sábado, 1 de dezembro de 2012

Justiça nega pedido para tirar “Deus seja louvado” de cédulas


A Justiça negou ontem, 30.11.2012, a solicitação feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo para que fosse retirada a expressão “Deus seja louvado” das cédulas do real. Segundo a decisão judicial, a menção a Deus nas notas “não parece ser um direcionamento estatal na vida do indivíduo que o obrigue a adotar ou não determinada crença. Assim como também não o são os feriados religiosos e outras tantas manifestações aceitas neste sentido, como o nome de cidades.”

A sentença é da 7ª Vara da Justiça Federal. A decisão é provisória e pode ser revogada ou modificada. O pedido de retirada da expressão, feito no início de novembro pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, afirma que a existência da frase nas cédulas do real fere os princípios de laicidade do Estado e de liberdade religiosa.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1323725&tit=Justica-nega-pedido-para-tirar-Deus-seja-louvado-de-cedulas

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Gafanhotos Demônios


 
GAFANHOTOS DEMÔNIOS – ANÁLISE À NATUREZA METAFÓRICA DA LINGUAGEM TEOLÓGICA
 
O gafanhoto é freqüentemente mencionado no Antigo Testamento, por causa de seus hábitos devastadores.

Usos figurados do gafanhoto:

a)    Grandes números, como os exércitos dos assírios. Naturalmente, temos aqui, igualmente, o poder destruidor de tais números (Is 33.4,5; Nm 3.15,17).

b)    Os julgamentos divinos usam as forças da natureza, ou literalmente, como no caso das pragas dos gafanhotos, ou mediante algum outro poder, simbolizados pelos gafanhotos (Jl 1.1,6,7; 2.2-9).

As pragas de gafanhotos eram algumas vezes interpretadas como visitações da indignação de Deus. Uma praga de gafanhotos foi um dos mais severos males que poderiam sobrevir ao  mundo antigo (Dt 28.38; Jl 2.1,12).

Dias especiais de oração, jejum e toque de trombeta foram prescritos para remover a praga (1 Rs 8.37; 2 Cr 6.28; Jl 2.1.11).

Qualquer estudioso da Bíblia Sagrada sabe, através de Comentários Bíblicos ou de Bíblias com versículos comentados sabe que a praga dos gafanhotos relatadas no livro do Profeta Joel capítulo primeiro era real, a ponto de cobrir a terra e devorar as colheitas. Joel previu a invasão do Norte pelos exércitos da Assíria e da Babilônia ao tipificá-lo como gafanhotos (Jl 2.20). Os teólogos, por sua vez, são unânimes em concordar que a praga dos gafanhotos foi apenas o prenúncio do Juízo Divino que acontecerá no Dia do Senhor, ainda que haja muita controvérsia entre eles para explicar essa expressão.

O “Dia do Senhor” é uma frase que aparece com freqüência no Antigo Testamento e no livro de Joel (2.1,11,31; 3.14). Ela sempre se refere a algum fato extraordinário, que pode acontecer no presente (como a praga dos gafanhotos), no futuro próximo (como a destruição de Jerusalém ou a derrota das nações inimigas) ou no período final da história quando Deus derrotará todas as forças do mal.

Mesmo quando o “Dia do Senhor” se refere a um fato presente, essa frase também prenuncia um dia final estabelecido pelo Senhor. Esse derradeiro evento da história tem dois aspectos: (1) o último julgamento sobre todo o pecado e todo o mal; e (2) a recompensa final que será concedida aos crentes que se mantiveram fiéis. A justiça e a verdade prevalecerão, mas sempre acompanhadas de muito sofrimento (Zc 14.1-3)”.  (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal – CPAD)

Alister E. McGrath, professor de Teologia Histórica na Universidade de Oxford, Inglaterra, considerado um dos mais influentes pensadores cristãos da atualidade, autor de diversas publicações nas áreas de Teologia Sistemática, Ciência da Religião, Espiritualidade e Apologética, quando trata da Natureza da Linguagem Teológica, cita três tipos de abordagem: Analogia, Metáfora e Acomodação.

“Com relação à metáfora, Aristóteles a definiu como o processo que envolve “o uso de uma palavra, por transferência, cujo uso originário designa outro objeto ou qualidade”. Tão ampla é essa definição que abrange quase todas as figuras de linguagem, inclusive a analogia. A metáfora é uma maneira de falar sobre uma coisa em termos que sugerem uma outra. Ela é, para usar a famosa frase de Nelson Goodman, “uma questão de atribuir um novo significado a uma palavra conhecida”.

“Em geral, as metáforas apresentam traços emocionais bastante fortes. As metáforas teológicas são capazes de expressar dimensões emocionais da fé cristã, de maneira a torná-las apropriadas à adoração. Ian G. Barbour sintetiza esse aspecto da linguagem metafórica da seguinte maneira: Quando as metáforas poéticas são usadas apenas momentaneamente em um contexto, em benefício de uma idéia ou percepção imediata, os símbolos religiosos tornam-se parte da linguagem de uma comunidade religiosa em suas Escrituras e liturgia, assim como continuamente em seu pensamento e em sua vida. Símbolos religiosos expressam emoções e sentimentos humanos, além de ser poderosos em inspirar respostas e compromissos”. (Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica – Uma Introdução à Teologia Cristã, Shedd Publicações-São Paulo-SP, 1ª Edição – Junho de 2005, 2ª Reimpressão – Setembro de 2008).

Metáfora é uma figura de linguagem em que um termo substitui outro em vista de uma relação de semelhança entre os elementos que esses termos designam. É o emprego de palavras ou expressões com sentido figurado, é uma espécie de comparação abreviada, nascida da relação de semelhança ou característica comum entre dois seres ou fatos.

Alegoria é uma figura de linguagem que está dentro do que se classifica como figura das palavras, ou seja, relaciona-se a semântica, e encontra seu significado dentro das abstrações. De acordo com o dicionário Aurélio, Alegoria significa: “Simbolismo concreto que abrange o conjunto de toda uma narrativa ou quadro, de maneira que a cada elemento do símbolo corresponda um elemento significado ou simbolizado”, isto é, além de servir como figura de linguagem para textos, bastante comum em fábulas e parábolas, cabe também a obras de arte.

Em muitos casos, lições de moral são utilizadas como forma de alegoria, pois elas representam situações a partir de artifícios que significam alguma coisa por meio de outras coisas. A própria construção etimológica da palavra alegoria, que vem do grego allegoria, identifica sua função que significa, “dizer o outro”.

Embora opere de maneira semelhante a outras figuras retóricas, a alegoria vai além da simples comparação da metáfora. A fábula e a parábola são exemplos genéricos (isto é, de gêneros textuais) de aplicação da alegoria, às vezes acompanhados de uma moral que deixa claro a relação entre o sentido literal e o sentido figurado.

Quintiliano, afirma que alegoria é “metáfora continuada que mostra uma coisa pelas palavras e outra pelo sentido”.

João Adolfo Hansen estudou a alegoria e publicou seu estudo em Alegoria: construção e interpretação da metáfora, distinguindo a alegoria greco-romana (de natureza essencialmente linguística, não obstante o anacronismo) da alegoria cristã, também chamada de exegese religiosa (na qual eventos, personagens e fatos históricos passam também a ser interpretados alegoricamente).

A alegoria tem sido uma forma favorita na literatura de praticamente todas as nações. As escrituras dos hebreus apresentam instâncias freqüentes dela, uma das mais belas sendo a comparação da história de Israel ao crescimento de uma vinha no Salmo 80. Na tradição rabínica, leituras alegóricas tem sido aplicadas em todos os textos, uma tradição que foi herdada pelos cristãos, para os quais as semelhanças alegóricas são a base da exegese.

Vejamos um exemplo contido em Joel 1.4 (A.R.A.), que diz:

“O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor”.  

Com base na natureza metafórica da linguagem teológica, acima descrita, podemos, perfeitamente, comparar os tipos de gafanhotos referidos por Joel, com quatro tipos de demônios, pelas semelhanças e diferenças existentes entre as duas coisas que estão sendo comparadas, neste caso, gafanhoto e demônio, levando-se em conta o alto poder de destruição que ambos são capazes de ocasionar na vida dos seres humanos.

A metáfora sempre tem o caráter de “ser” e “não ser”: uma declaração é feita mais como um provável relato do que como definição. Isto é, ao dizer que os gafanhotos são comparados aos demônios, não se pretende definir gafanhoto como demônio, nem afirmar a existência de uma identidade entre os termos gafanhoto e demônio.

Segundo Sallie McFague, a característica mais atrativa da metáfora para a Teologia Cristã seja seu caráter aberto. Segundo ele, embora alguns críticos literários tenham sugerido que as metáforas possam ser reduzidas a um conjunto de expressões literais equivalentes, outros têm insistido no fato de que nenhum limite pode ser estabelecido no âmbito da comparação.

Dessa forma, a metáfora de gafanhoto como demônio, não pode ser reduzida a um conjunto de declarações específicas sobre gafanhoto, que sejam válidas para todos os tempos e lugares. Explica McFague, que a metáfora busca ser sugestiva, permitindo aos futuros leitores e intérpretes encontrar nela um novo significado. A metáfora não é simplesmente uma descrição elegante ou uma frase memorável sobre alguma coisa já conhecida. É um convite à descoberta de novos significados, que outros podem ter negligenciado ou esquecido.

Em Apocalipse 9.1-11, os gafanhotos não são insetos, mas referem-se a demônios, a hostes demoníacas, saídos do poço do abismo. Uma invasão de demônios cuja missão principal é atormentar os homens (9.4-5).

O Reverendo Hernandes Dias Lopes explica as características destes gafanhotos demônios: 1ª) são espíritos de obscuridade (9.2-3); 2ª) são espíritos de destruição (9.11); 3ª) são espíritos que tem poder e domínio (9.7); 4ª) são espíritos que tem inteligência (9.7); 5ª) são espíritos de sensualidade (9.8); 6ª) são espíritos de violência (9.8b); 7ª) são espíritos inatingíveis.

Outrossim, a menção dos gafanhotos contidos na quinta trombeta, como demônios propriamente ditos, vem corroborar com a interpretação metafórica em questão, ou seja, comparar os gafanhotos de Joel 2.4-10, com tipos de demônios que agem na vida das pessoas, destruindo suas famílias, a saúde, os bens materiais, etc..

Para concluir, leiamos o texto de Joel 2.25-27 (ARA):

“Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros. Comereis abundantemente, e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR, vosso Deus, que se houve maravilhosamente convosco; e o meu povo jamais será envergonhado. Sabereis que estou no meio de Israel e que eu sou o SENHOR, vosso Deus, e não há outro; e o meu povo jamais será envergonhado”.

Aqui vemos claramente a promessa de restituição. Em Lucas 6.38, vemos a lei da reciprocidade divina, na qual o Senhor nos abençoa de quatro maneiras diferentes: boa medida; recalcada; sacudida; transbordante.

Recomendo que você faça um conserto de fidelidade, de honestidade, de santidade e de generosidade e todo poder dos gafanhotos (demônios), da ruína e da miséria será destruído em nome de Jesus!

 Texto do Pr. Wagner Tadeu dos Santos Gaby

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Procrastinação pode esconder problemas mais sérios


A mania de deixar tudo para depois vai muito além da preguiça e pode esconder o medo do fracasso. Veja se você é um procrastinador.

A procrastinação assume perfis diversos. O procrastinador por criação de problema adia as tarefas para mais tarde porque acha que terá mais tempo. O procrastinador comportamental até faz listas e planos, mas não segue nada do que foi planejado. E o procrastinador retardatário faz várias coisas antes de cumprir uma tarefa determinada anteriormente.

Segundo o psiquiatra norte-americano Bill Knaus em artigo publicado no “Psychology Today”, estes são os três perfis de quem tem mania de deixar tudo para depois. Mas, para a professora-titular da USP e terapeuta analítica comportamental Rachel Kerbay, a definição vai além.

Rachel trabalha há mais de 15 anos com o assunto e define o “autocontrole” – ou melhor, a falta dele – como a palavra-chave para entender este distúrbio. “O procrastinador quer sempre usufruir do resultado imediato. Não sabe planejar e criar condições para que as coisas aconteçam. Como ele segue só aquilo que é de seu interesse, perde o que poderia ganhar a longo prazo”, explica a professora.

Cada um com os seus motivos

É exatamente o que Carina Martins faz repetidas vezes. Redatora publicitária, ela precisa trabalhar em dupla com o responsável pela arte. Mas a fama de “deixar tudo para a última hora” já é bem conhecida entre os colegas e, no último emprego, chegou aos ouvidos do chefe. “Como eu também sou DJ, é muito fácil começar o dia procurando música e, quando me dou conta, passei o expediente inteiro fazendo outra coisa que não era o trabalho”, diz.

Carina também é do tipo que demora muitos dias para cumprir uma tarefa muito fácil, exatamente pelo grau de exigência ser menor. Só que quando o assunto é difícil, ela também trava. Daí o motivo é ter medo de encarar um desafio.

“Geralmente, o procrastinador tem medo do resultado e de uma avaliação pública. Daí o bloqueio e a decisão de não fazer nada. Para isso, ele encontra várias desculpas –muitas vezes externas, como tempo ruim, pouco dinheiro, falta de sorte – ou apela para a emoção para adiar os compromissos”, analisa Rachel.

O problema é que, na maioria dos casos, ele joga o trabalho para frente com a desculpa de que precisa de mais tempo para fazer determinado projeto, e nem por isso faz melhor. “Eu sempre falo, ‘semana que vem eu faço com mais calma’. Apesar da sensação ruim de angústia, acabo me enrolando de novo e dedico menos tempo do que o trabalho de verdade precisa. A saída, então, é o improviso”, confessa Carina.

Missão dada não é missão cumprida

Nesse nó de desculpas e enrolação, a preguiça – ao contrário do que muita gente acredita – não é a resposta do problema. É só ver a disposição da Carina para pesquisar música e fazer outras atividades que lhe dão prazer. Foi também o que concluiu Christian Barbosa, especialista em produtividade e autor do livro “Equilíbrio e Resultado – Por que as pessoas não fazem o que deveriam fazer”. Christian elaborou uma pesquisa e perguntou a mais de 4 mil pessoas a seguinte questão: “você procrastina atividades ao longo da sua rotina?”. 97,4% dos entrevistados responderam “sim”.
De acordo com o levantamento, exercício físico, leitura, saúde e planejamento financeiro são as quatro coisas mais adiadas. Por outro lado, casamento, comprar apartamento, mudar de emprego e férias são aquelas que as pessoas realizam com mais facilidade. “Não há nada de errado em procrastinar de vez em quando, o problema é quando isso começa a ficar crônico e passamos a adiar frequentemente coisas que não poderiam ser adiadas”, define.

“De maneira geral, as coisas pessoais acabam sendo as que mais adiamos. Talvez porque na vida pessoal ninguém fique cobrando que você leia determinado livro ou organize seu armário. Mas, no trabalho, você tem chefe e clientes que esperam o resultado de sua produção”, ressalta Christian.
A falta dessa figura pode ser uma das razões que faz o estudante Marcio Vincler viver sempre no atraso. Há alguns anos, ele passou a trabalhar com a mãe. Como precisa de dedicação semi-integral na faculdade de veterinária, e ainda dá expediente em uma clínica, o tempo disponível para escritório é bem reduzido e as regalias são muitas.

Apesar de admitir que não se incomoda com as brincadeiras dos colegas, ele sabe o quanto esse comportamento cria rótulos. “Eu não consigo chegar no horário em nenhum lugar e as pessoas já contam com a minha demora”, diz.

O presente é o momento ideal

A pergunta diante deste jogo de empurra-empurra é: há uma luz no fim do túnel? Sim. “É preciso mudar as ações, as habilidades e a fala. Ou seja, o jeito de fazer das coisas”, afirma Rachel. É o que também acredita Christian Barbosa. “Infelizmente, na vida nem sempre teremos apenas coisas interessantes para fazer. É preciso aceitar isso”, diz.

Segundo ele, em muitos casos, adotar uma estratégia de produtividade dá bons resultados. Outra dica valiosa é defendida por Rachel. “Planeje os compromissos, crie alternativas factíveis e avance aos poucos. A recompensa neste caso não é material. É o sentimento de dever concluído que dá impulso à mudança e se torna mais satisfatório do que o mal-estar de um comportamento procrastinador”.

Fonte: http://delas.ig.com.br/comportamento/2012-11-11/procrastinacao-pode-esconder-problemas-mais-serios.html. Acesso em 11.11.12



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Evangélicos, telenovela e imbecilidade


Feliz com a estreia de sua novela, Gloria Perez comemorou os números de “Salve Jorge” e falou à coluna sobre a repercussão da trama que substituiu "Avenida Brasil" na faixa das 21h, na Globo. A autora está feliz com os índices de audiência obtidos pelos primeiros capítulos e falou também sobre os protestos que evangélicos têm feito na rede contra o folhetim.

Como reagiu aos protestos de evangélicos em redes sociais sobre o fato de a novela “adorar” Ogum?
Não vejo protesto de evangélicos, o que vejo são interesses comerciais apelando para o fundamentalismo. E penso que, em casos assim, o pessoal da imprensa deveria seguir o sábio conselho do Millôr Fernandes: “Não se deve ampliar a voz dos imbecis”.

Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/posts/2012/10/25/gloria-perez-nao-vejo-protestos-de-evangelicos-vejo-outra-coisa-472094.asp. Acesso erm 26.10.12

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Jean Willys critica os cultos evangélicos na Câmara


O deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) chuta o balde em seu Facebook. Reclama do que classifica de discriminação: o direito de a bancada evangélica promover cultos na Câmara dos Deputados. Aí vai o texto do protesto.

“Acabo de passar pelo culto religioso que a bancada evangélica realiza periodicamente no Plenário 1 ou 2 da Câmara, conduzido por um fervoroso deputado, João Campos (PSDB-GO). E um dos fiéis é Benedita da Silva (PT-RJ).

É importante dizer que APENAS a bancada evangélica goza do privilégio de realizar cultos religiosos nos plenários da Câmara. De vez em quando (uma vez por mês), há uma missa também, feita pela CNBB. A mesa diretora, porém, negou, aos adeptos das religiões de matriz africana, o direito de realizar um xirê nas dependências da Câmara.

Também não há cerimônias budistas, judaicas, zoroastristas e etc. nas dependências da Câmara. A liberdade de culto aqui é só pra alguns! Sendo o Estado laico (sem paixão religiosa de nenhum tipo), ou se permite TODOS os cultos ou, melhor, não se permite NENHUM!

Vocês cidadãos de outros credos deveriam reclamar na Ouvidoria da Câmara sobre essa postura discriminatória e contra a laicidade. É preciso reagir às discriminações e fazer da Câmara – a casa do povo – um espaço de TODOS de verdade: liguem, mandem email, reclamem! Ou a Câmara mantém a NEUTRALIDADE que o princípio da LAICIDADE exige ou abre espaço para TODOS os credos desse Brasil plural!”

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2012/10/18/privilegio-evangelico/

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A origem do Dia das Crianças


O Dia das Crianças foi criado no Brasil antes de ser comemorado no restante do mundo. A idéia foi de um político brasileiro (deputado federal Galdino do Valle Filho), em 1920, e oficializada em 5 de novembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes. Somente entre 1955 e 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela, em parceria com a Johnson & Johnson, lançou a Semana do Bebê Robusto (intenção comercial de aumentar a venda de brinquedos nessa semana) é que ela passou a ser comemorada em 12 de outubro (aqui no Brasil).

Em 20 de novembro de 1959, a UNICEF oficializou a Declaração Universal dos Direitos da Criança e, a partir de então, essa data (20 de novembro) passou a ser comemorada na maioria dos países do mundo.

De acordo com a história e seu significado, alguns países têm outras datas para essa celebração: no Japão, por exemplo, os meninos comemoram no dia 5 de maio (como na China) e as meninas no dia 3 de março, ambos com exposições de bonecos (para os meninos eles lembram samurais). Em Moçambique, essa celebração ocorre no dia 1º de junho para marcar o dia em que as forças nazistas, em 1943, assassinaram cruelmente muitas crianças pequenas. Na Nova Zelândia, aproveitando esse dia para passar mais tempo com a família e sem fins comerciais, essa lembrança ocorre no primeiro domingo de março.

Origem de alguns brinquedos

Já que estamos falando sobre origens, você sabia que alguns dos brinquedos que usamos ou presenteamos hoje foram criados há séculos e até há milênios?

As bonecas, que foram criadas como estatuetas de barro na África e na Ásia, se transformaram em brinquedos há cerca de 5.000 anos no Egito. As casas para essas bonecas parecem ter tido sua primeira aparição na Alemanha, perto de 1.558 como um presente do Duque de Albrecht para sua filha mais velha. Conta-se que essa casa teria quatro andares e teria levado dois anos para ser construída com quarto de vestir, banheiro e outros ambientes. Até 1930, a maioria das crianças no Brasil brincava com bonecas de pano feitas por costureiras e carrinhos de madeira feitos em pequenas oficinas por artesãos.

As bolinhas de pedra, argila, madeira ou osso de carneiro foram as precursoras das bolinhas de gude. As mais antigas eram de pedras semi-preciosas encontradas em um túmulo de uma criança egípcia há 5.000 anos. Mas foi só no século XV que elas se transformaram em bolinhas de vidro (Veneza e Boêmia) e no século XVII de porcelana e louça. Foi através do Império Romano e suas conquistas que houve a disseminação de seu uso como brinquedo pelo mundo. No Brasil, elas são conhecidas por vários nomes (buraca, búrica, firo, bolita).

Já a bicicleta tem sua origem em 1790, conhecida como celerífero (celer=rápido e fero=transporte) por um conde francês (Sivrac), feita de madeira, sem pedais ou correntes, empurrada com os pés no chão. Os carrinhos de brinquedo apareceram ao mesmo tempo que os carrões originais, nos primeiros anos do século XX e o autorama em 1956, na Inglaterra, enquanto o primeiro trem elétrico em miniatura foi feito em 1835 por um ferreiro em Nova York. No Brasil, a Metallurgica Matarazzo foi a primeira fábrica a fazer jipes, carrinhos e aviões de lata. A fábrica Estrela foi a primeira a produzir brinquedos em variedade e quantidade significativa, a partir de 1937, porque com a Segunda Guerra Mundial as importações foram dificultadas e a indústria nacional se desenvolveu em vários setores, inclusive na produção de brinquedos.

Assim também a caixinha de música (1170, Suíça), o bilboquê ou emboca-bola (século XVI, França), o pião (strombo na Grécia ou turba na Roma antiga), entre outros fizeram parte da história até chegarmos aos brinquedos de hoje.

Fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/a-origem-do-dia-das-criancas/. Acesso em 12.10.2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O que o estado laico não é


Antes de qualquer outra coisa, é preciso dizer que o Estado laico não é confessional. O Estado confessional é aquele que privilegia uma certa religião ou um grupo de religiões, transferindo para ela(s) recursos financeiros públicos, direta ou indiretamente, sancionando legalmente suas diretrizes morais e introduzindo nos currículos escolares das escolas públicas sua(s) doutrina(s). O Estado confessional pode ter uma religião exclusiva, proibindo as demais, ou privilegiar uma(s) e tolerar outras. O Estado brasileiro era confessional durante o Império, assim como são confessionais Estados contemporâneos, como a Grã-Bretanha, o Irã, Israel e a Dinamarca, que têm, religiões privilegiadas, respectivamente o Cristianismo de Confissão Anglicana, o Islamismo, o Judaísmo e o Cristianismo de Confissão Luterana.

Algumas pessoas pensam que basta a separação jurídica entre o Estado e as sociedades religiosas (separação Igreja–Estado) para que a laicidade exista. Não é assim. Há países que não têm religião oficial e nem por isso são laicos. Por outro lado, existem antigas monarquias, com religião oficial, que são mais laicas do que certos Estados latino-americanos. Por exemplo, a Grã-Bretanha e a Dinamarca são mais laicas do que o Brasil e a Argentina, que se separaram formalmente da Igreja Católica há mais de um século.

O Estado laico tampouco é um Estado concordatário. Concordata é um termo próprio do universo simbólico da Igreja Católica, a única organização religiosa que tem um Estado para representá-la, o Vaticano. Concordatas são, então, tratados firmados entre os governos de dois Estados, o Vaticano e um outro. Se a concordata com a Itália não foi a primeira, constitui a matriz das que a Igreja Católica estabelece com diferentes governos, com esse nome ou outro. O governo fascista italiano firmou com o Vaticano uma concordata (Tratado de Latrão), pelo qual o primeiro reconheceu certas propriedades eclesiásticas, introduziu o catecismo católico no currículo das escolas públicas e símbolos religiosos católicos nas escolas e outros estabelecimentos públicos, além de outros privilégios econômicos e políticos. O Vaticano, por sua vez, reconheceu o Estado italiano (que se constituiu a partir da unificação estatal, em 1870, que incorporou os Estados pontifícios). Mesmo depois da queda do fascismo, o Estado italiano vem renovando a concordata com o Vaticano.

O Estado laico também não é ateu. O Estado ateu é aquele que proclama que toda e qualquer religião é alienada e alienante, em termos sociais e individuais. Para combater a alienação, o Estado ateu combate, então, toda e qualquer religião. Se não consegue proibi-la, completamente, dificulta ao máximo suas práticas, inibe sua difusão e desenvolve contínua e sistemática propaganda anti-religiosa. A União Soviética e os Estado socialistas constituídos no leste europeu, assim como a República Popular da China estabeleceram regimes ateus, com base na concepção de que toda e qualquer religião seria fonte de alienação do povo. Houve diferentes graus na efetivação da política ateísta, mais radical na Alemanha Oriental do que na Polônia, por exemplo, onde todo o aparato formativo da Igreja Católica manteve-se em operação, acabando por se tornar um dos principais elementos de dissolução do “socialismo real”.

Fonte: http://www.nepp-dh.ufrj.br/ole/conceituacao4.html. Acesso em 08.10.2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Salmo 137 e a mensagem imprecatória



Como entender a passagem bíblica do Salmo 137.9, que diz: “Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras”?

O Salmo 137 contém uma mensagem imprecatória, ou seja, contém apelos a Deus para que derrame sua ira sobre os inimigos do salmista. O termo “imprecação”, do latim “imprecatione”, expressa o desejo de infortúnios a alguém. Outros salmos demonstram essa mesma ideia, por exemplo, 7, 12, 35, 55, 59, 69, 79, 109 e 139. Além dos salmos, outros textos expressam esse sentimento, como Gn 9.25, Êx 9.16, Jz 5.24-31, 1Sm 13.13,14; 15.28, 1Rs 21.17-24; 22.19-23, Am 9.9,10 e Jeremias 11. No Novo Testamento, por exemplo, verifica-se imprecação em 1Tm 1.20; 2Tm 4.14 e Ap 6.9-11, onde os santos que estão no céu clamam por vingança a Deus.

A dificuldade na interpretação de textos imprecatórios encontra-se quando os comparamos com as passagens bíblicas de Mt 5.43-48 e Rm 12.17, onde o espírito de vingança humano deve ser rejeitado. As imprecações descritas na Bíblia são entendidas como clamores dos justos contra a manifestação do mal, isto é, um pedido de um justo para execução de justiça.

O contexto desta passagem nos remete à Babilônia e seu terrível rei Nabucodonosor. Babilônia é tratada, em especial no Apocalipse, em contraposição a Sião. Babilônia é a representação do mal e simboliza a idolatria, a prostituição, o sistema pecaminoso e o próprio mundo. Nabucodonosor é símbolo de Satanás, o opositor de Deus, que aprisiona o homem no pecado. É neste contexto que o desejo do salmista se expressa na vontade de que a justiça seja executada. A observância dos princípios estabelecidos na Lei, descritos em Dt 27 e 28, mostram que o julgamento divino abençoava os que a observavam, e, amaldiçoava os que a desprezavam. 

A Bíblia relata que Edom teve sua origem em Esaú e que Israel foi originado em Jacó. Por causa dos confrontos em relação à primogenitura, descritos em Gn 25.31-34, constantes batalhas foram travadas pelos povos originados por Esaú e Jacó. Quando Nabucodonosor invadiu Jerusalém e o povo de Israel foi levado cativo, os edomitas se regozijaram com o sofrimento dos judeus, esquecendo-se de que o próprio Deus (Dt 23.7) havia ordenado ao seu povo que os amassem.

O antagonismo não deve ser verificado aqui como um sentimento de ódio pessoal, mas pelo zelo do nome de Deus, uma vez que a luta era travada entre Deus e o seu povo contra os seus inimigos e o próprio mal.

Abram de Graaf, na análise desta passagem, observa que “este salmo é baseado numa profecia. O autor não usa as suas próprias palavras, mas ele usa uma profecia. Esta profecia encontra-se em Isaías 13.9-20. O autor pede que Deus seja fiel. Ele deve cumprir as suas promessas. Babilônia faz parte da maldição. Esta cidade sempre se rebelou contra Deus. Esta cidade simboliza a sociedade sem Deus. A sociedade que vive sem Deus. Deus vai cumprir sua promessa, começando com a Babilônia antiga, e terminando com a Babilônia moderna, que nós encontramos no Apocalipse”.

Quando foi proferido este desejo de vingança, seu autor falou por si, e, não em nome do próprio Deus. O conceito acentuado neste texto é o desejo de que a justiça perfeita de Deus seja implementada. A vingança no Antigo Testamento é baseada na justiça de Deus.

A felicidade do salmista não está ligada a morte de crianças inocentes, mas, no triunfo do bem contra o mal.
 
Fonte: Eliel Gaby. Mensageiro da Paz - CPAD - agosto/2012
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Nova provocação a Maomé alimenta debate sobre liberdade de expressão


Embalados por uma nova e explosiva controvérsia - desta vez, provocada pela publicação de várias caricaturas ridicularizando o profeta Maomé no jornal satírico francês "Charlie Hebdo" - intelectuais, ativistas e políticos do Ocidente e do mundo islâmico se dividiram sobre a questão fundamental: onde está a linha divisória entre a liberdade de expressão e a violência? Numa das caricaturas, o profeta está nu.

A publicação causou mais furor no mundo muçulmano e transformou a França em alvo do radicalismo islâmico. O governo reforçou a segurança na sede do jornal, em Paris, e mandou fechar embaixadas, consulados e escolas francesas em cerca de 20 países muçulmanos na sexta-feira (dia de orações), por temer algo parecido ao que aconteceu em Benghazi, na Líbia, na semana passada, quando o embaixador americano Christopher Stevens foi morto por radicais em protesto contra um filme produzido nos EUA, ofensivo ao profeta Maomé. O serviço diplomático europeu reforçou a segurança.

"Deploro o que o jornal fez. As pessoas deveriam ter respeito, mas aparentemente não têm", disse Walter Stevens, chefe do Serviço de Gestão de Crises e Planejamento da UE.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ontem que quando a liberdade de expressão é usada para provocar ou humilhar valores e crenças dos outros, ela não pode ser protegida, ao comentar o filme anti-Islã.

O debate divide muçulmanos. Em Genebra, dois ativistas de direitos humanos do Bahrein, o xeque xiita Mytham al-Salman e Massoud Shadjareh reagiram com tons diferentes, em entrevistas separadas. O primeiro deixou claro que nada justifica violência.

"É um direito dos muçulmanos expressar seu aborrecimento. Mas é proibido exceder o limite. Expressar aborrecimento tem sempre que ser através de meios pacíficos", disse.

O xeque xiita, do Observatório de Direitos Humanos do Bahrein e que foi vice-presidente de uma comissão de tolerância religiosa, acaba de sair de sete meses na prisão por "incitação à violência". Mas na monarquia autocrática do Golfo Pérsico, governada por uma mesma família desde 1783, ativistas como ele estão sendo colocados na prisão sob qualquer pretexto, apenas por criticarem o regime.

"Todos que me conhecem no Bahrein e no exterior sabem que reivindico a não violência", afirmou.

Já Massouh Shadjareh, ativista radicado em Londres, que preside a Comissão Islâmica de Direitos Humanos, disse que é difícil controlar reações quando os limites da "liberdade de expressão" são ultrapassados.

"Liberdade de expressão, sim, mas liberdade para o abuso, não. Você pode me dizer: não concordo com você, suas ideias são duvidosas. Ok. Mas quando você faz tudo para abusar de outro grupo e sistematicamente o demoniza, aí é uma volta aos tempos das Cruzadas, do nazismo, da Bósnia", disse.

Para ele, o filme e as caricaturas são abusos. "Se alguém me dá um pontapé entre as pernas, vou reagir de uma forma. Mas outra pessoa vai reagir de forma mais extrema. Provavelmente vou gritar, enquanto outra pessoa vai revidar. Você não pode dizer que porque ela revidou, tem o direito de nocauteá-la".

Shadjareh reconheceu que insultos ao Papa acontecem e não resultam em onda de violência ou mortes. Mas ainda assim argumentou. "Você não se livra (de punição) quando insulta o judaísmo ou quando insulta alguém por causa da cor da pele. Há certas coisas que são sagradas numa sociedade. O Papa não é".

Ele acusou a Europa de formar sua identidade demonizando os muçulmanos, seguindo a mesma estratégia usada por Adolf Hitler contra os judeus na Alemanha nazista. A melhor forma de evitar a violência, sustentou, é abrir o caminho para que pessoas "que dizem coisas terríveis contra muçulmanos sejam processadas".

A Associação Síria pela Liberdade, com sede em Paris, entrou com ação na Justiça, acusando o "Charlie Hebdo" de incitação pública à discriminação, ao ódio e à violência nacional, racial e religiosa. A Promotoria do país começou a investigar a pirataria da página do jornal na internet, que já anunciou nova tiragem das caricaturas. O governo francês proibiu protestos com medo de que acabem em violência. O caso provocou reação surpreendente dos EUA.

"Não questionamos o direito de serem publicadas, mas simplesmente a escolha que levou à decisão de publicar", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

O episódio desagradou ao governo francês. O chanceler Laurent Fabius disse que não achava "inteligente" a polêmica no atual contexto. Já o premier Jean-Marc Ayrault definiu as caricaturas como "provocação".

A Liga Árabe lançou um apelo à calma aos muçulmanos. A organização de 21 países pediu que os fiéis mantenham "sangue frio" e se manifestem pacificamente contra os "desenhos chocantes e vergonhosos". No Egito, um porta-voz da Irmandade Muçulmana, Mahnoud Gozlan, duvidou que a França trate o caso a sério.

"Quem duvida da existência do Holocausto vai para a prisão, mas quando alguém insulta o Profeta, seus companheiros ou o Islã, o máximo que a França faz é apresentar desculpas em duas palavras", disse ao Le Monde.

O líder salafista libanês Nabil Rahim disse temer uma onda de violência. Na Tunísia, o partido islamista moderado que dirige o país, o Ennahda, condenou a "agressão" contra o profeta, defendeu o direito aos protestos, mas insistiu que eles precisam ser pacíficos.

Até o Vaticano opinou. O jornal da Santa Sé considerou a publicação uma iniciativa discutível que "coloca lenha na fogueira".

Fonte: Jornal Gazeta do Povo. 20.09.2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Filosofia polêmica propõe educar crianças fora de padrões de gênero


Pais adeptos da “criação de gênero neutro” permitem aos filhos usar roupas de fada e às garotas experimentar vivências tidas como masculinas.

Antes mesmo de entrar no quarto da maternidade, você já sabe se a nova mãe teve um menino ou uma menina só pelas cores e pelo tema do enfeite pendurado à porta. Mas hoje um movimento contrário aos padrões de gênero ganha espaço: o “gender neutral parenting”. A “criação de gênero neutro”, em tradução livre, não faz distinção entre meninos e meninas, enxergando apenas uma criança – ou seja, um ser de gênero neutro.

Na prática, esta filosofia vai desde permitir às crianças vivências ligadas ao gênero oposto – como meninos dançarem balé e meninas brincarem de luta – a sequer fazer referências sobre o sexo da criança mesmo para parentes e amigos próximos, a fim de impedir que ela seja tratada dentro dos padrões convencionais.
 
Os pais adeptos da criação de gênero neutro garantem que pretendem, assim, ampliar as experiências de vida dos filhos e permitir que eles escolham, na hora certa, como querem levar a vida. Para os críticos, a falta de modelos definidos causa uma confusão enorme na cabeça das crianças e pode ter efeitos maléficos mais tarde.
 
Um dos casos mais polêmicos foi o de Sasha Laxton. Por cinco anos, os pais se recusaram a revelar o sexo da criança. No início deste ano, na iminência do ingresso na escola, o casal finalmente contou que Sasha é um menino. No cartão de Natal enviado pela família nas últimas festas, ele aparece vestido de fada.

Os pais sempre o incentivaram a brincar com o que quisesse, fossem bonecas, caminhões ou peças de encaixar. Eles também dizem que nunca bloquearam ou forçaram qualquer desejo do menino ao escolher roupas, cortes de cabelo e outros artigos do cotidiano. Garantem, enfim, que Sasha sabe que é um menino, mas tem toda liberdade para ser como quiser.

No espectro oposto, Shiloh Jolie-Pitt, a filha de 6 anos de Brad Pitt e Angelina Jolie, só se veste como menino. "Ela quer ser um garoto, então tivemos que cortar o cabelo dela", declarou Jolie à revista Vanity Fair em 2010. Mas a atriz não está preocupada. "Eu era como ela quando pequena", completou.
 
Shiloh: a filha de Angelina Jolie e Brad Pitt prefere roupas de menino
 
Para o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade, de Gênero e Orientação Sexual do Hospital das Clínicas, em São Paulo, proporcionar opções à criança é válido, mas o exagero não é saudável. “Permitir experiências de meninas e meninos ‘no campo do outro’ é saudável, mas forçar 100% uma situação de gênero neutro é irreal. Isso pode causar o efeito completamente contrário e gerar um adolescente e um adulto muito confuso, que culpa os pais por isso”, explica ele.
 
“Muitas pessoas ainda acham que a questão do gênero é cultural, mas hoje sabemos que, a rigor, a identidade é algo fisiológico também”, completa.

A psicopedagoga Irene Maluf concorda. “Nossos hormônios também são responsáveis por nos fazer procurar nossos desejos e nossos iguais”, diz. “Crianças na faixa dos 2 ou 3 anos já começam a se separar em grupos de meninos e meninas por muitos motivos, desde o comportamento até a impostação de voz”.

Irene explica que, mesmo sem saber, as crianças tendem a formular suas distinções de gênero observando o pai e a mãe. “É quase impossível, portanto, que uma criança seja criada completamente assexuada. E isso é bom, pois diferenciar gêneros é uma das bases do desenvolvimento”, completa.
A filosofia da criação de gênero neutro pode ser aplicada com mais naturalidade. É o caso da designer Denize Barros, que sempre permitiu que o filho Teodoro se expressasse sobre seus gostos. Ele entrou em aulas de balé e já usou maquiagem para brincar. “Teo sempre achou injusto que as meninas pudessem fazer judô sem sofrer pressões, mas o achavam estranho por ir ao balé”, lembra a mãe. “Hoje, aos 8, ele é muito ligado aos ‘gostos de menino’, mas ainda tem uma ternura natural e continua contra essa ideia de ‘coisa de menino ou coisa de menina’”, diz.

Na prática

Se a ideia é criar uma criança que não defina mulheres e homens em rígidos estereótipos, a criação de gênero neutro pode também ser usada em níveis mais moderados, como no caso de Denize. Pais que participam de fóruns sobre o assunto na internet recomendam medidas práticas simples, como vestir a criança com roupas intermediárias (nem tão cheias de babados para meninas, nem de estampas violentas para meninos) e decorar o quarto de modo neutro (com referências à natureza, por exemplo).
 
Muitos pais dizem combinar entre si um revezamento não só ao volante, para abandonar o mito de que os homens são os líderes, mas também na troca de fraldas, na hora do banho, na preparação do jantar. Na TV, há casais que contam revezar até os canais na hora das transmissões de esportes, prestigiando jogos de basquete ou futebol feminino na mesma proporção que o masculino. Frases como “isso é só para meninos” ou “isso não é jeito de uma menina se comportar” são obviamente vetadas.

Se a ideia da igualdade for acordada entre os pais, os mesmos valores e atitudes passarão naturalmente para as crianças. Afinal, o que haveria de estranho em um menino brincar com os colares e anéis da mãe e uma garota querer usar chuteiras? “Deixar as crianças se expressarem é positivo, mas para isso não é necessário ignorar a existência de uma polaridade de gêneros”, conclui o psiquiatra Alexandre Saadeh.

Fonte: http://delas.ig.com.br/filhos/2012-09-15/criacao-de-genero-neutro.html. Acesso em 16.09.12

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O futebol e a preocupação dos brasileiros (Por Elienai Cordova)


Há poucos dias vi, com tristeza, a noticia “terrível” de que o Brasil ocupa 11ª posição no ranking da FIFA. Revolta geral. Querem a cabeça de um tal de “Mano”, xingam um tal “Neymala” como se fosse suas próprias vidas que estivessem em jogo.


Mas a minha tristeza não foi devido a colocação da outrora numero um e sim por que parei e comecei a pensar: o Brasil é o 38° em qualidade de vida, ninguém briga com a Dilma (na verdade ninguém fica sabendo disso, até por que a mídia só mostra o que o povo quer: fu-te-booorr).

Pasmem: o Brasil ocupa o 88° em educação (isso entre 127 países) e ninguém “toca o horror” com o ministro da educação.

Claro, quanto menos o cérebro é usado, menos ele funciona. Ninguém quer pensar. As pessoas pensam o que a mídia diz.

Logo percebo claramente o papel da mídia brasileira: reter a atenção do povo para algo tão ridículo, como o futebol, enquanto coisas tão importantes vão sendo levadas as brecas por um governo tão despreocupado com as questões essenciais.

“Bóra lá”. A “emburrificação” (palavra nova) do brasileiro vai ao ponto de sequer conhecer o nome dos ministros (da educação, por exemplo) de uma nação e saber todos os detalhes de todos os jogadores de vários times.

Reclamam da desigualdade social, da corrupção, mas colaboram para que poucos jogadores ganhem em torno de 1,5 milhões de reais por mês. Repetindo R$ 1.500.000,00, enquanto a galera ganha R$ 622,00 e gasta com cerveja e foguete por causa do dinheiro que os “caras” estão ganhando (sem contar os que precisam gastar com hospitais e remédios). É simplesmente isso que ocorre, pessoas gastando dinheiro por que outros estão ganhando muito.

Agora, voltando ao ranking da educação. Ficamos atrás de Trinidad e Tobago, Azerbaijão, além do japão que ocupa a 1° posição. Pergunto: qual desses paises ocupa grande destaque no mundo esportivo. O japão, por exemplo, se destaca em esportes onde a concentração esta envolvida, e são praticados dentro das escolas, não em aulas vagas pela falta de professor, mas sim como parte integrante do currículo escolar.

Daí questiono: nos momentos em que se assiste uma partida de futebol o quanto você cresce intelectualmente?! Culturalmente?! Espiritualmente?! Nada. Percebe comigo o porquê que o Brasil não cresce? Percebe que estamos em uma nação que esta com a mentalidade medieval: Pão e Circo e o resto é festa.

Resolvi fazer essa analise social, sem utilizar questões religiosas, para vermos o quanto estamos envolvidos em banalidades. Mas... eu não aguento... aqui vai:

Is 55.2: "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor naquilo que não satisfaz?"

Fonte: Texto de Elienai Cordova, publicado em http://elienaicordova.blogspot.com.br/2012/09/o-futebol-e-desigualdade-social.html#comment-form. Acesso em 11.09.2012



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Quem ouve música no trabalho rende mais



Quem ouve música durante o trabalho tende a completar as tarefas com mais rapidez e a ter ideias melhores.
Em termos biológicos, sons melodiosos ajudam a encorajar a liberação de dopamina na área de recompensa do cérebro, o mesmo efeito de se comer algo gostoso, olhar para algo bonito ou sentir um aroma agradável, segundo diz o Dr. Amit Sood, médico de Medicina Integrativa da Clínica Mayo.

A mente das pessoas tende a divagar, “e nós sabemos que uma mente que divaga fica infeliz”, disse Dr. Sood. “Na maior parte do tempo, nós acabamos nos concentrando nas imperfeições da vida”. A música pode trazer-nos de volta ao momento presente.

“Ela tira você desses pen­­­­­samentos”, disse Teresa Lesiuk, professora assistente no programa de musicoterapia na Universidade de Miami.

A pesquisa da Dra. Lesiuk se concentra no modo como a música afeta o desempenho no local de trabalho. Em um estudo envolvendo especialistas em Tecnologia da Informação, ela descobriu que aqueles que ouviam música completavam suas tarefas com maior rapidez e chegavam a ideias melhores do que os que não ouviam música, porque ela melhorava seus humores.

“Quando você está estressado, pode acabar tomando suas decisões com maior pressa; você tem um foco de atenção muito pequeno”, disse ela. “Quando você está com um humor positivo, você é capaz de aceitar mais opções”.

A Dra. Lesiuk descobriu que a escolha pessoal de música era muito importante. Ela permitiu que os participantes de seu estudo selecionassem qualquer música de que gostassem e que ouvissem por quanto tempo quisessem. Os participantes com habilidades moderadas em seus trabalhos foram os que mais se beneficiaram, enquanto os especialistas tiveram pouco ou nenhum efeito. Alguns iniciantes foram da opinião que a música lhes distraía.

A Dra. Lesiuk também descobriu que, quanto mais velho o funcionário, menos tempo ele passa ouvindo música no trabalho.

POLÍTICA INTERNA

Poucas empresas têm políticas sobre ouvir música no trabalho, disse Paul Flaharty, vice-presidente regional da Robert Half Technology, uma agência de RH. Mas ainda assim é uma boa ideia verificar antes com o supervisor, mesmo que veja outros funcionários com fones de ouvido no escritório.

Ele disse que alguns supervisores podem achar que os funcionários usando fones de ouvido não estão plenamente envolvidos com o trabalho e que estão evitando interações importantes “porque estão se isolando em seu próprio mundo”.

“Se alguém não está trabalhando direito”, ele disse, “aí pode vir um dos gerentes e dizer que ele só fica ouvindo música o dia inteiro e isso está atrapalhando a produtividade”.

Para aqueles que escolhem ouvir música, o melhor é estabelecer limites, porque usar fones de ouvido o tempo inteiro pode ser visto como falta de educação por quem estiver por perto.

CONCENTRAÇÃO

O Dr. Sood, da Clínica Mayo diz que um tempo de apenas 15 minutos a meia hora de música já basta para recuperar a concentração. Músicas sem letras costumam funcionar melhor, segundo ele.

Daniel Rubin, colunista do Philadelphia Inquirer, disse ter o costume de ouvir jazz e concertos de piano durante a maior parte de sua carreira de 33 anos no jornal – mas só quando escrevia próximo do prazo. Ele começou usando um Sony Walkman, mas agora faz uso dos seus 76 dias de música disponíveis na playlist de seu iTunes.

“O colega batucando com os dedos a três mesas de distância e o outro cantarolando do meu lado fazem uma quantidade igual de barulho e é difícil de ignorar”, ele disse.

Fonte: Jornal Gazeta do Povo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Conferência Teológica na A.D. Curitiba



Informações: Faculdade Cristã de Curitiba - Rua Mariano Torres, 110 / Centro - Curitiba/PR
(41) 3232-3711

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fumar maconha na adolescência reduz capacidade intelectual


Início precoce e uso contínuo da droga gerou declínio médio de 8 pontos nos testes de quociente de inteligência (QI) entre os 13 e os 38 anos.

Adolescentes que se viciam em maconha antes de chegarem aos 18 anos podem estar provocando lesões permanentes em inteligência, memória e atenção, segundo os resultados de um grande estudo publicado nesta segunda-feira.

Pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos descobriram que o uso persistente e dependente da maconha antes dos 18 anos de idade pode ter um efeito neurotóxico, mas que o uso frequente de maconha depois dos 18 anos parece ser menos prejudicial ao cérebro.

Uma professora de psicologia e neurociência no Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, Terrie Moffitt, disse que o alcance e a duração do estudo, que envolveu mais de 1.000 pessoas acompanhadas por mais de 40 anos, davam peso adicional aos resultados.
"É um estudo tão especial que estou bem confiante de que a maconha é segura para quem tem mais de 18 anos, mas um risco para quem tem menos", ela disse.

Antes dos 18 anos o cérebro ainda está sendo organizado e remodelado para se tornar mais eficiente, e pode ser mais vulnerável a danos das drogas, acrescentou.

Moffitt trabalhou com Madeleine Meier, uma pesquisadora de pós-doutorado da Universidade Duke nos Estados Unidos, analisando dados de 1.037 neozelandeses que participaram do estudo. Cerca de 96% dos participantes originais continuaram no estudo de 1972 até hoje, ela explicou.

Aos 38 anos, os participantes foram submetidos a uma bateria de testes psicológicos para avaliar sua memória, velocidade de processamento, racionalização e processamento visual. Os que usaram maconha de forma persistente quando adolescentes tiraram notas significantemente piores na maior parte dos testes.

Amigos e parentes regularmente entrevistados como parte do estudo tinham mais propensão a relatar que os fortes usuários de maconha tinham problemas de memória e de atenção, como perda de foco e o esquecimento de tarefas.

Os pesquisadores também descobriram que pessoas que começaram a usar maconha na adolescência e continuaram durante anos mostravam um declínio médio de 8 pontos nos testes de quociente de inteligência (QI) entre os 13 e os 38 anos.

"As pessoas submetidas ao estudo que não usaram maconha até serem adultas e terem o cérebro totalmente formado não mostraram declínios mentais similares", disse Moffitt.

Ela disse que o declínio do QI não podia ser explicado pelo uso de álcool ou de outras drogas ou por ter menos educação, e Meier disse que a variável chave era a idade que as pessoas começaram a usar maconha.

Meier afirmou que a mensagem do estudo era clara: "a maconha não é inofensiva, principalmente para os adolescentes".

* Por Kate Kelland

Fonte: Jornal Gazeta do Povo. 28/08/2012.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O ateísmo "paz e amor" de Rebecca Goldstein



Em entrevista ao site de VEJA, a "ateia com alma" Rebecca Goldstein critica o radicalismo de crentes e descrentes e comenta seu novo livro, uma saborosa "cilada" para os fanáticos de ambos os lados.

Uma ateia em missão de paz. É assim que Rebecca Goldstein, doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora na área de psicologia em Harvard (EUA), se posiciona nas discussões, sempre acaloradas, entre ateus e religiosos.

Em seu novo livro, 36 Argumentos Para a Existência de Deus (Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais), Rebecca faz uma crítica ao radicalismo de ambos os lados. E um convite à conciliação. "Ateus têm que deixar o pedantismo de lado e parar de dizer como os religiosos devem pensar", diz ao site de VEJA. "E religiosos têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal."

Mistura de romance, ensaio filosófico e divulgação científica, 36 Argumentos... é uma saborosa provocação - para crentes e descrentes - dividida em duas partes. Na primeira, conta a história do "ateu com alma" Cass Seltzer, um psicólogo subitamente famoso por causa de um livro em que refuta... 36 argumentos sobre a existência de Deus. Ao final da aventura de Seltzer, que inclui experiências transcendentais, um apêndice reúne os 36 argumentos e os desmonta, um a um, com base em razões da biologia, astronomia, geologia, matemática, filosofia...



De que Deus a senhora fala em 36 Argumentos...? É o Deus das religiões abraâmicas - Judaísmo, Cristianismo e Islamismo -, que tem três características principais. Primeiro, esse Deus existe fora do espaço e do tempo e decidiu criar o mundo e as leis da natureza a partir do nada. Segundo, ele tem um interesse moral nesse mundo — na diferença entre o bem e o mal, naquilo que devemos ou não fazer. Por fim, esse Deus interfere nesse mundo por meio de revelações, escrituras ou milagres.

A senhora acredita nesse Deus que acabou de descrever? Não. Penso que podemos estabelecer moralidade sem teologia. Mas amo a definição de Deus do filósofo holandês Spinoza (1632-1677). Ele admite experiências transcendentais, mas não as justifica a partir da existência de um Deus abraâmico. Para ele, Deus e a natureza — o próprio universo — são a mesma coisa.

É possível ser um "ateu com alma", como o personagem principal de seu livro, o psicólogo Cass Seltzer? Sim, é possível. O que faz de Cass meu herói ateu é que ele se mostra aberto a experiências transcendentais. É esse amor pelo universo que se expressa tão facilmente como religião. É aquela sensação grandiosa, magnífica, difícil de verbalizar, que às vezes nos toma completamente. É o combustível da grande arte, por assim dizer. É algo que o mundo secular não consegue traduzir ainda. Mas isso é porque o idioma religioso está pronto. A humanidade está há milênios exercitando essa linguagem. Já a tradução secular dessas experiências ainda está sendo desenvolvida.

Existe alguma explicação racional para essas sensações transcendentais? Não acho que entendemos o suficiente a mente humana — ainda — para explicar por que somos capazes de experimentar essas coisas grandiosas. É uma área misteriosa. Contudo, não acho que isso coloque o ateísmo em contradição.

Em que diferem as experiências de ateus e religiosos? Filosoficamente, penso que temos muitas personalidades. Quando estamos lidando com questões que estão além de uma resposta definitiva, como a existência de Deus, então nossa 'personalidade filosófica' entra em cena. É a maneira como encaramos o mundo, a forma como nos orientamos. Algumas pessoas escolhem canalizar suas experiências transcendentais em termos religiosos. Outras, em termos seculares. Seja qual for a decisão tomada, precisamos considerar as limitações dos dois lados. Os seculares precisam entender os limites da ciência e tolerar os mistérios. Já os religiosos, que a ciência pretende dar respostas honestas sobre a natureza e não deturpá-la.

Existe um meio-termo? Com certeza. Mas primeiro os ateus têm que acabar com o pedantismo. Eles não têm que ensinar como as pessoas religiosas devem pensar. Isso é revoltante e tem que parar. Além disso, as pessoas religiosas têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado. Isso é falso - existe toda uma filosofia moral que fez muito bem ao mundo e nos tirou da idade das trevas, por exemplo. Quando os dois grupos deixarem de fazer essas coisas, será ótimo. As pessoas poderão ver que o modo como enxergam o mundo é muito semelhante. Se você é religioso, tente se aproximar de um ateu e entender, sem reservas, como ele enxerga o mundo moralmente, independente de suas convicções fundamentais. Se for ateu, faça o mesmo com uma pessoa religiosa.

O seu livro seria então uma tentativa de pacificar o debate? Com certeza. E as reações das pessoas têm sido muito agradáveis. Tanto de pessoas muito religiosas quanto de ateus fervorosos. Acredito que isso acontece por causa da maneira como apresento os elementos desse debate. A ficção, nesse caso, é sorrateira. O romance é capaz de seduzir pessoas de ambos os lados e superar o preconceito. Ateus e religiosos acabam achando pontos em comum e no fim percebem que concordam mais do que discordam sobre o mundo.

Por que misturar a forma do romance com um apêndice científico? O apêndice do livro mostra como eu penso. Eu queria que ele exercesse uma tensão na história que o precede. É uma forma honesta de mostrar os argumentos mais comuns a favor da existência de Deus e as falácias de cada um deles. Já o romance retrata a emoção que envolve esse debate. A emoção raramente está presente nesses debates justamente por ser tão complicada de retratar. Isso depende do modo como vemos o mundo, as decisões que tomamos, nossa experiência de vida e assim por diante. Tudo isso fica fora das discussões filosóficas sobre a existência de Deus. Contudo, incluí a emoção no formato de romance para servir de contraste ao apêndice. Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre os dois lados antagônicos.

Alguns ateus consideram pessoas religiosas intelectualmente inferiores, e alguns religiosos consideram imorais os ateus. Qual a sua opinião? É algo muito, muito triste. As duas afirmações são falsas. Venho de uma família judaica muito religiosa. E muitos de meus parentes religiosos são muito mais espertos do que eu, que sou ateia. Por isso, sei que experimentar o mundo de um jeito religioso e colocar essas sensações na linguagem religiosa não é um sinal de inferioridade intelectual.

Onde a senhora acha que esse debate irá nos levar? Espero que o debate seja respeitoso e honesto. Que as pessoas consigam encontrar as semelhanças e trabalhar a partir daí. A civilização é tudo o que temos.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/36-argumentos-para-a-existencia-de-deus-ou-contra#Pergunta 7

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

É correto orar por animais?



Na Bíblia encontramos os mais diversos tipos de orações, não só quanto a forma, mas também quanto ao conteúdo. A própria coletânea dos salmos é um exemplo disso!

O centro de nossas orações de pedidos deve ser as necessidades humanas e as que dizem respeito à realização do reino de Deus em nossa vida. (Mt 6.33: Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas).

Agora vejamos que relação têm os animais com o homem:

“(Dou) a todos, os animais da terra, a todas as aves dos céus, a tudo que se arrasta sobre a terra e em que haja sopro de vida... (ao domínio humano)” (Gn 1, 30).

O homem é chamado a usar com prudência tudo que Deus lhe deu, inclusive os animais, tendo consciência de que tudo foi feito em função do próprio homem. Nesse sentido orar pelos animais tem fundamento quando se faz relação com os homens. Depois precisamos saber o que pedir a Deus em relação aos animais. Seria inútil pedirmos, por exemplo, que Deus os leve para o céu, uma vez que os animais não possuem alma como nós seres humanos.

Podemos orar pelos animais, porém nunca atribuindo a eles necessidades exclusivamente humanas, tais como salvação, resistência à tentação, etc. Ademais Paulo muito bem diz: “Em todas as circunstâncias dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.” (1Ts 5.18).





quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Adoração de Anjos




Haziel, Caliel, Lecabel, Manakel, Mumiah, Ierathel, Omael, Mitzrael, estes são apenas oito nomes de anjos de uma classe de setenta e dois retirados da Cabala Judaica e dispostos no livro Anjos Cabalísticos de Mônica Buonfiglio que, aliás, à época de sua publicação, vendia cerca de três mil exemplares por dia!

Cada um desses anjos, assim como os signos do zodíaco, estão classificados e relacionados aos meses e aos dias da semana, a fim de que os consulentes descubram o seu “anjo da guarda” e a ele preste culto, de acordo com sua data de nascimento. Exércitos de pessoas foram arrebanhadas por essa “nova ordem” cúltica dos fins dos tempos.

Os anjos são invocados, pessoas pregam em nome deles, ministram terapias e evocam curas através de seus poderes. Afirma-se que estão mais próximos de nós do que Deus, e que resolveram revelar-se no fim dos tempos para ajudar a humanidade. O sol ainda não havia se posto no horizonte do ceticismo quando foi eclipsado pelas crenças desenfreadas nos gnomos, duendes e pedras energéticas e, agora, ao que parece, nos anjos.

O sofisma esotérico de que os anjos estão mais próximos de nós do que Deus, e por isso, são intermediadores entre o mundo espiritual e terrenal, não é novo. Na igreja em Colossos (2.18) Paulo debatia contra as religiões de mistério da antiga Grécia que afirmavam que os demiurgos ou aeons (seres espirituais entre os homens e Deus) estavam mais próximos de nós do que Deus. Os gnósticos tentaram introduzir esse falso ensino na igreja cristã. Os iniciados, os conhecedores dos mistérios mais profundos, eram os que cultuavam e reverenciavam os seres angélicos. Na cidade de Colossos, todos conheciam a lenda de que o arcanjo Miguel era o responsável pela existência do rio Lico. Por essa razão, um templo fora construído em sua homenagem às margens do rio da cidade.


Justino Mártir (século II) informa-nos de que alguns crentes veneravam as hostes dos anjos bons. No século IV, o culto aos anjos tornou-se uma prática generalizada entre a cristandade, da qual o arcanjo Miguel era o anjo principal. A proeminência dos seres angélicos nota-se até mesmo na arte da Igreja Medieval, principalmente no período lúgubre da Igreja, descrita pelos iluministas como a “Era das Trevas”. 


Na modernidade ainda jorra um filete acanhado dessa vertente gnóstica nalgumas igrejas cristãs, principalmente pentecostais e neopentecostais. Nessas comunidades, a declaração da presença de um anjo ou uma visão deste arrebata freneticamente os cristãos, muito mais do que a exposição das Escrituras Sagradas. Nessas combalidas comunidades os anjos são canonizados através dos cânticos, dos chavões, da linguagem mítica e hierofânica. Os membros de algumas dessas igrejas são incentivados a terem experiências místicas com seres celestes – evoca-se mais a presença deles do que a do próprio Cristo que os criou (Cl 1.16,17; 2.18). É a igreja perdendo a direção e prioridade na modernidade tardia (Ef 3.10). Todavia, Paulo advertiu a igreja que estava em Colossos contra o culto aos anjos, e principalmente a respeito dos mestres e pregadores itinerantes que, sob a máscara da humildade, deturpavam o direito do próprio Deus – o culto, adoração.


O Apóstolo João, que recebeu na História da Igreja a alcunha de “o Divino”, por ser considerado o mais espiritual e místico dentre os apóstolos, no esplendor da glória que lhe havia sido revelada no Apocalipse, foi repreendido por duas vezes por um anjo, ao prostrar-se aos pés do que lhe falava a fim de adorá-lo: “Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus.” (Ap 19.10 cf. Ap 22.8,9). Isto confirma que os anjos são seres criados, conservos daqueles que guardam o testemunho de Cristo, espíritos que ministram a favor dos que herdarão a vida eterna, e por isso, não devem ser adorados. A verdadeira espiritualidade está na adoração centrada em Deus e somente nEle.


Cabem aqui as sensatas palavras de William Baker que afirmou: “Existe uma única maneira de desmitologizar as fantasias populares a respeito dos anjos – voltar à realidade bíblica”. Não me admiro de que o mundo não conheça a doutrina bíblica dos anjos, pois os próprios crentes a têm ignorado.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

O complicado problema do sofrimento


"Vida sem sofrimento só existe em sonhos e programas utópicos, não, porém, na realidade".
Erhard S. Gerstenberger

Muito embora não seja uma tarefa fácil, é preciso sobreviver frente ao sofrimento. Essa é uma experiência muito dolorosa que varia de intensidade, desde o quase nenhum sofrimento até situações quase insuportáveis, mesmo considerando a presença de Deus. Pode tanto durar pouco tempo como pode durar um longo período.

O sofrimento não é causado exclusivamente pela dor física, pela doença e pela morte. A simples falta de tato de uma pessoa próxima pode causar algum sofrimento. A ingratidão, a injustiça, o abandono, a falta de compreensão e a ausência de uma pessoa amada podem proporcionar grande sofrimento. A melancolia, a saudade, a solidão, a tristeza e especialmente a depressão são problemas muito sérios. O desemprego, a miséria, a fome, os déficits mensais, a insegurança e a bancarrota financeira são fontes de sofrimento. A separação conjugal sempre é motivo de sofrimento. Talvez caiba aos traumas, às enfermidades e sobretudo à morte de um ente querido a angústia maior. O próprio processo de envelhecimento costuma abalar a estrutura emocional de um idoso. A prova disso é que “desde Caim até Jó e desde o Gólgota até as visões do Apocalipse, há poucas páginas bíblicas que não tocam de perto ou de longe esta dura realidade da existência humana” (S. Amster).

Enquanto “o último inimigo” (a morte) não for vencido (1 Co 15.26), o sofrimento há de permear a existência humana, embora possa ser atenuado por “um nexo semelhante ao que existe entre dores de parto e alegrias maternas”, como diz Joseph Scharbert.

O ser humano está sujeito a inúmeras tentações. Uma delas é a tentação do sofrimento. C. S. Lewis explica que “o sofrimento como o megafone de Deus é um instrumento terrível, podendo levar à rebelião final, que não dá lugar ao arrependimento”.

O sofrimento pode provocar várias tentações — a tentação da superindagação (a de querer entender a razão do sofrimento), a tentação da exageração (a de ampliar a dor desnecessariamente), a tentação da fixação (a de não querer consolo), a tentação da amargura (a de misturar o sofrimento com decepção, ódio, ira e agressividade) e a tentação da apostasia (a de perder a fé e os padrões de comportamento, entregando-se ao álcool, às drogas, à violência e ao desregramento total).

A sobrevivência da fé e da ética face ao sofrimento pode ser difícil, mas é possível. Deus não controla apenas a tentação que atiça desejos pecaminosos. Ele controla também a tentação do sofrimento, mostrando-se e mostrando também a glória que há de vir, de tal forma que conseguimos raciocinar assim: “Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm 8.18). C. S. Lewis diz que “o sofrimento oferece uma oportunidade para o heroísmo” e acrescenta que “essa oportunidade é aceita com surpreendente freqüência”.

O mesmo Lewis explica que “o problema de conciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus só é insolúvel enquanto associarmos um significado trivial à palavra ‘amor’ e considerarmos as coisas como se o homem fosse o centro delas”.

Os que sofrem como crentes sabem muito bem que o sofrimento costuma purificar a piedade e aumentar a fé e a comunhão com Deus.

Fonte: Revista Ultimato. Edição 290, setembro e outubro de 2004.



quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ética Cristã

Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual; a vida da empresa, da igreja, a vida da nossa família... Enfim, a vida de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções ou pré-convicções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas “ciências exatas” é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que somos, cremos, desejamos, objetivamos e vivemos.

As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso próprio mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.

A nossa palavra "ética" vem do grego eqikh, que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios ideais da conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade.

Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Alternativas Éticas


Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e religiosa.

Éticas Humanísticas


As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.

Hedonismo


Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego |hdonh, "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.

Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.

Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais de hedonismo.

Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.

Utilitarismo

Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.

A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números.

Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber “como” e não “por quê?”.

Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.

Existencialismo


Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.

Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.

O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

Ética Naturalística

Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.

Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.

A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.


Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.

Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.
 
Éticas Religiosas

São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desse sistema mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido. 

Éticas Religiosas Não Cristãs


No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação.

O conceito hindú de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.

O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.

É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse Deus.

A Ética Cristã


Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.

Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:

1. A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.

2. A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da "bondade inerente" de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.

3. O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.

4. Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.

Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.

É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.

É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.

A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais os homens poderão chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são à vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

Fonte: Texto do Rev. Augustus Nicodemus Lopes, disponível em http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-R&article=907&menu=7&submenu=3.
Acesso em 26.07.2012