quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CPAD lança livro "Planejamento e Gestão Eclesiástica" de autoria do Pr. Wagner Gaby e Pr. Eliel Gaby



A CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus, lançou o livro de autoria do Pr. Wagner Gaby e do Pr. Eliel Gaby, "Planejamento e Gestão Eclesiástica".

Administrar é um processo que envolve planejamento, organização, direção e controle, com a finalidade de promover o bom uso dos recursos.

Administrar é saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas; saber decidir e solucionar problemas; saber lidar com pessoas; comunicar eficientemente, conduzir mudanças, obter cooperação e solucionar conflitos.

Ter uma visão sistêmica e global da estrutura da organização; ser proativo, ousado e criativo; ser um bom líder; gerir com responsabilidade.

Na busca por uma administração dinâmica e diferenciada, alguns gestores buscam soluções no mundo empresarial para aplicá-las na igreja, fazendo de forma simplória, muitas vezes, uma comparação da igreja à de uma empresa. Mas embora a igreja possua características de outras organizações, ela é uma instituição diferenciada em sua essência, e alguns pontos precisam ser considerados.


O livro Planejamento e Gestão Eclesiástica já está disponível nas lojas da CPAD em todo Brasil e nas principais livrarias evangélicas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Igrejas estão proibidas de fazer anúncios dizendo “Deus pode curar você”



Denúncia no Reino Unido de “publicidade enganosa” gera revolta entre cristãos.
Jesus pode curar qualquer doença? A Bíblia diz que sim, mas a entidade reguladora da publicidade na Grã-Bretanha está impedindo anúncios que proclamam o poder de Deus.

A Advertising Standards Authority, ou ASA, disse a missão Healing on the Streets [Cura nas ruas] (HOTS) está fazendo alegações falsas sobre a capacidade de curar pessoas doentes pela fé. O ASA está forçando a HOTS mudar seu slogan de “Deus pode curar você” para “Acreditamos que Deus pode curar você”.

“Nós pedimos que o HOTS não faça afirmações explícitas ou implícitas que, ao receber uma oração de seus voluntários, as pessoas podem ser curadas”, explicou o ASA, em um comunicado. ”Também dissemos para eles não citarem em seus anúncios doenças que necessitam de supervisão médica… [os anúncios] poderiam estimular falsas esperanças. Eles foram irresponsáveis”.

A tentativa de impedir a propaganda da missão ocorreu após a inglesa Hayley Stevens fazer uma queixa formal no órgão.

“Fiquei bastante preocupada com as afirmações que eles fazem sobre doenças e problemas de saúde que este grupo parecia querer resolver apenas com uma oração”, escreveu ela em seu blog.

O motivo seria um folheto distribuído pela missão que afirma: “Deus pode ​​te curar de qualquer doença: úlceras, depressão, alergias, fibromialgia, asma, paralisia, fobias, distúrbios do sono”.

A missão HOTS planeja apelar à decisão. O grupo considera “estranho” que um órgão publicitário tente impedi-los de propagar a fé cristã.

As regras sobre publicidade do Reino Unido estão entre as mais duras do mundo. ”O ASA ainda exigiu que assinássemos um documento concordando em não afirmar o que cremos. Isso é inaceitável, pois seria absurdo eles pedirem a qualquer grupo de não fizesse declarações sobre suas crenças religiosas ou filosóficas”, disse um representante da HOTS. ”Reconhecendo algumas das preocupações da ASA, mas há certas coisas que não podemos concordar, incluindo a proibição de expressarmos nossas crenças”.

Fonte: Notícias Cristãs com informações, tradução e adaptação de Charisma News e Religion News via Gospel Prime.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

No mundo todo, nunca se viu tanta gente optar por viver sem companhia



“Seres humanos são animais sociais”, cunhou o imperador romano Marco Aurélio no século dois depois de Cristo. De fato, tudo leva a crer que somos mesmo feitos para a vida em grupo. Nossos ancestrais aprenderam desde cedo a buscar nos outros proteção contra predadores, ajuda na hora da caça e parceiros para se reproduzir.

Das cavernas aos kibutz, em família, em grupos, em bandos, as sociedades humanas se organizaram em torno da ideia de que a vida faz sentido se vivemos juntos. Mas será que isso continua válido hoje?

“Nenhuma sociedade na história da humanidade teve uma porcentagem tão grande de pessoas vivendo sozinhas”, explica o sociólogo norte-americano Eric Klinenberg, da Universidade de Nova York.

Nos Estados Unidos, esse movimento pôde ser percebido já na década de 1950. Desde então, o número de pessoas que moram sozinhas vem crescendo exponencialmente. Em 1950eram 4 milhões, o equivalente a 9% da população adulta. Em 2012 são 31 milhões, o que eleva a porcentagem a 28%.

Longe de se restringir aos EUA, o fenômeno parece ter escala planetária. No Japão, 30% das moradias abrigam pessoas vivendo sem companhia Na Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, o número chega a 45%.

O Brasil não fica de fora. Por aqui, o número de pessoas que optam pela vida solo triplicou nos últimos 20 anos, passando de 2,4 milhões para 6,9 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Entender as razões desse fenômeno e o impacto que ele provoca nas várias áreas da nossa vida, é o objetivo de Eric Klinenberg no livro “Going Solo: The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone” (algo como “Sem companhia: o avanço extraordinário e o surpreendente fascínio de viver sozinho”, em tradução livre), lançado em janeiro deste ano.

De acordo com o sociólogo, a primeira conclusão é que esse movimento nunca seria possível sem desenvolvimento econômico.

“Viver sozinho custa caro. Esse é um dos motivos que explica porque os países que têm apresentado aumento mais significativo no número de pessoas vivendo sozinhas são China, Índia e Brasil”, diz o sociólogo.

Outros fatores como o culto do individualismo, a emancipação e a independência financeira das mulheres, o crescimento das cidades, o ‘boom’ da indústria de entretenimento, a sofisticação e a democratização dos meios de comunicação, também não podem ser ignorados.

“Viver sozinho acaba sendo visto como uma forma de usufruir de um leque imenso e sempre renovável de oportunidades criadas pela vida moderna”, diz o sociólogo no seu livro.

A artista plástica Carolina Paz, 36, mora sozinha há quase 18 anos. Para ela, além de poder trabalhar de casa sem dispersões, conta a favor o sentimento de liberdade que a experiência propicia. “Acho incrível (morar sozinha)! Uma das minhas prioridades na vida é ser uma pessoa autônoma”, relata.

Entre os mais de 300 entrevistados pelo sociólogo norte-americano para compor o livro, o argumento em prol da soberania no próprio lar foi um dos mais recorrentes. Ao lado da garantia de liberdade, alinhavaram-se a flexibilidade e a possibilidade de viver as próprias escolhas.

“Viver sozinho permite que você tenha seus próprios horários e isso propicia uma sensação enorme de liberdade”, diz, Klinenberg antes de acrescentar: “você pode acordar quando quer, dormir quando quer... Esse tipo de liberdade pode proporcionar muito prazer quando se vive em uma cidade grande e vivemos guiados por horários e compromissos”.

Vida social é tudo

Para os que acham que morar sozinho é sinônimo de solidão, Klinenberg deixa claro que essa opção por viver sozinho não inclui, necessariamente, o isolamento, muito pelo contrário.

“Uma das descobertas da pesquisa foi que a maior parte dos norte-americanos que vivem sozinhos passa mais tempo com amigos e vizinhos do que pessoas casadas, por exemplo”, garante. “Pessoas que dividem a casa com outras tendem a viver em círculos mais restritos, passam muito tempo com a própria família. Não saem tanto”.

A possibilidade de manter uma vida social ativa é um aspecto primordial dessa experiência de viver só e, nesse sentido, hoje é bem difícil alguém ficar realmente sozinho numa cidade grande, com acesso a internet, banda larga, wifi, Skype, e todo tipo de facilidades para se comunicar instantaneamente com qualquer um em qualquer lugar do planeta, amigos ou desconhecidos.

“A tecnologia nos permite ficar sozinhos em casa e socializar ao mesmo tempo, mantendo-nos conectados de diferentes formas, via Skype, programas de mensagem instantânea, e-mail...”, diz Klinenberg.

Carolina parece concordar. “Sou extremamente sociável. Eu não vivo bem sozinha, preciso muito estar cercada de pessoas”, confessa. Por isso, a rotina da artista plástica é sempre agitada: ela frequenta exposições, trabalha em um ateliê junto com outros artistas e coordena um grupo de estudos em artes visuais.

Nem todo mundo, no entanto, consegue lidar bem com a questão do isolamento no dia a dia. Denise Diniz, psicóloga coordenadora do setor de Gerenciamento de Stress e Qualidade de Vida da Universidade Federal de São Paulo, não só concorda que manter uma vida social ativa é essencial para o bem-estar e não pode ser negligenciada, sobretudo por aqueles que vivem sós, como recomenda um cuidado adicional:

“Você pode ser proativo em relação ao seu estilo de vida. Se perceber que está ficando deprimido deve ampliar suas redes sociais ou buscar um parceiro afetivo. Morando sozinho ou acompanhado, o homem é um ser social”, diz a psicóloga.

“O mundo não vem a você enquanto você espera sentado em seu apartamento”, corrobora Klinenberg.

E nessa hora, as mulheres aparentemente levam alguma vantagem em relação aos homens. O sociólogo percebeu durante a pesquisa que as mulheres tendem a viver melhor por conta própria do que os homens, justamente por serem seres mais sociáveis.

“Homens têm maior probabilidade de se afastar de amigos e família. Muitos, sobretudo os mais velhos, estão em relacionamentos nos quais as mulheres assumem a maior parte da vida social do casal”, constata.

Tem que ter autoestima

Para Denise, no entanto, é importante que a pessoa olhe para si mesmo antes de tomar a decisão de abandonar os colegas de quarto. “Só você pode determinar se naquele momento está precisando morar sozinho ou viver sob o mesmo teto que outra pessoa”, diz.

Para que dê certo, autoestima é fundamental. “More sozinho ou more com alguém, você tem que se relacionar muito bem com você mesmo”, explica.

Se não estivesse bem consigo mesma, Carolina não conseguiria usufruir da liberdade, “desfrutar da própria companhia”, como diz, e curtir bons momentos em seu universo particular. “Às vezes preciso de 24 horas só minhas. Pego um sábado ou um domingo para ficar trancada em casa fazendo uma maratona de alguma série de TV e comendo brigadeiro de panela”, conta.

Fonte: Rafael Bergamaschi, iG São Paulo | 10/02/2012.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Jesus Cristo Histórico por Mário Sérgio Cortella - Programa Canal Livre / BAND

Entrevista do filósofo Mário Sérgio Cortella, ao Canal Livre, programa de debates exibido pela Rede Bandeirantes de Televisão aos domingos à noite.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrevista de Leonardo Boff (Programa É Notícia - Rede TV)

Assista a entrevista do Teólogo Leonardo Boff ao Programa É Notícia, exibido pela Rede TV, apresentado por Kennedy Alencar. (Aprecie com moderação)





segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Por que não aceito os evangelhos apócrifos (por Augustus Nicodemus Lopes)




Vamos iniciar perguntando o que é um “evangelho”. O termo é a tradução da palavra grega euaggelion, “boas novas”, usada a princípio para se referir ao conteúdo da mensagem de Jesus Cristo e dos seus apóstolos. Posteriormente, a palavra veio se referir a um gênero literário específico que nasceu com o Cristianismo no séc. I. Lembremos que o Cristianismo, em termos culturais, ocasionou o surgimento, não somente de novas músicas, mas também de gêneros literários como epístolas e evangelhos.

Esse novo gênero literário tinha algumas características distintas. Incluía obras escritas entre o séc. I e o séc. IV por autores cristãos que giravam em torno da pessoa de Cristo, sua obra e seus ensinamentos. Essas obras reivindicam autoria apostólica ou de alguma outra personagem conhecida da tradição cristã. Reivindicavam também que seu conteúdo remontava ao próprio Jesus.

Existem centenas de “evangelhos” conhecidos. Alguns são apenas mencionados na literatura dos Pais da Igreja e deles não temos qualquer amostra do conteúdo. Outros sobreviveram em fragmentos ou reproduzidos em parte em outras obras, como, por exemplo:

Evangelho dos Hebreus
Evangelho dos Ebionitas (ou dos Doze Apóstolos)
Evangelho dos Egípcios
Evangelho Desconhecido
Evangelho de Pedro, para mencionar alguns.

Já outros, sobreviveram em cópias completas ou quase, como:

Os Evangelhos canônicos de Mateus, de Marcos, Lucas e de João,
Evangelho de Tomé
Evangelho de Judas
Evangelho de Nicodemus
Proto-Evangelho de Tiago
Evangelho de Tomé o Israelita
Livro da Infância do Salvador
História de José, o Carpinteiro
Evangelho Árabe da Infância
História de José e Asenate
Evangelho Pseudo-Mateus da Infância
Descida de Cristo ao Inferno
Evangelho de Bartolomeu
Evangelho de Valentino, entre outros.

Esses evangelhos são tradicionalmente classificados em canônicos e apócrifos.

Evangelhos Canônicos

Nessa primeira categoria se enquadram somente 4 evangelhos, os Sinóticos e João. Conforme a tradição patrística e da Igreja em geral, eles foram escritos no séc. I pelos apóstolos de Jesus Cristo ou alguém do círculo apostólico. Marcos teria sido o primeiro a ser escrito, no início da década de 60, por João Marcos, que segundo a tradição, registrou o testemunho ocular de Simão Pedro. Ele escreveu aos cristãos de Roma para ajudá-los e fortalecê-los diante das perseguições.

Mateus teria sido escrito em meados da década de 60 por Mateus, o publicano apóstolo, para evangelizar os judeus, a partir do seu testemunho ocular e usando talvez o Evangelho de Marcos como base para a estrutura da narrativa.

Lucas, escrito pelo médico gentio Lucas, convertido ao Cristianismo, que foi companheiro de viagem de Paulo e que freqüentava o círculo apostólico, teria produzido esse evangelho pelo final da década de 60, a partir de pesquisa que fez da tradição oral e escrita que remontava aos próprios apóstolos. Seu objetivo, conforme declaração no início da obra Lucas-Atos, era firmar na fé um nobre romano chamado Teófilo.

Já o Evangelho de João teria sido escrito pelo apóstolo amado por volta da década de 70 ou 80, com aparentemente vários objetivos, entre eles combater o crescimento do gnosticismo. João escreve a partir de seu testemunho ocular, a partir do seu entendimento acerca da pessoa e da obra de Cristo.

Esses 4 evangelhos cedo foram reconhecidos pela Igreja cristã nascente como inspirados por Deus e autoritativos, como Escritura Sagrada, visto que seus autores foram apóstolos, a quem Jesus havia prometido o Espírito Santo para os guiar em toda a verdade (Mateus e João), ou alguém proximamente relacionado com eles (Lucas e Marcos). Assim, eles aparecerem em listas importantes dos livros recebidos como canônicos pela igreja, como o Cânon Muratório (170 d.C.), a lista de Eusébio de Cesareia (260-340) e a lista de Atanásio (367).

Os demais evangelhos, chamados de apócrifos, implicitamente reconhecem a validade do critério canônico da apostolicidade, ao reivindicar para si também a autoria apostólica e o conhecimento de segredos que não foram revelados aos apóstolos.

Evangelhos Apócrifos

O nome vem do grego apocryphon, “oculto”, “difícil de entender”. Esses evangelhos são geralmente classificados em narrativas da infância de Jesus, narrativas da vida e da paixão de Jesus, coleção de ditos de Jesus e diálogos de Jesus.

As narrativas da infância mais conhecida são o Proto-Evangelho de Tiago, Evangelho de Tomé o Israelita, o Livro da Infância do Salvador, a História de José, o Carpinteiro, o Evangelho Árabe da Infância, a história de José e Asenate e o Evangelho Pseudo-Mateus da Infância. Entre as narrativas da vida ou paixão de Cristo mais importantes se destacam o Evangelho de Pedro, o Evangelho de Nicodemus, o Evangelho dos Nazarenos, o Evangelho dos Hebreus, o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho de Gamaliel.

Existem apenas dois que se enquadram na categoria de coleção de ditos de Jesus, o Evangelho de Tomé e o suposto documento Q (quelle, “fonte” em alemão), do qual não se tem prova concreta da existência. Na categoria de diálogos de Jesus com outras pessoas e revelações que ele fez em secreto mencionamos o Diálogo com o Salvador e o Evangelho de Bartolomeu.

Essas obras são chamadas de evangelhos apócrifos por que não são considerados como obras genuínas, produzidas pelos apóstolos ou pelos supostos autores. Além disso, pretendem transmitir um conhecimento esotérico, oculto, além daquele conhecimento dos apóstolos. Em grande parte, esses evangelhos foram escritos por autores gnósticos com o propósito de difundirem as suas idéias no meio da igreja, usando para isso a autoridade dos evangelhos canônicos e dos apóstolos. Alguns deles foram encontrados século passado em Nag Hammadi, norte do Egito.

O Proto-evangelho de Tiago, por exemplo, escrito no século II, que descreve o nascimento e a infância de Jesus e a juventude da Virgem Maria, é tipicamente uma tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse "evangelho" é a de um docetismo popular: Jesus tem um corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus.

Outro exemplo é o Evangelho da Verdade. Esse não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do século II e por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico. Na mesma linha vai o Evangelho de Filipe, escrito antes de 350. É, evidentemente, uma compilação de materiais mais antigos. O texto causou certo sensacionalismo quando da sua publicação, porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. O Evangelho de Pedro – um fragmento que se conservou – descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Sua cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. Conforme esse evangelho, o corpo de Jesus se volatiliza na cruz antes de subir ao céu.

É preciso dizer que existem vários destes evangelhos apócrifos que foram compostos por autores cristãos desconhecidos, não gnósticos, e que aparentam refletir um tipo de cristianismo popular marginal. A maior parte deles pretende suprir a falta de informação histórica nos evangelhos canônicos, fornecendo detalhes sobre a infância de Jesus, diálogos dele com os apóstolos, informações sobre Maria e demais personagens que aparecem nos evangelhos tradicionais. Em alguns casos, parece que foram escritos para defender doutrinas não apostólicas e que estavam começando a ganhar corpo dentro do Cristianismo, como por exemplo, o conceito de que Maria é mãe de Deus e medianeira. O Proto-Evangelho de Tiago, já do séc. III, explica porque Maria foi a escolhida: por sua virgindade e santidade, e a defende como mãe de Deus e medianeira.

Alguns contém exemplos morais não recomendáveis. Por exemplo, o Evangelho de Tomé, o Israelita, narra diversos episódios em que o menino Jesus amaldiçoa e mata quem fica em seu caminho. Quase todos são recheados de histórias lendárias e bobas, como o Evangelho de Nicodemus, que narra como José de Arimatéia, Nicodemus e os guardas do sepulcro se tornaram testemunhas da ressurreição de Jesus. É um livro cheio de lendas, fantasias e histórias fantásticas.

Os evangelhos apócrifos usaram diversas fontes em sua composição: o Antigo Testamento, os próprios evangelhos canônicos e as cartas de Paulo. Usaram também tradições cristãs extra-canônicas, de origem desconhecida e suas próprias idéias e conceitos.

A Atitude da Igreja para com os Evangelhos Apócrifos

No período pós-apostólico alguns desses Evangelhos chegaram a ser recebidos por um tempo, como leitura proveitosa, como o Evangelho de Pedro, a princípio recomendado por Serapião, bispo de Antioquia em 191 d.C., mas depois, ele mesmo reconhece que ele tem elementos estranhos e o desrecomenda. Assim, nenhum deles jamais foi reconhecido como autêntico e apostólico.

Desde cedo a Igreja Cristã rejeitou estas obras, pois não preenchiam o critério de canonicidade: não foram escritas pelos apóstolos ou por alguém ligado a eles, contradiziam a doutrina cristã, tinham exemplos e recomendações morais e éticas pouco recomendáveis, e seus autores falsamente atribuíram a autoria aos apóstolos, como por exemplo, o Evangelho de Tomé, de Pedro, de Bartolomeu, de Filipe. Além do mais, suas histórias fantásticas acerca de Cristo claramente revelavam seu caráter especulativo e supersticioso, ao contrário da sobriedade e da seriedade dos evangelhos bíblicos. Não é de admirar, portanto, que eles não aparecem em nenhuma das listas canônicas, onde os 4 evangelhos canônicos aparecem.

Aqui cabe-nos mencionar o testemunho de Eusébio em sua História Eclesiástica, ao falar do Evangelho de Pedro, Tomé e Matias:

"Nenhum desses livros tem sido considerado digno de menção em qualquer obra de membros de gerações sucessivas de homens da Igreja. A fraseologia deles difere daquela dos apóstolos; e opinião e a tendência de seu conteúdo são muito dissonantes da verdadeira ortodoxia e claramente mostram que são falsificações de heréticos. Por essa razão, esse grupo de escritos não deve ser considerado entre os livros classificados como não autênticos, mas deveriam ser totalmente rejeitados como obras ímpias".

Essa postura prevaleceu até a Reforma Protestante e o período posterior chamado de ortodoxia protestante. Com a chegada do método histórico-crítico, filho do Iluminismo e do racionalismo, passou-se a negar a autoria apostólica e a inspiração divina dos Evangelhos canônicos. Os mesmos passaram a ser vistos como produção da fé da Igreja, sem valor real para a reconstrução do Jesus histórico. Dessa perspectiva, os evangelhos apócrifos chegaram então a ser considerados como literatura tão válida como os canônicos para nos dar informações sobre o Cristianismo nascente, embora não sobre o Jesus histórico.

O renascimento do interesse pelos evangelhos apócrifos, em particular, os gnósticos.

A partir da visão crítica defendida pelo liberalismo teológico e pelo método histórico-crítico, em anos recentes os evangelhos escritos pelos gnósticos passaram a receber grande atenção e importância nos estudos neotestamentários das origens do Cristianismo e na chamada busca do Jesus histórico.

Vários fatos têm contribuído para isso. Primeiro, o surgimento do Jesus Seminar nos Estados Unidos, considerada a 3ª. etapa da busca do Jesus histórico iniciada pelos liberais do século XVIII. Um de seus membros mais conhecidos, cujas obras têm sido traduzidas e publicadas no Brasil é John Dominic Crossan. Em sua obra O Jesus Histórico: A vida de um camponês judeu do mediterrâneo de 1991, ele emprega os apócrifos Evangelho de Pedro e especialmente o Evangelho de Tomé para a reconstrução do Jesus histórico. Segundo Crossan, essas duas obras são mais antigas que os Evangelhos canônicos e contém informações importantes que não foram incluídas em Mateus, Marcos, Lucas e João. Essa atitude de Crossan é característica dos demais membros do Jesus Seminar e de muitos outros eruditos neotestamentários, que aceitam a autoridade dos evangelhos apócrifos, especialmente os gnósticos, acima daquela dos canônicos. Aqui podemos mencionar Elaine Pagels, cuja obra Os Evangelhos Gnósticos, recentemente traduzida e publicada em português, vai nessa mesma direção.

Segundo, a publicidade e o sensacionalismo da grande mídia em torno da descoberta e publicação dos textos dos evangelhos gnósticos, como o Evangelho de Judas e de Tomé. A mídia tem difundido a teoria de que a Igreja cristã teria ocultado e guarda até hoje outros evangelhos que remontam à época de Jesus e que contradiriam e refutariam totalmente o Cristianismo tradicional e ortodoxo. A veiculação pela mídia vai na mesma linha de propaganda e especulações anticristãs voltadas mais diretamente contra a Igreja Católica Romana e que acaba respingando nos protestantes, especialmente as igrejas históricas. Em 2004 foi o Evangelho de Tomé. Em 2006 foi a vez do Evangelho de Judas ganhar a capa de revistas populares pretensamente científicas. A ignorância dos articulistas, o preconceito anticristão, a busca do sensacionalismo, tudo isso contribuiu para que a publicação do manuscrito copta do Evangelho de Judas recebesse uma atenção muito maior do que a devida. Em 2007 foi a suposta sepultura de Jesus, uma inscrição antiga contendo o nome de Tiago, irmão de Jesus, e outras “descobertas” arqueológicas, fizeram a festa da mídia em anos mais recentes.

Não se deve pensar que essa atitude é um fenômeno atual. Desde os primórdios do Cristianismo, escritores pagãos como Celso e Amiano Marcelino publicam material atacando as Escrituras e o Cristianismo. Estou acostumado a assistir, anos a fio, a exploração sensacionalista dessas descobertas. Quando da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e das polêmicas e questões inclusive legais que envolveram a tradução e a publicação dos primeiros rolos, a imprensa da época especulava que os Manuscritos representariam o fim do Cristianismo, pois traria informações que contradiriam completamente o Evangelho. Os anos se passaram e verificou-se a precipitação da imprensa. Os rolos na verdade tiveram o efeito contrário, confirmando a integridade e autenticidade do texto massorético do Antigo Testamento.

Terceiro, produções de Hollywood como “O Código da Vinci”, “O Corpo”, “Estigmata”, “A última Ceia de Cristo” que se baseiam nesses evangelhos gnósticos têm servido para difundi-los popularmente.

O Evangelho de Judas

Examinemos mais de perto os dois evangelhos gnósticos que têm atraído recentemente a atenção da academia e do público em geral, que são os evangelhos de Judas e de Tomé.

O Evangelho de Judas preservou-se em um manuscrito copta do século IV, que supostamente conteria uma tradução do evangelho apócrifo grego de Judas, cuja origem é estimada em meados do século II. A restauração e a tradução do manuscrito copta foram anunciados em 6 de abril de 2006, pela National Geographic Society em Washington.

Não se trata da descoberta do Evangelho de Judas. O mesmo já é um velho conhecido da Igreja cristã. Elaborado em meados do século II, provavelmente na língua grega, era conhecido de Irineu, um dos pais apostólicos. Na sua obra Contra as Heresias, Irineu o menciona explicitamente, como sendo uma obra espúria produzida pelos gnósticos da seita dos Cainitas. No século V o bispo Epifânio critica o Evangelho de Judas por tornar o traidor em um feitor de boas obras.

Não se trata também da descoberta de um manuscrito antes desconhecido contendo essa obra. Acredita-se que o único manuscrito conhecido, escrito em copta, foi descoberto em meados da década de 1950 e depois de uma longa peregrinação nas mãos de colecionadores, bibliotecas, comerciantes de antiguidades e peritos, chegou às mãos das autoridades. Sua existência foi anunciada ao mundo em 2004. Trata-se de um códice com 25 páginas de papiro, envoltas em couro, das 62 páginas do códice original. Somente essas 25 páginas foram resgatadas pelos especialistas. A tradução que veio a lume em 2006 é dessas páginas.

O que é de fato novo é a tradução do texto desse apócrifo, texto até então desconhecido. Contudo, o ponto central que a mídia tem destacado com sensacionalismo, já era conhecido mediante as citações de Irineu e Epifânio, ou seja, que esse evangelho procura reabilitar Judas da pecha de traidor, transformando-o em vítima e herói.

Várias matérias publicadas na mídia diziam que Judas Iscariotes é o autor desse evangelho. Contudo, não existe prova alguma disso. Segundo o relato dos quatro Evangelhos canônicos, Judas suicidou-se após a traição. Como poderia ser o autor dessa obra? Irineu, no século II, atribuía a autoria do evangelho de Judas aos Cainitas, uma seita gnóstica. No códice descoberto e agora publicado, não consta somente o evangelho atribuído a Judas, mas duas obras a mais: a “Carta a Filipe” atribuída ao apóstolo Pedro e “Revelação de Jacó”, relacionado com o patriarca hebreu. A presença do evangelho de Judas em meio a essas duas obras apócrifas é mais uma prova da autoria espúria desse evangelho. Chega a ser irritante o preconceito da mídia, que sempre veicula matérias que negam a autoria tradicional dos Evangelhos canônicos, mas que rapidamente atribui a Judas Iscariotes a autoria desse apócrifo.

O manuscrito que agora foi traduzido não data do século II, mas do século IV. Especula-se que é uma tradução para o copta de uma obra mais antiga escrita em grego, que por sua vez dataria de meados do século II. Daí a inferir a autoria de Judas Iscariotes, que morreu na primeira parte do século I, vai uma grande distância. A seita dos Cainitas, segundo Irineu em Contra as Heresias, era especialista em reabilitar personagens bíblicas malignas, como Caim, os sodomitas e Judas. A produção de um evangelho reabilitando o traidor se encaixa perfeitamente no perfil da seita.

Ao final, pesando todos os fatos e filtrando o sensacionalismo e o preconceito anticristão, a publicação do evangelho de Judas em nada contribuirá para nosso conhecimento do Judas Iscariotes histórico e muito menos do Jesus histórico – servirá apenas para nosso maior conhecimento das crenças gnósticas do século II. Não representa qualquer questionamento sério do relato dos Evangelhos canônicos, cuja autoria e autenticidade são muito mais bem atestadas, datam do século I e receberam reconhecimento e aceitação universal pelos cristãos dos primeiros séculos.

O Evangelho de Tomé

Esse Evangelho consiste numa coleção de 114 ditos que Jesus supostamente teria ditado a seu irmão gêmeo, Tomé. Ele faz parte da livraria gnóstica descoberta em Nag Hammadi em meados do século passado. O que temos é um manuscrito copta, tradução de uma versão em grego desse Evangelho, datada do séc. III. Calcula-se que o evangelho original deve ter sido escrito no séc. II.
Não se trata de um evangelho no sentido usual do termo, visto que não contém qualquer narrativa sobre o nascimento, ministério ou paixão de Cristo. Trata-se de uma coleção de ditos de Jesus sem qualquer moldura geográfica, temporal ou histórica que nos permita localizar quando, onde e em que contexto Jesus os teria pronunciado. Calcula-se que foi escrito na região da Síria, onde existem tradições sobre o apóstolo Tomé e onde se sediava a seita dos encratitas, ascéticos que defendiam uma forma heterodoxa de Cristianismo.

Apesar de trazer muitas citações dos evangelhos canônicos, a teologia do Evangelho de Tomé é abertamente gnóstica. Defende a salvação através do conhecimento secreto e esotérico que Jesus revelou a seu discípulo Tomé. Está eivado das dicotomias e dualismos característicos do pensamento gnóstico mais evoluído do séc. II. Trata-se claramente de uma produção dos mestres gnósticos, que se valeram dos evangelhos canônicos e do nome do apóstolo Tomé para divulgar e espalhar suas crenças.

Como reagimos a tudo isso?

Apesar de todos os esforços da mídia e dos liberais, não se consegue provar que os evangelhos gnósticos foram escritos no primeiro século. Eles são produções posteriores aos canônicos e que se valeram dos canônicos como fontes. O maior argumento dos liberais para provar que o Evangelho de Tomé, contendo ditos de Jesus, foi escrito no séc. I antes dos canônicos depende da existência do suposto proto-Evangelho “Q”, a qual nunca foi provada.

O testemunho dos pais apostólicos é unânime em rejeitar esses evangelhos e atribuí-los a falsificações feitas pelos gnósticos com o propósito de espalhar suas ideais e ensinamentos. O conteúdo deles é distintamente diferente dos evangelhos canônicos e da religião ensinada no Antigo Testamento.

As reconstruções do Jesus histórico feitas pelos que dão prioridades aos apócrifos, especialmente os evangelhos gnósticos, deixam sem explicação o surgimento das tradições escatológicas a respeito dele que hoje encontramos nos Evangelhos canônicos. Nem mesmo a tese da “imaginação criativa da comunidade” defendida pela crítica da forma pode explicar satisfatoriamente como um camponês judeu, com idéias e estilo de vida de um filósofo cínico, praticando o curandeirismo entre o povo simples, cheio de idéias gnósticas, acabou por ser transformado no Cristo que temos nos Evangelhos em tão curto espaço de tempo, e ainda com as testemunhas oculares dos eventos ainda vivas.

Por Augustus Nicodemus Lopes
http://www.conscienciacrista.org.br/geral-2011/layout.php?subaction=showfull&id=1311298495&archive=&start_from=&ucat=14,15,39&



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O cristão deve praticar ioga?



A ioga está espalhada. Ela pode ser encontrada tanto no oriente quanto no ocidente. Aulas de ioga são oferecidas na América Central, Rússia, Austrália, etc... Panfletos sobre esta prática estão nos painéis de informações das universidades, em lojas de comida natural, nos elevadores de prédios altos no centro da cidade de Los Angeles e até fazem parte de alguns programas de educação física da YMCA (Associação Cristã de Moços). Será que a ioga é apenas um exercício físico?


Com referência à ioga asanas ou posturas físicas Swami Vivekananda escreve em seu livro Raja Yoga: "Uma série de exercícios físicos e mentais, deve ser feita freqüentemente todos os dias até que estágios mais altos possam ser alcançados. As correntes de energia devem ser liberadas e um novo canal deverá se abrir. Novos tipos de vibrações começarão: a natureza corpórea será remodelada por completo, como o era".


Alain Danielou, um erudito francês em ioga, escreve em sua obra The Method of Re-Intergation (O Método de Re-integração) que o verdadeiro significado da ioga é que ela atua "como um processo de controle do corpo bruto objetivando a liberação do corpo sutil." O corpo sutil é descrito como extremamente complexo e consistindo de 72.000 canais sensitivos invisíveis chamados nadis que se comunicam com o corpo físico. O corpo bruto e o sutil estão conectados por sete pontos primários ou chakras que se estendem do alto da cabeça até a base da espinha.
Acredita-se que os chakras controlam a consciência de um indivíduo. Ao manipular a espinha através de várias posições da ioga, a energia que flui do corpo sutil aumenta e conseqüentemente provoca uma alteração na consciência da pessoa. A ioga Kundalini e a ioga Hatha manipulam diretamente os chakras através das suas posições e dos exercícios de respiração.


Dentro deste tipo de relacionamento em que a mente é superior ao corpo a ioga mantra procura alterar a consciência de uma pessoa através da repetição de mantras, os quais o Guru Dev, o guru de Maharishi Mahesh Yogi, considera os "nomes favoritos dos deuses". Os mantras são repetidos silenciosamente ou de forma audível por várias horas e produzem alteração do estado de consciência.


A ioga tem uma ligação muito estreita com as religiões orientais metafísicas e não é uma forma inocente de relaxar o corpo e a mente. Seu objetivo é o mesmo do hinduismo, ou seja, tomar consciência de que a pessoa é Brama, o subjacente e impessoal Deus do Universo no hinduismo. De acordo coma obra Psychic Forces and Occult Shock – Força Psíquicas e o Impacto do Oculto (Wilson e Weldon): "Os exercícios físicos da ioga são designados para preparar o corpo para uma mudança psicoespiritual vital e para inculcar esta idéia (a percepção de que a pessoa é Brama) dentro da consciência e ser do indivíduo. Por essa razão falar em separar a prática da ioga da teoria é algo sem sentido. Sob uma perspectiva Cristã, se ambas podem ser separadas é duvidoso. Dizer: ‘eu faço ioga, mas o hinduismo não está no meio disso,’ é uma afirmativa incorreta".


Uma publicação “Projeto de Simulações Espirituais” (A Spiritual Counterfeits Project -Berkeley, California) sobre "ioga" afirma: "Por enquanto torna-se mais conveniente aceitar a concepção secular para estabelecer apenas o aspecto selecionado (o físico) da ioga, o qual se ajusta à noção burguesa do que se espera que a ioga faça (por exemplo, tornar um corpo bonito). Todavia, o fato ainda permanece o mesmo: a ioga física está inextricavelmente atada às religiões orientais metafísicas. De fato, podemos dizer de maneira precisa que a ioga física e a metafísica hindu são mutuamente interdependentes; na realidade, você não pode ter uma sem a outra."


Na tradição Shankara, que impregna a maioria do hinduismo contemporâneo, a gota de chuva é retratada como o símbolo do eu e o oceano é o símbolo da alma universal. (J.Isamu Yamamoto, SCP Newsletter). "A absorção da gota de chuva dentro do oceano é a absorção simbólica da pessoa dentro do universo impessoal. Logo que a pessoa alcança a iluminação, ela perde a identidade própria e torna-se uma com o todo. A absorção é o objetivo do hindu monista" (J.Isamu Yamamoto, SCP Newsletter , March-April 1983).


"A chama da vela é uma imagem budista do eu; ela é a luz da vida que tremula na escuridão do sofrimento. A busca de cada budista ardente é extinguir a própria chama. Eles não procuram apenas uma morte física, mas uma morte que os irá libertar tanto da vida física quanto da espiritual. A extinção é a meta do budista tradicional" (J. Isamu Yamamoto, SCP Newsletter , op.cit.).


Para este autor mais persuasivo do que qualquer autoridade é sua experiência pessoal na ioga mantra, na ioga hatha e na ioga kundalini. Definitivamente a ioga produz estados alterados de consciência. Entretanto, estes estados de consciência inicialmente anestesiantes tornam-se uma prática constante da ioga mostrando-se de caráter opressivo, resultando numa dissociação do mundo externo. As entradas sensoriais são acentuadas e produzem uma reação exagerada ao estímulo interno desencadeando uma forte ansiedade. Nos cursos de meditação osana o autor experimentou vários desmaios durante as sessões do mantra, desmaios que duravam cerca de uma hora e meia. Não há lembranças do que aconteceu durante esse período de tempo em que ficou inconsciente.


Lidar com estes estados alterados de consciência produziram no autor uma tensão crescente tornando-o irritado com coisas mínimas tais como (o bater de uma porta, o barulho de um avião e o tráfego). De várias maneiras a experiência da meditação/ioga é a clássica experiência do sofrimento e da ansiedade tão bem documentada pela doutora australiana Claire weeks em sua obra clássica Hope and Help For Your Nerves (Esperança e Ajuda Para Seus Nervos), que também oferece o melhor tratamento não clínico para curar o sofrimento e a ansiedade os quais têm como sintomas, por exemplo, os ataques de pânico.


A meditação e a ioga em muitos casos levam ao sofrimento e à ansiedade. Esta experiência do autor é que as técnicas resultam em sentimentos irreais, de desintegração da personalidade e de depressão. Este autor está convicto de que muitos dos chamados "estados avançados de consciência" não são mais do que resultado de uma exacerbada sensibilização, um estado em que nossos nervos reagem de uma forma exagerada ao stress induzidos pelas técnicas da ioga/meditação, produzindo uma irrealidade sensorial difusa parecida àquela induzida pelas drogas que alteram a consciência.


A ioga é comercializada sob o aspecto de uma técnica saudável e inocente, mas ela está longe disso. H.Rieker adverte: "A ioga não é nenhum jogo insignificante se consideramos que qualquer equívoco na prática da ioga pode levar à morte ou à loucura", e que se a respiração é "prematuramente acabada, há o perigo imediato de morte para o iogui" (Rieker, The Yoga of Light – A Ioga de Luz (Los Angeles: Dawn House) 1974, p. 135). Desmaios, estados estranhos de transe ou loucura estão listados como "os erros mais elementares..." da prática da ioga. O livro "Ioga e Misticismo" de Swami Prabhavananda lista como perigos potenciais à má prática da ioga os danos cerebrais, as doenças incuráveis e a loucura.


Se alguém estiver passando por uma situação de stress e precisar relaxar, existem muitas maneiras de fazê-lo: sair para uma caminhada, ver uma exposição de quadros, praticar esportes, jantar fora ou tirar férias. Para fortalecer o corpo você pode levantar pesos, correr, nadar etc... no lugar de praticar as posições da ioga.


No livro Psychic Forces and Occult Shock ("Forças Psíquicas e o Impacto do Oculto"), Wilson e Weldon afirmam, "A ioga é na verdade puro ocultismo, tal como numerosos textos o comprovam (R.S Mishra's Yoga Sutras and Fundamentals of Yoga , J. Brennan's Astral Doorways and H. Chaudhuri's Philosophy of Meditation ). As forças do oculto são muito comuns com a prática da ioga, e os numerosos perigos do ocultismo estão evidentes em muitos estudos (Indica-se como referência a obra de K. Koch Christian Counseling and Occultism –" Aconselhamento Cristão e Ocultismo") Mishra, um erudito em ioga e autoridade em sânscrito, afirma: 'Por fim, deve se dizer que por detrás de cada investigação psíquica, detrás do misticismo, ocultismo, etc., estando ciente ou não, o sistema da ioga está presente. (Mishra, op.cit.)'" Kurt Koch em seus vários livros também correlaciona as influências do oculto com as experiências subsequentes da ansiedade e da depressão que levam algumas vezes ao suicídio.


A Bíblia nos informa que Deus criou Adão do pó da terra e soprou dentro de suas narinas o fôlego de vida (Gênesis 2:7). O homem é um ser criado e separado. Ele pode ter um relacionamento com o Deus Vivo ao aceitar Seu Filho, a encarnação física de Deus, Jesus Cristo. A Bíblia não ensina que através da ioga o homem pode alcançar níveis mais altos de consciência de tal maneira que ele descobrirá que é um com Deus e se fundirá com Brama como o ensina o hinduismo. Ela também não diz que a personalidade do homem pode ser extinta da mesma forma que uma chama o é como o budismo ensina. A Bíblia não menciona ou reconhece a ioga ou qualquer outro sistema onde o homem pode se tornar um com Deus.


Deus está muito acima do homem e o homem não pode chegar até Deus através de suas próprias ações. Por causa do pecado original de Adão e Eva o homem está fatalmente ferido de morte. Ele foi nascido do pecado. Mas Deus o amou de tal maneira que elaborou um plano de redenção. Ele Mesmo se tornou homem (João 1:14) para prover o sacrifício perfeito para limpar o pecado do homem. O sacrifício perfeito tinha que ser o Próprio Deus uma vez que apenas Ele é sem pecado. Aceitar a provisão de Deus para o pecado, Seu Filho, dá ao homem uma vida eterna na presença de Deus. O corpo terreno se acaba e é substituído por um corpo eterno no momento da morte. O homem não se torna Deus nem se funde com Ele. A salvação é um dom gratuito dado pela graça e, não alguma coisa pela qual o homem tem que trabalhar.


Tanto o hinduismo quanto o budismo crêem na reencarnação, a transmigração de almas de um corpo para um outro através do tempo. Uma pessoa se reencarna para superar o karma de uma outra ou o apego ao mundo material e seus padrões recorrentes que prendem um indivíduo ao mundo material. Somente elevando a consciência do indivíduo através da ioga e rompendo o "véu da ilusão," que é o mundo material, uma pessoa pode transcender e fundir-se com Brama ou extinguir sua chama e alcançar o Nirvana.


A Bíblia ensina que aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hebreus 9:27). Para aqueles que aceitaram Jesus Cristo não há julgamento a decisão de passar a eternidade com a fonte de toda a bondade, regozijo e pureza, o Deus pessoal do Universo, já foi tomada. Para aqueles que nunca conheceram Cristo, Deus julgará com absoluta justiça, mas para os que rejeitaram Cristo, a eternidade será em lugar horrível onde não existe Deus, um lugar ao qual Jesus, mais do que ninguém, referiu-se na Bíblia como um lugar de eterna agonia... o inferno (Marcos 9:48).


A ioga não é uma panacéia, ela é um sistema onde o homem tenta se esforçar para alcançar a Deus. Ela não é necessária e todas as obras do homem não são coisa alguma senão trapos sujos ante à justiça de Deus. Por que desperdiçar a vida numa escravidão, perseguindo uma miragem, passando incontáveis horas fazendo exercícios de ioga e meditando, esperando desprender-se de samsara, a roda da reencarnação. O homem jamais poderá ser Deus. Por causa do pecado de Adão o homem morre. Que homem mortal pode se comparar a um anjo de Deus? Daniel viu o anjo Gabriel e aqui temos sua descrição fascinante:


"E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz; E o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão. E só eu, Daniel, tive aquela visão. Os homens que estavam comigo não a viram; contudo caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se.Fiquei, pois, eu só, a contemplar esta grande visão, e não ficou força em mim; transmudou-se o meu semblante em corrupção, e não tive força alguma.(Daniel 10: 5-8)".


O homem não tem que se tornar Deus. O Senhor estende Sua mão (Apocalipse 3:20) e tudo o que você tem a fazer é pegá-la e fazer uma decisão consciente ao aceitar Jesus Cristo. Com palavras simples, peça-Lhe em humildade para tomar o controle de sua vida. Então o Espírito Santo fará morada em seu coração e você terá paz, alegria e segurança. Só assim você se desprenderá de seu velho casulo e experimentará a metamorfose de Deus.