sábado, 14 de dezembro de 2013

Fumantes são mais infelizes, indica estudo feito na PUC de Porto Alegre


Segundo aponta pesquisa, tabagismo pode levar à ansiedade e depressão. Estudos estão esmitificando a ideia de que o cigarro pode ser calmante.

Pesquisas recentes estão acabando com o mito de que o cigarro pode funcionar como um “calmante” em momentos de ansiedade e nervosismo. O hábito de fumar, na verdade, pode tornar as pessoas mais infelizes e levar à depressão, aponta um estudo feito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.

A pesquisa foi realizada com 1.021 pacientes do Ambulatório de Cessação do Tabagismo do Hospital São Lucas da PUCRS e comparou grupos de fumantes, ex-fumantes e pessoas que nunca fumaram. Os resultados mostraram que os primeiros atingiram, em média, 50% a mais de pontos do que os demais em uma escala usada para medir o grau de depressão.

Entre o grupo de tabagistas, os que fumavam mais cigarros por dia e por mais tempo apresentaram quadros de depressão mais profundos. Para o pneumologista José Miguel Chatkin, coordenador do estudo, os resultados reforçam a noção de que a nicotina ou outras substâncias inaladas na fumaça do cigarro podem ser causadores de ansiedade e depressão.

“Inúmeros trabalhos têm mostrado que o grau de ansiedade e de depressão de fumantes são maiores. Não fumantes e ex-fumantes são mais felizes em vários aspectos da vida, como satisfação com a posição profissional e com a vida pessoal”, explica o médico.

O pneumologista diz que até poucos anos atrás predominava, mesmo entre os profissionais de saúde, a noção de que o fumante utilizava o cigarro como uma automedicação, um ansiolítico ou antidepressivo, para aliviar o mal-estar que sentia. As pesquisas recentes, no entanto, estão derrubando esse mito e demonstrando que o tabagismo pode estar associado a outros malefícios, além dos já conhecidos pela medicina.

O estudo não constatou diferenças significativas entre homens e mulheres. Também mostrou que ex-fumantes apresentavam grau de ansiedade ou depressão praticamente igual ao do grupo de pessoas que nunca fumou, resultado considerado importante para orientar o trabalho de especialistas no tratamento de pacientes que desejam abandonar o vício.

“Esse é um argumento fundamental para ser utilizado com o tabagista. Durante o tratamento, existe um momento de turbulência, provocado pela crise de abstinência, que dura cerca de uma semana. O fumante fica pensando em como será a vida dele sem a 'bengala' que é o cigarro. Mas ele precisa entender que, passada essa fase, ele terá um ganho de qualidade de vida significativo”, destaca Chatkin.

Parte da tese de doutorado de uma bióloga, o estudo feito na PUCRS foi publicado no British Journal of Psychiatry e apresentado em uma conferência nos Estados Unidos. Agora, ele dará origem a outra pesquisa, mais completa, com acompanhamento de pacientes antes e depois de largarem o cigarro. A intenção é saber se a melhora no humor tem relação com o tabagismo ou se deve ao fato do ex-fumante sentir-se melhor por ter conseguido vencer a batalha contra o fumo.

Fonte: Márcio Luiz. Disponível em http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/12/fumantes-sao-mais-infelizes-indica-estudo-feito-na-puc-de-porto-alegre.html. Acesso em: 14.12.13

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O engano da Teologia Inclusiva

 
O padrão de Deus para o exercício da sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente do casamento. Nesta área, a Bíblia só deixa duas opções para os cristãos: casamento heterossexual e monogâmico ou uma vida celibatária. À luz das Escrituras, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são vistas não como opção ou alternativa, mas sim como abominação, pecado e erro, sendo tratada como prática contrária à natureza. Contudo, neste tempo em que vivemos, cresce na sociedade em geral, e em setores religiosos, uma valorização da homossexualidade como comportamento não apenas aceitável, mas supostamente compatível com a vida cristã. Diferentes abordagens teológicas têm sido propostas no sentido de se admitir que homossexuais masculinos e femininos possam ser aceitos como parte da Igreja e expressar livremente sua homoafetividade no ambiente cristão.

 
Existem muitas passagens na Bíblia que se referem ao relacionamento sexual padrão, normal, aceitável e ordenado por Deus, que é o casamento monogâmico heterossexual. Desde o Gênesis, passando pela lei e pela trajetória do povo hebreu, até os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento, a tradição bíblica aponta no sentido de que Deus criou homem e mulher com papéis sexuais definidos e complementares do ponto de vista moral, psicológico e físico. Assim, é evidente que não é possível justificar o relacionamento homossexual a partir das Escrituras, e muito menos dar à Bíblia qualquer significado que minimize ou neutralize sua caracterização como ato pecaminoso. Em nenhum momento, a Palavra de Deus justifica ou legitima um estilo homossexual de vida, como os defensores da chamada “teologia inclusiva” têm tentado fazer. Seus argumentos têm pouca ou nenhuma sustentação exegética, teológica ou hermenêutica.

 
A “teologia inclusiva” é uma abordagem segundo a qual, se Deus é amor, aprovaria todas as relações humanas, sejam quais forem, desde que haja este sentimento. Essa linha de pensamento tem propiciado o surgimento de igrejas onde homossexuais, nesta condição, são admitidos como membros e a eles é ensinado que o comportamento gay não é fator impeditivo à vida cristã e à salvação. Assim, desde que haja amor genuíno entre dois homens ou duas mulheres, isso validaria seu comportamento, à luz das Escrituras. A falácia desse pensamento é que a mesma Bíblia que nos ensina que Deus é amor igualmente diz que ele é santo e que sua vontade quanto à sexualidade humana é que ela seja expressa dentro do casamento heterossexual, sendo proibidas as relações homossexuais.

 
Em segundo lugar, a “teologia inclusiva” defende que as condenações encontradas no Antigo Testamento, especialmente no livro de Levítico, se referem somente às relações sexuais praticadas em conexão com os cultos idolátricos e pagãos, como era o caso dos praticados pelas nações ao redor de Israel. Além disso, tais proibições se encontram ao lado de outras regras contra comer sangue ou carne de porco, que já seriam ultrapassadas e, portanto, sem validade para os cristãos. Defendem ainda que a prova de que as proibições das práticas homossexuais eram culturais e cerimoniais é que elas eram punidas com a morte – coisa que não se admite a partir da época do Novo Testamento. 

 
É fato que as relações homossexuais aconteciam inclusive – mas não exclusivamente – nos cultos pagãos dos cananeus. Contudo, fica evidente que a condenação da prática homossexual transcende os limites culturais e cerimoniais, pois é repetida claramente no Novo Testamento. Ela faz parte da lei moral de Deus, válida em todas as épocas e para todas as culturas. A morte de Cristo aboliu as leis cerimoniais, como a proibição de se comer determinados alimentos, mas não a lei moral, onde encontramos a vontade eterna do Criador para a sexualidade humana. Quando ao apedrejamento, basta dizer que outros pecados punidos com a morte no Antigo Testamento continuam sendo tratados como pecado no Novo, mesmo que a condenação capital para eles tenha sido abolida – como, por exemplo, o adultério e a desobediência contumaz aos pais.
 

PECADO E DESTRUIÇÃO

 
Os teólogos inclusivos gostam de dizer que Jesus Cristo nunca falou contra o homossexualismo. Em compensação, falou bastante contra a hipocrisia, o adultério, a incredulidade, a avareza e outros pecados tolerados pelos cristãos. Este é o terceiro ponto: sabe-se, todavia, que a razão pela qual Jesus não falou sobre homossexualidade é que ela não representava um problema na sociedade judaica de sua época, que já tinha como padrão o comportamento heterossexual. Não podemos dizer que não havia judeus que eram homossexuais na época de Jesus, mas é seguro afirmar que não assumiam publicamente esta conduta. Portanto, o homossexualismo não era uma realidade social na Palestina na época de Jesus. Todavia, quando a Igreja entrou em contato com o mundo gentílico – sobretudo as culturas grega e romana, onde as práticas homossexuais eram toleradas, embora não totalmente aceitas –, os autores bíblicos, como Paulo, incluíram as mesmas nas listas de pecados contra Deus. Para os cristãos, Paulo e demais autores bíblicos escreveram debaixo da inspiração do Espírito Santo enviado por Jesus Cristo. Portanto, suas palavras são igualmente determinantes para a conduta da Igreja nos dias de hoje.

 
O quarto ponto equivocado da abordagem que tenta fazer do comportamento gay algo normal e aceitável no âmbito do Cristianismo é a suposição de que o pecado de Sodoma e Gomorra não foi o homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com os hóspedes de Ló. A base dos teólogos inclusivos para esta afirmação é que no original hebraico se diz que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (Gênesis 19.5) e não abusar sexualmente deles, como é traduzido em várias versões, como na Almeida atualizada. Outras versões como a Nova versão internacional e a Nova tradução na linguagem de hoje entendem que conhecer ali é conhecer sexualmente e dizem que os concidadãos de Ló queriam “ter relações” com os visitantes, enquanto a SBP é ainda mais clara: “Queremos dormir com eles”. Usando-se a regra de interpretação simples de analisar palavras em seus contextos, percebe-se que o termo hebraico usado para dizer que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (yadah) é o mesmo termo que Ló usa para dizer que suas filhas, que ele oferecia como alternativa à tara daqueles homens, eram virgens: “Elas nunca conheceram (yadah) homem”, diz o versículo 8. Assim, fica evidente que “conhecer”, no contexto da passagem de Gênesis, significa ter relações sexuais. Foi esta a interpretação de Filo, autor judeu do século 1º, em sua obra sobre a vida de Abraão: segundo ele, "os homens de Sodoma se acostumaram gradativamente a ser tratados como mulheres."

 
Ainda sobre o pecado cometido naquelas cidades bíblicas, que acabaria acarretando sua destruição, a “teologia inclusiva” defende que o profeta Ezequiel claramente diz que o erro daquela gente foi a soberba e a falta de amparo ao pobre e ao necessitado (Ez 16.49). Contudo, muito antes de Ezequiel, o “sodomita” era colocado ao lado da prostituta na lei de Moisés: o rendimento de ambos, fruto de sua imoralidade sexual, não deveria ser recebido como oferta a Deus, conforme Deuteronômio 23.18. Além do mais, quando lemos a declaração do profeta em contexto, percebemos que a soberba e a falta de caridade era apenas um entre os muitos pecados dos sodomitas. Ezequiel menciona as “abominações” dos sodomitas, as quais foram a causa final da sua destruição: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali” (Ez 16.49-50). Da mesma forma, Pedro, em sua segunda epístolas, refere-se às práticas pecaminosas dos moradores de Sodoma e Gomorra tratando-as como “procedimento libertino”.

 
Um quinto argumento é que haveria alguns casos de amor homossexual na Bíblia, a começar pelo rei Davi, para quem o amor de seu amigo Jônatas era excepcional, “ultrapassando o das mulheres” (II Samuel 1.26). Contudo, qualquer leitor da Bíblia sabe que o maior problema pessoal de Davi era a falta de domínio próprio quanto à sua atração por mulheres. Foi isso que o levou a casar com várias delas e, finalmente, a adulterar com Bate-Seba, a mulher de Urias. Seu amor por Jônatas era aquela amizade intensa que pode existir entre duas pessoas do mesmo sexo e sem qualquer conotação erótica. Alguns defensores da “teologia inclusiva” chegam a categorizar o relacionamento entre Jesus e João como homoafetivo, pois este, sendo o discípulo amado do Filho de Deus, numa ocasião reclinou a sua cabeça no peito do Mestre (João 13.25). Acontece que tal atitude, na cultura oriental, era uma demonstração de amizade varonil – contudo, acaba sendo interpretada como suposta evidência de um relacionamento homoafetivo. Quem pensa assim não consegue enxergar amizade pura e simples entre pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir uma conotação sexual.

 
“TORPEZA”

 
Há uma sexta tentativa de reinterpretar passagens bíblicas com objetivo de legitimar a homossexualidade. Os propagadores da “teologia gay” dizem que, no texto de Romanos 1.24-27, o apóstolo Paulo estaria apenas repetindo a proibição de Levítico à prática homossexual na forma da prostituição cultual, tanto de homens como de mulheres – proibição esta que não se aplicaria fora do contexto do culto idolátrico e pagão. Todavia, basta que se leia a passagem para ficar claro o que Paulo estava condenando. O apóstolo quis dizer exatamente o que o texto diz: que homens e mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza, e que se inflamaram mutuamente em sua sensualidade – homens com homens e mulheres com mulheres –, “cometendo torpeza” e “recebendo a merecida punição por seus erros”. E ao se referir ao lesbianismo como pecado, Paulo deixa claro que não está tratando apenas da pederastia, como alguns alegam, visto que a mesma só pode acontecer entre homens, mas a todas as relações homossexuais, quer entre homens ou mulheres.

 
É alegado também que, em I Coríntios 6.9, os citados efeminados e sodomitas não seriam homossexuais, mas pessoas de caráter moral fraco (malakoi, pessoa “macia” ou “suave”) e que praticam a imoralidade em geral (arsenokoites, palavra que teria sido inventada por Paulo). Todavia, se este é o sentido, o que significa as referências a impuros e adúlteros, que aparecem na mesma lista? Por que o apóstolo repetiria estes conceitos? Na verdade, efeminado se refere ao que toma a posição passiva no ato homossexual – este é o sentido que a palavra tem na literatura grega da época, em autores como Homero, Filo e Josefo – e sodomita é a referência ao homem que deseja ter coito com outro homem.

 
Há ainda uma sétima justificativa apresentada por aqueles que acham que a homossexualidade é compatível com a fé cristã. Segundo eles, muitas igrejas cristãs históricas, hoje, já aceitam a prática homossexual como normal – tanto que homossexuais praticantes, homens e mulheres, têm sido aceitos não somente como membros mas também como pastores e pastoras. Essas igrejas, igualmente, defendem e aceitam a união civil e o casamento entre pessoa do mesmo sexo. É o caso, por exemplo, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos – que nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil –, da Igreja Episcopal no Canadá e de igrejas em nações européias como Suécia, Noruega e Dinamarca, entre outras confissões. Na maioria dos casos, a aceitação da homossexualidade provocou divisões nestas igrejas, e é preciso observar, também, que só aconteceu depois de um longo processo de rejeição da inspiração, infalibilidade e autoridade da Bíblia. Via de regra, essas denominações adotaram o método histórico-crítico – que, por definição, admite que as Sagradas Escrituras são condicionadas culturalmente e que refletem os erros e os preconceitos da época de seus autores. Desta forma, a aceitação da prática homossexual foi apenas um passo lógico. Outros ainda virão. Todavia, cristãos que recebem a Bíblia como a infalível e inerrante Palavra de Deus não podem aceitar a prática homossexual, a não ser como uma daquelas relações sexuais consideradas como pecaminosas pelo Senhor, como o adultério, a prostituição e a fornicação.

 
Contudo, é um erro pensar que a Bíblia encara a prática homossexual como sendo o pecado mais grave de todos. Na verdade, existe um pecado para o qual não há perdão, mas com certeza não se trata da prática homossexual: é a blasfêmia contra o Espírito Santo, que consiste em atribuir a Satanás o poder pelo qual Jesus Cristo realizou os seus milagres e prodígios aqui neste mundo, mencionado em Marcos 3.22-30. Consequentemente, não está correto usar a Bíblia como base para tratar homossexuais como sendo os piores pecadores dentre todos, que estariam além da possibilidade de salvação e que, portanto, seriam merecedores de ódio e desprezo. É lamentável e triste que isso tenha acontecido no passado e esteja se repetindo no presente. A mensagem da Bíblia é esta: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”, conforme Romanos 3.23. Todos nós precisamos nos arrepender de nossos pecados e nos submetermos a Jesus Cristo, o Salvador, pela fé, para recebermos o perdão e a vida eterna.
 

Lembremos ainda que os autores bíblicos sempre tratam da prática homossexual juntamente com outros pecados. O 20º capítulo de Levítico proíbe não somente as relações entre pessoas do mesmo sexo, como também o adultério, o incesto e a bestialidade. Os sodomitas e efeminados aparecem ao lado dos adúlteros, impuros, ladrões, avarentos e maldizentes, quando o apóstolo Paulo lista aqueles que não herdarão o Reino de Deus (I Coríntios 6.9-10). Porém, da mesma forma que havia nas igrejas cristãs adúlteros e prostitutas que haviam se arrependido e mudado de vida, mediante a fé em Jesus Cristo, havia também efeminados e sodomitas na lista daqueles que foram perdoados e transformados.

 
COMPAIXÃO

 
É fundamental, aqui, fazer uma importante distinção. O que a Bíblia condena é a prática homossexual, e não a tentação a esta prática. Não é pecado ser tentado ao homossexualismo, da mesma forma que não é pecado ser tentado ao adultério ou ao roubo, desde que se resista. As pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo devem lembrar que tal desejo é resultado da desordem moral que entrou na humanidade com a queda de Adão e que, em Cristo Jesus, o segundo Adão, podem receber graça e poder para resistir e vencer, sendo justificados diante de Deus.

 
Existem várias causas identificadas comumente para a atração por pessoas do mesmo sexo, como o abuso sexual sofrido na infância. Muitos gays provêm de famílias disfuncionais ou tiveram experiências negativas com pessoas do sexo oposto.  Há aqueles, também, que agem deliberadamente por promiscuidade e têm desejo de chocar os outros. Um outro fator a se levar em conta são as tendências genéticas à homossexualidade, cuja existência não está comprovada até agora e tem sido objeto de intensa polêmica. Todavia, do ponto de vista bíblico, o homossexualismo é o resultado do abandono da glória de Deus, da idolatria e da incredulidade por parte da raça humana, conforme Romanos 1.18-32. Portanto, não é possível para quem crê na Bíblia justificar as práticas homossexuais sob a alegação de compulsão incontrolável e inevitável, muito embora os que sofrem com esse tipo de impulso devam ser objeto de compaixão e ajuda da Igreja cristã.

 
É preciso também repudiar toda manifestação de ódio contra homossexuais, da mesma forma com que o fazemos em relação a qualquer pessoa. Isso jamais nos deveria impedir, todavia, de declarar com sinceridade e respeito nossa convicção bíblica de que a prática homossexual é pecaminosa e que não podemos concordar com ela, nem com leis que a legitimam. Diante da existência de dispositivos legais que permitem que uma pessoa deixe ou transfira seus bens a quem ele queira, ainda em vida, não há necessidade de leis legitimando a união civil de pessoas de mesmo sexo – basta a simples manifestação de vontade, registrada em cartório civil, na forma de testamento ou acordo entre as partes envolvidas. O reconhecimento dos direitos da união homoafetiva valida a prática homossexual e abre a porta para o reconhecimento de um novo conceito de família. No Brasil, o reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de herança e outros benefícios aconteceu ao arrepio do que diz a Constituição: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (Art. 226, § 3º).

 
Cristãos que recebem a Bíblia como a palavra de Deus não podem ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que seria a validação daquilo que as Escrituras, claramente, tratam como pecado. O casamento está no âmbito da autoridade do Estado e os cristãos são orientados pela Palavra de Deus a se submeter às autoridades constituídas; contudo, a mesma Bíblia nos ensina que nossa consciência está submissa, em última instância, à lei de Deus e não às leis humanas – “Importa antes obedecer a Deus que os homens” (Atos 5.29). Se o Estado legitimar aquilo que Deus considera ilegítimo, e vier a obrigar os cristãos a irem contra a sua consciência, eles devem estar prontos a viver, de maneira respeitosa e pacífica em oposição sincera e honesta, qualquer que seja o preço a ser pago.
 

Fonte: Augustus Nicodemus. Disponível em http://tempora-mores.blogspot.com.br/. Acesso em 28.06.2013. [Artigo publicado na revista Cristianismo Hoje]
 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Lixo, pornografia e música sertaneja



"As duplas atuais cantam muito lixo e pornografia musical, que faz mal para as novas gerações".
 
Não é a primeira vez que o cantor Victor Chaves faz uma crítica ao cenário da música sertaneja atual. Há cerca de um ano, o cantor afirmou que a música sertaneja, hoje, é uma prostituição absoluta. E agora, talvez por estar recém-casado e mais preocupado com o lado família, Victor voltou a fazer suas críticas e não poupou comentários para definir algumas composições atuais, que ele considera prejudicial para as novas gerações.

A declaração do sertanejo foi feita baseada em um recente comentário de José Rico, parceiro de Milionário, e um dos ídolos de Victor e Leo. “José Rico fez uma declaração dizendo que a música sertaneja não é música pornográfica. Existe uma pornografia presente na música atual chamada sertaneja, e eu concordo com ele. Acho que a maior parte das canções das duplas atuais eu não deixaria filho meu ouvir e já relatei ao Leo para que, sobrinhos meus e filhos dele, não ouçam”, declarou o músico, antes de se apresentar no Country in Park, evento realizado nesse sábado (01), no Hopi Hari, no interior de São Paulo.

Victor, que há alguns anos segue no topo da lista de compositores que mais faturam no Brasil, afirmou ainda que qualquer tipo de sentimento pode ser expresso através da arte de uma maneira respeitosa e, por isso defende: “Pornografia em canção ou sensualidade excessiva, não é para criança ouvir. Não faz bem aos ouvidos de ninguém. Acho que as duplas atuais cantam muito lixo e pornografia musical, que faz mal para a criançada e para as novas gerações”.

O cantor também falou sobre a relação beleza e talento musical, que, segundo ele, não precisam caminhar juntas. “O importante é ter essência. Se a pessoa tem uma beleza cativante e canta pouco, talvez a beleza aos olhos dos outros vá compensar a falta de arte. Mas acho que se tem muita arte, não precisa ser bonito. Só precisa abrir a boca para cantar e pronto”, afirmou Victor, que ainda fez uma análise sobre “ser bonito” quando se está à frente dos holofotes. “Pegou um violão, acendeu a luz e subiu no palco, ficou bonito. Aprendi isso muito cedo. Eu mesmo. Minha popularidade na escola veio toda quando comecei a cantar”.
 
 
 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pr. Sóstenes dorme no Senhor


Faleceu há poucos minutos, na noite de hoje (03.06.2013), um grande amigo, Pr. Sóstenes Apolos da Silva, pastor presidente da Assembleia de Deus - L2 Sul - Brasília/DF. Fui sua ovelha e aprendi a admirá-lo e respeitá-lo como servo do Senhor.

sábado, 25 de maio de 2013

A história da oração


Quando o ser humano começou a orar? Quem fez a primeira oração?

A última frase de Gênesis 4 registra que, logo após o nascimento de Enos, começou-se “a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26). Embora o verbo “invocar” pareça sinônimo de cultuar ou adorar, em outros textos ele é sinônimo de clamar ou orar. Numa de suas orações, Davi escreve: “Na minha angústia, “invoquei” o Senhor, “clamei” a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz” (2Sm 22.7). No Salmo 50, Deus diz: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). As mesmas palavras são proferidas pela boca do profeta Jeremias: “Invoca-me, e te responderei” (Jr 33.3).

A expressão “invocar o nome do Senhor” aparece seis vezes no primeiro livro da Bíblia. Abraão (12.8; 13.4; 21.33), sua escrava Agar (16.13) e seu filho Isaque (26.25) invocam o nome do Senhor. A esta altura da história humana tal ato já seria um exercício religioso habitual.

As outras orações de Gênesis não são meras invocações da presença de Deus, mas súplicas bem elaboradas e mais explícitas. A primeira é um modelo de oração intercessória. As outras são pedidos em favor da interferência da misericórdia e do poder de Deus para resolver situações difíceis (a oração do servo de Abraão), situações ligadas a problemas de saúde (a oração de Isaque) e situações de perigo (as orações de Jacó).

Abraão demora-se na presença de Deus e insiste o quanto pode em favor da não-destruição de Sodoma e Gomorra, em benefício de alguns poucos justos porventura ali residentes. E ele consegue o favor de Deus vez após vez: Deus não destruiria as cidades da campina caso houvesse ali cinquenta, 45, quarenta, trinta, vinte ou dez justos. Como não havia nem sequer dez, as cidades foram destruídas (Gn 18.22-33). O mesmo Abraão orou em favor da saúde de Abimeleque, sua mulher e servas (Gn 20.17).

O filho de Abraão e Agar, ao ser mandado embora junto com a mãe, não tendo mais água para beber, clamou e “Deus ouviu a voz do menino” (Gn 21.17).

O servo de Abraão não sabia como cumprir a delicada missão de conseguir uma esposa para o filho solteirão de seu senhor. Então apelou à oração e foi plenamente atendido. A primeira moça com a qual se encontrou na Mesopotâmia tornou-se esposa de Isaque. O servo fez questão de contar essa experiência de oração à família da jovem (Gn 24.10-50).

Como Rebeca não engravidava, “Isaque orou ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril”. Depois de completar bodas de porcelana, aos 60 anos, nasceram os gêmeos Esaú e Jacó (Gn 25.19-26).

Depois de casar-se com quatro mulheres, de se tornar pai de doze rapazes e de Diná, e de ficar muito rico, Jacó resolveu voltar para sua terra. Porém, logo soube que o irmão ainda alimentava vingança contra ele e vinha ao seu encalço com quatrocentos homens armados. Ao perceber que ele e sua família estavam em perigo, Jacó orou ao Senhor: “Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque eu o temo, para que não venha ele matar-me e as mães com os filhos”. Foi uma oração perseverante e audaciosa, pois do lado de cá do Jaboque ele disse ao Senhor: “Não te deixarei ir se não me abençoares”. A emoção desarmou Esaú, os dois inimigos choraram um no ombro do outro e a guerra acabou (Gn 32.3-32).

O que mais se aprende com esta história de oração é a humildade com que elas foram feitas. Na intercessão por Sodoma, Abraão declarou: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gn 18.27). Jacó também confessou o que de fato era ao começar sua oração com as seguintes palavras: “Sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo” (Gn 32.10).

Bom seria se todas as nossas orações começassem com essa confissão de Jacó e a do publicano: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18.13).

Fonte: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/319/a-historia-da-oração

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O ecumenismo desejado


Por Fábio Blanco
Adaptado por Artur Eduardo


Esperar moderação de um religioso é negar-lhe o que ele possui de mais característico: a posse de uma cosmovisão totalizante. O que é uma religião senão uma explicação da existência, do universo e das razões últimas das coisas? E se explica tudo, tudo abarca. Nada, dessa forma, se encontra fora do seu campo de interesse, nada deixa de ser penetrado por ela. Por isso, não existe laicidade para o religioso, já que nada se encontra separado de sua fé. Sendo assim, buscará impor o que acredita ser o melhor para todos. E se o melhor se encontra no que sua própria religião ensina, é em favor disso que lutará.

E antes que os apóstolos deste século reclamem dessa impostura beata, saibam que nem mesmo os maiores adeptos da laicização escapam desse desejo de a todos impor o que acreditam. Os valores podem ser diferentes, mas o objetivo é o mesmo. Ninguém que atua em jogos políticos faz isso para ver os interesses dos outros aplicados. Cada um busca impor seus próprios interesses. Se puderem, farão que todos aceitem suas ideias. Se não puderem, aguardarão o momento certo de fazer isso. Pensando dessa maneira, qual a diferença entre abortistas que requerem o chamado direito de escolha e fiéis que lutam pelo direito à vida? Em termos práticos de política, nenhuma. Todos buscam impor suas convicções. E para isso existe a política.

Quando um religioso atua politicamente, o mínimo que se espera dele é que tente impor seus valores também. Seria até injusto, enquanto todos lutam para verem suas convicções aplicadas, apenas o religioso não poder fazer isso. Ele, sem ferir a liberdade comum, deve lutar até o fim para aquilo que ele acredita ser o melhor, aquilo que representa o bem, seja recepcionado pelas normas de seu país. O religioso, em sua atuação política, não faz nada diferente de ninguém. O que ele busca é o que todos buscam: a imposição de regras para uma sociedade melhor. O problema é que cada um tem a sociedade ideal segundo suas próprias convicções.

Portanto, quando alguns atores políticos esperneiam contra os religiosos na política, fazem isso apenas como tática para desmoralizá-los, para afastá-los do jogo e, por fim, acabar impondo suas próprias ideias. Na verdade, eles sabem que suas próprias atuações em nada diferem da dos pastores, padres e cristãos que publicamente se movem no mundo da política. Teoricamente, todos estão trabalhando por uma sociedade melhor, segundo suas próprias convicções do que é melhor.

Por que um religioso afirmar que aborto é crime se torna uma imposição sufocante e afirmar que afirmar isso é crime não é? São duas faces da mesma moeda. São duas visões que lutam para se impor. Por que, então, apenas o religioso é visto como um louco fascista tentando enfiar goela abaixo suas convicções? Na verdade, todos querem fazer isso, e se não fazem é apenas porque não conseguem.

Porém, de alguma maneira, eu compreendo porque as coisas acontecem desse jeito. Lembremos que vivemos em um mundo moderno. Neste mundo moderno, a religião também é moderna. Sendo moderna, seu papel é ser uma opção, não uma explicação. O homem moderno busca a religião para se sentir bem, não para saber a verdade.

A religião moderna é, com efeito, uma mera expressão da subjetividade. Não trata de valores universais, de uma explicação da existência. Religião é apenas um refúgio, para o homem moderno se esconder de vez em quando, aliviando as tensões acumuladas em sua vida laica.

Essa é a religião que eles querem, a religião de uma Nova Ordem: sem vocação política, sem soluções para os homens. A religião ideal para a modernidade é áfona, retraída, irrelevante.

No fim, são os antirreligiosos que assumem o papel de profetas, de pregadores, de donos da verdade. São eles que se apresentam como os portadores das virtudes que devem ser impostas a todos. São eles que sabem o que é melhor para o mundo. Eles são os promotores do bem.

E o que eles esperam da religião é que ela seja uma expressão de fé tão íntima e tão pessoal que não tenha capacidade de oferecer qualquer resposta aos problemas da sociedade. Na verdade, querem que ela seja apenas morna, talvez para que, no fim, seja vomitada pelo seu próprio Deus.
 
 
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

A nefasta glorificação do suicídio


José Manoel Bertolote, consultor da Organização Mundial da Saúde, lança livro sobre a prevenção do suicídio e defende que se fale mais do tema. Enquanto a imprensa não fala do tema, as políticas preventivas titubeiam e os médicos varrem o assunto para baixo do tapete, 1.339 pessoas do Brasil foram internadas nos dois primeiros meses do ano após tentarem o suicídio.

Os dados do banco virtual abastecido pelo Ministério da Saúde – levantados pelo iG Saúde – apontam 22 casos por dia só nos dois primeiros meses de 2013.

Em meio ao sigilo imposto para tratar do suicídio, o psiquiatra professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) , José Manoel Bertolote, quer falar aos quatro cantos do planeta.

Ele acaba de lançar um livro (O Suicídio e sua Prevenção) com as estratégias para prevenir o evento que figura entre os líderes de causas de morte em vários países do mundo. No Brasil, é o quarto motivo mais incidente entre os óbitos por causas externas, atrás de homicídios, acidentes de transporte e causas não identificadas.

Em entrevista ao iG, Bertolote afirma que o silêncio e o tabu que marcam o assunto não impediram o surgimento de um “nefasto glamour em torno do suicídio”.

“São inúmeros sites na internet que ensinam, de forma muito didática, as pessoas a cometerem suicídio. Estes endereços eletrônicos disseminam comportamentos perigosos e precisam ser combatidos. Há uma glorificação atual da morte provocada. São músicas, clipes, filmes que apresentam o suicídio de uma forma artística, como uma moda a ser seguida”, afirma.

Para reverter o quadro, o especialista neste assunto proibido defende articulação e um debate com os líderes religiosos e com a Justiça – que ainda considera os suicidas criminosos.

Bertolate diz ainda que são necessárias mudanças na rede de saúde, com um trabalho forte para identificar os mais vulneráveis às lesões autoprovocadas.

Segundo ele, as pesquisas científicas atestam que, na maioria das vezes, há arrependimento em quem provoca a morte intencionalmente e nem sempre há chance de reverter o dano provocado.
“É penoso assistir a estes casos”. Leia a seguir a entrevista.

iG: A sociedade e a imprensa lidam com reservas com o assunto suicídio. Para a medicina o tema também é tabu?

Bertolote: Os médicos não são treinados para enfrentar a morte em geral, não só na questão do suicídio. Existe um mito de que a medicina é uma luta contra a morte. Os médicos têm uma tradição de sempre agir como se a morte fosse evitável, o que é um erro. Ninguém escapa da morte. Diante de um óbito, os profissionais reagem mal. Os estudantes não são preparados para falar sobre a morte com os seus pacientes, como se o perigo de morrer não existisse.
 
Talvez, isso seja fruto de um distanciamento necessário para a classe dar conta de enfrentar as situações nas emergências, nas unidades de terapia intensiva. Mas o fato é que essa distância acaba exagerada e o assunto é varrido para baixo do tapete. A questão do suicídio está inserida nesse panorama. O médico não detecta os sinais prévios do suicídio e se surpreende quando ele acontece.
 
Qualquer morte é uma tragédia familiar, mas quando ela é resultante das causas naturais e de doenças crônicas, com evolução lenta, há uma preparação familiar para o acontecimento. O suicídio, invariavelmente, é um acidente inesperado. Pega de surpresa e desperta dois sentimentos nos que ficam: perplexidade que desemboca em culpa. É comum os familiares se perguntarem: ‘onde eu falhei?’, ‘o que foi que eu não vi?’. Mas também é despertada uma raiva: ‘por que ele fez isso comigo’. São duas sensações, de fracasso e de raiva, que atrapalham muito a recuperação desta família.
 
iG: O senhor é um grande defensor da prevenção do suicídio, tema do seu último livro. Existe uma estratégia universal de prevenção?
 
Bertolote: Não é possível prever todos os casos. O suicídio continua sendo um evento raro, ainda que subestimado. Isso significa que o custo para aplicar uma estratégia de prevenção universal, fazendo uma avaliação de toda a população, seria muito alto diante das estatísticas de morte não tão numerosas.

Mas o fato é que algumas pessoas são mais vulneráveis ao suicídio do que outras. E para estas vulneráveis é imprescindível que sejam dirigidas ações preventivas, o que não é feito. Já está embasado que doenças como depressão, alcoolismo e esquizofrenia aumentam a vulnerabilidade ao suicídio. Existem condições que não são doenças – no sentido do termo – mas transtornos de comportamento que também ampliam o risco. Além delas, sabemos que doenças físicas, crônicas, incuráveis e de natureza dolorosa também estão mais associadas ao fenômeno.
O exemplo da aids é contundente, com estudos muito bem-feitos. Na época em que não existiam tratamentos para o HIV, as taxas de suicídios entre os soropositivos eram muito mais altam e foram diminuindo com o surgimento de terapias efetivas contra o vírus. Hoje, sabemos que ainda é necessário um trabalho preventivo com os pacientes de aids e também com os portadores de doenças neurológicas degenerativas, certas formas de câncer e até cefaleias (dores de cabeça muito fortes) crônicas.

Outro ponto de atenção é para as demências senis, quando estão no início do quadro. Os idosos que preservam certa lucidez no começo dos sintomas também estão mais vulneráveis por não saberem lidar com as limitações impostas pela doença.

iG: Esta associação com doenças crônicas pode ser uma das explicações para os casos de suicídio estarem mais concentrados na população maior de 60 anos?

Bertolote: Sim. O suicídio é um fenômeno masculino, característico de idosos e não de jovens, apesar de também acontecer entre os mais novos. No final da vida, são acumuladas mais doenças e limitações. Elas ficam penosas com o passar dos anos e estão associadas com este fenômeno.

iG: É possível classificar o suicídio como uma doença ou um sintoma?

Bertolote: Suicídio é uma causa de morte. Existem as causas naturais, as causas acidentais, os homicídios e os suicídios. Não é uma doença. Mas é certo que é uma causa de morte frequentemente associada a certas doenças. É bom lembrar que nem todos os depressivos são suicidas, por exemplo.

iG: Um dos temores ao falar sobre suicídio é que o fato pode desencadear comportamentos semelhantes em cadeia. Sua experiência mostra que isso realmente ocorre?
 
Bertolote: Existe o fenômeno social da imitação e também o fenômeno do contágio. Há um emprego cada vez mais frequente de tentativas de suicídio que são mais letais, que não existiam antes. Até anos atrás não havia a facilidade existente hoje para conseguir uma arma de fogo. Com isso, aumentaram as tentativas de suicídio usando este método que acabam resultando em mortes que antes não seriam exitosas para o óbito, já que as tentativas eram menos letais.
 
Outra mudança que eu considero nefasta é que hoje também existe uma glorificação do suicídio. São inúmeros sites na internet que ensinam, de forma muito didática, as pessoas cometerem suicídio. Estes endereços eletrônicos disseminam comportamentos perigosos e precisam ser combatidos. Há uma glorificação atual da morte. São músicas, clipes, filmes que apresentam o suicídio de uma forma artística, glorificada.
 
Assim como num passado recente existiu o culto às doenças mentais, disseminados por filmes do Woody Allen, por exemplo. Virou ‘cult’ ter uma doença psíquica. Hoje, usando mecanismos muito parecidos, vejo que há uma cultura que ostenta a morte provocada como algo ‘in’, que está na moda. É algo nefasto porque as pessoas acabam embarcando nisso.
 
iG: O senhor considera que está glorificação é resultante de quais fatores?

Bertolote: Talvez seja um reflexo do desencanto com o contemporâneo. Digo isso sem embasamento científico nenhum ou estudo aprofundado, mas a minha avaliação é que a glorificação do suicídio é influenciada por essas transformações rápidas do mundo atual, sejam das formas de comunicação ou de tecnologia. As pessoas não se adaptam, não acompanham. A mensagem que fica é que a vida perde a graça muito fácil e neste contexto é perigoso que as músicas, os videoclipes e a arte apresentem o suicídio de maneira tão glamourizada.

Mas também existe um grupo que não sabe lidar com o sofrimento e que encara o suicídio como uma possibilidade de solução. Para estas pessoas, a morte provocada pode ser influenciada por um modelo de transmissão. Por exemplo: caso alguém de destaque, que sirva como uma referência, como um pai, um avô, um ídolo, cometa suicídio, a mensagem para esta parcela é de que este pode ser um caminho a ser seguido. Por isso, precisamos falar, sem tabus, mas de forma coerente e contundente sobre o assunto.

iG: Este modelo de transmissão é o que pode explicar vários casos de suicídio em uma família? Não existiria uma explicação genética para um núcleo familiar em que o pai comete o suicídio e anos depois o filho também, por exemplo?

Bertolote: Sim, existe esta influência da transmissão do suicídio como alternativa que pode explicar os casos em família. Outro ponto é que apesar de não herdarmos o ‘gene’ do suicídio, se herdam vários genes, que estão associados a outras doenças, que deixam a pessoa mais vulnerável e predisposta a esta causa de morte.

iG: O senhor afirma com convicção científica que parte considerável dos suicidas não quer morrer. Isso reforça a importância da prevenção?

Bertolote: O suicídio é uma situação de ambivalência. Não está em questão apenas se a pessoa quer viver ou morrer. Ela quer escapar de uma situação desagradável, angustiante, de sofrimento absoluto. E quase sempre, quando opta pelo suicídio, percebe que não é uma boa escolha.

O arrependimento está muito catalogado em todas as pesquisas que se propuseram a estudar o tema. São trabalhos de extrema qualidade, feitos no Japão, em vários países da Europa, no Islã, que entrevistaram pessoas que tentaram o suicídio, foram hospitalizadas após a tentativa, muitas em estado grave e irreversível para a sobrevivência. É penoso demais atestar que a maioria estava arrependida, desesperada ao constatar que a morte era irreversível. Enfim, todos os estudos concluem que o arrependimento é muito presente e sim reforça a necessidade de prevenção.

iG: Desde que o senhor passou a pesquisar o suicídio, quais mudanças pontuaria na forma de encarar este fenômeno?

Bertolote: A transformação mais importante, ainda em curso, é a maneira como os religiosos passaram a encarar o suicídio. Muitas religiões, independentemente do ponto de vista médico ou jurídico, consideram o suicídio um pecado imperdoável. Este é um ponto em comum do catolicismo, do judaísmo (que prevê até cemitérios diferentes para quem se mata) e do islamismo, que coloca o ato como o pior dos pecados. Enquanto estive na Organização Mundial de Saúde (OMS) insistia com frequência em trabalhar com as lideranças religiosas para que eles entendessem este fenômeno como um processo patológico em vez de punir as famílias e resignar aqueles que tentaram o suicídio como um pecador imperdoável.

Busquei informações sobre esta condenação religiosa do suicídio e constatei que há teólogos que elaboram o suicídio como pecado, mas essa determinação ficava mais a critério de cada um. Por isso, fiz inúmeras reuniões com bispos, líderes protestantes e islâmicos, do judaísmo e com muita satisfação percebia que eles ficavam menos resistentes ao tema e já vejo uma mudança de postura, de acolhimento e não de rejeição. Este comportamento por parte das religiões implica também em mudar as leis. Em muitos países, inclusive no Brasil, suicídio ainda é considerado crime. Porém, há pelo menos 30 anos, não tenho conhecimento de nenhum processo jurídico aberto para julgar um caso desses. Felizmente.
iG: Além da mudança comportamental, o senhor acredita que a estrutura de saúde também precisa ser transformada para prevenir o suicídio?

Bertolote: Sem dúvida. Os médicos precisam ser treinados para identificar os sinais prévios ao suicídio e também ficar atentos aos casos mais vulneráveis. Aqui em Botucatu (interior de SP), onde atuo por meio da Faculdade de Medicina, tomamos uma decisão: se uma pessoa comparece com sinais de depressão a qualquer unidade de saúde, seja um posto, um hospital ou um serviço de saúde da família, a orientação é para que ela seja acompanhada até um serviço especializado e não encaminhada para que faça isso com as próprias pernas. Acompanhar é diferente de encaminhar, sugerir. Se ela for apenas encaminhada, pode ser que não chegue.

Fonte: Fernanda Aranda para o portal IG - 06.05.2013. Disponível em http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-05-06/ha-uma-nefasta-glorificacao-do-suicidio.html

domingo, 28 de abril de 2013

Felicidade do brasileiro custa R$ 24,5 mil ao mês, diz pesquisa


Para se considerar feliz, o brasileiro precisa de uma renda anual de US$ 143,7 mil (cerca de R$ 294 mil), o que equivale a um salário mensal de R$ 24,5 mil. O resultado é de uma pesquisa feita pela empresa de investimentos Skandia International com 5.000 pessoas em 13 países.

Os brasileiros se contentam com menos do que a média mundial para serem felizes, que é de US$ 161,8 mil de renda anual.

Apesar disso, os brasileiros estão entre os que mais creem que o dinheiro traz felicidade: 93% dos entrevistados no país afirmaram isso. Enquanto isso, apenas 68% dos alemães dizem crer nessa afirmação. A média mundial é de 80%.

De acordo com o estudo, Dubai, com US$ 276 mil, Cingapura (US$ 227 mil) e Hong Kong (US$ 197 mil) são os locais em que as pessoas dizem precisar de rendas maiores para serem felizes.

Em oposição, o "preço da felicidade" é menor em países europeus, chegando ao valor mínimo na Alemanha: US$ 85 mil.

Fonte: Folha de São Paulo - 01.01.2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Evangélicos e católicos se unem por CPI do aborto e direitos para feto na Câmara


A bancada evangélica da Câmara uniu-se a deputados católicos para pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre aborto e aprovar o chamado Estatuto do Nascituro, que prevê direitos para o feto desde a concepção, ou seja, antes do nascimento. O pedido de CPI foi protocolado nesta semana.

De acordo com o presidente da bancada evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), as duas propostas fazem parte da estratégia traçada pela bancada de se contrapor às mudanças que estão sendo desenhadas no Senado no âmbito da reforma do Código Penal.“Nós queremos apurar com essa CPI, o financiamento do aborto no Brasil, tanto por instituições internacionais, quanto pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Além disso, vamos investigar o comércio de produtos abortivos e as clínicas que fazem aborto”, disse o deputado.

O pedido de abertura de CPI recebeu a assinatura de mais de 200 deputados e está nas mãos do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Na terça-feira, os evangélicos pedirão ao presidente da Casa uma reunião para discutir os dois assuntos.

Já o Estatuto do Nascituro é uma proposta antiga na Câmara. Primeiramente, ela foi apresentada na legislatura passada pelo então deputado kardecista Luiz Bassuma (PV-BA). Ao não ser reeleito, a proposta foi arquivada. Agora, pelas mãos dos religiosos, o projeto voltou à tramitação e está na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, que terá que analisar se a proposta é viável somente do ponto de vista financeiro.

Depois disso, a proposta terá que passar pelas comissões de mérito, antes de seguir para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e, posteriormente, para o Plenário. “Para nós e para os católicos, a vida começa na concepção e por isso vamos lutar juntos por esse direito”, disse o deputado.

Campos também argumentou que tem o apoio da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nessa proposta e que outra prioridade da bancada evangélica também beneficiará os católicos. É o caso da proposta que dá às igrejas a competência de contestar no Supremo Tribunal Federal a constitucionalidade de leis aprovadas pelo Congresso.

“Acredito que o legislador, por distração, não incluiu as representações religiosas nessa lista de entidades e por isso queremos corrigir esse erro para que as igrejas também possam entrar com Adins (Arguição de inconstitucionalidade) no Supremo. Essa também é nossa prioridade”, explicou.

A associação entre católicos e evangélicos na Câmara em torno da questão do aborto é antiga. Um dos principais articuladores do lado católico é o deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), que, no ano passado, em conjunto com João Campos e com o deputado Roberto de Lucena (PV-SP), também pastor da igreja Brasil para Cristo, apresentaram um projeto de lei complementar para tentar barrar os efeitos da decisão do STF que permitiu o aborto de crianças com anencefalia.

Zimbaldi também é contrário ao casamento entre homossexuais, porém é a favor da proposta que regulamenta o artigo 226 da Constituição Federal, para facilitar o casamento de pessoas que realizaram troca de sexo por métodos cirúrgicos. Zimbaldi também é opositor da proposta que criminaliza a homofobia e se associou a vários outros deputados religiosos para apresentar, em contraposição a esse proposta, o projeto de lei que assegura às igrejas e seus comandantes o “exercício de atos litúrgicos em estrita conformidade com os respectivos ordenamentos religiosos”.

Fonte: Matéria de Luciana Lima para o portal IG. Disponível em http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-04-21/evangelicos-e-catolicos-se-unem-por-cpi-do-aborto-e-direitos-para-feto-na-camara.html. Acesso em 21.04.2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Pr. Lorenzeti afirma que Feliciano não fala em nome da Assembleia de Deus



O presidente do Conselho Eleitoral da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), pastor Antonio Carlos Lorenzetti, diz que as declarações tidas como homofóbicas e racistas do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) não refletem e não representam o pensamento geral dos fiéis e pastores da Assembleia de Deus, à qual o parlamentar é vinculado.

"Ele não espelha o pensamento geral dos evangélicos. Ele espelha o pensamento dele. Ele não fala por mim. Se ele quer pensar assim, eu respeito a opinião dele como respeito a de todos."

Nesta quinta, o pastor José Wellington, 78, confirmou o favoritismo e foi reeleito presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, principal entidade da maior denominação evangélica do país.

Apesar da presença do parlamentar no evento da CGADB em mais de uma ocasião nesta semana, o pastor afirma o poder de influência de Feliciano é "nenhum" entre os 24.200 pastores inscritos na convenção dentro de um universo de 71.525 ministros.
"A influência do pastor Marco Feliciano, dentro da convenção, é nenhuma. O pastor Marco Feliciano não está nem inscrito para poder votar aqui na nossa convenção", destacou o Lorenzetti.

Feliciano não tem poder de voto e foi à convenção apenas para "visitar amigos".

Declarações polêmicas

O deputado é acusado de ter dado declarações consideradas racistas e homofóbicas, o que vem causando protestos para que renuncie à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Feliciano já negou as acusações várias vezes. Ao ser eleito presidente da CDH, disse: "caso eu fosse racista, deveria pedir perdão primeiro a minha mãe, uma senhora de matriz negra."

Sobre a acusação de homofobia, ele diz que não é "contra os gays, sou contra o ato e o casamento homossexual", afirmou em mais de uma ocasião.

Outras vozes

A reportagem do UOL também conversou com outros pastores que participaram da votação nova cúpula da convenção e do novo conselho fiscal sobre as impressões das polêmicas que o parlamentar gerou desde o mês passado.

O pastor Paulo Bom, de São Paulo (SP), defendeu que o deputado do PSC seja responsável pelo que falou e não os demais evangélicos. Ele ressalta ainda que "a igreja evangélica é liberal e que entra nela quem quiser [se referindo a negros e homossexuais]".

Já Adelia Rodrigues, membro da Assembleia de Deus em Brasília (DF), disse acreditar que as afirmações de Feliciano "vêm sendo distorcidas e tiradas de contexto pela imprensa". "A Bíblia é para os evangélicos como a Constituição Federal é para todos os brasileiros. Ele [se referindo ao deputado] está exercendo a função dele, o trabalho dele e seguindo a palavra de Deus", afirmou.

O pastor Walter Santos, de Ponta de Pedras (PA), nega que as falas de Feliciano possam denegrir a imagem dos evangélicos. "Ele [Feliciano] têm defendido o que somos, o que acreditamos. Não somos contra os homossexuais, mas contra os atos dele [de ter relação sexual com pessoas do mesmo sexo]".

Convenção termina hoje

A edição deste ano da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), que acontece na capital federal desde o último dia 8, está prevista para terminar nesta sexta-feira (12). Ela tem como finalidade reunir pastores de todo ao país para discutir questões internas, tratar de prestação de contas, realizar cultos e tentar eleger uma nova Mesa Diretora e o Conselho Fiscal, incluindo presidente, cinco vice-presidentes, cinco secretários, dois tesoureiros e seis conselheiros fiscais (um por região do país).

O presidente do Conselho Eleitoral frisou que, ao contrário, do que se pode concluir a partir das falas de Feliciano, as igrejas evangélicas, em especial a Assembleia de Deus, é inclusiva.

"Ele esboçou a opinião dele numa palavra, num blog, em qualquer outro meio de comunicação, essa não é a imagem da nossa igreja. Ela não tem este sentimento. A Assembleia de Deus é inclusiva. Nós temos aqui uma infinidade de membros que são pessoas que já foram viciadas, já foram ladrões, já foram pessoas de bem, também, que mudaram de religião, que tem as profissões mais diversificadas do país: juiz federal, pessoas que vivem de catar açaí, pessoas humildes e instruídas", detalhou.

Questionado sobre o fato de Feliciano ter chamado seus antecessores na comissão da Câmara de "Satanás", o pastor disse que o parlamentar fez uma interpretação um "tanto medieval" do caso.
"O que não é de Deus é do demônio. Isso é coisa da Idade Média, mas tem muita coisa do homem também. Então, não posso atribuir assim. Acho que é interpretação um tanto da Idade Média", afirmou. "Ou ele teve uma interpretação equivocada [da Bíblia] ou o contexto que ele falou não se encaixa com a mensagem dele", completou.

Negros e homossexuais

O pastor Antonio Carlos Lorenzetti afirmou que a Assembleia de Deus lida com a questão do homossexualismo de forma "natural". "Nós temos pessoas que vem para a igreja, que assistem aos cultos, pessoas que se convertem, ocupam cargos na igreja", destacou.

Já com relação aos negros, Lorenzetti destaca, inclusive, que a maioria dos fiéis é da cor negra. "Nós temos uma infinidade de negros na nossa igreja. Nós [integrantes da Assembleia de Deus] nunca pregamos que os negros são amaldiçoados nem mesmo que os homens brancos são melhore ou piores, nós pregamos que todos precisam de Deus", resumiu o pastor.

Menos da metade dos 24 mil pastores inscritos no evento aprovaram nesta última terça-feira (9) o envio de moção de apoio a Feliciano pela sua manutenção como presidente da comissão. A previsão é que o documento seja entregue à presidente da República, Dilma Rousseff, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Mesmo sendo crítico a algumas interpretações apresentadas por Feliciano durante seus cultos, Lorenzetti defende que o deputado está sendo vítima de preconceito por ser evangélico.
"Ele [Feliciano] merece apoio. Por ser evangélico e pensar diferente dos outros, ele não é pior também que os outros. Ele não pode ser discriminado porque ele é pastor ou porque pensa diferente dos outros. Não é crime pensar diferente dos outros. Agora, fazer dele um monstro?" questionou.

Fonte: Camila Campanerut. Portal UOL. 12.04.13

terça-feira, 9 de abril de 2013

Quem sabe dizer "não" vive mais feliz


Quem sabe dizer "não" vive mais feliz e ganha o respeito dos outros.

Para algumas pessoas, recusar um pedido ou mesmo impor limites nas relações é uma tarefa complicadíssima. E não sem motivo. "Desde a infância, somos incentivados a nos esforçar para socializar com os outros. Num misto de solidariedade e compromisso, aprendemos a estar sempre à disposição", explica André Faro, doutor em psicologia e professor da Universidade Federal de Sergipe.

Neste cenário, declinar do que quer que seja vai contra os ensinamentos incorporados e ainda desperta o medo de magoar. "É comum acreditar que ao dizer 'não' vamos decepcionar o outro e até perder o seu afeto", diz a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista pelo Instituto Sedes Sapientiae. "Para muita gente, aceitar tudo é uma condição para manter relacionamentos, ser amada e aceita", completa Faro. 
 
Por outro lado, fica mais fácil impor a própria vontade quando se está seguro em uma relação. Isso explica porque muitas vezes é mais fácil recusar um pedido dos pais do que do parceiro ou parceira. "Você sabe que mesmo com brigas e discussões, a família sempre será mais tolerante. As chances de perder o afeto e a atenção do cônjuge são bem mais reais", pondera Herculano Campos, psicólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 
 
Bonzinho, sem ser bobo
 
No ambiente profissional é mais comum engolir mais sapos, porque o funcionário pode ser mal visto ao recusar um trabalho ou pedido de um colega. "Em todos os outros tipos de relação, no entanto, o receio de dizer 'não' simplesmente não deveria existir", diz Marina. Nesses casos, a gentileza, a amizade e a solidariedade são realmente qualidades louváveis, mas não ao custo da autoanulação, ou seja, da supressão das próprias vontades e ideias para agradar. "É importante relevar algumas coisas e atender aos desejos do outro, mas não o tempo inteiro", reforça. 
 
Aceitar, de pronto, todos os pedidos alheios costuma provocar um sentimento de frustração. "As pessoas se arrependem de dizer "sim" e depois são atormentadas por aquele mal-estar por um tempo", afirma Faro. "É preciso ter em mente que qualquer relação precisa de limites, pois, além da amizade, do amor e da camaradagem, a individualidade do sujeito está em jogo" completa ele. Já quem consegue ser assertivo, equilibrando "sim" e "não", em geral, vive mais feliz. "Aquela pessoa muito boazinha nem sempre é a mais valorizada. Posicionar-se é uma forma de mostrar ao mundo que você faz escolhas sobre a própria vida e que exige que elas sejam respeitadas", garante Marina. 
 
Respeito e gentileza evitam conflitos
 
Diante de qualquer pedido que cause incômodo ou mal-estar, peça um tempo para pensar antes de responder. Uma dica é analisar as consequências do que vai dizer. "Se aceitar, qual é o impacto que você provocará no outro? Isso vai ajudar a reforçar a imagem positiva que ele tem de você? Qual é o preço que você terá que pagar por isso? Vale a pena?", questiona Herculano Campos. O psicólogo garante que, muitas vezes, o clima chato que se instaura depois do "não" dura menos do que o sentimento negativo que faz o indivíduo se remoer por dentro, ao perceber que contrariou as próprias vontades. 
 
No entanto, para se impor, não é preciso agredir ou ofender. "Todo tipo de conteúdo pode ser transmitido de diversas formas e até uma recusa pode ser acompanhada de uma atitude de respeito pelo outro e de uma boa dose de gentileza", diz Marina. Também fica mais fácil aceitar e compreender um "não" que vem amparado por uma justificativa honesta e delicada. "Para justificar a recusa, basta mostrar que as perspectivas divergem, sem querer ditar o que é certo e o que é errado", ensina Faro. 
 
Agora, é preciso estar preparado para casos em que a negativa seja mal interpretada, apesar de todos os cuidados. "Não sabemos com clareza se a outra pessoa entenderá nosso ponto de vista. Quem pede algo com a certeza de que será atendido tende a ficar mais incomodado diante da negativa", avisa o psicólogo. "No entanto, se após as explicações o outro permanecer irredutível a ponto de mudar a maneira de se relacionar, cabe uma avaliação sobre a relevância desta amizade. Afinal, num relacionamento saudável, todos devem ter a liberdade de se expressar e de se colocar", finaliza.
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Liderança e Solidão



“Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado” (2Tm 4.16).

A natureza da liderança o torna uma pessoa solitária. Ser líder significa estar à frente da multidão. Líderes são pessoas solitárias. Muitas decisões são deixadas para eles. Eles não têm ninguém para ajudá-los quando se trata de certas coisas.

Líderes que experimentaram a solidão

1. Jesus orou só no Jardim do Getsêmani enquanto todos os demais dormiam

“E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. E, voltando, achou-os outra vez adormecidos, porque os seus olhos estavam carregados. E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras” (Mt 26.39, 43,44).

Ele foi à cruz sozinho enquanto todos fugiam.

“Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (Mt 26.56b).

2. Elias estava sozinho no deserto quando ele foi alimentado pelos corvos

Foi lá que ele ouviu o chamado de Deus.

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais. E deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te, come” (1Rs 19.4,5)

3. João Batista viveu uma vida solitária no deserto

Ele foi descrito como sendo a voz que clama no deserto.

“Segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; Endireitai as suas veredas” (Lc 3.4).

4. Davi passou muitos anos solitário fugindo do rei Saul

Até os de fora notavam que ele estava sozinho.

“Então veio Davi a Nobe, ao sacerdote Aimeleque; e Aimeleque, tremendo, saiu ao encontro de Davi, e disse-lhe: Por que vens só, e ninguém contigo?” (1Sm 21.1).

5. Moisés estava sozinho quando ele encontrou o Senhor na sarça ardente

Ele também estava sozinho quando subiu à montanha.

“E só Moisés se chegará ao SENHOR; mas eles não se cheguem, nem o povo suba com ele” (Êx 24.2).
 
Fonte: HEWARD-MILLS, Dag. A arte da liderança. Tradução Zoica Bakirtzief. Parchment House Publishers, 2011.
 

terça-feira, 26 de março de 2013

Sola Scriptura



"Nada na igreja funciona sem a Bíblia. E se funcionar, já não é mais igreja".

Em um mundo no qual o mote “viver sem regras” vende filmes, livros de auto ajuda e produtos de alta tecnologia, a ideia de uma “regra de fé” não soa muito bem. Até mesmo em contextos religiosos o discurso sobre uma espiritualidade “sem regras” dá uma sensação de liberdade, de frescor, de algo orgânico e vital.

Mas a vida tem regras; está cheia delas. De leis matemáticas à legislação de trânsito, da biologia humana, que insiste em seguir as mesmas leis sem nenhum interesse especial pelos anseios libertários da cultura hipermoderna à linguagem de programação oculta por trás de uma tela retina de alta tecnologia na qual até uma criança escreve com o dedo. Alguns desses processos são bem mecânicos e intencionais; outros são orgânicos e automáticos; mas as regras estão lá, e não podem ser ignoradas sem que os processos que dela dependem sejam destruídos. E no campo da fé não é diferente.

Continue lendo em http://ultimato.com.br/sites/guilhermedecarvalho/2013/03/20/a-regra-da-fe/.

quinta-feira, 21 de março de 2013

CFM apoiará direito de mulher abortar até a 12ª semana


O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu romper o silêncio e defender a liberação do aborto até a 12.ª semana de gestação. O colegiado vai enviar à comissão do Senado que cuida da reforma do Código Penal um documento sugerindo que a interrupção da gravidez até o terceiro mês seja permitida, a exemplo do que já ocorre nos casos de risco à saúde da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.
 
O gesto tem um claro significado político. “Queremos deflagrar uma nova discussão sobre o assunto e esperamos que outros setores da sociedade se juntem a nós”, afirmou o presidente do CFM, Roberto D’Ávila. A entidade nunca havia se manifestado sobre o aborto.
 
A movimentação em torno do tema vem perdendo força nos últimos anos, fruto sobretudo de um compromisso feito pela presidente Dilma Rousseff com setores religiosos, ainda durante a campanha eleitoral. Diante da polêmica e das pressões sofridas de grupos contrários à legalização do aborto, a então candidata amenizou o discurso e se comprometeu a não adotar nenhuma medida para incentivar novas regras durante seu governo. 
 
O comportamento da secretária de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, é um exemplo do quanto o compromisso vem sendo seguido à risca. Conhecida por ser favorável ao aborto, em sua primeira entrevista depois da posse ela avisou: sua posição pessoal sobre o assunto não vinha mais ao caso. “O que importa é a posição do governo”, disse ela, na época. A decisão da entidade foi formalizada na quarta-feira (20), dia em que Dilma Rousseff se encontrou com o papa Francisco, em Roma.
 
Por enquanto não há sinais de que uma nova onda de manifestos favoráveis possa mudar a estratégia do governo. O Ministério da Saúde disse que a discussão do tema cabe ao Congresso. A ministra Eleonora, por sua vez, afirmou que não se manifestaria. “Não podemos deixar que esse assunto vire um tabu. O País precisa avançar”, afirmou D’Ávila. Ele argumenta que mulheres sempre recorreram ao aborto, sendo ele crime ou não. Para o conselho, a situação atual cria duas realidades: mulheres com melhores condições econômicas buscam locais seguros para fazer a interrupção da gravidez. As que não têm recursos recorrem a locais inseguros. “Basta ver o alto índice de morte de mulheres por complicações. Não precisa ser assim.” O aborto é a quinta causa de morte entre mulheres - são 200 mil por ano.
 
O CFM sustenta que a mulher tem autonomia para decidir. “E essas escolhas têm de ser respeitadas.” A proposta do CFM avança em relação ao texto da comissão do Senado, que também permitia o aborto até a 12.ª semana, mas desde que houvesse aprovação médica. “Seria uma burocracia desnecessária. Sem falar de que poderia começar a ocorrer fraude com tais laudos”, avaliou.
 
Legislação

D’Avila é enfático ao dizer que o CFM não é favorável ao aborto. “O que defendemos é o direito de a mulher decidir.” A divulgação do manifesto, diz, não mudará em nada a forma como o conselho trata acusações de médicos que realizaram aborto ilegal. “Não estamos autorizando os profissionais a fazer a interrupção da gravidez nos casos que não estão previstos em lei. Queremos é que a lei seja alterada.” O presidente do CFM reconhece haver resistência a essa alteração. “Vivemos em um Estado laico. Seria ótimo que as decisões fossem adotadas de acordo com o que a sociedade quer e não com o que alguns grupos permitem.”
 
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1355703&tit=CFM-apoiara-direito-de-mulher-abortar-ate-a-12-semana


sexta-feira, 15 de março de 2013

Honra e Lealdade



SIGNIFICADO DE LEALDADE

A palavra Lealdade vem do latim, o qual quer dizer legale, de acordo com a probidade e honra. Probidade = observância rigorosa dos deveres justiça e moral.

No dic. - Procede conforme as leis da honra e dever; fidelidade aos compromissos assumidos. s.f. Franqueza; sinceridade. Retidão; probidade.

Fidelidade vem do latim fidelis que quer dizer crer em alguém (pisteo – grego – Rm 3.3). Qualidade do fiel, fé, lealdade, verdade, veracidade.

Rm 3.3 E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus?

A fidelidade tem a ver com a obediência e a lealdade com a honra. Pode ser fiel por obediência a liderança, mas não é leal por não honrá-la.

Lealdade e fidelidade são muito parecidas, mas o foco deste estudo está na lealdade.

1Sm 26.23 - “Pague, porém, o SENHOR a cada um a sua justiça e a sua lealdade; pois o SENHOR te havia entregado, hoje, nas minhas mãos, porém eu não quis estendê-las contra o ungido do SENHOR”.

É no sentimento de lealdade e fidelidade e na ausência deste que descobrimos, conhecemos ou podemos avaliar o que há de mais nobre ou vil no caráter de uma pessoa. O que há de mais honroso ou mais baixo no ser humano.

REBELDIA E DESLEALDADE

A Bíblia está repleta de histórias de pessoas que foram leais e de outras que foram traiçoeiras e há muito do que se aprender com esses relatos. Um exemplo clássico é de Arão e Miriã. Miriã foi rebelde, se levantou contra uma liderança, mas Arão foi desleal, pois não defendeu Moisés e ainda ficou do lado de Miriã.

Nm 12.1,2 ”Falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuxita que tomara; pois tinha tomado a mulher cuxita. 2 E disseram: Porventura, tem falado o SENHOR somente por Moisés? Não tem falado também por nós? O SENHOR o ouviu”.

Muitos não têm chegado a ponto de ser rebeldes, mas tornam-se desleais, pois ouvem falar mal ou criticar sua liderança e se calam consentindo, não são rebeldes porque não participam, mas são desleais porque consentem.

O diabo tornou-se num especialista em destruir igrejas, trabalhando do lado de dentro dela. Quando um líder é fiel, satanás sabe que terá poucas chances de destruir um ministério trabalhando do lado de fora. Então ele precisa usar alguém que está dentro. Sua tática hoje é enfraquecer o cristão e desviá-lo da fé cristã, mas fazendo com que ele permaneça dentro da igreja com o objetivo de usá-lo na hora certa. Estes se tornam seus agentes infiltrados.

Ele sempre usará alguém que está dentro da igreja. Estas pessoas usadas por satanás dentro da igreja são de caráter duvidoso, que há muito tempo se desviaram e se tornaram desleais, que tem duas caras, ou seja, falsas, mentirosas, invejosas, frustradas, incoerentes, desobedientes, descontentes. E todos estes descontentes da igreja, normalmente se encontram e murmuram contra o líder, semeando contenda, ódio e murmuração e esses sentimentos são como uma fumaça que enche toda a casa e a única maneira de se livrar da fumaça e se livrar do fogo. Quero salientar, que estas conversas sempre chegam nos ouvidos da liderança.

A Bíblia ensina o que fazer:

“Lança fora o escarnecedor, e se irá a contenda, e cessará a questão e a vergonha” (Provérbios 22.10).

Jesus disse: “Quem não é comigo, é contra mim” (Mateus 12.30).

1. Lealdade é a principal qualificação de toda pessoa que venha liderar alguma coisa na obra do senhor. Uma pessoa inexperiente, sempre pensará que quanto mais dons, carisma, talento, simpatia, boa oratória, formação acadêmica, alguém possuir, tanto mais ela estará qualificada para o ministério.

Porém as pessoas mais qualificadas para desenvolver qualquer ministério dentro da igreja são as fiéis e leais. Paulo Ensinou: “Que os homens nos considerem como ministros de cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Coríntios 4.2).

2. Lealdade é a principal qualificação para se ter um ministério duradouro. Qualquer líder pode ter apenas por alguns anos um ministério prático e efetivo. Porém, para um ministério duradouro é necessário ter lealdade.

O ministério de Jesus durou três anos e meio, mas ele estendeu sua influência por todo o mundo através de uma equipe leal e eficaz, o qual, já dura quase dois mil anos. Esta Igreja não depende de sua liderança para continuar, não somos eternos, mas de uma equipe de líderes e obreiros leais e capazes.

Muitos se levantaram em nosso meio com grande carisma e habilidade, mas, alguns se demonstraram desleais e com falhas de caráter.

3. Precisamos de Lealdade para colher nossa plena recompensa. No fim, os que serão abençoados serão os fiéis e leais. Um líder de visão sabe honrar aqueles que permanecem com ele nos tempos difíceis; estes são diferentes daqueles que chegam quando tudo está bem. E ficam só quando as coisas estão boas.

Jesus justificou a razão dessa recompensa especial, dizendo: “E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. E eu vos destino o Reino, como meu Pai me destinou, para que comais e bebais a minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lucas 22.28,29).

Em tempos bons, todos parecem leais. Os leais são reconhecidos em tempos difíceis. Tem pessoas que são leais aos times de futebol, a uma loja, a uma marca, mas não conseguem ser leais a igreja e a liderança.

Exemplo: Quando seu time perde, faz questão de sair com sua camiseta, mas, quando sua igreja passa por dificuldade, é o primeiro a sair, não levando em consideração que sua saída só aumenta com o problema. E esta falha em seu caráter faz com que eles sejam também desleais a Deus, honrado a si mesmo e não a Deus.

QUATRO CAUSAS COMUNS DA DESLEALDADE

1. Perda da Direção de Deus. Muitos alegam que estão sendo dirigidos pelo “espírito” de Deus quando rompem e se rebelam no ministério. Muitas pessoas estão seguindo seu próprio coração.

Infelizmente, quando algumas pessoas se frustram ou se decepcionam, ou imaginam algo em seu coração e isto não acontecem, se tornam desleais, se escondendo atrás da frase: “Deus me falou que meu tempo aqui acabou”. Para eles é mais fácil colocar a culpa na igreja, no pastor ou no irmão tal, do que admitir que elas precisem de cura, de crescimento ou de liberação perdão. Por serem desleais, não firmam raízes em lugar algum, não crescem e não realizam a vontade de Deus.

Ou quando a pessoa vem para o evangelho, quebrado, cheio de problemas, os pastores acompanham, libertam, jejuam, sobrem ao monte para orar por ela, quando ela está limpa, instruída, a vida já está encaminhada, ela acha que é alguém, então sai sem ao menos dizer: obrigado pastor, pelas orações, pelo cuidado, pelo alimento da palavra. Simplesmente vão embora e nós ficamos sabendo por terceiros que estão em outro lugar. Não levando em consideração o trabalho e dedicacão do pastor por ela.

2. Razão Financeira. 1 Tm. 6.10 – o dinheiro é a raiz de todos os males. Os dois males ativados pelo amor ao dinheiro são deslealdade e rebelião. A ganância faz com que a pessoa saia de um emprego que lhe proporciona benefícios ou probabilidade de crescimento, que talvez tenha lhe dado esta específica qualificação por outro só porque paga R$ 100,00 a mais! Tornou-se desleal por ganância.

3. Uma personalidade instável. Há pessoas que tem disposição para tomar decisões precipitadas. Elas podem alterar o plano de sua vida em minutos. Essa é uma característica muito perigosa. Essa pessoa pode estar com você hoje, mas pode não estar mais amanhã. Essas pessoas normalmente tendem a se esconder atrás de ministério itinerante, são conferencista e oradoras talentosas, mas elas mudam de direção sem aviso prévio.

4. Mau Caráter. Existem também pessoas de mau caráter, são desleais por conveniência, o seu deus é a si próprio. Não honram a Deus, nem liderança ou qualquer um que seja, mas procuram ser honrados.

Um exemplo bíblico é Judas, esteve com Jesus, era um de seus discípulos, mas o seu deus era ele mesmo.

Deuteronômio 32.20 e disse: "Esconderei deles o rosto, verei qual será o seu fim; porque são raça de perversidade, filhos em quem não há lealdade".

OS ESTÁGIOS DA DESLEALDADE

Ninguém se torna desleal da noite para o dia. A deslealdade é um processo frio e silencioso. Muitas pessoas nem sequer sabem que estão no processo de se tornar desleais e muitos líderes não percebem que seus liderados estão se tornando desleais.

De que me servirá o conhecimento desses estágios?

Haverá pelo menos dois benefícios: Irá ajudá-lo a detectar e eliminar qualquer uma dessas características que possa surgir dentro de você e com qualquer pessoa que você trabalha não apenas no ministério, mas também no mundo secular.

1. Espírito Independente. A tal da independência é tão sutil, que nem é reconhecida como deslealdade. É quando uma pessoa faz parte de uma organização, mas não segue as regras da instituição fazendo o que ela quer.

O líder marca um jejum para quinta feira, mas como ele já tinha planejado jejuar na quarta, é o que ele faz. O pastor convoca várias reuniões, mas ele só vai à que achar que é importante. O líder do ministério de louvor marca orações, consagrações e ensaios, o que tem espírito independente resolve que só irá participar dos ensaios. Não há nada de errado em ser independente, mas independência tem vez e hora.

Quando nos engajamos em algo, não podemos agir independente daquela instituição e fazer o que pensamos ser certo e ignorar as ordens que vem da liderança e se achamos que não podemos obedecer, devemos renunciar. Imagina alguém entrar no casamento e não dar satisfação ao marido ou a esposa, porque tem como estilo de vida a independência.

2. O Estágio Crítico. Uma pessoa desleal se torna critica e murmuradora. Olha as falhas com lente de aumento.

Miriã tornou-se critica de seu irmão Moisés (Números 12.1). Devemos olhar as coisas com olhos espirituais. Quando alguém começa a criticar demais sua liderança, ela está sendo desleal.

Nós somos testados o tempo todo em nossa lealdade e fidelidade. Quando o chefe sai da sala, o trabalho continua ou paramos para conversar? Nossa lealdade está sendo testada.

O chefe não está, mas o Chefe Maior, Jesus está. Se não somos fieis aos nossos líderes, sejam chefes, pais, pastores ou líderes, a quem vemos e falamos, não seremos leais a Deus a quem não vemos.

O EXEMPLO DE JESUS E SUA LEALDADE

O que mais nos chama atenção na vida de Jesus são os seus milagres, mas poucos percebem a lealdade e Fidelidade de Jesus para com o Pai. O melhor professor de lealdade foi Jesus. Ele foi leal e fiel ao Pai e a visão do Pai. Ele nunca se desviou de sua linha de conduta, mas tudo o que Ele fez foi o que viu e ouvir de Deus. Jo 5.19

1. Jesus reconheceu publicamente a Deus - Jo.5.18. Alguns não falam que foram instruídos por alguém, ou influenciados por alguém. Uma pessoa leal não se envergonha de dizer quem ela está seguindo, quem é seu líder. Ela se sente honrada por ter um líder, por ser cuidada por alguém.

Quer perceber um exemplo de resquício de deslealdade: Quando uma pessoa fala, prega ou conversa sem mencionar alguma vez o que seu líder ou pastor falou e ensinou, ele demonstra ter resquício de deslealdade e independência, significa que ele é auto-suficiente. Outro fator que representa também deslealdade é quando a pessoa cita referência de outra como sendo dela.

Jesus não procurou fazer a sua Própria vontade, mas a do Pai (Jo 5.30).
Não faça a sua vontade, mas a vontade de Deus e dos líderes que te incumbiram de uma missão.

2. Jesus não se exaltou a si mesmo - Jo 5.44. Jesus não se engrandeceu nem se exaltou a si, mas engrandeceu e exaltou a Deus. A pessoa que se exalta e se auto-promove não foi enviada por Deus, porque Deus não divide a glória dele. Não há necessidade de dizer o que fez, isto é, os milagres que realizou como se partisse da própria pessoa o poder, mas precisamos engrandecer e exaltar a Deus que realizou o milagre.

3. Jesus não deixou-se influenciar por propostas que traziam engrandecimento ministerial - Mt 4.4. Satanás quis tentar a Jesus dizendo que daria o reino deste mundo se o adorasse. A pessoa leal não se deixa seduzir por palavras e insinuações de grandeza, ou convite de terceiros, porque ele sabe quem ele é, qual sua posição no Reino, sua tarefa e a quem ele serve.

4. Jesus foi leal a visão - Mt 16.22,23 – “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.

E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: " Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”.

Jesus não se tornou desleal mudando as regras do ministério a partir do momento que Ele teve repercussão e propriedade para fazê-lo. (enquanto a pessoa está debaixo de nossa autoridade ela diz crer como nos cremos, a partir do momento que se torna líder faz as coisas do seu jeito = isto demonstra pluralidade na teoria, mas é na prática um imperialista e tirano).

OS BENEFÍCIOS DA LEALDADE

Mt 5.21- Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

A lealdade traz crescimento profissional. Veja pessoas que mudam de empregos a cada seis meses. Como podem crescer e prosperar profissionalmente se elas são desleais!

Quem vai investir em alguém que murmura do emprego, da empresa, do chefe, do salário. Se você quer crescer em uma empresa seja leal a ela. Não critique, não murmure, trabalhe, e faça com excelência como se fizesse para Jesus.

A lealdade traz crescimento ministerial. Ninguém investe em desleal. O irmão que a cada ano troca de igreja, fala contra o pastor ou a liderança, não é leal a visão que Deus deu a igreja, achando sempre que ele tem a visão do momento. Seu coração não está conosco quer apenas uma igreja que dê o título a ele.

Quem é desleal não cresce ministerialmente e não é culpa da igreja e do pastor. Todo aquele que vem com a historinha que a igreja não me reconhece ou o pastor só consagra quem ele quer, este é desleal por isso não cresce. Muitos culpam a igreja ou ministério por suas frustrações pessoas por uma razão ou outra não prospera na vida e no ministério então preferem culpar mais ou outros a reconhecer suas próprias debilidades.

A lealdade traz prosperidade. Deus prospera pessoas que são fieis e leais aos seus compromissos, honrando os pagamentos em dia. Tem gente que espera vencer para pagar, isto é deslealdade, porque você se comprometeu a pagar até aquela data. Deus não pode abençoar o desleal, não apenas aquele que é desleal nos dízimos e nas ofertas, mas também porque é desleal com seus compromissos.

A lealdade traz confiança. Melhor coisa é ter alguém para confiar. A lealdade traz paz e segurança no casamento. Deixe-me exemplificar o que é lealdade no casamento. O marido, por exemplo, pode ser fiel, mas não leal. Pode ser fiel por suas convicções, mas no seu pensamento ser desleal. Sabe o homem ventilador? Aquele que olha para todos os lados na rua? É desleal, não é infiel porque não traiu, mas desleal porque não honrou a esposa. Amados, precisamos ser leais em nosso casamento.

A pessoa leal experimenta o favor de Deus. A segunda benção da fidelidade é entrar no gozo do Senhor. Isso significa experimentar o favor de Deus. Quando o favor de Deus está sobre você, seus inimigos não florescerão em redor.

Seja uma pessoal leal e terá grande crescimento em seus negócio e ministério. Seja uma pessoa leal para poder ter o favor de Deus sobre tudo o que você colocar a mão para fazer.


Fonte: http://www.comunhaoagape.net/site/wp-content/uploads/PRINCÍPIO-DA-LEALDADE.pdf. Acesso em 15.03.2013