras. As obras de todas as pessoas serão pesadas numa balança. Se as boas superarem as más, tal pessoa irá para o paraíso. Os mártires irão todos para o paraíso. O inferno é para os não-mulçumanos. É um lugar de fogo e tormento indescritível.


Assim, como no Cristianismo, a existência de correntes de pensamentos quanto á Escatologia estão também na esfera Islã. A maioria dos mulçumanos aceita a idéia da existência do purgatório. O pecado imperdoável é associar algo ou alguém a Deus.


Os ortodoxos, por exemplo, obedecem literalmente aos ensinamentos do Corão e levam a extremo a sabedoria de Deus de forma que se arriscam a um fatalismo arbitrário e despótico. Os mutazilis defendem a unidade absoluta de Deus, suprimindo até a possibilidade de imaginá-lo, pois se trata de algo completamente diferente das coisas criadas. Não aceitam o Corão como está escrito simplesmente. Entendem que carece de interpretação. Para esse grupo, Deus não é apenas um ser soberano, mas também justo, que castiga os maus, mas sabe recompensar os bons. São considerados racionalistas.


É importante lembrar que os ensinamentos de Maomé sofreram certas modificações ou acréscimos, o que é natural e compreensível, devido às culturas dos povos que aceitaram o Islamismo.


A Escatologia Budista


O Budismo consiste num sistema ético, religioso e filosófico fundado pelo príncipe hindu Siddhartha Gautama (563-483 a.C.), ou Buda, por volta do século VI. O relato da vida de Buda está cheia de fatos reais e lendas, as quais são difíceis de serem distinguidas historicamente entre si. Mas quanto á sua Escatologia, está revelada e descrita em suas crenças e práticas.


O Budismo consiste no ensinamento de como superar o sofrimento e atingir o Nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. Também creem na lei do carma, segundo a qual, as ações de uma pessoa determinam sua condição na vida futura. A doutrina é baseada nas Quatro Grandes Verdades de Buda:


1. A existência implica a dor. O nascimento, a idade, a morte e os desejos são sofrimentos.
2. A origem da dor é o desejo e o afeto. As pessoas buscam prazeres que não duram muito tempo e buscam alegria que leva a mais sofrimento.
3. O fim da dor só é possível com o fim do desejo.
4. A superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos: Compreensão correta, Pensamento correto, Linguagem correta, Comportamento correto, Modo de vida correto, Esforço correto, Desígnio correto e Meditação correta.


É conhecendo a teologia Budista que chegamos aos conceitos escatológicos. No Budismo não existe nenhum Deus absoluto ou pessoal. A existência do mal e do sofrimento é uma refutação da crençaem Deus. Osque querem ser iluminados necessitam seguir seus próprios caminhos espirituais e transcendentais. Na Antropologia, o homem não tem nenhum valor e sua existência é temporária. As forças do universo procurarão meios para que todos os homens sejam iluminados (salvos).


Quanto a alma do homem, a reencarnação é um ciclo doloroso, porque a vida se caracterizaem transições. Todasas criaturas são ficções. O impedimento para a iluminação é a ignorância. Deve-se combater a ignorância lendo e estudando.


Desta forma, entendemos que a Escatologia Budista prega uma humanidade que está passando por um processo de evolução espiritual e que no fim de tudo todos os habitantes da terra poderão herdar a salvação.


A Escatologia Hindú


O Hinduísmo é a denominação do conjunto de princípios, doutrinas e práticas religiosas que surgiram na Índia, a partir de2000 a.C. O termo é ocidental e é conhecido pelos seguidores como Sanatana Dharma, do sânscrito (lembramos que é a língua original da Índia), que significa “a ordem permanente”. Está fundamentado nos quatro livros dos Vedas (conhecimento), um conjunto de textos sagrados compostos de hinos e ritos, no Século X, denominados de Rigveda, Samaveda, Yajurveda e Artharvaveda. Estes quatro volumes são divididos em duas partes: a porção do trabalho (rituais politeístas) e a porção do conhecimento (especulações filosóficas), também chamada de Vedanta . A tradição védica surgiu com os primeiros árias, povo de origem indo-européia (os mesmos que desenvolveram a cultura grega) que se estabeleceram nos vales dos rios Indo e Ganges, por volta de1500 a.C.


Não se consegue entender a Escatologia Hindu sem primeiro compreender seu conceito de espiritualidade. Segundo ensina o hinduísmo, os Vedas contêm as verdades eternas reveladas pelos deuses e a ordem (dharma) que rege os seres e as coisas, organizando-osem castas. Cadacasta possui seus próprios direitos e deveres espirituais e sociais. A posição do homem em determinada casta é definida pelo seu carma (a lei do carma atinge quase todas as religiões orientais). A casta à qual pertence um indivíduo indica o seu status espiritual. O objetivo é superar o ciclo de reencarnações (samsara), atingindo assim, o nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e de todo o Universo. O caminho para o nirvana, segundo ensina o hinduísmo, passa pelo ascetismo (doutrina que desvaloriza os aspectos corpóreos e sensíveis do homem), pelas práticas religiosas, pelas orações e pela ioga. Assim, a pessoa alcança a “salvação”, escapando dos ciclos da reencarnação. (Observe também que os orientais comungam alguns conceitos básicos de espiritualidade).


Tudo é deus, deus é tudo: o hinduísmo ensina, como no Panteísmo, que o homem está unido com a natureza e com o universo. O universo é deus, e estando unido ao universo, todos são deuses. Ensina também que este mesmo deus, é impessoal. Muitos deuses adorados pelos hindus são amorais e imorais.


O mundo físico é uma ilusão: no mundo tridimensional, designada de maya, o homem e sua personalidade não passa de um sonho. Para se ver livre dos sofrimentos (pagamento daquilo que foi feito na encarnação passada), a pessoa deve ficar livre da ilusão da existência pessoal e física. Através da ioga e meditação transcendental, a pessoa pode transcender este mundo de ilusões e atingir a iluminação, a liberação final. O hinduísmo ensina que a ioga é um processo de oito passos, os quais levam a culminação da pessoa transcender ao universo impessoal, no qual o praticante perde o senso de existência individual.


A lei do carma no hinduísmo: o bem e o mal que a pessoa faz, determinará como ela virá na próxima reencarnação. A maior esperança de um hinduísta é chegar ao estágio de se transformar no inexistente. Vir ser parte deste deus impessoal, do universo.


Krishna é a oitava encarnação do deus Vishnu, e é um dos avatares especiais do Hinduismo. Alega-se entre os muçulmanos, que Jesus foi uma encarnação de Krishna, tendo vivido uma vida muito semelhante. Esperam que haverá uma nova encarnação do avatar, que foi conhecido em vários períodos da história como Vishnu, Krishna e Jesus. Qualquer destes nomes pode ser usado por ele, mas ele vai também ser conhecido como o Avatar Kalki, o (Avatar do Cavalo Branco), visto que montará um cavalo branco.


O Avatar Kalki combaterá a serpente apocalíptica e obterá a vitória final sôbre o mal na Terra. Êle renovará a humanidade, tornando possível às pessoas viverem um vida pura e honrosa. As expectativas de todas as religiões serão realizadas nele, pois ele será o messias mundial que todos esperam.


A Escatologia Judaica


Historicamente, o judaísmo veio à existência quando foi firmado o pacto abraâmico. Desde o começo o judaísmo foi uma religião revelada e não uma religião natural ou filosófica.


A partir do chamado de Abraão para ser o pai de uma nação particular (a Palestina), a qual constituíra a Terra Prometida, Deus revelou uma mensagem na História que se destinava a tornar-se aplicável universalmente a todas as nações e todos os povos.


Mas a Teologia Judaica começa mesmo o seu desdobramento a partir da missão com Moisés e a Lei.


Os judeus são muitas vezes descritos como o povo do Livro, porque baseiam suas vidas pela revelação de Deus na Toráh. A Toráh são os cinco livros da Bíblia conhecidos como Pentateuco, que além da história contêm 613 mandamentos (ou obrigações). Nos livros encontram-se, leis, rituais, regras de higiene e leis morais. Para os judeus, as leis fazem parte de uma revelação de aliança com Deus.


Além da Toráh, os judeus possuem como escrituras o Tanach (Antigo Testamento), o Talmude (explicação do Tanach) e as Escrituras dos sábios.


A Escatologia Judaica possui uma ordem cronológica, que inclui até mesmo a construção do Templo.


A princípio, a vinda do Messias é o grande evento esperado pela nação judaica. A palavra hebraica Mashiach (ou Moshiach משיח) significa o Ungido e refere-se a um ser humano. Apesar de os cristãos usarem também a palavra “messias”, usam-na de forma diferente.


Para os sábios judeus, Jesus Cristo não possuía as credenciais necessárias para ser considerado o Ungido, vindo de Deus. Por isso, ainda estão a aguardar o Messias prometido, anunciado pelos profetas de Deus. Jesus é visto como um falso messias extremista ou como um bom rabi (mestre), que foi martirizado.


No Judaísmo, o fim do mundo é chamado de acharit hayamim (fim dos dias). Eventos tumultuosos abalarão a velha ordem do mundo, criando uma nova ordem na qual Deus é universalmente reconhecido como a nova Lei que organiza tudo e todos. Uma das sagas do Talmud diz “Deixe o fim dos dias chegar, mas eu não devo estar vivo para presenciá-lo“, porque os vivos na ocasião serão submetidos a tais conflitos e sofrimentos.


De acordo com essa tradição, o fim do mundo irá presenciar os seguintes eventos:


- Reunião dos judeus na terra geográfica de Israel .
- Derrota de todos os inimigos de Israel.
- Construção do terceiro Templo de Jerusalém e a restauração dos sacrifícios e serviços nele.
- Revitalização dos mortos ou ressurreição.


Naquele momento, o Messias judeu se tornará o monarca ungido de Israel.


Quanto ao sonho de reconstruir o templo é realista e biblicamente correto; um dia ele se realizará. A Bíblia ensina explicitamente que a reconstrução se tornará realidade. Mas a alegria será passageira e a adoração será interrompida. Como veremos através de alguns tópicos da história e da Bíblia, o novo templo não será nem o primeiro nem o último a ser erguido. Sua construção é certa, mas os dias turbulentos que a acompanharão também.

A Grande Verdade sobre a Escatologia Bíblica


A Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Foi dada ao homem por Deus para ser o absoluto, o supremo, o competente, o infalível e imutável padrão de fé e prática. Cremos firmemente que, embora as tempestades de desaprovação continuem a levantar-se contra a Palavra de Deus, a confiança do crente humilde nela é justificável e confirmada. Este volume sagrado é e sempre será o Livro de Deus.


Não obstante, lembramos que a única teoria que faz jus às reivindicações Bíblicas é a da inspiração Verbal Plenária. Ela ensina que apesar de Deus usar os escritores sacros em suas próprias línguas e estilos eles foram inspirados pelo Espírito Santo. Toda a Bíblia foi inspirada!
Quando entramos no campo da Escatologia Bíblica, devemos atentar para duas grandes verdades:


1. A Profecia Bíblica jamais erra. Os intérpretes sim. A Palavra de Deus jamais errou. Ela é infalível, mas por muito tempo, têm estado sob refém de interpretações particulares, equívocos teológicos, heresias e em nosso tempo uma avalanche de especulações apocalípticas. Qualquer erro ou equívoco quanto a acontecimentos em nossos dias, é de importante valia esclarecer, que, não deve ser colocado a Palavra de Deus sob suspeita, e sim a incoerência das muitas literaturas do gênero, as aventuras apocalípticas de determinados escritores e a falta de visão bíblica de alguns pregadores;


2. As Diversas Correntes de Interpretações Escatológicas caminham numa mesma direção. Nenhuma linha de interpretação Escatológica Protestante deve ser ignorada ou ridicularizada, pois todas elas, por mais diferentes que sejam, estão numa mesma direção Teológica. Diferente das interpretações da Escatologia das Religiões, a Escatologia Bíblica em qualquer visão consegue manter a pureza Doutrinária e do Evangelho, consegue preservar as verdades acerca de Deus e Sua soberania, Jesus O Cristo e o poder do sacrifício, mantendo seguro os princípios da Palavra de Deus. Sejam nos seminários ou escolas de teologia, todos os pensamentos devem ser expostos e apresentados em sua íntegra. Tanto o Pré-milenismo quanto o Amilenismo (principais correntes) contribuem com suas interpretações e ampliam o entendimento cristão quando estudadas ambas.


A Escatologia Bíblica se torna na Igreja de Cristo, o poder literário que mantém acesa a chama da esperança na volta de Jesus. É claro que esse poder literário vivo, vem diretamente do Espírito Santo, quando lemos, cremos e mantemos nossa fé na Palavra. Quando sabemos que a Escritura cumprirá, mesmo em meio às diversas opiniões, independe. É inquestionável que a Bíblia no decorrer da história permaneceu sem nenhum tipo de alteração em suas profecias. E mais inquestionável ainda é que essas profecias se cumpriram, outras irão se cumprir.


Crendo que muitos escritos curiosamente apresentam uma linguagem escatológica parecida com a Bíblia, mesmo com personagens diferentes, e conceitos espirituais de outro extremo, concluímos que qualquer literatura religiosa tem todo o direito de expor as profecias da Escatologia na visão de seus escritores. Enquanto isso a Bíblia Sagrada prossegue expondo as profecias da Escatologia na visão de Deus.


Littera scripta manet!


Fonte: http://www.napec.net/


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Igreja pode ter as portas abertas para quem sofre de transtornos mentais (Valter Gonçalves Jr.)



Estudo recentemente publicado no periódico inglês The Lancet, um dos mais importantes jornais médicos do mundo, mostra que 19% dos anos perdidos em razão de doenças crônicas no Brasil são conseqüência de transtornos mentais. Elas roubam mais tempo de trabalho e qualidade de vida dos brasileiros do que doenças cardíacas, diabetes ou câncer. É quase um quinto da vida do nosso povo a se perder em razão de distúrbios psiquiátricos. De autoria de um grupo de pesquisadores capitaneados pela professora Maria Inês Schimidt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o estudo joga um pouco de luz sobre um problema muitas vezes escondido ou ignorado pela sociedade. A carga de sofrimento costuma recair sobre quem, de forma quase sempre solitária, luta contra transtornos mentais incapacitantes. Além da dificuldade de vencer doenças que os arrancam do convívio social – em função de delírios, fobias, manias, variações de humor, ansiedade, vícios, depressão e desconexão com a realidade –, os portadores desses transtornos têm de conviver também com o terrível estigma da loucura.


Esquizofrenia, transtorno bipolar do humor (TBH, antes chamado de psicose maníaco-depressiva) e depressão, entre outras doenças, acometem um enorme contingente populacional. Só a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar estima em 15 milhões – o equivalente a 8% da população brasileira – o número de pessoas com a doença, em diferentes níveis de gravidade. Muitos demoram a reconhecer que precisam de ajuda médica e psicoterápica, enquanto se afastam de seu trabalho, de seus amigos e de suas famílias. E se a saúde pública no Brasil está muito longe do ideal, a situação de quem precisa de tratamento psiquiátrico pode ser dramática. “Os doentes mentais graves estão nas ruas ou nas prisões; há centenas de pessoas nos postos de emergência”, lamenta o psiquiatra Francisco Lotufo Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP), que aponta falta de leitos para atender as pessoas em momentos de crise.
Essa enorme quantidade de gente a buscar ajuda para enfrentar distúrbios – que, se não tratados, podem ser devastadores – vai bater nas portas das igrejas. A boa notícia é que, se elas estiverem preparadas, esta pode ser uma alternativa positiva. Autor de estudo sobre a ocorrência de doenças mentais em ministros religiosos, o professor Lotufo dá aula sobre religião e saúde na USP. Ele é um dos que entendem que a religiosidade pode ter papel positivo em relação aos transtornos mentais. “O antagonismo entre a fé e a psiquiatria é coisa do passado”, diz, contrariando o senso comum. Ele se baseia em estudos que mostram como a religião pode ter papel terapêutico – e ressalta que os sacerdotes costumam ser mais saudáveis do que a média da população.


“Os compromissos religiosos são benéficos. As evidências científicas apontam para isto. A taxa de mortalidade dos pacientes é menor. A frequência a um culto ajuda a dar estabilidade”, afirma, lembrando que no ambiente religioso costuma haver menos abuso de álcool e violência. “Confiar em Deus pode dar um sentido ao sofrimento, trazer um propósito, aumentar a esperança e diminuir a ansiedade”, continua o especialista, que identifica nas igrejas um enorme campo aberto para o trabalho voluntário e ministerial em favor das pessoas que sofrem com esses distúrbios. Ele considera que uma teologia saudável tende a ser boa aliada no tratamento de transtornos mentais. Mas distingue uma religiosidade mais profunda, com foco na fé em Deus, daquela que é só um meio para obter vantagens ou que se configura numa espécie de arma ideológica ou de manipulação. Quando a frequência a uma igreja é apenas um meio de ganhar status ou de impor o domínio sobre os outros, os efeitos benéficos da religiosidade se perdem, explica o professor.


“Há um perfil de sistema religioso não saudável, que condena os diferentes, impede a circulação de informação e encoraja a dependência da liderança, que por sua vez não costuma ser pastoral, mas focada em grandeza e em valores passageiros”, descreve. Lotufo lembra que existem “cultos totalitários”: nesse caso, “o pensamento tem categorias rígidas e Deus é sobretudo um Deus que pune”. O resultado pode ser o de abuso por parte de líderes, o que se torna mais grave se eles próprios têm alguma patologia, avalia Lotufo.

“MÚTUA COOPERAÇÃO”


“A prática cristã não nos isenta das mazelas da condição humana, o que inclui o adoecimento mental. Por outro lado, a fé não deixa de se manifestar, mesmo em meio às situações mais deploráveis”, afirma o psiquiatra Uriel Heckert, um dos fundadores do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC). “Lembro-me dos que, em meio ao desespero, lutam e oram a Deus para que os livre do suicídio. Outros se arriscam em situações que lhes causam grande ansiedade, firmados na confiança em Deus”, afirma. Segundo o médico, os psicóticos, em seus seus delírios, apegam-se com frequência a temas místicos na tentativa de reorganizar seu psiquismo. “Em toda experiência humana fica patente a busca por significado, o anseio pela proximidade com Deus”, atesta.


O terreno minado do fanatismo religioso não impede Heckert de caminhar na direção da convergência entre fé e ciência. “O fanatismo religioso é um fenômeno complexo, não redutível a entendimentos superficiais. De qualquer forma, Freud já demonstrou que radicalismos em posições religiosas podem representar defesa contra desejos não aceitos conscientemente”, explica. O médico entende que a psiquiatria e a religião não precisam se enfrentar. “O antagonismo tem dado lugar ao diálogo e mútua cooperação, a despeito de fundamentalismos ainda presentes tanto no campo científico como no religioso”.


Uriel Heckert também vê uma religiosidade com efeitos terapêuticos e uma outra, que pode ser doentia. “Paul Tournier (ver quadro), respeitado médico suíço, deixou-nos notável comparação entre o Evangelho da culpa e o Evangelho da graça de Deus”, distingue. “Já o pesquisador H.G. Koenig, da Duke University, nos Estados Unidos, fala claramente sobre os riscos para a saúde representados pelas religiões que se fundamentam na supervalorização da culpa. Por outro lado, aquelas que enfatizam o perdão mostram-se relacionadas favoravelmente à saúde”.


O psiquiatra argentino Carlos José Hernández fez dessa compreensão a sua bandeira, não só médica, como espiritual e também política. Em vez de poder e culpa, buscou dosar sua abordagem terapêutica com a noção de graça e de liberdade. Nos anos 1970, em plena ditadura militar, Hernández, que dirigia um hospital psiquiátrico em Posadas, na Argentina, arquitetou uma comunidade terapêutica, na qual os pacientes psiquiátricos não eram impedidos de sair, mas sim, estimulados a voltar para seguir com seu tratamento. “Naquela época, isso era uma bandeira política e ideológica: estávamos também lutando contra a ditadura”, conta o médico, referindo-se ao movimento antimanicomial.


Hernández, que professa a fé cristã, não vê a igreja como geradora de patologias ou neuroses. “Isto pode se dar em todos os grupos: sindicatos, partidos políticos, movimentos ativistas”, desmistifica. Ao mesmo tempo, enxerga um espaço para o sagrado no cuidado da mente. Ele é autor do livro O lugar do sagrado na terapia” (Editora Nascente, 1986). “Procuro unir no meu peito duas coisas que parecem muito distantes: fé e ciência”. Sua experiência de procurar humanizar o tratamento psiquiátrico, com um “hospital sem chaves”, ganhou o respeito da Organização Mundial de Saúde, que chegou a premiá-lo.

CUIDADO PASTORAL


Hernández aborda a desconfiança das pessoas que, ao se depararem com algum paciente com transtorno mental, creem estar diante de alguma manifestação demoníaca. O psiquiatra argentino dá uma dica, procurando mudar o foco: o olhar sai do doente para o observador que se pretende “são”. Ele cita a passagem bíblica em que Jesus Cristo se depara com o gadareno, que levava consigo uma legião de espíritos malignos. “Quanto mais se tenha inimigos que se queira destruir, que se queira matar, mais demônios se tem”, declara, pregando a vivência de uma fé amorosa e de uma igreja aberta aos diferentes – e, até, aos descrentes. Para Hernández, o remédio contra a alienação da mente é justamente o de buscar conexão com o outro.
A psicóloga Gláucia Pereira de Medeiros, também ligada ao CPPC, tem acompanhado, nos últimos anos, a mudança de entendimento da igreja evangélica quando se trata de lidar com os mais diversos distúrbios da mente e das emoções. De acordo com Gláucia, que atua há 25 anos no campo da psicologia clínica, com foco especial em psicoterapia familiar, a maioria dos seminários e líderes evangélicos têm deixado de lado as antigas restrições à psicologia e à psiquiatria a ponto de, hoje, muitos pastores se apaixonarem pela área e buscarem alguma formação na psicanálise, procurando até atuar como psicoterapeutas – não sem fortes críticas das sociedades de psicologia e psicanálise. A questão é que, para de fato atuar na área, é preciso ter formação completa.


“Em alguns casos, as pessoas podem perder o pastor e ganhar um psicanalista superficial”, observa Gláucia, salientando que esta não é a postura da maioria dos líderes. “O cuidado pastoral é insubstituível: é sempre bom perceber que os pastores têm a centralidade na sabedoria bíblica, na fé cristã. Então, eles podem buscar mais conhecimento sobre o comportamento humano, por meio da psicologia, mas sem abrir mão do seu papel”, diz, fazendo distinção entre o aconselhamento bíblico, pastoral, próprio das lideranças religiosas, e a psicoterapia, em seus diferentes ramos.


Gláucia, porém, observa como a idéia de buscar tratamento psicológico ou psiquiátrico ainda assusta muitos evangélicos. “Muitos ainda entendem que ir ao psicólogo é um fracasso espiritual. Então eles podem ter gripe ou dengue, mas não podem ter depressão ou síndrome do pânico. Há falta de conhecimento acerca das contingências humanas”, lamenta Gláucia.

ACOLHIMENTO


“Comunhão só é possível entre pessoas de verdade. E então é preciso tirar as máscaras. As pessoas precisam assumir quem de fato são, tanto em sua parte luminosa, quanto em sua parte sombria”, atesta, por sua vez, o pastor Ziel Machado, da Igreja Metodista Livre, de São Paulo. Ele procura estimular sua igreja – formada majoritariamente por integrantes da colônia japonesa – a ser uma verdadeira comunidade terapêutica, capaz de acolher pessoas que enfrentam os mais diversos distúrbios. “É preciso transformar a hostilidade da sociedade na qual vivemos em hospitalidade. Cada um tem pontos fortes e débeis. A sua área débil é a minha área de ministério, e vice-versa”.

Ziel revela que a igreja tem entre seus integrantes quatro pessoas com transtornos mentais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar. Algumas delas estão na comunidade há mais de 20 anos. Segundo o pastor, elas estão plenamente incluídas, e, quando estão bem, ajudam a igreja nas atividades do dia-a-dia, dentro das suas possibilidades. Além do acolhimento da comunidade, que tem cerca de 600 membros, há uma atenção especial para quem sofre de transtornos. “Acompanhamos, procuramos saber a realidade delas”, diz Ziel, salientando que a igreja tem entre seus membros profissionais de saúde mental, que ajudam nesse sentido. Assim, a pessoa é estimulada a seguir com seu tratamento e com a medicação prescrita pelo médico. “Verificamos se a pessoa está se medicando”, conta o pastor, que rejeita com firmeza a oposição entre fé e medicina. “Ninguém come oração em vez de pão. É a mesma relação com o tratamento e o remédio”, declara.


“O que nos ajudou bastante foi perceber que o desafio do cuidado é cada vez mais complexo e difícil. É preciso esse diálogo interdisciplinar”, revela. A tradição japonesa de zelar pelos idosos também ajuda a dar à igreja um perfil acolhedor. É que raramente, explica Ziel, os anciãos da comunidade vão para asilos. E os membros da igreja ajudam a diminuir a carga dos familiares que cuidam de seus idosos com Mal de Parkinson ou de Alzheimer. “Duas vezes por mês há o ‘dia do cuidado’”, explica. “Eles ficam na igreja o dia inteiro e têm diversas atividades. Os idosos reconstituem a autoestima, enquanto seus parentes podem tirar aquele tempo para descanso”.
Para Ziel, é uma pena que muitas igrejas estejam mais centradas no “evento” do culto do que na comunhão entre seus integrantes. E que o cuidado pastoral, muitas vezes, seja substituído pelo cuidado gerencial. “Não somos uma igreja perfeita. Não somos modelo para ninguém, mas nossa experiência pode encorajar outros. A gente procura levar as pessoas a sério”.

“Minha fé me ajuda a conviver com a doença”


“Sou evangélica desde criança e pertenço a uma Igreja Batista, assim como meu marido e parte da família. Tenho transtorno bipolar, e a minha fé é muito importante na convivência com esta doença. Estou estabilizada há dez anos. Por causa da fé, aceitei a condição de ter o transtorno mais facilmente, pois sei que Deus permitiu que eu tivesse isso e ele não dá um fardo mais pesado do que possamos carregar.


“Devido à doença, tenho me achegado mais a Deus, pela oração e pela leitura da Palavra. Há pessoas na minha família, sem fé, que não aceitam de forma nenhuma a doença que também possuem. Assim, a fé é um grande diferencial. Infelizmente o preconceito é forte em todos os meios. E a ignorância, principalmente no meio evangélico, leva as pessoas a duvidarem que o transtorno seja uma doença e a até pensarem que os doentes estão possuídos por demônios.


“Minhas piores crises eram de depressão. Nessa fase, as pessoas são um pouco mais solidárias, embora já tenha ouvido de muitos cristãos que ‘crente não tem depressão’. E perguntaram se não seria ‘opressão’. Certa ocasião, um pastor pentecostal tentou expulsar o demônio de mim. Mal começou e já parou dizendo que eu não precisava de oração. Noutra ocasião, eu estava mal, e o pastor da minha igreja esteve em casa e disse para o meu marido: ‘O problema não é espiritual; leve-a a um psiquiatra’.


“O Senhor tem colocado pessoas certas em nossa vida e tem me dado a estabilidade para eu poder cuidar do meu filho de 11 anos, que também tem transtorno bipolar. Outro dia, ele viu na TV um missionário dizer que transtorno bipolar é possessão demoníaca e então me pediu para mostrar na Bíblia que isto não é verdade. Deus me deu, então, este versículo: ‘Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca’ (I João 5:18).”


Cláudia Hoffmann é dona de casa e mora em São Paulo

“Eu tinha vergonha de minha doença”


“O transtorno afetivo bipolar do humor é um assunto complicado. Mas eu não poderia ser melhor acolhida em minha igreja e minha família. Glória a Deus por Isso! Meus pastores têm muito discernimento. Fui aconselhada assim: só os profissionais qualificados devem dar o tratamento, de acordo com o preparo que receberam e sua experiência profissional. As pessoas que recebem este diagnóstico devem seguir as orientações médicas. Uma pessoa não é só espiritual, mas emocional e bioquímica também.


“Eu sentia os sintomas desde que me conheço por gente: inconstância emocional, tristezas repentinas, e de repente alegria estonteante, tudo sem razão. Vivia em uma gangorra emocional, o que complicava minha vida em todos os sentidos. E se acontecesse alguma perda, como um falecimento, ficava até meses de cama, com muita depressão. Mas sempre temi procurar tratamento com psiquiatras e psicólogos, pois temia ser chamada de louca. Eu mesma tinha preconceito.


“Depois de pensamentos insistentes de suicídio, decidi procurar ajuda profissional. Coloquei Deus à frente de tudo, orei muito para que ele me direcionasse. Conversei com meus pastores e minha família e recebi todo o apoio deles. Aceitei o tratamento, tomo direitinho os meus remédios e tenho encontros a cada 50 dias com a psiquiatra e todas as semanas com a psicóloga. Vivo muito bem. Tenho, às vezes altos e baixos normais, que todo mundo tem. Eu tinha extrema dificuldade, muita vergonha da doença. Hoje, não – apenas não deixo que me rotulem como ‘bipolar’: sou muito mais que isto, sou uma filha amada do Senhor!


“Recebo e-mails de bipolares ou parentes de bipolares. Eles me encontram pelo blog e pedem conselhos. Querem saber como lido com a bipolaridade sendo evangélica. Sei o quanto é grande a responsabilidade; se Deus não me direcionasse, não saberia o que escrever. Tenho a possibilidade de falar de Jesus para essas pessoas, e as tenho aconselhado a também aceitar o tratamento, pois a maioria não aceita. Tento ajudá-las a enfrentar suas lutas, pois estamos todos juntos nessa!”


Marly Ribeiro mora no Rio de Janeiro e tem um blog (paraabencoarsuavida.blogspot.com) sobre bipolaridade

Fé e medicina


Ao contrário do que muitos podem pensar, a aproximação entre a fé evangélica e os cuidados médicos com a saúde mental não é coisa recente. O psiquiatra suíço Paul Tournier (1896-1986) começou sua carreira médica em 1924 e, a partir de 1937, passou a combinar a medicina com o aconselhamento cristão. Seu primeiro livro, intitulado “Medicina da pessoa” (1940), promovia a visão de um tratamento integral aos pacientes. O legado de Tournier teve grande impacto sobre os aspectos psicossociais do tratamento médico. Algumas de suas obras foram lançadas em português, como Culpa e graça, Os fortes e os fracos e Mitos e neuroses (Editora ABU) .

GLOSSÁRIO


Esquizofrenia - Caracteriza-se por uma desorganização ampla dos processos mentais, com sinais e sintomas na área do pensamento, percepção e emoções. Causa grandes prejuízos ocupacionais e nas relações interpessoais e familiares. A doença tem manifestações psíquicas, que começam no fim da adolescência ou início da idade adulta, e é crônica, com tendência à deterioração da personalidade. O indivíduo perde o sentido de realidade e fica incapaz de distinguir a experiência real da imaginária


Transtorno bipolar de humor - O transtorno bipolar do humor (TBH) é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Elas vão da alternância de estados de alegria e tristeza até oscilações patológicas acentuadas, com episódios de mania, hipomania, depressão e mistos. O TBH pode ser acompanhado de delírios, com crenças irreais sobre as próprias capacidades: o paciente pensa ter muitos dons ou poderes especiais. O comportamento pode ser inadequado, provocador, intrometido, agressivo ou de risco. A doença tem grande impacto na vida do paciente, de sua família e da sociedade, causando prejuízos em vários setores da vida, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico

Depressão – Afeta o estado de humor do paciente, deixando-o com um predomínio anormal de tristeza. Afeta pessoas de qualquer faixa etária e é desencadeada por fatores genéticos e neuroquímicos, somados a elementos ambientais, sociais e psicológicos

FONTE: ABC da Saúde (abcdasaude.com.br)




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A química do cigarro

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